{"id":113811,"date":"2017-05-24T00:07:33","date_gmt":"2017-05-24T03:07:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=113811"},"modified":"2017-05-23T21:16:00","modified_gmt":"2017-05-24T00:16:00","slug":"nanoparticula-revestida-com-antibiotico-elimina-bacterias-resistentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/nanoparticula-revestida-com-antibiotico-elimina-bacterias-resistentes\/113811","title":{"rendered":"Nanopart\u00edcula revestida com antibi\u00f3tico elimina bact\u00e9rias resistentes"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Uma nova estrat\u00e9gia para combater<em><strong> bact\u00e9rias resistentes a antibi\u00f3ticos<\/strong><\/em> foi descrita por pesquisadores brasileiros na revista , do grupo Nature.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo consiste em revestir nanopart\u00edculas feitas de prata e s\u00edlica \u2013 potencialmente t\u00f3xicas para os microrganismos e tamb\u00e9m para as c\u00e9lulas humanas \u2013 com uma camada de antibi\u00f3tico. Desse modo, por afinidade qu\u00edmica, o nanof\u00e1rmaco age apenas sobre os pat\u00f3genos, tornando-se inerte ao organismo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s usamos o antibi\u00f3tico como uma esp\u00e9cie de isca e, assim, conseguimos levar a nanopart\u00edcula at\u00e9 a bact\u00e9ria com uma grande quantidade do f\u00e1rmaco. A a\u00e7\u00e3o combinada da droga com os \u00edons de prata foi capaz de matar at\u00e9 mesmo microrganismos resistentes\u201d, contou Mateus Borba Cardoso, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).<\/p>\n<p>, o trabalho integra uma linha de pesquisa cujo objetivo \u00e9 desenvolver sistemas para tornar seletiva a a\u00e7\u00e3o de nanopart\u00edculas.<\/p>\n<p>Em artigos anteriores, o grupo mostrou que a estrat\u00e9gia pode ser vi\u00e1vel para o tratamento do c\u00e2ncer, levando o quimioter\u00e1pico \u00e0s c\u00e9lulas tumorais e poupando as sadias (). Pode tamb\u00e9m ser experimentada na inativa\u00e7\u00e3o do v\u00edrus HIV, causador da Aids, em bolsa de sangue para transfus\u00e3o, por exemplo ().<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 medicamentos comerciais que cont\u00eam nanopart\u00edculas que, de modo geral, servem para recobrir o princ\u00edpio ativo e aumentar o tempo de vida deste dentro do organismo. Nossa estrat\u00e9gia \u00e9 diferente. Decoramos a superf\u00edcie da nanopart\u00edcula com determinados grupos qu\u00edmicos que servem para direcion\u00e1-la at\u00e9 o local onde deve agir, de modo seletivo\u201d, disse Cardoso.<\/p>\n<p>No artigo mais recente, o grupo descreve a s\u00edntese de nanopart\u00edculas formadas por um n\u00facleo de prata recoberto por uma camada de s\u00edlica porosa para permitir a passagem de \u00edons. Na superf\u00edcie, foram colocadas v\u00e1rias mol\u00e9culas do antibi\u00f3tico ampicilina em um arranjo que, segundo Cardoso, n\u00e3o foi feito ao acaso.<\/p>\n<p>\u201cPor meio de modelagem molecular, conseguimos determinar qual parte da mol\u00e9cula de ampicilina interage melhor com a membrana bacteriana. Deixamos ent\u00e3o todas as mol\u00e9culas do f\u00e1rmaco com essa parte-chave voltada para o lado externo da nanopart\u00edcula, aumentando as possibilidades de intera\u00e7\u00e3o com o pat\u00f3geno\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O trabalho de modelagem molecular contou com a colabora\u00e7\u00e3o de Hubert Karl Stassen, do Instituto de Qu\u00edmica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).