{"id":106495,"date":"2017-02-09T01:15:09","date_gmt":"2017-02-09T03:15:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=106495"},"modified":"2017-02-08T23:16:03","modified_gmt":"2017-02-09T01:16:03","slug":"inflacao-e-a-menor-para-os-meses-de-janeiro-em-quase-quatro-decadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/inflacao-e-a-menor-para-os-meses-de-janeiro-em-quase-quatro-decadas\/106495","title":{"rendered":"Infla\u00e7\u00e3o \u00e9 a menor para os meses de janeiro em quase quatro d\u00e9cadas"},"content":{"rendered":"<p> A <strong><em>infla\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong> oficial do pa\u00eds fechou janeiro de 2017 com a menor alta para os meses de janeiro de toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica iniciada em 1979 \u2013 ou seja, em quase quatro d\u00e9cadas. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), que divulgou o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA): 0,38%.<\/p>\n<p>No entanto, em janeiro deste ano a taxa subiu 0,8 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o a dezembro de 2016, ao passar de 0,3% para 0,38%. \u00c9, por\u00e9m, 0,89 ponto percentual inferior ao apurado em janeiro do ano passado: 1,27%.<\/p>\n<p>Com o resultado de janeiro deste ano, a infla\u00e7\u00e3o acumulada pelo IPCA nos \u00faltimos 12 meses \u00e9 de 5,35%, ficando 0,94 ponto percentual abaixo dos 6,29% apurados nos 12 meses encerrados em dezembro de 2016.<\/p>\n<p>Os dados do IBGE indicam, ainda, que a alta de janeiro deste ano foi puxada pelas tarifas de \u00f4nibus, que, pressionadas pela alta dos combust\u00edveis (1,28%), subiram 2,84%, liderando o ranking dos principais impactos individuais, com 0,07 ponto percentual para a taxa global do m\u00eas. Item importante nas despesas do consumidor, os \u00f4nibus urbanos t\u00eam expressiva participa\u00e7\u00e3o de 2,61% na forma\u00e7\u00e3o do IPCA.<\/p>\n<p>Com a alta das tarifas dos coletivos, o grupo transportes apresentou a mais elevada varia\u00e7\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o de grupo (0,14%). Segundo o IBGE, a alta de 1,28% dos combust\u00edveis teve forte influ\u00eancia na eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do litro do etanol que subiu 3,1% &#8211; pressionando o grupo &#8211; enquanto o litro da gasolina aumentou 0,84%.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o grupo Transportes &#8211; apesar da varia\u00e7\u00e3o mais elevada &#8211; apresentou forte desacelera\u00e7\u00e3o na taxa de crescimento de pre\u00e7os de dezembro para janeiro, ao passar de 1,11% para 0,77%. Isto se deve, principalmente, \u00e0s passagens a\u00e9reas, que foram de 26,29% em dezembro para uma defla\u00e7\u00e3o (infla\u00e7\u00e3o negativa) de 7,36% em janeiro.<\/p>\n<p>Alimenta\u00e7\u00e3o e bebidas t\u00eam forte acelera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Os grupos Alimenta\u00e7\u00e3o e Bebidas e Habita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m acusaram forte acelera\u00e7\u00e3o entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017 e contribu\u00edram para que o IPCA fosse de 0,3% para 0,38% de um m\u00eas para o outro. No caso de Alimenta\u00e7\u00e3o e Bebidas, a taxa passou de 0,08% para 0,35%, e o de Habita\u00e7\u00e3o saiu de uma defla\u00e7\u00e3o de 0,59% para uma infla\u00e7\u00e3o de 0,17%.<\/p>\n<p>No grupo Habita\u00e7\u00e3o, a queda nas contas de energia el\u00e9trica foi menos intensa. Em dezembro, as contas ficaram 3,7% mais baratas, o principal impacto para baixo. Isto devido ao fim da cobran\u00e7a do adicional de R$ 1,50 da bandeira amarela. J\u00e1 em janeiro, a queda foi de 0,6% e se deve \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do Programa de Integra\u00e7\u00e3o Social\/Contribui\u00e7\u00e3o para o Financiamento da Seguridade Social (PIS\/Cofins) na maioria das regi\u00f5es analisadas.<\/p>\n<p>A pesquisa do IBGE indica que apenas os grupos Artigos de Resid\u00eancia, com defla\u00e7\u00e3o de 0,1%, e de vestu\u00e1rio (-0,36%) apresentaram quedas de pre\u00e7os entre dezembro e janeiro.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros por regi\u00f5es<\/p>\n<p>Entre as 13 regi\u00f5es pesquisadas pelo IBGE, sete apresentaram taxas acima da m\u00e9dia nacional do IPCA de 0,38% verificada em janeiro.