{"id":119184,"date":"2017-08-17T00:08:23","date_gmt":"2017-08-17T03:08:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=119184"},"modified":"2017-08-16T16:34:52","modified_gmt":"2017-08-16T19:34:52","slug":"inibidor-do-virus-zika-deve-levar-10-anos-para-ser-produzido-em-larga-escala","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/inibidor-do-virus-zika-deve-levar-10-anos-para-ser-produzido-em-larga-escala\/119184","title":{"rendered":"Inibidor do v\u00edrus Zika deve levar 10 anos para ser produzido em larga escala"},"content":{"rendered":"<p> Cientistas da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco descobriram subst\u00e2ncia que pode bloquear o v\u00edrus <strong><em>Zika<\/em><\/strong>. Mas ainda ser\u00e3o necess\u00e1rios anos de estudo antes que a 6-metilmercaptopurina ribos\u00eddica (6MMPr) vire um medicamento a ser produzido em larga escala. Segundo a descoberta, a subst\u00e2ncia \u201cimita\u201d uma parte do v\u00edrus, que \u00e9 inserida no genoma do zika para a reprodu\u00e7\u00e3o. O sucesso obtido pelos pesquisadores foi de mais de 99%.<\/p>\n<p> A subst\u00e2ncia, sint\u00e9tica, \u00e9 do grupo das Tiopurinas, origem de medicamentos contra o c\u00e2ncer. Esse tipo espec\u00edfico, no entanto, nunca foi utilizado. Os pesquisadores da Fiocruz trabalhavam com a 6MMPr em um outro estudo, para combater um v\u00edrus de cachorro, a Cinomose canina. \u201cN\u00f3s identificamos que ela tem atividade contra a Cinomose. E por ser um v\u00edrus de RNA, assim como o Zika v\u00edrus, n\u00f3s formulamos a hip\u00f3tese que tamb\u00e9m funcionaria contra o zika\u201d, conta o coordenador da pesquisa, Lindomar Pena.<\/p>\n<p> Para levar o estudo \u00e0 frente, a equipe utilizou material e recursos humanos de outras pesquisas financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Ci\u00eancia e Tecnologia de Pernambuco (Facepe), j\u00e1 que, segundo Pena, no per\u00edodo de um ano n\u00e3o surgiu nenhum edital para financiamento de investiga\u00e7\u00f5es de subst\u00e2ncias contra o zika.<\/p>\n<p>Os testes foram feitos em c\u00e9lulas epiteliais e neurais de macacos e de humanos. A cada mil v\u00edrus, 996 deles foram eliminados com a 6MMPr, o que d\u00e1 mais de 99%. \u201c\u00c9 algo impressionante. Em laborat\u00f3rio, a gente faz de tudo para tentar \u2018provar\u2019 que a subst\u00e2ncia n\u00e3o funciona, os testes s\u00e3o muito rigorosos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Foi descoberto tamb\u00e9m que quanto mais alta a dose, maior \u00e9 a efic\u00e1cia, e quanto mais cedo a subst\u00e2ncia come\u00e7a a atuar, maior \u00e9 o sucesso.<\/p>\n<p>Para combater o zika, ela imita parte da estrutura do v\u00edrus para \u201cengan\u00e1-lo\u201d. Segundo o coordenador da pesquisa, quando o v\u00edrus est\u00e1 replicando seu genoma, ele precisa de pequenos blocos estruturais. Ele deu o exemplo de uma parede formada por tijolos. Seria como se a 6MMPr imitasse um dos tijolos, para que quando o zika \u201cconstru\u00edsse\u201d a parede, parasse de se replicar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a subst\u00e2ncia se mostrou segura para uso em c\u00e9lulas neurais. \u201cVai ter poucos efeitos colaterais no sistema nervoso, porque se ela fosse mais t\u00f3xica seria um alerta negativo. Ela mostra justamente o contr\u00e1rio, tem poucos efeitos t\u00f3xicos, comparados com c\u00e9lulas epiteliais. Em c\u00e9lulas epiteliais \u00e9 menos grave\u201d, afirmou Pena.<\/p>\n<p>Caminho longo<\/p>\n<p>Apesar da conquista, ainda h\u00e1 muitas etapas \u2013 e anos \u2013 at\u00e9 que a subst\u00e2ncia possa ser produzida em larga em escala como um medicamento. De acordo com Lindomar Pena, o tempo m\u00e9dio at\u00e9 que isso ocorra \u00e9 de 10 anos. \u201cMas, por causa da import\u00e2ncia e da gravidade do zika, pode ser que esse per\u00edodo possa ser reduzido pela metade\u201d, estima.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo \u00e9 o teste em camundongos. S\u00e3o necess\u00e1rias ainda outras duas esp\u00e9cies de animais at\u00e9 chegar ao teste em humanos. Para saber se \u00e9 poss\u00edvel utilizar um poss\u00edvel medicamento em gr\u00e1vidas para que o beb\u00ea fique protegido, ainda ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer o teste em f\u00eameas prenhas. \u201cSe for prejudicial, podemos melhorar a subst\u00e2ncia, fazendo modifica\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas. J\u00e1 temos parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco para isso\u201d.<\/p>\n<p>Sumaia Villela &#8211; Correspondente da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Carolina Pimentel<br \/>\n17\/08\/2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco descobriram subst\u00e2ncia que pode bloquear o v\u00edrus Zika. Mas ainda ser\u00e3o necess\u00e1rios anos de estudo antes que a 6-metilmercaptopurina ribos\u00eddica (6MMPr) vire um medicamento a ser produzido em larga escala. 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