<\/p>\n<p>Avalia\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia<\/p>\n<p>O efeito do nanoantibi\u00f3tico em compara\u00e7\u00e3o ao da ampicilina convencional foi avaliado em duas linhagens diferentes da bact\u00e9ria Escherichia coli \u2013 integrante da flora intestinal de mam\u00edferos que, em certas situa\u00e7\u00f5es, pode causar intoxica\u00e7\u00e3o alimentar.<\/p>\n<p>Na linhagem suscet\u00edvel \u00e0 ampicilina, praticamente 100% dos microrganismos morreram tanto com o f\u00e1rmaco convencional quanto com a vers\u00e3o combinada com a prata. Na linhagem resistente, por\u00e9m, apenas o nanoantibi\u00f3tico teve efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi testar o efeito sobre uma linhagem de c\u00e9lulas renais humanas. Enquanto a nanopart\u00edcula de prata e s\u00edlica sem o revestimento de ampicilina se mostrou extremamente t\u00f3xica, a ampicilina convencional e a vers\u00e3o combinada com a prata se mostraram igualmente seguras.<\/p>\n<p>\u201cAs imagens de microscopia confocal mostram que, al\u00e9m de n\u00e3o ser t\u00f3xica, a nanopart\u00edcula revestida com ampicilina n\u00e3o interfere no ciclo celular. As fases da mitose seguem seu curso, sem qualquer altera\u00e7\u00e3o\u201d, disse Cardoso.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do pesquisador, a mesma estrat\u00e9gia poderia ser usada no combate a outras esp\u00e9cies bacterianas que desenvolveram resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel variar o f\u00e1rmaco usado na superf\u00edcie da nanopart\u00edcula, para tratar diferentes tipos de infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo, o sistema apresenta uma desvantagem: como prata e s\u00edlica s\u00e3o materiais inorg\u00e2nicos, essas nanopart\u00edculas n\u00e3o s\u00e3o metabolizadas e tendem a se acumular no organismo.<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o sabemos onde ocorreria esse ac\u00famulo e quais seriam os efeitos. Para descobrir, ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer testes em animais. De qualquer modo, continuamos aperfei\u00e7oando o sistema de modo a torn\u00e1-lo mais seguro\u201d, disse Cardoso.<\/p>\n<p>Uma das possibilidades \u00e9, no lugar da prata, colocar no n\u00facleo um segundo antibi\u00f3tico de espectro diferente. Outra op\u00e7\u00e3o seria desenvolver uma nanopart\u00edcula pequena o suficiente para ser excretada na urina.<\/p>\n<p>De qualquer modo, na avalia\u00e7\u00e3o de Cardoso, o nanoantibi\u00f3tico em sua forma atual poderia ser usado no tratamento de casos extremos, como o de pacientes com infec\u00e7\u00e3o hospitalar que n\u00e3o respondem aos antibi\u00f3ticos convencionais.<\/p>\n<p>\u201cO poss\u00edvel ac\u00famulo de nanopart\u00edculas no organismo, nesses casos, seria um pre\u00e7o pequeno a pagar para evitar a morte\u201d, disse. O grupo busca parceiros para a realiza\u00e7\u00e3o de testes em animais.<\/p>\n<p>O artigo Defeating Bacterial Resistance and Preventing Mammalian Cells Toxicity Through Rational Design of Antibiotic-Functionalized Nanoparticles (doi:10.1038\/s41598-017-01209-1), de Jessica Fernanda Affonso de Oliveira, \u00c2ngela Saito, Ariadne Tuckmantel Bido, J\u00f6rg Kobarg, Hubert Karl Stassen e Mateus Borba Cardoso, pode ser lido em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Uma nova estrat\u00e9gia para combater bact\u00e9rias resistentes a antibi\u00f3ticos foi descrita por pesquisadores brasileiros na revista , do grupo Nature. O m\u00e9todo consiste em revestir nanopart\u00edculas feitas de prata e s\u00edlica \u2013 potencialmente t\u00f3xicas para os microrganismos e tamb\u00e9m para as c\u00e9lulas humanas \u2013 com uma camada de antibi\u00f3tico. 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