{"id":110944,"date":"2017-04-11T00:34:54","date_gmt":"2017-04-11T03:34:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=110944"},"modified":"2017-04-10T16:05:58","modified_gmt":"2017-04-10T19:05:58","slug":"estudo-aponta-relacao-entre-vitamina-d-e-perfil-da-microbiota-intestinal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/estudo-aponta-relacao-entre-vitamina-d-e-perfil-da-microbiota-intestinal\/110944","title":{"rendered":"Estudo aponta rela\u00e7\u00e3o entre vitamina D e perfil da microbiota intestinal"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um  brasileiro divulgado na revista Metabolism sugere que os n\u00edveis de <strong><em>vitamina D<\/em><\/strong> circulantes no organismo podem influenciar o perfil da microbiota intestinal e, consequentemente, o risco de desenvolver doen\u00e7as cardiovasculares e metab\u00f3licas. Como ressaltam os autores, o artigo apresenta apenas ind\u00edcios sobre a exist\u00eancia dessa rela\u00e7\u00e3o \u2013 o que ainda precisa ser confirmado por investiga\u00e7\u00f5es mais aprofundadas.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 se sabia que a vitamina D \u00e9 importante para a homeostase do sistema imune. O que nosso estudo acrescenta \u00e9 que essa rela\u00e7\u00e3o ocorre, pelo menos em parte, pelas intera\u00e7\u00f5es com a microbiota intestinal\u201d, afirmou Sandra Roberta Gouvea Ferreira Vivolo, professora da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (FSP-USP) e coordenadora da pesquisa .<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es est\u00e3o baseadas na an\u00e1lise dos dados de 150 volunt\u00e1rios entre 20 e 30 anos (91% do sexo feminino) que est\u00e3o cursando ou j\u00e1 conclu\u00edram a gradua\u00e7\u00e3o em Nutri\u00e7\u00e3o. Como explicou Vivolo, essa pesquisa transversal \u00e9 um desdobramento de um estudo maior do tipo longitudinal conhecido como Nutritionists Health Study (), que acompanha desde 2013 os h\u00e1bitos de vida de uma amostra espec\u00edfica de estudantes de Nutri\u00e7\u00e3o e nutricionistas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 oportuno avaliar nutricionistas, pois s\u00e3o indiv\u00edduos aptos a responder question\u00e1rios t\u00e9cnicos, especialmente relacionados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, s\u00e3o pessoas muito ligadas a quest\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, o que pode influenciar o h\u00e1bito alimentar\u201d, disse Vivolo.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, o primeiro passo foi descobrir se existia uma rela\u00e7\u00e3o entre ingerir uma quantidade maior de alimentos ricos em vitamina D e apresentar um maior n\u00edvel do nutriente na circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea.<\/p>\n<p>\u201cEssa associa\u00e7\u00e3o pode parecer \u00f3bvia a princ\u00edpio, mas n\u00e3o \u00e9. A literatura cient\u00edfica \u00e9 controversa sobre o assunto, pois apenas 20% da vitamina D existente no organismo humano \u00e9 proveniente da dieta. A quantidade ideal recomendada s\u00f3 \u00e9 alcan\u00e7ada por meio da exposi\u00e7\u00e3o ao sol \u2013 algo cada vez mais raro no meio urbano \u2013 ou pela ingest\u00e3o de suplementos\u201d, comentou Vivolo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s dosar a concentra\u00e7\u00e3o do nutriente no sangue dos participantes e avaliar o padr\u00e3o alimentar, o grupo concluiu que de fato havia uma associa\u00e7\u00e3o entre maior ingest\u00e3o de alimentos ricos em vitamina D e n\u00edveis circulantes mais elevados. As principais fontes alimentares na amostra foram: ovos, leite e seus derivados.<\/p>\n<p>Com base nesses resultados, a popula\u00e7\u00e3o estudada foi estratificada em tr\u00eas grupos: o primeiro com n\u00edveis insuficientes de vitamina D; o segundo com concentra\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias, dentro do m\u00ednimo recomendado; e o terceiro grupo com as concentra\u00e7\u00f5es mais altas, no qual estavam inseridos participantes que faziam uso de suplementos polivitam\u00ednicos.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi comparar o perfil de sa\u00fade dos tr\u00eas grupos, levando em conta fatores como \u00edndice de massa corporal (IMC), circunfer\u00eancia da cintura, press\u00e3o arterial, glicemia e sensibilidade \u00e0 insulina.<\/p>\n<p>\u201cEm nenhum desses aspectos notamos diferen\u00e7a significativa. Observamos apenas que os participantes com maior n\u00edvel de vitamina D circulante apresentavam no sangue uma quantidade menor de lipopolissacar\u00eddeos (LPS)\u201d, contou Vivolo.<\/p>\n<p>Como explicou a pesquisadora, as mol\u00e9culas de LPS est\u00e3o presentes na superf\u00edcie de algumas bact\u00e9rias do tipo Gram-negativas do trato intestinal. Vale ressaltar que grande parte das bact\u00e9rias Gram-negativas s\u00e3o patog\u00eanicas, enquanto a maioria das Gram-positivas n\u00e3o o s\u00e3o \u2013 algumas delas s\u00e3o at\u00e9 mesmo consideradas ben\u00e9ficas para a sa\u00fade humana.