{"id":116421,"date":"2017-07-05T00:08:43","date_gmt":"2017-07-05T03:08:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=116421"},"modified":"2017-07-04T15:49:58","modified_gmt":"2017-07-04T18:49:58","slug":"estudo-de-celulas-do-sistema-nervoso-pode-ajudar-a-desvendar-doencas-degenerativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/estudo-de-celulas-do-sistema-nervoso-pode-ajudar-a-desvendar-doencas-degenerativas\/116421","title":{"rendered":"Estudo de c\u00e9lulas do sistema nervoso pode ajudar a desvendar doen\u00e7as degenerativas"},"content":{"rendered":"<p> Peter Moon | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 <strong><em>Micr\u00f3glia<\/em><\/strong> \u00e9 um tipo de c\u00e9lula do sistema nervoso central com fun\u00e7\u00e3o similar \u00e0 dos gl\u00f3bulos brancos na corrente sangu\u00ednea. As micr\u00f3glias fazem a vigil\u00e2ncia ativa do tecido cerebral e da medula. \u00c9 sobre os genes de maior express\u00e3o na micr\u00f3glia humana que trata uma colabora\u00e7\u00e3o entre pesquisadores do Brasil e da Holanda, cujos resultados foram publicados no site da revista Nature Neuroscience.<\/p>\n<p>A pesquisa mostra que a micr\u00f3glia humana tem muitos genes com express\u00e3o diferente da micr\u00f3glia de camundongos, usada como modelos em estudos de doen\u00e7as neurodegenerativas como Alzheimer.<\/p>\n<p>O trabalho tamb\u00e9m indica que a micr\u00f3glia humana envelhece de modo diferente da micr\u00f3glia de camundongos. \u201cOs resultados ser\u00e3o importantes para estudos do perfil de express\u00e3o g\u00eanica da micr\u00f3glia normal ao longo do envelhecimento humano. Poder\u00e3o servir de base para compara\u00e7\u00f5es que visem detectar as altera\u00e7\u00f5es da micr\u00f3glia em diversas doen\u00e7as neurodegenerativas\u201d, disse , coordenadora do Laborat\u00f3rio de Biologia Molecular e Celular na Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP).<\/p>\n<p>Micr\u00f3glias t\u00eam termina\u00e7\u00f5es com as quais se prendem aos neur\u00f4nios, inspecionando o ambiente em busca de agentes externos a combater, de sinapses mortas que devem ser retiradas ou ainda de neur\u00f4nios que est\u00e3o morrendo e precisam ser eliminados. Quando identificam algum problema, as micr\u00f3glias se movem rapidamente para fagocitar o agente causador da inflama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As micr\u00f3glias exercem ainda papel nas respostas imunol\u00f3gicas do sistema nervoso. Por conta disso, s\u00e3o objetos de pesquisas sobre doen\u00e7as neurodegenerativas como Alzheimer, Parkinson e a esclerose lateral amiotr\u00f3fica (ELA).<\/p>\n<p>\u201cPara poder desvendar qual o papel das micr\u00f3glias nas doen\u00e7as neurodegenerativas, em primeiro lugar \u00e9 necess\u00e1rio entender quais s\u00e3o os genes da micr\u00f3glia humana com maior express\u00e3o em um sistema nervoso saud\u00e1vel\u201d, disse , outra autora da pesquisa, da qual faz parte seu doutoramento, com orienta\u00e7\u00e3o de Nagahashi Marie.<\/p>\n<p>\u201cIsso n\u00e3o havia sido feito. Nossa ideia foi estabelecer um perfil da express\u00e3o g\u00eanica da micr\u00f3glia humana\u201d, contou a biom\u00e9dica, cujo doutorado foi feito em dupla titula\u00e7\u00e3o na FMUSP e na Universidade de Groningen, na Holanda. Galatro aprendeu uma t\u00e9cnica de obten\u00e7\u00e3o das micr\u00f3glias no c\u00f3rtex cerebral com a equipe do professor Bart Eggen, no Departamento de Neuroci\u00eancia da universidade holandesa. A colabora\u00e7\u00e3o entre os pesquisadores envolveu a vinda de uma integrante da equipe de Eggen para o laborat\u00f3rio coordenado por Nagahashi Marie.