{"id":100465,"date":"2016-11-25T06:36:39","date_gmt":"2016-11-25T08:36:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=100465"},"modified":"2016-11-24T10:37:25","modified_gmt":"2016-11-24T12:37:25","slug":"modelo-hidrologico-pode-auxiliar-a-prever-enchentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/modelo-hidrologico-pode-auxiliar-a-prever-enchentes\/100465","title":{"rendered":"Modelo hidrol\u00f3gico pode auxiliar a prever enchentes"},"content":{"rendered":"<p> Ag\u00eancia FAPESP \u00a0| \u00a0Heitor Shimizu, de Montevid\u00e9u \u2013 Um dos mais importantes rios do Brasil, o Doce, tem cerca de 850 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e banha os estados de Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo. Sua bacia tem v\u00e1rios afluentes e abrange mais de 200 munic\u00edpios. H\u00e1 um ano, o rio sofre consequ\u00eancias do maior desastre ambiental brasileiro. O rompimento de uma barragem em Mariana (MG) jogou mais de 60 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeitos de minera\u00e7\u00e3o no Doce, provocando enormes preju\u00edzos para a popula\u00e7\u00e3o e para o ecossistema da bacia. At\u00e9 ent\u00e3o, o principal problema na bacia eram os desastres provocados por fortes chuvas, t\u00e3o constantes como graves, com perdas naturais e humanas. Governador Valadares (MG), em 1979, 1985, 1997, 2005 e 2008, Colatina (ES), em 1997 e em 2013, e Ponte Nova (MG), em 2008, foram cidades que enfrentaram desastres hidrol\u00f3gicos de s\u00e9rias propor\u00e7\u00f5es. Transbordamentos menos intensos s\u00e3o muito mais comuns. A frequ\u00eancia de casos levou \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de um sistema de <strong><em>alertas contra cheias<\/em><\/strong> em 1997 sob responsabilidade da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM).<\/p>\n<p>\u201cO sistema de alerta atualmente operacional no rio Doce realiza previs\u00f5es hidrol\u00f3gicas de vaz\u00f5es por meio de um modelo linear de propaga\u00e7\u00e3o, que utiliza a leitura de vaz\u00e3o de uma esta\u00e7\u00e3o a montante de outra se\u00e7\u00e3o para prever a vaz\u00e3o esperada em sete das cidades mais importantes da bacia com anteced\u00eancia de at\u00e9 24 horas\u201d, disse Javier Tomasella, pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).<\/p>\n<p>Mas 24 horas muitas vezes n\u00e3o \u00e9 o suficiente. \u201cIsso pode ser inadequado em muitos dos munic\u00edpios da regi\u00e3o, como \u00e9 o caso de bacias de cabeceiras do rio Doce com resposta r\u00e1pida do aumento de vaz\u00e3o, que geralmente aparecem associadas aos desastres naturais com maior impacto em perdas de vida humana\u201d, disse Tomasella na FAPESP Week Montevideo, realizada dias 17 e 18 de novembro de 2016 na capital uruguaia. O evento foi organizado pela FAPESP em colabora\u00e7\u00e3o com a Asociaci\u00f3n de Universidades Grupo Montevideo (AUGM) e a Universidad de la Rep\u00fablica (UDELAR).<\/p>\n<p>T\u00e3o importante quanto um sistema de alerta \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o de um sistema de previs\u00e3o. A ideia \u00e9 que ambos trabalhem em conjunto, de modo a prever com relativa anteced\u00eancia o n\u00edvel de aumento de um rio e poder avisar as popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas para que desocupem as \u00e1reas com maior risco de inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um sistema de previs\u00e3o e alerta contra enchentes re\u00fane uma s\u00e9rie de atividades que exige a colabora\u00e7\u00e3o de diversos profissionais, como meteorologistas, hidr\u00f3logos e gestores de desastres.<\/p>\n<p>Tomasella apresentou no simp\u00f3sio uma avalia\u00e7\u00e3o de um sistema de previs\u00e3o de vaz\u00f5es, desenvolvido em uma parceria entre o Cemaden e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq). As previs\u00f5es s\u00e3o realizadas utilizando o Modelo Hidrol\u00f3gico Distribu\u00eddo (MHD) do Inpe, com previs\u00f5es meteorol\u00f3gicas do modelo Eta-CPTEC.<\/p>\n<p>\u201cNossas estat\u00edsticas de desempenhos indicam que o MHD-Inpe mostra resultados promissores para anteced\u00eancia de at\u00e9 cinco dias. A an\u00e1lise indica que o desempenho depende da escala da bacia e que os resultados s\u00e3o extremamente dependentes da inicializa\u00e7\u00e3o do modelo hidrol\u00f3gico, o que torna essencial a opera\u00e7\u00e3o em conjunto com um sistema de monitoramento em tempo real\u201d, disse Tomasella.