<\/p>\n<p>\u201cEsse dado nos possibilita levantar a hip\u00f3tese de que os indiv\u00edduos mais suficientes de vitamina D tenham uma composi\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel da microbiota intestinal \u2013 o que teria, por sua vez, um impacto ben\u00e9fico no risco cardiometab\u00f3lico\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Segundo Vivolo, a mol\u00e9cula de LPS \u00e9 considerada imunog\u00eanica, ou seja, ela \u00e9 capaz de induzir uma resposta inflamat\u00f3ria no organismo. N\u00edveis sangu\u00edneos mais altos dessa subst\u00e2ncia, portanto, favoreceriam o desenvolvimento de um estado de inflama\u00e7\u00e3o subcl\u00ednica (cr\u00f4nica, de baixo grau e sist\u00eamica), fator que tem sido associado em diversos estudos ao desenvolvimento de doen\u00e7as cardiovasculares e metab\u00f3licas, entre elas o diabetes.<\/p>\n<p>\u201cA composi\u00e7\u00e3o da microbiota intestinal tem sido associada ao desenvolvimento de doen\u00e7as \u2013 n\u00e3o apenas as infecciosas como tamb\u00e9m aquelas que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com uma inflama\u00e7\u00e3o de pequeno grau. \u00c9 poss\u00edvel que a vitamina D tenha alguma participa\u00e7\u00e3o nesse processo, mas ainda \u00e9 muito cedo para apontar uma rela\u00e7\u00e3o de causa e consequ\u00eancia. Para isso, seria necess\u00e1rio fazer um estudo de interven\u00e7\u00e3o, ou seja, comparar grupos que ingerem diferentes quantidades do nutriente por um longo per\u00edodo e observar o impacto na microbiota\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Censo microbiano<\/p>\n<p>Em busca de mais pistas que permitam comprovar a hip\u00f3tese levantada, o grupo coordenado por Vivolo realizou uma esp\u00e9cie de censo bacteriano em amostras de fezes dos participantes do estudo. Por meio de t\u00e9cnicas de sequenciamento do DNA e aux\u00edlio de m\u00e9todos estat\u00edsticos, o grupo conseguiu identificar, entre os trilh\u00f5es de microrganismos presentes, os filos e os g\u00eaneros mais frequentes em cada grupo de volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cEm apenas alguns dos g\u00eaneros identificados observamos relev\u00e2ncia estat\u00edstica. Por exemplo, nos participantes com mais vitamina D foram menos abundante os g\u00eaneros Haemophilus e Veillonella \u2013 ambos de bact\u00e9rias Gram-negativas. Por outro lado, esses mesmos volunt\u00e1rios tinham mais bact\u00e9rias do g\u00eanero Coprococcus e Bifidobacterium \u2013 ambos de bact\u00e9rias Gram-positivas\u201d, comentou Vivolo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ajustar a an\u00e1lise considerando fatores que podem enviesar os resultados, como sexo e idade dos participantes, al\u00e9m da esta\u00e7\u00e3o do ano em que foi feita a an\u00e1lise (o que pode influenciar o n\u00edvel de vitamina D em fun\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o solar), o que restou de mais significante, segundo Vivolo, foi a associa\u00e7\u00e3o entre maior n\u00edvel de vitamina D e maior abund\u00e2ncia dos g\u00eaneros Coprococcus e Bifidobacterium, ambas consideradas ben\u00e9ficas para a sa\u00fade humana. As chamadas bifidobact\u00e9rias s\u00e3o classificadas como probi\u00f3ticas, ou seja, favorecem uma flora intestinal mais saud\u00e1vel. Estudos indicam que elas ajudam a controlar o crescimento de bact\u00e9rias nocivas e minimizam sintomas de alergias e inflama\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA an\u00e1lise dos resultados nos permite especular que a rela\u00e7\u00e3o da vitamina D com a microbiota \u00e9 um caminho de duas vias. Encontramos evid\u00eancias tanto de que o nutriente pode interferir na composi\u00e7\u00e3o da flora intestinal \u2013 uma vez que a vitamina D \u00e9 uma esp\u00e9cie de guardi\u00e3 do organismo favorecendo a homeostase do sistema imune \u2013 como tamb\u00e9m do oposto, ou seja, de que um determinado perfil de microbiota poderia influenciar o n\u00edvel de vitamina D circulante. An\u00e1lises longitudinais e de interven\u00e7\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias para testar essas hip\u00f3teses\u201d, afirmou Vivolo.<\/p>\n<p>O artigo Gut microbiota interactions with the immunomodulatory role of vitamin D in normal individuals pode ser lido em: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um brasileiro divulgado na revista Metabolism sugere que os n\u00edveis de vitamina D circulantes no organismo podem influenciar o perfil da microbiota intestinal e, consequentemente, o risco de desenvolver doen\u00e7as cardiovasculares e metab\u00f3licas. 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