{"id":113857,"date":"2017-05-25T00:07:47","date_gmt":"2017-05-25T03:07:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=113857"},"modified":"2017-05-24T16:04:57","modified_gmt":"2017-05-24T19:04:57","slug":"com-sequenciador-portatil-grupo-monitora-evolucao-do-virus-zika-nas-americas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/com-sequenciador-portatil-grupo-monitora-evolucao-do-virus-zika-nas-americas\/113857","title":{"rendered":"Com sequenciador port\u00e1til, grupo monitora evolu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus Zika nas Am\u00e9ricas"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A bordo de um laborat\u00f3rio m\u00f3vel e munido com uma tecnologia inovadora de sequenciamento gen\u00e9tico que cabe na palma da m\u00e3o, um grupo internacional de pesquisadores tem investigado a trajet\u00f3ria do v\u00edrus<em><strong> Zika<\/strong><\/em> desde que ele desembarcou no Brasil e come\u00e7ou a se espalhar pelas Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>De acordo com os cientistas, o objetivo do trabalho \u00e9 monitorar a evolu\u00e7\u00e3o do genoma viral \u2013 tanto para entender o que ocorreu como para prever surtos futuros e manter os m\u00e9todos diagn\u00f3sticos atualizados.<\/p>\n<p>Os primeiros resultados do projeto  (Zika no Brasil An\u00e1lise em Tempo Real, na sigla em ingl\u00eas) \u2013 apoiado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade,  e diversas outras entidades \u2013 foram divulgados nesta quarta-feira (24\/05) na revista Nature.<\/p>\n<p>\u201cA combina\u00e7\u00e3o de dados epidemiol\u00f3gicos e gen\u00e9ticos nos permitiu perceber que houve circula\u00e7\u00e3o silenciosa do Zika em todas as regi\u00f5es das Am\u00e9ricas pelo menos um ano antes da primeira confirma\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, em maio de 2015\u201d, disse Nuno Faria, pesquisador do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e primeiro autor do artigo.<\/p>\n<p>Segundo Faria, o Zika teria sido introduzido no Nordeste brasileiro em fevereiro de 2014. Nesse ano, \u00e9 prov\u00e1vel que tenha havido alguma transmiss\u00e3o pela regi\u00e3o, mas n\u00e3o muito acentuada.<\/p>\n<p>\u201cO grande surto aconteceu muito provavelmente em 2015, simultaneamente ao de dengue. Do Nordeste, o Zika teria se espalhado para a regi\u00e3o Sudeste do Brasil [Rio de Janeiro, inicialmente] e tamb\u00e9m para o Caribe e outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul e Central, chegando \u00e0 Fl\u00f3rida\u201d, disse.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es se baseiam na an\u00e1lise de 254 genomas completos do pat\u00f3geno \u2013 54 dos quais sequenciados para este estudo. A maior parte desses novos dados gen\u00e9ticos foi obtida com um sequenciador port\u00e1til conhecido como MinION, da Oxford Nanopore Technologies, que pesa menos de 100 gramas.<\/p>\n<p>Os protocolos que permitiram usar essa tecnologia no sequenciamento do Zika foram desenvolvidos no \u00e2mbito do projeto ZiBRA e renderam um segundo artigo publicado tamb\u00e9m no dia 24 na revista Nature Protocols.<\/p>\n<p>\u201cEsse teste foi usado pela primeira vez em 2015, na \u00c1frica, durante a epidemia de Ebola. A grande vantagem \u00e9 que ele pode ser feito no local em que o caso \u00e9 notificado, permitindo acompanhar a trajet\u00f3ria do v\u00edrus em tempo real. O aparelho \u00e9 menor do que um telefone celular e \u00e9 capaz de sequenciar o genoma completo de microrganismos \u2013 em breve, tamb\u00e9m de organismos maiores\u201d, disse Ester Sabino, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical de S\u00e3o Paulo (IMT) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e coautora do artigo.<\/p>\n<p>Quanto maior \u00e9 o n\u00famero de sequ\u00eancias geradas, acrescentou Sabino, mais f\u00e1cil se torna entender quando o v\u00edrus entrou no pa\u00eds, como ele se distribuiu no continente e, principalmente, de que forma est\u00e1 evoluindo.<\/p>\n<p>Essa an\u00e1lise \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as a uma t\u00e9cnica conhecida como rel\u00f3gio molecular, que avalia as substitui\u00e7\u00f5es nas sequ\u00eancias de certos genes. Essas modifica\u00e7\u00f5es ocorrem a uma taxa relativamente constante e os genes funcionam como se fossem cron\u00f4metros, indicando o tempo de diverg\u00eancia entre diferentes isolados virais.<\/p>\n<p>\u201cA ideia do projeto surgiu em 2016, quando parte do grupo publicou na revista  os primeiros achados epidemiol\u00f3gicos e gen\u00e9ticos do Zika na Am\u00e9ricas. Na \u00e9poca, hav\u00edamos sequenciado sete isolados virais. O n\u00famero de amostras ainda era insuficiente para ter uma no\u00e7\u00e3o ampla da diversidade do v\u00edrus no continente\u201d, disse Luiz Carlos Alc\u00e2ntara, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia.<\/p>\n<p>O projeto ZiBRA foi aprovado em uma chamada de propostas lan\u00e7ada em conjunto pelas ag\u00eancias de fomento brit\u00e2nicas Medical Research Council, Newton Fund e Wellcome Trust. Aos esfor\u00e7os se uniram pesquisadores financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), FAPESP, Fiocruz, Instituto Evandro Chagas, Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, USP, Universidade de Birmingham (Reino Unido) e Universidade de Oxford.