{"id":102013,"date":"2016-12-14T06:33:09","date_gmt":"2016-12-14T08:33:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=102013"},"modified":"2016-12-13T19:34:34","modified_gmt":"2016-12-13T21:34:34","slug":"acao-humana-amplia-incidencia-do-hantavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/acao-humana-amplia-incidencia-do-hantavirus\/102013","title":{"rendered":"A\u00e7\u00e3o humana amplia incid\u00eancia do hantav\u00edrus"},"content":{"rendered":"<p> Peter Moon \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um dos mais temidos v\u00edrus emergentes, o <em><strong>hantav\u00edrus<\/strong><\/em> \u00e9 o agente causador de uma s\u00edndrome pulmonar mortal para a qual n\u00e3o h\u00e1 vacina nem tratamento. A letalidade \u00e9 alta, atingindo 41% no Brasil. Os hospedeiros do hantav\u00edrus s\u00e3o pequenos roedores que vivem em \u00e1reas naturais e no campo. Foram eles os respons\u00e1veis pela dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a pelo Brasil. A transmiss\u00e3o da doen\u00e7a se d\u00e1 por meio do contato com part\u00edculas aerizadas do v\u00edrus, presentes na saliva, na urina e nas fezes dos roedores.<\/p>\n<p>A emerg\u00eancia epidemiol\u00f3gica do hantav\u00edrus no Brasil levou a um estudo cujos resultados foram publicados na revista . O trabalho fornece as primeiras evid\u00eancias de fatores sociais, ecol\u00f3gicos e clim\u00e1ticos associados com a incid\u00eancia da S\u00edndrome Pulmonar Hantav\u00edrus na Am\u00e9rica tropical.<\/p>\n<p>A pesquisa \u00e9 coordenada por , professor titular do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo, e por sua doutoranda, ,\u00a0e integra o Projeto Tem\u00e1tico &#8220;&#8221;, do programa BIOTA-FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cQuer\u00edamos identificar quais vari\u00e1veis socioambientais est\u00e3o relacionadas com a doen\u00e7a e tentar estabelecer quais seriam as condi\u00e7\u00f5es de risco de infec\u00e7\u00e3o\u201d, disse Metzger.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, foram identificadas oito variantes de hantav\u00edrus no Brasil. Oito tamb\u00e9m \u00e9 o n\u00famero de esp\u00e9cies de roedores que s\u00e3o reservat\u00f3rios naturais do v\u00edrus no pa\u00eds. Tr\u00eas dessas esp\u00e9cies s\u00e3o respons\u00e1veis pelo maior n\u00famero de casos: o rato do rabo peludo (Necromys lasiurus) na regi\u00e3o de Cerrado no nordeste de S\u00e3o Paulo; o ratinho do arroz (Oligoryzomys nigripes) na Mata Atl\u00e2ntica paulista; e o rato da mata (Akodon montensis) no Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de S\u00e3o Paulo, entre 1993 e 2012 foram registrados casos no Paran\u00e1, no Cerrado, em Rond\u00f4nia, na Amaz\u00f4nia e no Maranh\u00e3o. No per\u00edodo, foram 1.537 casos registrados, sendo 207 no Estado de S\u00e3o Paulo. Os dados s\u00e3o do Centro de Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica paulista.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, os casos da doen\u00e7a est\u00e3o divididos entre aqueles que ocorreram no Cerrado (57 casos) ou na Mata Atl\u00e2ntica (150). No Cerrado, a incid\u00eancia se circunscreve \u00e0s \u00e1reas agr\u00edcolas, pois o N. lasiurus \u00e9 um animal que vive em \u00e1reas abertas, como campos agr\u00edcolas, e se alimenta dos restos da planta\u00e7\u00e3o. J\u00e1 na Mata Atl\u00e2ntica, a incid\u00eancia est\u00e1 relacionada \u00e0s \u00e1reas mais fragmentadas.<\/p>\n<p>\u201cO estudo consistiu em quantificar as associa\u00e7\u00f5es entre a incid\u00eancia da s\u00edndrome pulmonar hantav\u00edrus em S\u00e3o Paulo entre 1993 e 2012 com vari\u00e1veis clim\u00e1ticas (precipita\u00e7\u00e3o anual, temperatura m\u00e9dia anual), com a estrutura da paisagem (propor\u00e7\u00e3o de cobertura florestal nativa, n\u00famero de fragmentos florestais, propor\u00e7\u00e3o de \u00e1rea plantada com cana-de-a\u00e7\u00facar) e com fatores sociais, como o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano de cada cidade e o total de homens trabalhadores rurais com mais de 14 anos\u201d, explicou Metzger.