{"id":115615,"date":"2017-06-22T00:07:12","date_gmt":"2017-06-22T03:07:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=115615"},"modified":"2017-06-21T15:55:36","modified_gmt":"2017-06-21T18:55:36","slug":"tecnica-permite-monitorar-nanoparticulas-magneticas-em-organismos-vivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/tecnica-permite-monitorar-nanoparticulas-magneticas-em-organismos-vivos\/115615","title":{"rendered":"T\u00e9cnica permite monitorar nanopart\u00edculas magn\u00e9ticas em organismos vivos"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um novo m\u00e9todo para monitorar em tempo real a acumula\u00e7\u00e3o de <strong><em>nanopart\u00edculas magn\u00e9ticas<\/em><\/strong> em \u00f3rg\u00e3os como o f\u00edgado foi  por pesquisadores brasileiros na revista Nanomedicine: Nanotechnology, Biology and Medicine.<\/p>\n<p>Como explicam os autores, esse tipo de nanopart\u00edcula tem sido testado em modelos animais tanto no diagn\u00f3stico como no tratamento de diversas doen\u00e7as, entre elas o c\u00e2ncer. Entre as possibilidades futuras est\u00e1 o uso como carreador de f\u00e1rmacos ou como agente de contraste em exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica nuclear. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel empregar o nanomaterial na avalia\u00e7\u00e3o da motilidade gastrointestinal e da fun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica e renal.<\/p>\n<p>\u201cNosso trabalho pode auxiliar estudos em todas essas \u00e1reas, oferecendo uma ferramenta de baixo custo para detectar nanopart\u00edculas magn\u00e9ticas in vivo. Seria para uso em modelos animais e, no futuro, tamb\u00e9m em humanos\u201d, disse Caio C\u00e9sar Quini, pesquisador do Departamento de F\u00edsica e Biof\u00edsica do Instituto de Bioci\u00eancias (IBB) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, e autor principal do artigo.<\/p>\n<p>Conhecida como Biosusceptometria de Corrente Alternada (BAC), a t\u00e9cnica foi adaptada para o monitoramento de nanopart\u00edculas magn\u00e9ticas no f\u00edgado durante o doutorado de Quini. A pesquisa teve  e foi orientada pelo professor do IBB-Unesp Jos\u00e9 Ricardo de Arruda Miranda.<\/p>\n<p>\u201cO BAC funciona como um transformador de fluxo magn\u00e9tico. O equipamento \u00e9 composto por duas bobinas de cobre e um sensor. A bobina de detec\u00e7\u00e3o [externa] gera um campo magn\u00e9tico que induz uma corrente na bobina de refer\u00eancia [interna]. Quando um material magn\u00e9tico se aproxima do sensor, ele muda a indu\u00e7\u00e3o de uma bobina para outra e isso gera um sinal. A altera\u00e7\u00e3o de sinal varia de acordo com o tipo, a quantidade e a dist\u00e2ncia do material magn\u00e9tico e pode ser monitorada por um computador acoplado ao equipamento\u201d, explicou Quini.<\/p>\n<p>A sensibilidade do m\u00e9todo in vivo foi testada em ratos pelo grupo da Unesp e colaboradores. Os animais foram anestesiados e colocados de barriga para cima sobre o sensor, posicionado na regi\u00e3o do f\u00edgado. Em seguida, nanopart\u00edculas feitas de \u00f3xido de ferro com mangan\u00eas e revestidas com citrato foram injetadas na veia femoral dos roedores. A s\u00edntese do nanomaterial magn\u00e9tico foi feita por meio de uma parceria com o pesquisador Andris Bakuzis, do Instituto de F\u00edsica da Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG).<\/p>\n<p>\u201cObservamos que o sinal do sistema BAC aumenta \u00e0 medida que a concentra\u00e7\u00e3o das nanopart\u00edculas se eleva no f\u00edgado. Depois de um tempo, come\u00e7a a decair em decorr\u00eancia da atividade dos macr\u00f3fagos, c\u00e9lulas de defesa respons\u00e1veis por captar e degradar a subst\u00e2ncia estranha ao organismo. Com base nesses dados e em refer\u00eancias da literatura cient\u00edfica, criamos um modelo farmacocin\u00e9tico para descrever o ac\u00famulo das nanopart\u00edculas no f\u00edgado ao longo do tempo\u201d, contou Quini.