<\/p>\n<p>As amostras de c\u00f3rtex cerebral usadas na pesquisa foram coletadas em aut\u00f3psias realizadas na Holanda e no Servi\u00e7o de Verifica\u00e7\u00e3o de \u00d3bitos da Capital (SVOC) do Banco de Enc\u00e9falos Humanos do Grupo de Estudos em Envelhecimento Cerebral da FMUSP.<\/p>\n<p>Das 81 amostras, foram selecionadas 39 \u201cde indiv\u00edduos sem hist\u00f3rico de patologia cerebral, para termos a certeza de que as micr\u00f3glias do estudo seriam de c\u00e9rebros sadios\u201d, contou Galatro.<\/p>\n<p>As amostras selecionadas eram de mulheres e homens com idades entre 34 e 102 anos. Tal amplitude et\u00e1ria foi intencional, visando entender de que modo o processo de envelhecimento afetaria a express\u00e3o g\u00eanica das micr\u00f3glias.<\/p>\n<p>A partir das amostras de c\u00f3rtex foram obtidas as micr\u00f3glias, momento em que se partiu para o sequenciamento de seu transcriptoma, ou seja, o conjunto dos RNAs da micr\u00f3glia, fornecendo assim um reflexo direto da express\u00e3o g\u00eanica.<\/p>\n<p>\u201cA metodologia de sequenciamento em larga escala (NGS) permite verificar o n\u00edvel de express\u00e3o de todos os genes codificados na amostra estudada. No nosso trabalho, utilizamos a t\u00e9cnica de deple\u00e7\u00e3o do RNA ribossomal, que representa cerca de 80% do RNA total da micr\u00f3glia\u201d, disse Nagahashi Marie.<\/p>\n<p>Isso permitiu a melhor contagem dos RNAs mensageiros, aqueles respons\u00e1veis pela codifica\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas. Os pesquisadores detectaram entre 17 e 19 mil genes da micr\u00f3glia humana. \u201cEsse universo de genes foi comparado em dois grupos: micr\u00f3glia isolada versus c\u00e9rebro total\u201d, disse.<\/p>\n<p>A micr\u00f3glia representa um compartimento celular espec\u00edfico do tecido cerebral. Na compara\u00e7\u00e3o da micr\u00f3glia com o c\u00e9rebro total, os 17 a 19 mil genes foram ordenados de acordo com a abund\u00e2ncia em cada um desses compartimentos. A partir dali, foi poss\u00edvel identificar os 1.297 genes que est\u00e3o expressos em maior abund\u00e2ncia na micr\u00f3glia humana.<\/p>\n<p>\u201cEste grupo de genes foi considerado como sendo a assinatura molecular da micr\u00f3glia humana\u201d, disse Nagahashi Marie.<\/p>\n<p>Uma vez isolados os 1.297 genes com maior express\u00e3o na micr\u00f3glia humana, sua classifica\u00e7\u00e3o foi feita comparando-os aos genes da micr\u00f3glia dos camundongos, o animal do qual mais se estudou o papel das micr\u00f3glias.<\/p>\n<p>\u201cIdentificamos que, de maneira geral, os genes com maior express\u00e3o na micr\u00f3glia humana s\u00e3o semelhantes aos genes de maior express\u00e3o na micr\u00f3glia murina (dos camundongos)\u201d, disse Galatro.<\/p>\n<p>A maioria dos genes est\u00e1 relacionada, tanto em humanos quanto em camundongos, com a fun\u00e7\u00e3o de movimento (as micr\u00f3glias se movem pelo tecido nervoso) e a fun\u00e7\u00e3o de defesa (na fagocitose de agentes patol\u00f3gicos).<\/p>\n<p>No entanto, uma pequena por\u00e7\u00e3o dos genes de maior express\u00e3o na micr\u00f3glia humana n\u00e3o encontra correspondente nos genes da micr\u00f3glia murina.