{"id":115823,"date":"2017-06-26T00:07:59","date_gmt":"2017-06-26T03:07:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=115823"},"modified":"2017-06-25T16:42:58","modified_gmt":"2017-06-25T19:42:58","slug":"aedes-aegypti-infectado-com-virus-chikungunya-e-identificado-em-aracaju","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/aedes-aegypti-infectado-com-virus-chikungunya-e-identificado-em-aracaju\/115823","title":{"rendered":"Aedes aegypti infectado com v\u00edrus chikungunya \u00e9 identificado em Aracaju"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um grupo de cientistas identificou pela primeira vez no Brasil, em Aracaju (SE), um mosquito da esp\u00e9cie Aedes aegypti infectado naturalmente pelo v\u00edrus causador da febre <strong><em>chikungunya<\/em><\/strong>. O relato foi  na revista PLoS Neglected Tropical Diseases.<\/p>\n<p>Segundo os autores, a descoberta refor\u00e7a o rol de evid\u00eancias de que o Aedes aegypti foi o principal vetor envolvido nos surtos da doen\u00e7a registrados em 2015 e 2016, principalmente no Nordeste brasileiro.<\/p>\n<p>Segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, at\u00e9 dezembro de 2016, tinham sido registrados mais de 265 mil casos prov\u00e1veis de febre chikungunya no pa\u00eds. Em 2015, foram notificados quase 40 mil casos suspeitos. Apesar do alto n\u00famero, nenhum inseto infectado havia sido detectado.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, em todo o continente americano, havia apenas uma \u00fanica descri\u00e7\u00e3o de Aedes aegypti infectado pelo gen\u00f3tipo asi\u00e1tico do v\u00edrus chikungunya feita no M\u00e9xico. O inseto que identificamos em Aracaju apresentava o gen\u00f3tipo ECSA [Leste-Centro-Sul-Africano, na sigla em ingl\u00eas]. Essas duas linhagens j\u00e1 foram encontradas em pacientes no Brasil\u201d, disse Andr\u00e9 Luis Costa-da-Silva, p\u00f3s-doutorando do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e primeiro autor do artigo.<\/p>\n<p>A pesquisa foi feita no \u00e2mbito da Rede de Pesquisa sobre Zika V\u00edrus em S\u00e3o Paulo (Rede Zika), apoiada pela FAPESP, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Margareth Capurro, professora do ICB-USP.<\/p>\n<p>A coleta dos insetos foi realizada em fevereiro de 2016 em seis bairros de Aracaju onde havia um grande n\u00famero de pessoas com sintomas caracter\u00edsticos de arboviroses (doen\u00e7as transmitidas por artr\u00f3podes), como febre alta e dor no corpo. A identifica\u00e7\u00e3o dos locais estrat\u00e9gicos foi feita por meio de colabora\u00e7\u00e3o com pesquisadores do Laborat\u00f3rio Central de Sa\u00fade P\u00fablica de Sergipe (Lacen-SE), auxiliados por uma equipe do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Outros pesquisadores da USP e do Instituto Butantan tamb\u00e9m participaram dessa tarefa multidisciplinar em Aracaju.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises tiveram como foco os tr\u00eas principais arbov\u00edrus em circula\u00e7\u00e3o na \u00e9poca: dengue, Zika e chikungunya.<\/p>\n<p>\u201cOs mosquitos foram capturados vivos, por aspira\u00e7\u00e3o, tanto no interior como ao redor das resid\u00eancias. Cada casa tinha seu respectivo pote de coleta. Em laborat\u00f3rio, os insetos foram separados por esp\u00e9cie e por sexo. As f\u00eameas foram subdivididas entre as que estavam com abdome ingurgitado [sinal de que haviam se alimentado de sangue recentemente] e as que n\u00e3o estavam. Depois todos foram congelados e enviados para serem analisados em S\u00e3o Paulo\u201d, contou Costa-da-Silva.<\/p>\n<p>Ao todo, foram coletados 194 mosquitos da esp\u00e9cie Culex quinquefasciatus, mais conhecida como pernilongo comum. Em segundo lugar veio o Aedes aegypti, com 50 indiv\u00edduos. Outras duas esp\u00e9cies do g\u00eanero Aedes tamb\u00e9m foram capturadas: o A. scapularis (dois indiv\u00edduos) e o A. taeniorhynchus (tamb\u00e9m dois esp\u00e9cimes).