{"id":116325,"date":"2017-07-04T00:07:59","date_gmt":"2017-07-04T03:07:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=116325"},"modified":"2017-07-03T15:35:16","modified_gmt":"2017-07-03T18:35:16","slug":"em-busca-do-diagnostico-precoce-para-ela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/em-busca-do-diagnostico-precoce-para-ela\/116325","title":{"rendered":"Em busca do diagn\u00f3stico precoce para ELA"},"content":{"rendered":"<p> Peter Moon\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A <strong><em>esclerose lateral amiotr\u00f3fica<\/em><\/strong> (ELA) \u00e9 uma doen\u00e7a caracterizada pela degenera\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios motores e que apresenta progress\u00e3o geralmente r\u00e1pida. \u201cA partir do momento do diagn\u00f3stico, cerca de 90% dos pacientes t\u00eam sobrevida de tr\u00eas a cinco anos\u201d, disse Marcondes Cavalcante Fran\u00e7a Jr., chefe do setor de Doen\u00e7as Neuromusculares da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Marcondes e equipe s\u00e3o os respons\u00e1veis pelo atendimento dos pacientes com ELA no Hospital das Cl\u00ednicas da Unicamp.<\/p>\n<p>\u201cIncur\u00e1vel, ELA \u00e9 a terceira doen\u00e7a neurodegenerativa mais comum, depois do Alzheimer e Parkinson, e a que menos se conhecem as causas. N\u00e3o conhecemos a etiologia da doen\u00e7a ou qual o seu fator desencadeante. Mas sabemos que de 5% a 10% dos casos t\u00eam substrato gen\u00e9tico. E que cerca de 15 genes, quando sofrem muta\u00e7\u00e3o, est\u00e3o relacionados ao desenvolvimento de ELA\u201d, disse.<\/p>\n<p>Na maioria dos casos, a esclerose lateral amiotr\u00f3fica acomete pessoas com idades entre 50 e 65 anos. A preval\u00eancia no Brasil \u00e9 de cinco casos para cada 100 mil habitantes. Hoje, aqui, leva-se em torno de 14 meses desde o aparecimento dos primeiros sintomas at\u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico. Nos Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o leva-se um pouco menos: 12 meses.<\/p>\n<p>O tempo \u00e9 longo por uma s\u00e9rie de fatores. Os primeiros sintomas podem ser confundidos com os de outras doen\u00e7as. O doente pode demorar a procurar um m\u00e9dico e, quando o faz, muitas vezes precisa recorrer a outros profissionais at\u00e9 receber o diagn\u00f3stico correto.<\/p>\n<p>\u201cNosso trabalho visa encontrar meios para diagnosticar ELA em uma fase precoce, de modo a que os m\u00e9dicos possam melhor auxiliar o paciente durante a progress\u00e3o da doen\u00e7a, bem como saber quais os tipos de tratamentos e de equipamentos que ele vai necessitar e quando\u201d, disse Marcondes.<\/p>\n<p>Marcondes e equipe buscam encontrar marcadores de imagem, sangu\u00edneos e gen\u00e9ticos, que possam auxiliar no diagn\u00f3stico precoce da doen\u00e7a. O resultado mais recente da pesquisa foi  na revista NeuroImage: Clinical e est\u00e1 centrado no uso de t\u00e9cnicas avan\u00e7adas de an\u00e1lise de imagens de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, capazes de revelar marcadores de ELA.<\/p>\n<p>O estudo, conduzido no \u00e2mbito do Instituto Brasileiro de Neuroci\u00eancia e Neurotecnologia () \u2013 um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) da FAPESP \u2013, resulta tamb\u00e9m do  de Milena de Albuquerque, orientado por Marcondes.<\/p>\n<p>Foram analisadas imagens de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica de 63 pacientes com ELA do Hospital das Cl\u00ednicas da Unicamp. Os focos da an\u00e1lise foram a espessura do c\u00f3rtex cerebral, o volume dos g\u00e2nglios basais na regi\u00e3o mais profunda do c\u00e9rebro e a an\u00e1lise da subst\u00e2ncia branca do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m analisaram a medula espinhal, comparando imagens obtidas no momento do diagn\u00f3stico de ELA com outras feitas oito meses depois, de modo a poder observar a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cEncontramos altera\u00e7\u00e3o de espessura no c\u00f3rtex da regi\u00e3o pr\u00e9-central, a regi\u00e3o motora prim\u00e1ria. Observamos tamb\u00e9m altera\u00e7\u00f5es em tratos da subst\u00e2ncia branca na regi\u00e3o profunda do c\u00e9rebro e tamb\u00e9m no corpo caloso (estrutura localizada na fissura longitudinal e que conecta os hemisf\u00e9rios cerebrais). Por fim, detectamos redu\u00e7\u00e3o progressiva de volume na medula espinhal\u201d, disse Marcondes.<\/p>\n<p>Segundo o neurologista, trabalhos anteriores mostraram altera\u00e7\u00f5es no c\u00f3rtex cerebral, \u201cmas a quantifica\u00e7\u00e3o do grau de atrofia na medula \u00e9 algo novo. Os estudos anteriores se debru\u00e7aram sobre o c\u00e9rebro ou a medula, mas praticamente nenhum abordou ambos ao mesmo tempo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEm seguida, comparamos os diferentes par\u00e2metros de imagens para saber qual o mais sens\u00edvel para detectar a progress\u00e3o da doen\u00e7a. Vimos que eram exatamente as imagens da medula espinhal. A conclus\u00e3o \u00e9 que devemos analisar com mais cuidado a medula espinhal, pois se trata de um dos marcadores mais sens\u00edveis para o acompanhamento de pacientes com ELA no longo prazo e, portanto, \u00fatil para a estimativa do progn\u00f3stico\u201d, disse.