{"id":112364,"date":"2017-05-02T00:10:50","date_gmt":"2017-05-02T03:10:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=112364"},"modified":"2017-05-01T20:53:17","modified_gmt":"2017-05-01T23:53:17","slug":"sucesso-da-terapia-celular-contra-diabetes-depende-da-condicao-imune-pre-transplante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/sucesso-da-terapia-celular-contra-diabetes-depende-da-condicao-imune-pre-transplante\/112364","title":{"rendered":"Sucesso da terapia celular contra diabetes depende da condi\u00e7\u00e3o imune pr\u00e9-transplante"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um m\u00e9todo inovador para tratar o <em><strong>diabetes tipo 1,<\/strong><\/em> baseado no transplante de c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas retiradas da medula \u00f3ssea do pr\u00f3prio paciente, come\u00e7ou a ser testado no Brasil h\u00e1 13 anos com resultados bastante heterog\u00eaneos. Enquanto alguns dos volunt\u00e1rios permanecem h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada livres das inje\u00e7\u00f5es de insulina, outros voltaram a usar o medicamento poucos meses ap\u00f3s receberem o tratamento experimental.<\/p>\n<p>Uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para tamanha discrep\u00e2ncia no desfecho cl\u00ednico dos 25 pacientes inclu\u00eddos no estudo foi apresentada em um artigo  na revista Frontiers in Immunology. Segundo os autores, a dura\u00e7\u00e3o do efeito terap\u00eautico foi menor justamente nos pacientes cujos sistemas imunol\u00f3gicos atacavam de forma mais agressiva as c\u00e9lulas do p\u00e2ncreas no per\u00edodo anterior ao transplante.<\/p>\n<p>A pesquisa tem sido conduzida desde o in\u00edcio no Centro de Terapia Celular ()\u00a0\u2013 um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) da FAPESP sediado na Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMRP-USP). Inicialmente liderado pelo imunologista Julio Voltarelli, morto em mar\u00e7o de 2012, o trabalho segue sob a coordena\u00e7\u00e3o das pesquisadoras Maria Carolina de Oliveira Rodrigues e Belinda Pinto Sim\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cComo o diabetes tipo 1 \u00e9 uma doen\u00e7a autoimune, a proposta do tratamento \u00e9 \u2018desligar\u2019 temporariamente o sistema imunol\u00f3gico com o uso de medicamentos quimioter\u00e1picos e, em seguida, \u2018reinici\u00e1-lo\u2019 por meio do transplante aut\u00f3logo de c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas, capazes de se diferenciar em todas as c\u00e9lulas sangu\u00edneas\u201d, explicou Rodrigues.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, quando os sintomas do diabetes tipo 1 se manifestam, cerca de 80% das ilhotas pancre\u00e1ticas j\u00e1 foram danificadas. Se a agress\u00e3o autoimune for interrompida nesse ponto, e as c\u00e9lulas residuais preservadas, o paciente consegue manter uma produ\u00e7\u00e3o m\u00ednima, mas muito importante, de insulina.<\/p>\n<p>\u201cEstudos com animais e com pacientes portadores de diabetes sugerem que, de seis a oito semanas ap\u00f3s o diagn\u00f3stico, essa porcentagem de c\u00e9lulas produtoras de insulina diminui muito, chegando a quase zero. Ent\u00e3o, foi estabelecido em nosso centro o limite de seis semanas para que o paciente comece o processo de transplante\u201d, contou.<\/p>\n<p>Inicialmente, foram inclu\u00eddos 25 volunt\u00e1rios entre 12 e 35 anos. Na m\u00e9dia, o efeito terap\u00eautico durou 42 meses (3,5 anos), mas variou, de modo geral, entre seis meses e 12 anos (tempo m\u00e1ximo de seguimento at\u00e9 o momento). Tr\u00eas pacientes ainda continuam livres das inje\u00e7\u00f5es de insulina, sendo um deles h\u00e1 10 anos, outro h\u00e1 11 anos e um terceiro h\u00e1 12.<\/p>\n<p>\u201cNeste estudo mais recente, comparamos o perfil dos volunt\u00e1rios que ficaram livres de insulina por menos de 42 meses com o perfil daqueles que ficaram por mais de 42 meses. Foi nosso ponto de corte\u201d, explicou Rodrigues.