<\/p>\n<p>No laborat\u00f3rio coordenado por Capurro, na USP, o material gen\u00e9tico presente nos corpos dos insetos foi analisado por uma t\u00e9cnica conhecida como PCR (rea\u00e7\u00e3o em cadeia da polimerase, na sigla em ingl\u00eas) em tempo real. O sequenciamento e a an\u00e1lise de gen\u00f3tipo viral foram realizados, respectivamente, em parceria com colaboradores americanos e pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Evolu\u00e7\u00e3o Molecular e Bioinform\u00e1tica, chefiado pelo professor Paolo Zanotto.<\/p>\n<p>No caso dos mosquitos machos, todo o RNA presente no corpo do inseto foi avaliado de uma s\u00f3 vez. J\u00e1 no caso das f\u00eameas, para evitar um resultado falso positivo, foi feita uma an\u00e1lise mais detalhada, usando apenas o RNA extra\u00eddo da regi\u00e3o do t\u00f3rax, onde se encontram as gl\u00e2ndulas salivares.<\/p>\n<p>\u201cTivemos esse cuidado porque pode acontecer de as f\u00eameas se alimentarem de sangue contaminado, mas a infec\u00e7\u00e3o n\u00e3o estar estabelecida no inseto. Nesse caso, se analisarmos todo o RNA presente no corpo do mosquito, o v\u00edrus ser\u00e1 detectado\u201d, explicou Costa-da-Silva.<\/p>\n<p>Entre os 248 mosquitos avaliados, nenhum estava infectado com os pat\u00f3genos causadores da dengue ou da Zika. Apenas uma f\u00eamea da esp\u00e9cie Aedes aegypti apresentou o v\u00edrus da febre chikungunya.<\/p>\n<p>\u201cPode parecer pouco, mas uma f\u00eamea infectada em um grupo de 50 \u00e9 um \u00edndice considerado alto. Sugere uma alta circula\u00e7\u00e3o viral e, possivelmente, uma epidemia em curso\u201d, disse Costa-da-Silva.<\/p>\n<p>Zika<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Capurro, n\u00e3o foram encontrados nesse estudo insetos infectados com o v\u00edrus Zika porque o auge da epidemia causada por esse pat\u00f3geno no Nordeste j\u00e1 havia passado quando foi feita a coleta. A explos\u00e3o dos casos teve in\u00edcio em outubro de 2015.<\/p>\n<p>\u201cA equipe estava preparada para ir imediatamente. O financiamento foi aprovado prontamente pela FAPESP. O que demorou foi a negocia\u00e7\u00e3o com as Secretarias de Sa\u00fade estaduais para obter autoriza\u00e7\u00e3o para as coletas. Mesmo com a demora, conseguimos mostrar algo que ningu\u00e9m ainda havia confirmado no Brasil\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Capurro lembrou que, na \u00e9poca em que os casos de Zika e chikungunya come\u00e7aram a aumentar, havia a suspeita de que o pernilongo comum tamb\u00e9m poderia estar contribuindo para a dissemina\u00e7\u00e3o dessas doen\u00e7as \u2013 o que nenhum estudo ainda conseguiu comprovar.<\/p>\n<p>\u201cTer a certeza sobre qual \u00e9 o vetor envolvido em uma epidemia \u00e9 algo que impacta diretamente as medidas de controle, pois para cada esp\u00e9cie de mosquito os protocolos s\u00e3o completamente diferentes. Embora seja muito importante esse tipo de conhecimento, quase todo o investimento em pesquisa relacionado ao Zika foi para o desenvolvimento de vacinas e m\u00e9todos de diagn\u00f3stico. N\u00e3o est\u00e1 havendo investimento para programas-piloto de controle de mosquitos\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Segundo Costa-da-Silva, o grupo pretende conduzir coletas e an\u00e1lises similares \u00e0s descritas neste estudo na regi\u00e3o Sudeste focando a detec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus Zika. \u201cEsse trabalho ainda n\u00e3o foi feito porque n\u00e3o foram identificadas \u00e1reas promissoras para a coleta, onde exista um grande n\u00famero de pessoas com sintomas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O artigo First report of naturally infected Aedes aegypti with chikungunya virus genotype ECSA in the Americas, de Andr\u00e9 Luis Costa-da-Silva, Rafaella Sayuri Ioshino, Vivian Petersen, Antonio Fernando Lima, Marielton dos Passos Cunha, Michael R. Wiley, Jason T. Ladner, Karla Prieto, Gustavo Palacios, Danuza Duarte Costa, Lincoln Suesdek, Paolo Marinho de Andrade Zanotto e Margareth Lara Capurro pode ser lido em: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um grupo de cientistas identificou pela primeira vez no Brasil, em Aracaju (SE), um mosquito da esp\u00e9cie Aedes aegypti infectado naturalmente pelo v\u00edrus causador da febre chikungunya. O relato foi na revista PLoS Neglected Tropical Diseases. 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