{"id":115821,"date":"2017-06-26T00:06:48","date_gmt":"2017-06-26T03:06:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=115821"},"modified":"2017-06-25T16:41:58","modified_gmt":"2017-06-25T19:41:58","slug":"goma-do-cajueiro-pode-se-tornar-arma-no-tratamento-do-refluxo-gastroesofagico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/goma-do-cajueiro-pode-se-tornar-arma-no-tratamento-do-refluxo-gastroesofagico\/115821","title":{"rendered":"Goma do cajueiro pode se tornar arma no tratamento do refluxo gastroesof\u00e1gico"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo, de Ribeir\u00e3o Preto\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um pol\u00edmero extra\u00eddo do caule do cajueiro (Anacardium occidentale) pode se tornar uma importante ferramenta no tratamento da doen\u00e7a do <strong><em>refluxo gastroesof\u00e1gico<\/em><\/strong>, condi\u00e7\u00e3o que afeta cerca de 12% da popula\u00e7\u00e3o mundial, segundo experimentos conduzidos na Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC).<\/p>\n<p>Resultados da pesquisa foram apresentados por\u00a0,\u00a0professor do Departamento de Medicina Cl\u00ednica da UFC e ex-bolsista de doutorado da FAPESP, durante o Third International Symposium on Inflammatory Diseases ().<\/p>\n<p>O evento foi realizado entre os dias 21 e 23 de junho, em Ribeir\u00e3o Preto, pelo Centro de Pesquisa em Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias () e pela Sociedade Brasileira de Inflama\u00e7\u00e3o (SBIn).<\/p>\n<p>\u201cNos testes feitos com tecido de 33 pacientes, obtidos por meio de bi\u00f3psia, observamos que a goma do cajueiro adere profundamente \u00e0s c\u00e9lulas do es\u00f4fago, formando um biofilme e aumentando a resist\u00eancia contra os danos causados pelo \u00e1cido g\u00e1strico. Nossa hip\u00f3tese \u00e9 que, al\u00e9m de conferir prote\u00e7\u00e3o t\u00f3pica, o pol\u00edmero tamb\u00e9m tenha a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria\u201d, disse Souza \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>A descoberta foi poss\u00edvel gra\u00e7as a um modelo experimental desenvolvido na UFC capaz de mimetizar em camundongos a forma mais prevalente da doen\u00e7a: o refluxo gastroesof\u00e1gico n\u00e3o erosivo. O m\u00e9todo foi descrito em um artigo  no dia 8 de junho no American Journal of Physiology.<\/p>\n<p>\u201cEntre 60% e 70% dos pacientes com refluxo apresentam o fen\u00f3tipo n\u00e3o erosivo da doen\u00e7a. Embora tenham sintomas como azia, o exame de endoscopia n\u00e3o indica a exist\u00eancia de les\u00e3o no tecido do es\u00f4fago\u201d, explicou Souza.<\/p>\n<p>Com o objetivo de mimetizar essa condi\u00e7\u00e3o nos animais, os cientistas realizaram um procedimento cir\u00fargico para amarrar o piloro \u2013 v\u00e1lvula que controla a passagem do conte\u00fado g\u00e1strico para o duodeno. Al\u00e9m disso, amarraram o fundo do est\u00f4mago, para impedir o \u00f3rg\u00e3o de se expandir.<\/p>\n<p>\u201cDesse modo, o est\u00f4mago fica cheio, n\u00e3o consegue aumentar seu volume e isso faz com que ocorra o retorno do conte\u00fado g\u00e1strico para o es\u00f4fago. Cerca de tr\u00eas dias ap\u00f3s o procedimento, a inflama\u00e7\u00e3o no tecido atinge o auge. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel observar uma dilata\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7o entre as c\u00e9lulas do es\u00f4fago, o que causa um comprometimento da barreira epitelial caracter\u00edstico da doen\u00e7a\u201d, contou Souza.<\/p>\n<p>Em um dos grupos de camundongos, os pesquisadores iniciaram, logo ap\u00f3s o procedimento cir\u00fargico, um tratamento por via oral com a goma purificada do cajueiro. O pol\u00edmero foi obtido gra\u00e7as a uma colabora\u00e7\u00e3o com pesquisadores da Universidade Federal do Piau\u00ed (UFPI).<\/p>\n<p>Os animais receberam a terapia uma vez por dia durante uma semana. Ao final, foram sacrificados para que o tecido do es\u00f4fago pudesse ser analisado e comparado com o de animais n\u00e3o tratados.