<\/p>\n<p>Diversas vari\u00e1veis foram consideradas, como a idade dos pacientes, o tempo de espera entre o diagn\u00f3stico e o transplante, a dose de insulina que tomavam antes do tratamento e, ap\u00f3s o transplante, o processo de recupera\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios tipos de c\u00e9lula de defesa.<\/p>\n<p>\u201cEm nenhum desses fatores observamos diferen\u00e7a significativa entre os grupos. A \u00fanica varia\u00e7\u00e3o relevante foi o grau de inflama\u00e7\u00e3o do p\u00e2ncreas antes do transplante\u201d, disse Rodrigues.<\/p>\n<p>Essa descoberta se tornou poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o com o pesquisador holand\u00eas Bart Roep, diretor da Divis\u00e3o de Doen\u00e7as Autoimunes do Centro M\u00e9dico da Universidade de Leiden. Ap\u00f3s analisar amostras de sangue dos 25 pacientes colhidas antes do tratamento e a cada ano ap\u00f3s o transplante, Roep conseguiu quantificar isoladamente os linf\u00f3citos T autorreativos \u2013 um tipo de gl\u00f3bulo branco capaz de reconhecer e atacar especificamente as prote\u00ednas secretadas pelas ilhotas pancre\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cEsse m\u00e9todo nos permite avaliar o quanto o sistema imune estava agredindo o p\u00e2ncreas. E foi poss\u00edvel observar uma associa\u00e7\u00e3o clara entre um maior n\u00famero de linf\u00f3citos autorreativos no pr\u00e9-transplante e uma pior resposta ao tratamento\u201d, explicou Rodrigues.<\/p>\n<p>Nova abordagem<\/p>\n<p>No grupo de pacientes que respondeu bem, contou a pesquisadora do CTC, a terapia celular foi capaz de reequilibrar o sistema imune gra\u00e7as ao aumento na propor\u00e7\u00e3o de linf\u00f3citos T reguladores (T-reg), um tipo de gl\u00f3bulo branco com papel imunossupressor e que, portanto, ajuda a combater a autoimunidade.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 nos pacientes que possu\u00edam maior quantidade de linf\u00f3citos autorreativos antes do transplante, esse equil\u00edbrio n\u00e3o ocorreu. Mesmo havendo um aumento na quantidade de T-reg com o tratamento, os linf\u00f3citos autorreativos continuaram a se sobressair. O que ainda n\u00e3o sabemos \u00e9 se s\u00e3o c\u00e9lulas novas, que se diferenciaram a partir das c\u00e9lulas-tronco transplantadas, ou se s\u00e3o sobras de linf\u00f3citos autorreativos que n\u00e3o foram destru\u00eddos pela quimioterapia e voltaram a se multiplicar\u201d, disse Rodrigues.<\/p>\n<p>Dados da literatura cient\u00edfica indicam que a segunda hip\u00f3tese \u00e9 a mais prov\u00e1vel e, por esse motivo, o grupo do CTC iniciou um segundo grupo de estudo no qual os pacientes est\u00e3o sendo submetidos a uma quimioterapia mais agressiva. O objetivo \u00e9 evitar que permane\u00e7a no organismo qualquer resqu\u00edcio dos linf\u00f3citos T autorreativos.<\/p>\n<p>\u201cQuatro pacientes j\u00e1 foram transplantados. Dois deles est\u00e3o livres de insulina e dois ainda usam o f\u00e1rmaco, mas com dose reduzida. Ainda \u00e9 cedo para avaliar se o novo protocolo \u00e9 mais eficaz que o anterior\u201d, disse Rodrigues.<\/p>\n<p>Somente pacientes com mais de 18 anos est\u00e3o autorizados a participar do novo estudo, pois o risco relacionado \u00e0 quimioterapia \u00e9 considerado mais elevado que o do protocolo anterior.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos agora mostrar que o m\u00e9todo \u00e9 seguro para poder incluir pacientes mais jovens, que representam a grande maioria dos portadores de diabetes do tipo 1\u201d, afirmou Rodrigues.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conhecida como diabetes juvenil ou insulino-dependente, a doen\u00e7a atinge cerca de 1 milh\u00e3o de pessoas no Brasil e corresponde a, no m\u00e1ximo, 10% dos casos de diabetes. Por\u00e9m, \u00e9 considerado o tipo mais grave.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um m\u00e9todo inovador para tratar o diabetes tipo 1, baseado no transplante de c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas retiradas da medula \u00f3ssea do pr\u00f3prio paciente, come\u00e7ou a ser testado no Brasil h\u00e1 13 anos com resultados bastante heterog\u00eaneos. 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