<\/p>\n<p>Os pesquisadores empregaram modelos estat\u00edsticos para analisar dados da incid\u00eancia da doen\u00e7a no Estado de S\u00e3o Paulo e as vari\u00e1veis estudadas. A partir dos dados, foram constru\u00eddos modelos para os dois principais biomas do estado: Cerrado e Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Um resultado importante do estudo \u00e9 que a extens\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar se mostrou o mais importante fator para estimar a infec\u00e7\u00e3o por hantav\u00edrus, e que essa rela\u00e7\u00e3o se observa tanto no Cerrado como na Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Do ponto de vista ecol\u00f3gico, os pesquisadores apontam que o aumento no n\u00famero de casos pode ocorrer em fun\u00e7\u00e3o do desmatamento e da expans\u00e3o dessa cultura.<\/p>\n<p>\u201cQuando \u00e1reas de floresta s\u00e3o derrubadas, aquelas esp\u00e9cies de roedores especialistas em sobreviver naquele ambiente tendem a desaparecer\u201d, disse Prist. \u201cEm seu lugar entram as esp\u00e9cies generalistas, como roedores capazes de sobreviver em diversos ambientes. Os roedores que transmitem o hantav\u00edrus se adequam a esta categoria.\u201d<\/p>\n<p>Efeitos da transmiss\u00e3o da doen\u00e7a em cen\u00e1rio futuro de clima<\/p>\n<p>Os pesquisadores se surpreenderam com os resultados da an\u00e1lise da transmiss\u00e3o do hantav\u00edrus do ponto de vista clim\u00e1tico. \u201cQuando analisamos os dados obtidos, prevendo o risco de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a em cen\u00e1rios futuros, tanto de clima quanto de expans\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar, percebemos que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas t\u00eam um papel muito mais significativo na expans\u00e3o da doen\u00e7a\u201d, disse Metzger.<\/p>\n<p>\u201cQuanto maior foi a temperatura m\u00e9dia nos munic\u00edpios afetados, nossa an\u00e1lise indicou que maior foi o risco de transmiss\u00e3o dessa doen\u00e7a\u201d, disse o pesquisador que atua junto \u00e0 Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (IPBES) em diagn\u00f3sticos tem\u00e1ticos de modelos e cen\u00e1rios, degrada\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o, assim como no diagn\u00f3stico regional das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Metzger e colegas estudaram cen\u00e1rios de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas definidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) e calcularam que em um cen\u00e1rio mais pessimista o n\u00famero de trabalhadores rurais homens acima de 14 anos que poderia morrer em decorr\u00eancia da hantavirose poderia aumentar em 34% em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00fameros atuais.<\/p>\n<p>\u201cEsse aumento \u00e9 uma m\u00e9dia para todo o Estado de S\u00e3o Paulo. Em alguns munic\u00edpios, a amplia\u00e7\u00e3o da gravidade do problema pode ser maior\u201d, disse Prist.<\/p>\n<p>\u201cProduzimos um mapa de risco que pode ser usado para a ado\u00e7\u00e3o de medidas preventivas e para a otimiza\u00e7\u00e3o de recursos que auxiliem para evitar a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Especialmente nos munic\u00edpios que mostram \u00edndices de infec\u00e7\u00e3o m\u00e9dios para altos\u201d, disse Metzger.<\/p>\n<p>O primeiro surto de hantavirose registrado no mundo ocorreu na Guerra da Coreia (1950-53), quando cerca de 3 mil soldados das Na\u00e7\u00f5es Unidas adoeceram v\u00edtimas de uma misteriosa febre hemorr\u00e1gica na regi\u00e3o do rio Hantan \u2013 da\u00ed o nome. Mais tarde, soube-se que o agente teria infectado em torno de 12 mil soldados japoneses na invas\u00e3o da Manch\u00faria, nos anos 1930.<\/p>\n<p>O v\u00edrus foi isolado apenas em 1977. Em 1993, houve um surto nos Estados Unidos. No mesmo ano, ocorreram os primeiros casos no Brasil, quando tr\u00eas irm\u00e3os, todos trabalhadores rurais, adoeceram e dois morreram em Juquitiba (SP).<\/p>\n<p>O artigo Landscape, Environmental and Social Predictors of Hantavirus Risk in S\u00e3o Paulo, Brazil(doi:10.1371\/journal.pone.0163459), de Prist PR, Uriarte M, Tambosi LR, Prado A, Pardini R, D\u2019Andrea PS, Metzger JP, pode ser lido em: <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Moon \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um dos mais temidos v\u00edrus emergentes, o hantav\u00edrus \u00e9 o agente causador de uma s\u00edndrome pulmonar mortal para a qual n\u00e3o h\u00e1 vacina nem tratamento. A letalidade \u00e9 alta, atingindo 41% no Brasil. Os hospedeiros do hantav\u00edrus s\u00e3o pequenos roedores que vivem em \u00e1reas naturais e no campo. 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