<\/p>\n<p>Um laborat\u00f3rio m\u00f3vel foi montado em um \u00f4nibus, que visitou ao longo de 2016 os Laborat\u00f3rios Centrais de Sa\u00fade P\u00fablica (Lacen) do Rio Grande do Norte, Para\u00edba, Pernambuco e Alagoas. Al\u00e9m de Alc\u00e2ntara, Faria e Sabino, tamb\u00e9m coordenaram a iniciativa os pesquisadores Nicholas Loman, da Escola de Bioci\u00eancias da Universidade de Birmingham, Oliver Pybus, do Departamento de Zoologia da University of Oxford, e Marcio Nunes, do Instituto Evandro Chagas do Par\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cAnalisamos, em cada Lacen, entre 300 e 400 amostras de sangue de pacientes com suspeita de Zika \u2013 totalizando 1.330 exames. Faz\u00edamos o diagn\u00f3stico com PCR em tempo real [m\u00e9todo capaz de detectar o RNA viral na amostra] e, quando dava positivo, o material gen\u00e9tico do v\u00edrus era sequenciado\u201d, contou Alc\u00e2ntara.<\/p>\n<p>Com o apoio de outros dois laborat\u00f3rios fixos na Fiocruz da Bahia, em Salvador, e no IMT-USP, em S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m foram sequenciados isolados da regi\u00e3o Sudeste e do Tocantins.<\/p>\n<p>Ainda no \u00e2mbito do projeto ZiBRA, foram analisados os genomas de quatro isolados virais do M\u00e9xico e cinco da Col\u00f4mbia \u2013 todos sequenciados nos Estados Unidos por colaboradores do grupo.<\/p>\n<p>\u201cAs an\u00e1lises mostraram que os v\u00edrus encontrados nas diversas regi\u00f5es brasileiras e nos vizinhos latino-americanos ainda n\u00e3o apresentam grande diversidade. Foram poucas muta\u00e7\u00f5es sofridas at\u00e9 o momento. Por\u00e9m, com base no que foi observado no continente asi\u00e1tico, a tend\u00eancia \u00e9 que daqui a algum tempo o v\u00edrus esteja bastante diferente e, portanto, esse monitoramento precisa ser mantido. Caso n\u00e3o acompanhem a evolu\u00e7\u00e3o viral, os testes usados no diagn\u00f3stico podem perder a efic\u00e1cia\u201d, disse Alc\u00e2ntara.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, o v\u00edrus origin\u00e1rio da \u00c1frica teria chegado \u00e0 \u00c1sia um pouco antes de 2007, quando causou a grande primeira epidemia na Micron\u00e9sia. Depois novos surtos foram registrados nas Filipinas (2012) e na Polin\u00e9sia Francesa (2013 e 2014). Estima-se que em seguida teria chegado ao Brasil, onde o maior n\u00famero de casos foi registrado at\u00e9 agora (segundo o artigo j\u00e1 passavam de 200 mil em dezembro de 2016).<\/p>\n<p>\u201cDesde que saiu do continente africano, o v\u00edrus j\u00e1 mudou bastante. Provavelmente, daqui a sete ou dez anos, a diversidade aqui nas Am\u00e9ricas vai estar bem maior. Precisamos fazer a vigil\u00e2ncia gen\u00f4mica para estarmos preparados se um novo surto vier\u201d, disse Alc\u00e2ntara.<\/p>\n<p>ZiBRA2<\/p>\n<p>Al\u00e9m de auxiliar os Lacen no diagn\u00f3stico de centenas de casos suspeitos ao longo de 2016, os pesquisadores do ZiBRA tamb\u00e9m ensinaram as equipes que participaram ao longo da viagem a fazer a vigil\u00e2ncia gen\u00f4mica usando o sequenciador port\u00e1til MinION.<\/p>\n<p>Agora, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Alc\u00e2ntara, teve in\u00edcio uma segunda etapa do projeto na qual, al\u00e9m do Zika, ser\u00e3o monitorados tamb\u00e9m os v\u00edrus da dengue, chikungunya e febre amarela.<\/p>\n<p>\u201cEstamos indo para Manaus, onde montaremos um laborat\u00f3rio fixo para analisar amostras dos Lacen do Amap\u00e1, Roraima, Rond\u00f4nia, Acre e Amazonas. Em outubro, vamos com um laborat\u00f3rio m\u00f3vel para a regi\u00e3o Centro-Oeste e, em mar\u00e7o de 2018, seguiremos para o Sudeste. Como o aparelho \u00e9 port\u00e1til, tamb\u00e9m pretendemos lev\u00e1-lo para pa\u00edses como Venezuela, Haiti e Panam\u00e1\u201d, disse Alc\u00e2ntara.<\/p>\n<p>A fase atual do projeto conta com apoio do CNPq, da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (OPAS) e do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Saiba mais sobre o projeto ZiBRA: .<\/p>\n<p>O artigo Epidemic establishment and cryptic transmission of Zika virus in Brazil and the Americas\u00a0(doi: 10.1038\/nature22401), pode ser lido em: .<\/p>\n<p>O artigo Multiplex PCR method for MinION and Illumina sequencing of Zika and other virus genomes directly from clinical samples\u00a0pode ser lido em: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A bordo de um laborat\u00f3rio m\u00f3vel e munido com uma tecnologia inovadora de sequenciamento gen\u00e9tico que cabe na palma da m\u00e3o, um grupo internacional de pesquisadores tem investigado a trajet\u00f3ria do v\u00edrus Zika desde que ele desembarcou no Brasil e come\u00e7ou a se espalhar pelas Am\u00e9ricas. De acordo com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40847,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-113857","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113857","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=113857"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113857\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40847"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=113857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=113857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=113857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}