<\/p>\n<p>\u201cNossos resultados mostram que a goma do cajueiro reduziu o edema e a permeabilidade do tecido. Ou seja, ao combater a inflama\u00e7\u00e3o, a terapia manteve \u00edntegra a barreira epitelial, impedindo os \u00e1cidos g\u00e1stricos de atravessar para a regi\u00e3o abaixo do epit\u00e9lio, onde podem ativar receptores envolvidos na sensa\u00e7\u00e3o de dor [azia]\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Em testes feitos in vitro, com bi\u00f3psia de pacientes, o grupo tamb\u00e9m observou uma redu\u00e7\u00e3o na permeabilidade do tecido do es\u00f4fago ap\u00f3s o tratamento com a goma do cajueiro.<\/p>\n<p>\u201cNo momento, estamos realizando estudos de toxicidade para avaliar a seguran\u00e7a e definir a dose ideal para que, futuramente, possam ser realizados ensaios cl\u00ednicos com o pol\u00edmero\u201d, afirmou Souza.<\/p>\n<p>Novos alvos terap\u00eauticos<\/p>\n<p>De acordo com Souza, quase metade dos pacientes acometidos pela forma n\u00e3o erosiva do refluxo gastroesof\u00e1gico n\u00e3o respondem ao tratamento convencional \u2013 feito com medicamentos da classe dos inibidores da bomba de pr\u00f3tons, como o omeprazol e o pantoprazol.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1, portanto, uma grande necessidade de desenvolver novos m\u00e9todos terap\u00eauticos. Para isso, precisamos entender por que esses pacientes sentem dor mesmo n\u00e3o apresentando les\u00e3o no es\u00f4fago\u201d, comentou.<\/p>\n<p>Visando compreender os mecanismos envolvidos na sensa\u00e7\u00e3o dolorosa, o grupo usou o modelo experimental para investigar o efeito do refluxo gastroesof\u00e1gico sobre um receptor celular conhecido como TRPV1 (receptor de potencial transiente vaniloide do tipo 1, na sigla em ingl\u00eas). Presente em c\u00e9lulas nervosas, essa prote\u00edna atua como um receptor sensorial, respons\u00e1vel por enviar um sinal que causa a percep\u00e7\u00e3o da dor em resposta a um est\u00edmulo potencialmente danoso.<\/p>\n<p>\u201cNossos resultados sugerem que o aumento da permeabilidade no epit\u00e9lio do es\u00f4fago, causado pela microinflama\u00e7\u00e3o que acomete pacientes com refluxo gastroesof\u00e1gico n\u00e3o erosivo, permite aos \u00e1cidos g\u00e1stricos atravessar a barreira epitelial e ativar esse receptor TRPV1, desencadeando a resposta dolorosa\u201d, contou Souza.<\/p>\n<p>Para validar a hip\u00f3tese, o grupo tratou os animais com subst\u00e2ncias capazes de bloquear a a\u00e7\u00e3o do TRPV1. Em um outro experimento, foram administradas aos animais mol\u00e9culas capazes de superestimular esse mesmo receptor, causando a destrui\u00e7\u00e3o do sistema sensorial por ele modulado. Nos dois casos, foi poss\u00edvel observar diminui\u00e7\u00e3o na inflama\u00e7\u00e3o e na permeabilidade esof\u00e1gica.<\/p>\n<p>\u201cEsses dados sugerem, portanto, que o receptor TRPV1 \u00e9 um alvo terap\u00eautico a ser explorado no tratamento do refluxo gastroesof\u00e1gico n\u00e3o erosivo\u201d, avaliou o pesquisador.<\/p>\n<p>Expandindo fronteiras<\/p>\n<p>Em sua terceira edi\u00e7\u00e3o, o INFLAMMA reuniu cerca de 300 pessoas na Faculdade de Direito de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FDRP-USP).<\/p>\n<p>\u201cO simp\u00f3sio come\u00e7ou pequeno, como uma atividade de difus\u00e3o do CEPID, mas tem atra\u00eddo a cada ano mais pesquisadores de todo o pa\u00eds. Este ano temos participantes de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Acre, Paran\u00e1, Santa Catarina e Cear\u00e1 \u2013 al\u00e9m dos 22 palestrantes, sendo oito estrangeiros\u201d, contou Fernando de Queiroz Cunha, professor da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP-USP) e coordenador do CRID.<\/p>\n<p>Segundo Cunha, para ampliar ainda mais a intera\u00e7\u00e3o com pesquisadores de outros estados, a ideia \u00e9 levar o simp\u00f3sio para fora de S\u00e3o Paulo em 2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo, de Ribeir\u00e3o Preto\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um pol\u00edmero extra\u00eddo do caule do cajueiro (Anacardium occidentale) pode se tornar uma importante ferramenta no tratamento da doen\u00e7a do refluxo gastroesof\u00e1gico, condi\u00e7\u00e3o que afeta cerca de 12% da popula\u00e7\u00e3o mundial, segundo experimentos conduzidos na Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC). 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