{"id":114583,"date":"2017-06-06T00:08:49","date_gmt":"2017-06-06T03:08:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=114583"},"modified":"2017-06-05T15:59:48","modified_gmt":"2017-06-05T18:59:48","slug":"estudo-investiga-mecanismos-geneticos-da-carie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/estudo-investiga-mecanismos-geneticos-da-carie\/114583","title":{"rendered":"Estudo investiga mecanismos gen\u00e9ticos da c\u00e1rie"},"content":{"rendered":"<p> Peter Moon\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A digest\u00e3o dos alimentos come\u00e7a com a mastiga\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o da saliva. Al\u00e9m de facilitar a digest\u00e3o, a saliva tem em sua composi\u00e7\u00e3o subst\u00e2ncias antimicrobianas que agem no combate a microrganismos que podem causar doen\u00e7as na boca, entre elas a <strong><em>c\u00e1rie<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Um destes agentes qu\u00edmicos \u00e9 a betadefensina (DEFB1), um pept\u00eddeo antimicrobiano produzido a partir de informa\u00e7\u00f5es transmitidas pelos microRNAs associados ao gene que d\u00e1 origem ao pept\u00eddeo \u2013 o microRNA constitui uma classe de RNA n\u00e3o recombinante com papel fundamental na regula\u00e7\u00e3o da express\u00e3o g\u00eanica.<\/p>\n<p>Um trabalho que acaba de ser  na revista Caries Research, publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica focada exclusivamente na pesquisa da c\u00e1rie, investigou a associa\u00e7\u00e3o do polimorfismo gen\u00e9tico na betadefensina e microRNA 202 com a varia\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis do antimicrobiano e o aparecimento da c\u00e1rie.<\/p>\n<p>A pesquisa reuniu uma equipe de 12 profissionais de S\u00e3o Paulo e do Rio de Janeiro. A primeira autora \u00e9 Andrea Lips (o estudo derivou do seu trabalho de doutorado), da Universidade Federal Fluminense, e a pesquisadora respons\u00e1vel pelo trabalho \u00e9 a sua coorientadora de doutorado, , Jovem Pesquisadora-FAPESP do Departamento de Cl\u00ednica Infantil &#8211; Disciplina de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o primeiro artigo em Odontologia a estudar o polimorfismo gen\u00e9tico em microRNA\u201d, disse K\u00fcchler, que conduz a pesquisa \u201cAvalia\u00e7\u00e3o do papel do estr\u00f3geno no desenvolvimento dentofacial\u201d, .<\/p>\n<p>\u201cA c\u00e1rie \u00e9 uma doen\u00e7a multifatorial complexa e que podemos prevenir. Nosso interesse neste trabalho foi tentar entender quais seriam os mecanismos moleculares, principalmente aqueles de origem gen\u00e9tica, envolvidos no aparecimento da c\u00e1rie em crian\u00e7as\u201d, disse.<\/p>\n<p>O polimorfismo gen\u00e9tico designa a exist\u00eancia de diferentes alelos (varia\u00e7\u00f5es) de um mesmo gene. As formas mais comuns de polimorfismos gen\u00e9ticos s\u00e3o dele\u00e7\u00f5es, muta\u00e7\u00f5es e substitui\u00e7\u00f5es das bases que comp\u00f5em o c\u00f3digo de cada gene. Quando h\u00e1 polimorfismo, a informa\u00e7\u00e3o que o gene carrega \u00e9 alterada, com consequ\u00eancias (ou n\u00e3o) para a sua a\u00e7\u00e3o no organismo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores queriam entender se existiria uma rela\u00e7\u00e3o entre os n\u00edveis de betadefensina na saliva \u2013 e, portanto, maior ou menor suscetibilidade ao aparecimento da c\u00e1rie \u2013 com a aus\u00eancia ou a presen\u00e7a de polimorfismo tanto no gene respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de betadefensina (DEFB1) quanto no microRNA 202, que atua na express\u00e3o daquele gene.<\/p>\n<p>\u201cEm alguns estudos, o polimorfismo no gene que codifica a betadefensina tem sido associado \u00e0 c\u00e1rie dent\u00e1ria em humanos. Nossa hip\u00f3tese partia da ideia de que a falha na a\u00e7\u00e3o antimicrobiana das betadefensinas que previnem a forma\u00e7\u00e3o da c\u00e1rie poderia estar ligada a malforma\u00e7\u00f5es (polimorfismos) no gene DEFB1 ou no microRNA 202\u201d, disse K\u00fcchler.<\/p>\n<p>\u201cNosso trabalho consistiu em duas partes. A primeira visou replicar os estudos entre o gene da betadefensina e a suscetibilidade \u00e0 c\u00e1rie na popula\u00e7\u00e3o brasileira, para verificar se obter\u00edamos os mesmos resultados. A segunda parte deu um passo adiante, ao fazer uma an\u00e1lise para detectar a associa\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o entre polimorfismo no microRNA 202 e a suscetibilidade ao desenvolvimento da c\u00e1rie\u201d, disse.