<\/p>\n<p>Um modelo hidrol\u00f3gico \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o simplificada do ciclo hidrol\u00f3gico no qual equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas representam os diferentes processos que comp\u00f5em o ciclo.<\/p>\n<p>Previs\u00e3o por conjunto<\/p>\n<p>Processos hidrol\u00f3gicos s\u00e3o complexos e muitas vezes n\u00e3o totalmente conhecidos. Por conta disso, a representa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica apresenta limita\u00e7\u00f5es. Os modelos podem diferir com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura. Os pesquisadores destacam que a escolha de um modelo deve ser baseada nas caracter\u00edsticas da \u00e1rea de estudo e na finalidade da modelagem. A escolha do detalhamento da simula\u00e7\u00e3o depende das informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Tomasella explica que o MHD-Inpe foi desenvolvido para interagir com modelos atmosf\u00e9ricos em estudos sobre mudan\u00e7as ambientais globais. No MHD-Inpe, a bacia a ser representada \u00e9 dividida em uma grade de c\u00e9lulas regulares, para facilitar a troca de informa\u00e7\u00f5es entre modelos. O tamanho da c\u00e9lula pode variar de acordo com a regi\u00e3o onde est\u00e1 sendo aplicado e da densidade de informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>O MHD-Inpe est\u00e1 subdividido em m\u00f3dulos de resolu\u00e7\u00e3o como \u201cbalan\u00e7o de \u00e1gua no solo\u201d, \u201cevapora\u00e7\u00e3o de superf\u00edcie de \u00e1gua livre, \u00e1reas saturadas, intercepta\u00e7\u00e3o e transpira\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cescoamentos superficial, subsuperficial e subterr\u00e2neo em cada c\u00e9lula\u201d.<\/p>\n<p>Tomasella explica que o MHD-Inpe representa o ciclo hidrol\u00f3gico di\u00e1rio e hor\u00e1rio do rio e permite fazer previs\u00f5es por conjunto de vaz\u00e3o hor\u00e1ria por meio de diferentes partes do modelo atmosf\u00e9rico Eta-CPTEC, utilizado no Brasil e em v\u00e1rios outros pa\u00edses para previs\u00f5es de tempo, clima e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que fornece previs\u00f5es por conjunto e com alta resolu\u00e7\u00e3o que alimentam o modelo hidrol\u00f3gico.<\/p>\n<p>\u201cA atmosfera \u00e9 um sistema din\u00e2mico complexo e n\u00e3o linear e predizer seu estado em um tempo futuro carrega incertezas inerentes aos modelos e \u00e0s limita\u00e7\u00f5es do conhecimento. Por conta disso, a previs\u00e3o de tempo emprega uma t\u00e9cnica denominada Previs\u00e3o por Conjunto, para estimar prov\u00e1veis estados futuros da atmosfera\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cComo a atmosfera \u00e9 um sistema ca\u00f3tico, pequenas incertezas no seu estado inicial podem acarretar enormes varia\u00e7\u00f5es em uma previs\u00e3o. Com o intuito de minimizar esses erros, os modelos num\u00e9ricos de previs\u00e3o s\u00e3o executados um n\u00famero de vezes com pequenas perturba\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es iniciais, gerando um conjunto de previs\u00f5es, denominados membros. O conjunto completo das previs\u00f5es geradas nesses processos \u00e9 referenciado como previs\u00e3o de tempo por conjunto. Assim, a previs\u00e3o de tempo por conjunto \u00e9 considerada como entrada no modelo hidrol\u00f3gico que assim produz as predi\u00e7\u00f5es probabil\u00edsticas da descarga dos rios\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo pesquisadores do Cemaden e do Inpe, nos estudos realizados at\u00e9 o momento, os resultados atingidos com o uso do MHD-Inpe indicam que o modelo tem capacidade para ser utilizado como ferramenta para a previs\u00e3o e alerta de desastres hidrol\u00f3gicos. O Cemaden j\u00e1 monitora 26 dos munic\u00edpios da bacia do rio Doce.<\/p>\n<p>Saiba mais sobre a FAPESP Week Montevideo: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP \u00a0| \u00a0Heitor Shimizu, de Montevid\u00e9u \u2013 Um dos mais importantes rios do Brasil, o Doce, tem cerca de 850 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e banha os estados de Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo. Sua bacia tem v\u00e1rios afluentes e abrange mais de 200 munic\u00edpios. 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