<\/p>\n<p>Os dados obtidos pelo sistema BAC foram comparados com os de outro equipamento conhecido como resson\u00e2ncia paramagn\u00e9tica eletr\u00f4nica (EPR), capaz de quantificar o elemento ferro no organismo. A avalia\u00e7\u00e3o por EPR foi feita em colabora\u00e7\u00e3o com o grupo coordenado por Oswaldo Baffa no Departamento de F\u00edsica da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras de Ribeir\u00e3o Preto, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>De acordo com Quini, n\u00e3o foi observada discrep\u00e2ncia significativa nos par\u00e2metros obtidos pelas duas t\u00e9cnicas, o que sugere que o sistema BAC apresenta boa sensibilidade para monitorar as nanopart\u00edculas in vivo.<\/p>\n<p>\u201cA \u00fanica diferen\u00e7a \u00e9 que o sinal obtido por EPR n\u00e3o decai \u00e0 medida que as nanopart\u00edculas v\u00e3o sendo degradadas pelos macr\u00f3fagos, pois essa t\u00e9cnica quantifica o elemento ferro e n\u00e3o as nanopart\u00edculas em si\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Ao final, os animais foram sacrificados e os \u00f3rg\u00e3os removidos e liofilizados (transformados em p\u00f3) com o objetivo de quantificar o n\u00famero de part\u00edculas em cada parte do corpo tamb\u00e9m usando o sistema BAC.<\/p>\n<p>T\u00e9cnica vers\u00e1til<\/p>\n<p>De acordo com Quini, atualmente, os m\u00e9todos dispon\u00edveis para a quantifica\u00e7\u00e3o de nanopart\u00edculas magn\u00e9ticas em modelos animais s\u00e3o a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica nuclear ou um tipo de tomografia conhecido como MPI (magnetic particle imaging), de uso ainda bastante restrito.<\/p>\n<p>\u201cEsses aparelhos custam na ordem dos milh\u00f5es de reais, enquanto um equipamento de BAC pode ser constru\u00eddo com pouco mais de R$ 5 mil. Al\u00e9m de bem mais barato, \u00e9 port\u00e1til e n\u00e3o requer o uso de radia\u00e7\u00e3o ionizante. A desvantagem do BAC \u00e9 que, ao contr\u00e1rio dos m\u00e9todos-padr\u00e3o, ele n\u00e3o oferece imagens. Ao menos por enquanto\u201d, disse Quini.<\/p>\n<p>A equipe coordenada por Miranda na Unesp tem trabalhado, com , no desenvolvimento de novos arranjos para o sistema BAC.<\/p>\n<p>\u201cCriamos novas disposi\u00e7\u00f5es para o equipamento, como multissensores para imagem magn\u00e9tica, tomografia por BAC, detectores de material magn\u00e9tico em tecidos e estudamos as diferentes aplica\u00e7\u00f5es desses arranjos\u201d, contou o pesquisador.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0s nanopart\u00edculas magn\u00e9ticas, acrescentou Miranda, os estudos v\u00e3o desde o monitoramento em \u00f3rg\u00e3os espec\u00edficos, como f\u00edgado, rins ou sistema circulat\u00f3rio, at\u00e9 a biodistribui\u00e7\u00e3o no organismo como um todo.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m realizamos estudos de absor\u00e7\u00e3o via trato gastrointestinal e sistemas agregados, com o objetivo de saber o que ocorre com essas part\u00edculas quando entram em contato com o sangue\u201d, contou Miranda.<\/p>\n<p>Em outra linha de pesquisa, o grupo utiliza o sistema BAC para avaliar em diferentes contextos \u2013 como diabetes, colite e gravidez \u2013 a atividade de contra\u00e7\u00e3o do est\u00f4mago, intestino e c\u00f3lon e o tempo de esvaziamento g\u00e1strico. An\u00e1lises t\u00eam sido feitas em pacientes e em modelos animais.<\/p>\n<p>O grupo tamb\u00e9m avalia a aplica\u00e7\u00e3o de BAC para monitorar formas farmac\u00eauticas s\u00f3lidas, como comprimidos e c\u00e1psulas, e avaliar mecanismos de libera\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio ativo in vivo.<\/p>\n<p>O artigo \u201cReal-time liver uptake and biodistribution of magnetic nanoparticles determined by AC biosusceptometry\u201d pode ser lido em: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um novo m\u00e9todo para monitorar em tempo real a acumula\u00e7\u00e3o de nanopart\u00edculas magn\u00e9ticas em \u00f3rg\u00e3os como o f\u00edgado foi por pesquisadores brasileiros na revista Nanomedicine: Nanotechnology, Biology and Medicine. 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