<\/p>\n<p>Os n\u00edveis salivares dos pept\u00eddeos de betadefensina hBD1, hBD2 e hBD4 foram acessados a partir de amostras de saliva de 168 crian\u00e7as (92 meninos e 76 meninas) entre 2 e 12 anos, da pr\u00e9-escola e do ensino fundamental de Nova Friburgo, Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Foram inclu\u00eddas somente crian\u00e7as livres de c\u00e1rie (81 crian\u00e7as) e crian\u00e7as com grande quantidade de c\u00e1rie, ou seja, quatro ou mais les\u00f5es (87 crian\u00e7as). Para a coleta, as crian\u00e7as precisavam estar sem comer nem escovar os dentes h\u00e1 pelo menos 30 minutos, de modo que a composi\u00e7\u00e3o da saliva fosse a menos alterada poss\u00edvel.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises genot\u00edpicas de polimorfismo em DEFB1 e nos tr\u00eas gen\u00f3tipos do microRNA 202 (TT, CT e CC) foram feitas nas mesmas amostras, de modo a avaliar o impacto das varia\u00e7\u00f5es polim\u00f3rficas nos n\u00edveis salivares de betadefensina.<\/p>\n<p>A pesquisa consistiu ainda na realiza\u00e7\u00e3o de um question\u00e1rio comportamental entre as crian\u00e7as para detectar, por exemplo, o n\u00famero de escova\u00e7\u00f5es di\u00e1rias (1, 2, 3 ou mais), quais crian\u00e7as escovavam os dentes antes de dormir, quais usavam fio dental e quais ingeriam doces entre as refei\u00e7\u00f5es. Os resultados foram tabulados de acordo com a divis\u00e3o entre crian\u00e7as livres de c\u00e1rie e crian\u00e7as com muitas c\u00e1ries.<\/p>\n<p>Por fim, foi feita uma an\u00e1lise multifatorial que levou em conta os resultados genot\u00edpicos de DEFB1 e do microRNA 202, os n\u00edveis de betadefensina na saliva e os crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o comportamental das 168 crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cNa primeira parte do trabalho, n\u00e3o conseguimos verificar uma associa\u00e7\u00e3o entre polimorfismo em DEFB1 e varia\u00e7\u00f5es nos n\u00edveis salivares de betadefensina hBD1, hBD2 e hBD4. Mas, na segunda parte, descobrimos uma associa\u00e7\u00e3o entre polimorfismo no microRNA 202 e os n\u00edveis de betadefensina. A an\u00e1lise genot\u00edpica do microRNA 202 demonstrou que o seu gen\u00f3tipo CC estava associado a n\u00edveis menores de betadefensina hBD1 na saliva. Houve associa\u00e7\u00e3o entre o microRNA 202 e a suscetibilidade \u00e0 c\u00e1rie\u201d, disse K\u00fcchler.<\/p>\n<p>Os resultados sugerem que o gen\u00f3tipo CC do microRNA 202 interage com o RNA mensageiro do gene de DEFB1, j\u00e1 que a express\u00e3o da betadefensina hBD1 na saliva \u00e9 menor nas crian\u00e7as que carregam o gen\u00f3tipo CC do microRNA 202. E a express\u00e3o menor de hBD1 na saliva \u00e9 um fator de suscetibilidade para o aparecimento de les\u00f5es de c\u00e1rie.<\/p>\n<p>Trata-se de um resultado importante, por\u00e9m ainda preliminar. O trabalho \u00e9 o primeiro a sugerir associa\u00e7\u00e3o entre n\u00edveis salivares de betadefensina e polimorfismo no microRNA 202. Para saber se, de fato, o resultado procede, \u00e9 necess\u00e1rio que a pesquisa seja replicada em outros estudos.<\/p>\n<p>Grupos de pesquisadores de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior do Paran\u00e1 e do Amazonas iniciaram a coleta e an\u00e1lise de amostras de saliva em crian\u00e7as de Curitiba e Manaus. Do resultado dessas investiga\u00e7\u00f5es depende a valida\u00e7\u00e3o dos resultados de K\u00fcchler, Lips e colegas.<\/p>\n<p>\u201cNo futuro, quando identificarmos o conjunto de genes associados ao aparecimento da c\u00e1rie, ser\u00e1 poss\u00edvel detectar, bem cedo, quais crian\u00e7as teriam maior predisposi\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento de c\u00e1rie e iniciar tratamento de preven\u00e7\u00e3o\u201d, disse K\u00fcchler.<\/p>\n<p>Genetic Polymorphisms in DEFB1 and miRNA202 Are Involved in Salivary Human ?-Defensin 1 Levels and Caries Experience in Children (doi: https:\/\/doi.org\/10.1159\/000458537), de Andrea Lips, Leonardo Santos Antunes, L\u00edvia Azeredo Antunes, J\u00falia Guimar\u00e3es, Barcellos de Abreu, Driely Barreiros, Daniela Silva Barroso de Oliveira, Ana Carolina Batista, Paulo Nelson-Filho, L\u00e9a Assed Bezerra da Silva, Raquel Assed Bezerra da Silva, Gutemberg Gomes Alves e Erika Calvano K\u00fcchler, pode ser lido em: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Moon\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A digest\u00e3o dos alimentos come\u00e7a com a mastiga\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o da saliva. 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