<\/p>\n<p>Marcadores gen\u00e9ticos<\/p>\n<p>\u201cOs sintomas iniciais de ELA s\u00e3o perda de for\u00e7a e atrofia muscular localizada. A doen\u00e7a tende a se espalhar, levando \u00e0 perda generalizada dos movimentos e \u00e0 imobiliza\u00e7\u00e3o do paciente. Nos \u00faltimos est\u00e1gios da doen\u00e7a, o paciente perde a capacidade de deglutir, passando a receber nutri\u00e7\u00e3o por sonda, e at\u00e9 de respirar, sendo conectado ao respirador artificial\u201d, explicou Marcondes.<\/p>\n<p>Em cerca de 90% dos casos, a progress\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida. Nos demais, no entanto, a progress\u00e3o \u00e9 mais branda, com os doentes ultrapassando a barreira dos cinco anos de sobrevida ap\u00f3s o diagn\u00f3stico e sobrevivendo por at\u00e9 10 ou muito raramente 20 anos.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso do f\u00edsico ingl\u00eas Stephen Hawking, a v\u00edtima mais conhecida da doen\u00e7a. Hawking foi diagnosticado com ELA quando tinha 21 anos, em 1963. Na \u00e9poca, seus m\u00e9dicos lhe deram dois anos de sobrevida. Em janeiro, Hawking completou 75 anos.<\/p>\n<p>Uma segunda linha de pesquisa da equipe de Marcondes em busca do diagn\u00f3stico precoce da ELA est\u00e1 centrada em marcadores gen\u00e9ticos. O RNA (\u00e1cido ribonucleico) \u00e9 uma mol\u00e9cula respons\u00e1vel pela s\u00edntese de prote\u00ednas nas c\u00e9lulas. Existe um tipo de RNA, chamado microRNA, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 regular a express\u00e3o de diversos genes. H\u00e1 microRNAs que s\u00e3o expressos no c\u00e9rebro e tamb\u00e9m nos m\u00fasculos, por exemplo.<\/p>\n<p>Um estudo do grupo com resultados no Journal of the Neurological Sciences foca exatamente na busca de micro-RNAs que possam servir de marcadores de ELA. O trabalho tamb\u00e9m teve .<\/p>\n<p>\u201cA partir da coleta do sangue de 39 pacientes e de 39 pessoas saud\u00e1veis [controle do experimento], usamos a tecnologia de PCR [rea\u00e7\u00e3o em cadeia da polimerase] para verificar os n\u00edveis de express\u00e3o de microRNAs no plasma sangu\u00edneo. Encontramos 11 microRNAs com express\u00e3o aumentada. O refinamento da an\u00e1lise acabou reduzindo os suspeitos para apenas dois, os de n\u00fameros 206 e 424, que estavam com n\u00edveis de express\u00e3o muito altos em alguns pacientes\u201d, disse Marcondes.<\/p>\n<p>A pesquisa consistiu, ent\u00e3o, em avaliar os n\u00edveis dos dois microRNAs nos pacientes ao longo de 12 meses. Descobriu-se algo surpreendente. \u201cOs pacientes com n\u00edvel mais elevado daqueles micro-RNAs foram os que apresentaram, em uma rela\u00e7\u00e3o indireta, a evolu\u00e7\u00e3o mais branda da doen\u00e7a\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cAchamos que esses micro-RNAs t\u00eam um papel de tentar produzir uma reinerva\u00e7\u00e3o muscular mais efetiva\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em outras palavras, a express\u00e3o elevada dos microRNAs 206 e 424 seria uma tentativa de restabelecer as liga\u00e7\u00f5es destru\u00eddas das c\u00e9lulas do sistema nervoso com os m\u00fasculos. E isso explicaria o avan\u00e7o mais lento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cA conclus\u00e3o \u00e9 que a an\u00e1lise dos microRNAs 206 e 424 como biomarcadores oferece um importante potencial para acelerar no diagn\u00f3stico de ELA e estimar o progn\u00f3stico individual para cada paciente\u201d, disse Marcondes.<\/p>\n<p>O artigo Longitudinal evaluation of cerebral and spinal cord damage in Amyotrophic Lateral Sclerosis (doi: https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.jns.2016.06.046), de Milena de Albuquerque, Lucas Melo T Branco, Thiago Junqueira R. Rezende, Helen Maia Tavares de Andrade, Anamarli Nucci, Marcondes Cavalcante Fran\u00e7a Jr., publicado em NeuroImage: Clinical, pode ser lido em.<\/p>\n<p>O artigo MicroRNAs-424 and 206 are potential prognostic markers in spinal onset amyotrophic lateral sclerosis (doi.org\/10.1016\/j.jns.2016.06.046), de Helen M.T. de Andrade, Milena de Albuquerque, Simoni H. Avansini, Cristiane de S. Rocha, Danyella B. Dogini, Anamarli Nucci, Benilton Carvalho, Iscia Lopes-Cendes, Marcondes C. Fran\u00e7a Jr., publicado em Journal of the Neurological Sciences,\u00a0 est\u00e1 acess\u00edvel em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Moon\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A esclerose lateral amiotr\u00f3fica (ELA) \u00e9 uma doen\u00e7a caracterizada pela degenera\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios motores e que apresenta progress\u00e3o geralmente r\u00e1pida. \u201cA partir do momento do diagn\u00f3stico, cerca de 90% dos pacientes t\u00eam sobrevida de tr\u00eas a cinco anos\u201d, disse Marcondes Cavalcante Fran\u00e7a Jr., chefe do setor de Doen\u00e7as Neuromusculares [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37376,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-116325","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116325","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=116325"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116325\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=116325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=116325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=116325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}