{"id":117635,"date":"2017-07-24T00:07:20","date_gmt":"2017-07-24T03:07:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=117635"},"modified":"2017-07-23T18:25:13","modified_gmt":"2017-07-23T21:25:13","slug":"pesquisadores-elaboram-novo-mapa-de-ameaca-sismica-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/pesquisadores-elaboram-novo-mapa-de-ameaca-sismica-do-brasil\/117635","title":{"rendered":"Pesquisadores elaboram novo mapa de amea\u00e7a s\u00edsmica do Brasil"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson, de Belo Horizonte (MG) | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo (IAG-USP), em colabora\u00e7\u00e3o com colegas das universidades Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, da Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), de Bras\u00edlia (UnB), do Observat\u00f3rio Nacional e da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), do Rio de Janeiro, est\u00e3o elaborando um novo <strong><em>mapa de amea\u00e7a s\u00edsmica do Brasil<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o preliminar do levantamento foi apresentada por Marcelo Sousa de Assump\u00e7\u00e3o, professor do IAG e um dos coordenadores da Rede Sismogr\u00e1fica Brasileira, em palestra sobre tremores de terra no Brasil em palestra durante a 69\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC).<\/p>\n<p>Com o tema \u201cInova\u00e7\u00e3o \u2013 Diversidade \u2013 Transforma\u00e7\u00f5es\u201d, o evento, que ocorre at\u00e9 s\u00e1bado (22\/07) no campus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), re\u00fane pesquisadores do Brasil e do exterior e gestores do sistema nacional de ci\u00eancia e tecnologia.<\/p>\n<p>&#8220;A amea\u00e7a s\u00edsmica no Brasil \u00e9 relativamente baixa em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, como o Chile e o Peru, porque o pa\u00eds est\u00e1 localizado em uma regi\u00e3o est\u00e1vel, de terrenos muito antigos e no interior de placa tect\u00f4nica&#8221;, disse Assump\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Mas o Brasil tamb\u00e9m registra com uma certa frequ\u00eancia tremores de baixa e m\u00e9dia intensidade cujas consequ\u00eancias podem ser dr\u00e1sticas dependendo da regi\u00e3o onde acontecerem&#8221;, ponderou o pesquisador, que realiza um  apoiado pela FAPESP .<\/p>\n<p>Um exemplo recente nesse sentido, segundo o pesquisador, foi a s\u00e9rie de tremores de magnitude entre 2,01 e 2,55 que ocorreram em Mariana (MG) tr\u00eas dias antes do rompimento da barragem do Fund\u00e3o, pertencente \u00e0 Samarco, que resultou no maior desastre ambiental no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Apesar da baixa magnitude, o epicentro de um dos tremores, de magnitude 2,5, contudo, foi a um quil\u00f4metro da barragem, conforme a pr\u00f3pria empresa declarou em um relat\u00f3rio sobre as causas do acidente, elaborado por um comit\u00ea internacional de especialistas que reviu todos os aspectos geoct\u00e9cnicos da barragem.<\/p>\n<p>Uma das conclus\u00f5es do painel de especialistas foi que, por serem pequenos, tremores dessa magnitude n\u00e3o poderiam causar consequ\u00eancias a estruturas bem constru\u00eddas e em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A barragem, entretanto, j\u00e1 estava em um estado fr\u00e1gil e os tremores ocorreram uma hora antes de ela romper&#8221;, ponderou Assump\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Probabilidade de ocorr\u00eancia<\/p>\n<p>O mapa apresenta as regi\u00f5es com maior perigo s\u00edsmico no pa\u00eds, definido como a chance de ocorrer um certo n\u00edvel de vibra\u00e7\u00e3o no solo causado por um tremor.<\/p>\n<p>Para elabor\u00e1-lo, os pesquisadores fizeram inicialmente um levantamento dos tremores que ocorreram no Brasil nas \u00faltimas d\u00e9cadas a fim de determinar o n\u00edvel de atividade s\u00edsmica de cada regi\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo dados do levantamento, os eventos s\u00edsmicos no Brasil ocorrem com mais frequ\u00eancia no Nordeste (Cear\u00e1 e Rio Grande do Norte), na regi\u00e3o norte de Mato Grosso, no noroeste goiano e na \u00e1rea da Bacia do Pantanal Mato-Grossense.<\/p>\n<p>&#8220;Qualquer regi\u00e3o, na realidade, \u00e9 suscet\u00edvel a tremores de terra. Algumas mais \u2013 como Minas Gerais \u2013, e outras menos. Mas ainda n\u00e3o sabemos, exatamente, porque algumas regi\u00f5es s\u00e3o mais ativas e outras menos&#8221;, disse Assump\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com base na frequ\u00eancia e magnitude desses tremores, eles estimaram a probabilidade de eles ocorrerem nessas regi\u00f5es nos pr\u00f3ximos anos e o n\u00edvel de vibra\u00e7\u00e3o que causariam no solo onde est\u00e3o situadas constru\u00e7\u00f5es, como casas, hospitais e com\u00e9rcio, por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas dist\u00e2ncias do epicentro.<\/p>\n<p>Os tremores de magnitude 3, por exemplo, ocorrem com uma frequ\u00eancia m\u00e9dia de duas vezes por m\u00eas no pa\u00eds. J\u00e1 os de magnitude 4, como o registrado em Montes Claros (MG), em 2012, duas vezes por ano. E os de magnitude 5, como o que atingiu a cidade de Itacarambi (MG) em 2007 e causam danos, acontecem uma vez a cada 50 anos, estimaram os pesquisadores.<\/p>\n<p>&#8220;Os tremores que ocorreram antes do rompimento da barragem de res\u00edduos da Samarco em Mariana, por exemplo, ocorrem toda hora e s\u00f3 s\u00e3o sentidos quando acontecem pr\u00f3ximos de cidades&#8221;, explicou Assump\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar de pequeno, se um tremor dessa magnitude ocorrer a um quil\u00f4metro de onde est\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o ou no meio de uma cidade, por exemplo, a intensidade dele pode ser alta e causar s\u00e9rios impactos para a popula\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, o Brasil possui uma norma t\u00e9cnica de constru\u00e7\u00e3o antiss\u00edsmica, a NBR-15421, denominada &#8220;Projeto de Estruturas Resistentes a Sismos&#8221;, em vigor desde 2006.<\/p>\n<p>A norma, contudo, foi baseada em um mapa de ocorr\u00eancia de sismos no Brasil que est\u00e1 desatualizado, apontou o pesquisador.<\/p>\n<p>&#8220;Acreditamos que o Brasil tem muito mais registros de sismos do que est\u00e1 retratado no mapa no qual se baseou a norma&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>As construtoras de barragens hidrel\u00e9tricas s\u00e3o obrigadas a fazer estudos s\u00edsmicos para desenvolverem os projetos.<\/p>\n<p>J\u00e1 no caso das barragens de rejeitos de min\u00e9rios, muitas mineradoras fazem estudos s\u00edsmicos para projet\u00e1-las de modo que sejam capazes de suportar tremores de grande intensidade. Mas nem todas fazem isso, ponderou o pesquisador.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o havia uma regulamenta\u00e7\u00e3o que obrigasse as barragens de rejeitos a fazer estudos s\u00edsmicos&#8221;, apontou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson, de Belo Horizonte (MG) | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo (IAG-USP), em colabora\u00e7\u00e3o com colegas das universidades Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, da Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), de Bras\u00edlia (UnB), do Observat\u00f3rio Nacional e da Funda\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":39993,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-117635","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=117635"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117635\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39993"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=117635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=117635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=117635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}