<\/p>\n<p>\u201cDescobrimos que aqueles poucos genes exclusivamente humanos t\u00eam papel na resposta imune, ou seja, eles s\u00e3o importantes na defesa do hospedeiro contra as infec\u00e7\u00f5es\u201d, disse Galatro.<\/p>\n<p>Compara\u00e7\u00e3o com primatas<\/p>\n<p>Segundo Nagahashi Marie, o principal resultado da pesquisa foi justamente a demonstra\u00e7\u00e3o de que, apesar da observa\u00e7\u00e3o de uma sobreposi\u00e7\u00e3o de genes nas micr\u00f3glias de seres humanos e camundongos, a micr\u00f3glia humana apresenta v\u00e1rios genes com express\u00e3o diferente da murina.<\/p>\n<p>\u201cIsso implica que os resultados dos experimentos nos modelos murinos de neurodegenera\u00e7\u00e3o, incluindo os modelos de Alzheimer, devem ser interpretados com esta cautela\u201d, disse. \u201cNossos resultados de express\u00e3o da micr\u00f3glia humana ao longo do envelhecimento diferem dos j\u00e1 descritos no modelo murino de envelhecimento.\u201d<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia da pesquisa, o grupo pretende analisar funcionalmente os genes identificados para conhecer o seu papel na fisiologia normal do tecido cerebral e compreender as suas mudan\u00e7as nas doen\u00e7as neurodegenerativas.<\/p>\n<p>Uma vez comparados os genes humanos com os de camundongos, \u00e9 natural querer fazer compara\u00e7\u00f5es com as micr\u00f3glias de animais evolutivamente mais pr\u00f3ximos do homem.<\/p>\n<p>\u201cO sequenciamento da micr\u00f3glia de primatas est\u00e1 em andamento em nosso laborat\u00f3rio. Com a produ\u00e7\u00e3o do transcriptoma de primatas teremos condi\u00e7\u00f5es de comparar a express\u00e3o g\u00eanica evolutiva da micr\u00f3glia humana com a micr\u00f3glia de primatas, de camundongos e do peixe-zebra\u201d, disse Nagahashi Marie.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m est\u00e3o com o sequenciamento pronto e em fase de an\u00e1lise bioinform\u00e1tica da express\u00e3o da micr\u00f3glia isolada de sete regi\u00f5es distintas do c\u00e9rebro de aut\u00f3psia de indiv\u00edduos sem disfun\u00e7\u00e3o cognitiva.<\/p>\n<p>\u201cO novo estudo possibilitar\u00e1 analisar se a micr\u00f3glia apresenta diferen\u00e7as em s\u00edtios distintos do c\u00e9rebro. Partimos da hip\u00f3tese que sim, e que a micr\u00f3glia \u00e9 relevante na patologia das doen\u00e7as neurodegenerativas. Por conta disso, inclu\u00edmos na an\u00e1lise os s\u00edtios que sofrem comprometimento no avan\u00e7o progressivo da doen\u00e7a de Alzheimer\u201d, disse.<\/p>\n<p>A pesquisa contou com apoio da FAPESP por meio de ,  e de  coordenado pela professora Berenice Bilharinho de Mendon\u00e7a, da FMUSP.<\/p>\n<p>Outra colabora\u00e7\u00e3o fundamental veio do professor Carlos Pasqualucci, chefe do SVOC. Atualmente na Universidade de Michigan, o endocrinologista brasileiro Antonio Lerario foi o respons\u00e1vel pela an\u00e1lise de bioinform\u00e1tica do trabalho.<\/p>\n<p>O artigo Transcriptomic analysis of purified human cortical microglia reveals age-associated changes (doi:10.1038\/nn.4597), de Thais F. Galatro, Inge R. Holtman, Antonio M. Lerario, Suely K.N. Marie e outros, pode ser lido em  e ser\u00e1 publicado na edi\u00e7\u00e3o impressa da Nature Neuroscience.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Moon | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Micr\u00f3glia \u00e9 um tipo de c\u00e9lula do sistema nervoso central com fun\u00e7\u00e3o similar \u00e0 dos gl\u00f3bulos brancos na corrente sangu\u00ednea. 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