<\/p>\n<p>O principal destaque foi Bras\u00edlia, cujo \u00edndice caiu de 1,2% para 0,72%, de dezembro para janeiro, mas foi a mais alta taxa do pa\u00eds, com um resultado que chegou a ser 0,34 ponto percentual superior \u00e0 m\u00e9dia do IPCA do m\u00eas. Em seguida, aparecem Vit\u00f3ria, com IPCA de 0,69%, e Salvador (0,67%). No Rio de Janeiro, a taxa variou 0,4%.<\/p>\n<p>Entre as seis regi\u00f5es que fecharam com taxas menores do que a m\u00e9dia nacional, o destaque principal ficou com a regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre, a menor do pa\u00eds: 0,18%. Em S\u00e3o Paulo, a taxa variou 0,23%.<\/p>\n<p>O IPCA \u00e9 a infla\u00e7\u00e3o oficial do pa\u00eds e serve de par\u00e2metro para o plano de metas do governo federal, cujas bandas fixadas pelo Banco Central variam entre 3,5 e 6,5%. Calculado pelo IBGE desde 1980, o \u00edndice abrange fam\u00edlias com rendimento de 1 a 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos e envolve dez regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds, al\u00e9m de Goi\u00e2nia, Campo Grande e de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Infla\u00e7\u00e3o em baixa<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da coordenadora de \u00cdndices de Pre\u00e7os do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, o recuo da demanda em raz\u00e3o das altas taxas de desemprego e da dificuldade de cr\u00e9dito \u00e9 fundamental para que as taxas de infla\u00e7\u00e3o se mantenham em n\u00edveis relativamente baixos, se comparados ao ano de 2015.<\/p>\n<p>Para ela, a conjuntura n\u00e3o mudou e o perfil do comportamento dos pre\u00e7os neste in\u00edcio de ano se manteve semelhante aos de 2016, em particular, a partir da segunda metade do ano.<\/p>\n<p>\u201cO perfil dos \u00faltimos meses do ano passado e deste in\u00edcio do ano, com desemprego em alta, dificuldade de cr\u00e9dito e elevadas taxas de juros, tem feito os pre\u00e7os recuarem e, em alguns casos, levando at\u00e9 mesmo \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da margem de lucro em raz\u00e3o do comportamento do d\u00f3lar\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para Eulina, \u201co recuo da demanda tem sido fundamental para que a gente esteja tendo hoje taxas de infla\u00e7\u00e3o bem mais baixas do que h\u00e1 alguns anos. A conjuntura n\u00e3o mudou: h\u00e1 um esbo\u00e7o de recupera\u00e7\u00e3o em alguns setores da ind\u00fastria, mas n\u00e3o h\u00e1 resposta em termos de venda e o contexto ainda \u00e9 de pouca grana\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A coordenadora entende que os perfis dos dois \u00edndices (dezembro e janeiro) s\u00e3o mais ou menos parecidos, com os pre\u00e7os sendo influenciados pela demanda.<\/p>\n<p>Quanto ao resultado de alta de janeiro (0,38% contra 0,3% de dezembro do ano passado) ele foi influenciado pela diferen\u00e7a exercida pela press\u00e3o das passagens dos \u00f4nibus urbanos, uma vez que os transportes s\u00e3o respons\u00e1veis por uma parcela significativa das despesas das fam\u00edlias e janeiro concentra reajustes em algumas regi\u00f5es do pa\u00eds. Soma-se a isso os alimentos, cujos pre\u00e7os pesam mais e t\u00eam maior impacto nas despesas das fam\u00edlias &#8211; e alguns itens aumentaram bastante, argumenta.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica do IBGE avalia que, em fevereiro, o IPCA ainda sofrer\u00e1 o impacto pontual dos reajustes das mensalidades escolares \u201cque tamb\u00e9m pesam muito e causam impacto no or\u00e7amento das fam\u00edlias. Haver\u00e1 ainda resqu\u00edcios dos reajustes das tarifas de \u00f4nibus que ainda v\u00e3o aparecer em menor escala no \u00edndice do pr\u00f3ximo m\u00eas\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>Nielmar de Oliveira &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Kleber Sampaio<br \/>\n09\/02\/2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A infla\u00e7\u00e3o oficial do pa\u00eds fechou janeiro de 2017 com a menor alta para os meses de janeiro de toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica iniciada em 1979 \u2013 ou seja, em quase quatro d\u00e9cadas. 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