{"id":116151,"date":"2017-06-30T00:07:18","date_gmt":"2017-06-30T03:07:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=116151"},"modified":"2017-06-29T18:53:25","modified_gmt":"2017-06-29T21:53:25","slug":"nova-vacina-contra-tuberculose-apresenta-resultados-promissores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/nova-vacina-contra-tuberculose-apresenta-resultados-promissores\/116151","title":{"rendered":"Nova vacina contra tuberculose apresenta resultados promissores"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Uma nova <strong><em>vacina contra a tuberculose<\/em><\/strong> \u2013 mais potente do que a atualmente usada na imuniza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as \u2013 est\u00e1 sendo desenvolvida no Instituto Butantan com . Resultados promissores de ensaios pr\u00e9-cl\u00ednicos, feitos com camundongos, foram  na revista Scientific Reports, do grupo Nature.<\/p>\n<p>\u201cA vacina BCG tradicional \u00e9 eficaz para proteger crian\u00e7as das formas mais graves da doen\u00e7a, mas oferece prote\u00e7\u00e3o limitada contra infec\u00e7\u00f5es pulmonares em adultos. Portanto, desenvolver um novo imunizante mais potente tem sido um desafio da comunidade cient\u00edfica internacional. Diversas estrat\u00e9gias est\u00e3o sendo testadas\u201d, comentou Luciana Leite, diretora do Laborat\u00f3rio Especial de Vacina do Butantan e coordenadora do projeto.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia adotada pelo grupo paulista foi desenvolver uma vers\u00e3o recombinante da BCG, ou seja, modificar a bact\u00e9ria usada na formula\u00e7\u00e3o da vacina convencional \u2013 a Mycobacterium bovis \u2013 para faz\u00ea-la produzir uma prote\u00edna t\u00edpica de outra bact\u00e9ria, a Escherichia coli.<\/p>\n<p>\u201cEssa prote\u00edna recombinante, que chamamos de LTAK63, tem um efeito adjuvante na formula\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, faz com que a resposta do sistema imune \u00e0 vacina seja muito mais forte\u201d, contou Leite.<\/p>\n<p>Nos experimentos com camundongos, os pesquisadores compararam a prote\u00e7\u00e3o oferecida pela BCG convencional e pela BCG recombinante. O grupo controle foi composto por animais n\u00e3o imunizados.<\/p>\n<p>Doze semanas ap\u00f3s a vacina\u00e7\u00e3o, os tr\u00eas grupos foram infectados com a bact\u00e9ria causadora da tuberculose, a Mycobacterium tuberculosis. Depois de 30 dias, a quantidade de bact\u00e9rias presente no pulm\u00e3o foi avaliada.<\/p>\n<p>Nos animais n\u00e3o imunizados, a an\u00e1lise histol\u00f3gica revelou uma grande infiltra\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas inflamat\u00f3rias no pulm\u00e3o e a quantidade de bact\u00e9rias no tecido chegou a 1 milh\u00e3o. No grupo que recebeu a BCG convencional, o n\u00famero de microrganismos encontrado foi em torno de 100 mil e o grau de inflama\u00e7\u00e3o bem mais moderado, por\u00e9m maior do que o observado no grupo que recebeu a vers\u00e3o recombinante da vacina. Nesse terceiro grupo, foram encontradas no pulm\u00e3o apenas cerca de 1 mil bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>\u201cFizemos, em seguida, um segundo experimento no qual desafiamos os animais com uma quantidade at\u00e9 100 vezes maior de Mycobacterium tuberculosis e observamos que apenas a vers\u00e3o recombinante da BCG ofereceu prote\u00e7\u00e3o nesse caso. No grupo que recebeu a vacina convencional os animais come\u00e7aram a morrer depois de alguns dias\u201d, contou Leite.<\/p>\n<p>Encurtando etapas<\/p>\n<p>O desenvolvimento dessa nova vacina contra a tuberculose foi, de acordo com Leite, desdobramento de um projeto de pesquisa anterior, que tinha como objetivo criar uma vers\u00e3o recombinante da vacina DTP \u2013 contra difteria, t\u00e9tano e coqueluche.<\/p>\n<p>Esse trabalho come\u00e7ou no ano 2000, quando, com , Leite montou um laborat\u00f3rio para desenvolver a metodologia necess\u00e1ria para a produ\u00e7\u00e3o de BCG recombinante.<\/p>\n<p>\u201cPor ser capaz de induzir no organismo uma resposta imune forte e inespec\u00edfica, a bact\u00e9ria usada na vacina BCG tamb\u00e9m tem sido empregada como adjuvante no tratamento do c\u00e2ncer e na imuniza\u00e7\u00e3o contra v\u00e1rias doen\u00e7as. Nossa ideia, na \u00e9poca, foi criar uma vers\u00e3o recombinante desse microrganismo capaz de produzir, por exemplo, uma prote\u00edna da bact\u00e9ria causadora da coqueluche. Assim, seria poss\u00edvel imunizar ao mesmo tempo contra as duas doen\u00e7as\u201d, explicou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Esse projeto inicial est\u00e1 em fase avan\u00e7ada de desenvolvimento e, segundo Leite, os primeiros ensaios cl\u00ednicos da vacina recombinante contra a coqueluche devem ter in\u00edcio em breve, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES).<\/p>\n<p>Durante a realiza\u00e7\u00e3o dos experimentos pr\u00e9-cl\u00ednicos, o grupo percebeu que a prote\u00edna recombinante que imunizava contra a coqueluche tamb\u00e9m tinha um efeito adjuvante sobre a pr\u00f3pria BCG, ou seja, modificava tamb\u00e9m a resposta imune do organismo \u00e0 tuberculose.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que a resposta estava diferente, mas n\u00e3o o suficiente para aumentar a prote\u00e7\u00e3o contra a tuberculose, causada por uma bact\u00e9ria muito virulenta. Come\u00e7amos ent\u00e3o a procurar uma prote\u00edna diferente que fosse capaz de aumentar ainda mais essa resposta imune contra a tuberculose. Foi como chegamos \u00e0 LTAK63\u201d, contou.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia, segundo a pesquisadora, \u00e9 que grande parte do conhecimento adquirido durante o projeto da coqueluche poder\u00e1 ser aproveitado no desenvolvimento da nova vacina contra a tuberculose, encurtando etapas cruciais.<\/p>\n<p>\u201cLevamos muitos anos para conseguir adaptar a formula\u00e7\u00e3o testada em camundongos para uso em humanos, no caso da vacina contra a coqueluche. Mas agora estamos com a metodologia pronta e o processo dever\u00e1 ser mais r\u00e1pido\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O trabalho iniciou durante o p\u00f3s-doutorado de  com apoio da FAPESP e continua no doutorado de Carina Carvalho dos Santos, que atualmente realiza um est\u00e1gio de pesquisa no Leiden University Medical Center, na Holanda, tamb\u00e9m . A \u00a0pesquisa j\u00e1 teve patente aprovada nos Estados Unidos e na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>A estimativa \u00e9 que a nova vacina contra a tuberculose possa estar dispon\u00edvel em at\u00e9 10 anos. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), a doen\u00e7a atinge mais de 10 milh\u00f5es de pessoas no mundo e o Brasil est\u00e1 entre os 30 pa\u00edses com maior incid\u00eancia da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O artigo Recombinant BCG Expressing LTAK63 Adjuvant induces Superior Protection against Mycobacterium tuberculosis pode ser lido em: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Uma nova vacina contra a tuberculose \u2013 mais potente do que a atualmente usada na imuniza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as \u2013 est\u00e1 sendo desenvolvida no Instituto Butantan com . Resultados promissores de ensaios pr\u00e9-cl\u00ednicos, feitos com camundongos, foram na revista Scientific Reports, do grupo Nature. \u201cA vacina BCG tradicional \u00e9 eficaz [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34747,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-116151","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=116151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116151\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=116151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=116151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=116151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}