{"id":120466,"date":"2017-09-05T00:06:09","date_gmt":"2017-09-05T03:06:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=120466"},"modified":"2017-09-04T16:35:24","modified_gmt":"2017-09-04T19:35:24","slug":"estudo-ajuda-a-entender-como-as-celulas-de-defesa-combatem-bacterias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/estudo-ajuda-a-entender-como-as-celulas-de-defesa-combatem-bacterias\/120466","title":{"rendered":"Estudo ajuda a entender como as c\u00e9lulas de defesa combatem bact\u00e9rias"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0|\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Quando as c\u00e9lulas de defesa que patrulham o organismo humano deparam com uma bact\u00e9ria potencialmente perigosa, determinados complexos proteicos intracelulares conhecidos como inflamassomas s\u00e3o acionados. Esse processo \u00e9 essencial para desencadear um <strong><em>processo inflamat\u00f3rio<\/em><\/strong> capaz de atrair para o local do confronto um verdadeiro ex\u00e9rcito de c\u00e9lulas imunes e, assim, barrar o avan\u00e7o da infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entender como exatamente esses mecanismos de defesa funcionam \u00e9 o objetivo de um\u00a0\u00a0apoiado pela FAPESP e coordenado pelo professor Dario Sim\u00f5es Zamboni na Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMRP-USP).<\/p>\n<p>Resultados recentes foram\u00a0\u00a0em julho na revista\u00a0Cell Reports. O trabalho \u00e9 desenvolvido no \u00e2mbito do Centro de Pesquisa em Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias (), um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPIDs) da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cEsse tipo de conhecimento b\u00e1sico pode ajudar, no futuro, a desenvolver novos m\u00e9todos tanto para combater infec\u00e7\u00f5es quanto para evitar que ocorra uma inflama\u00e7\u00e3o exacerbada e lesiva ao organismo, como \u00e9 o caso da sepse\u201d, disse Zamboni \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>No trabalho mais recente, o grupo investigou a intera\u00e7\u00e3o entre tr\u00eas diferentes tipos de inflamassoma que podem ser ativados em macr\u00f3fagos \u2013 c\u00e9lulas que integram a linha de frente do sistema imune e s\u00e3o respons\u00e1veis por fagocitar (ingerir) potenciais invasores.<\/p>\n<p>Um deles \u00e9 acionado quando certas mol\u00e9culas \u2013 que podem ou n\u00e3o ser componentes microbianos \u2013 furam a membrana do macr\u00f3fago e causam a sa\u00edda de pot\u00e1ssio do meio intracelular, o que resulta na ativa\u00e7\u00e3o de uma prote\u00edna conhecida como NLRP3.<\/p>\n<p>O segundo tipo de inflamassoma entra em a\u00e7\u00e3o quando a c\u00e9lula de defesa detecta em seu citoplasma a presen\u00e7a de DNA de micr\u00f3bios invasores, causando a ativa\u00e7\u00e3o da prote\u00edna AIM2.<\/p>\n<p>J\u00e1 o terceiro tipo \u00e9 induzido pela presen\u00e7a, no citoplasma do macr\u00f3fago, de um componente bacteriano denominado LPS (lipopolissacar\u00eddeo bacteriano), existente em esp\u00e9cies de bact\u00e9rias Gram-negativas \u2013 ao qual pertencem diversos agentes causadores de doen\u00e7a em humanos, como\u00a0Escherichia coli,\u00a0Shigella,\u00a0Salmonella,\u00a0Pseudomonas\u00a0e\u00a0Legionella pneumophila. Neste terceiro caso, o processo inflamat\u00f3rio tem in\u00edcio gra\u00e7as \u00e0 ativa\u00e7\u00e3o da prote\u00edna caspase-11.<\/p>\n<p>Embora sejam mediados por prote\u00ednas diferentes, os tr\u00eas inflamassomas, quando ativados, levam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias, como a interleucina-1 beta (IL-1?) e a interleucina-18 (IL-18). S\u00e3o essas citocinas que alertam o sistema imune sobre a necessidade de enviar ao local seu ex\u00e9rcito \u2013 composto por neutr\u00f3filos, mon\u00f3citos inflamat\u00f3rios, linf\u00f3citos e outros tipos de leuc\u00f3citos. Quando isso efetivamente acontece, surgem os sintomas t\u00edpicos de inflama\u00e7\u00e3o: dor, calor, vermelhid\u00e3o e edema.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 agora, predominava a ideia de que esses inflamassomas funcionavam de forma independente um do outro. Mas n\u00f3s estamos mostrando que um pode regular a ativa\u00e7\u00e3o do outro de modo a amplificar o sinal da infec\u00e7\u00e3o e induzir uma resposta inflamat\u00f3ria mais potente\u201d, contou Zamboni.<\/p>\n<p>Metodologia<\/p>\n<p>Os experimentos que possibilitaram essa conclus\u00e3o foram feitos\u00a0in vitro, com culturas de macr\u00f3fagos de camundongos e tamb\u00e9m\u00a0in vivo, com infe\u00e7\u00f5es nos pulm\u00f5es dos camundongos. Como modelo de infec\u00e7\u00e3o foi usada a bact\u00e9ria\u00a0Legionella pneumophila, agente causador de pneumonia e capaz de ativar m\u00faltiplos inflamassomas nos macr\u00f3fagos.<\/p>\n<p>\u201cObservamos\u00a0in vitro\u00a0que, quando a quantidade de DNA bacteriano no interior da c\u00e9lula de defesa \u00e9 muito pequena, o est\u00edmulo n\u00e3o \u00e9 suficiente para que a prote\u00edna AIM2 consiga clivar [quebrar as liga\u00e7\u00f5es pept\u00eddicas] uma outra prote\u00edna chamada caspase-1 e, assim, ativar o inflamassoma de AIM2. Por\u00e9m, a AIM2 consegue deixar a caspase-1 em sua forma ativa e, em conjunto, as duas prote\u00ednas atuam de modo a fazer um furo na membrana do macr\u00f3fago, ativando o inflamassoma de NLRP3\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>Ainda segundo Zamboni, estudos anteriores j\u00e1 haviam sugerido que a prote\u00edna caspase-11, ao reconhecer o LPS no citoplasma do macr\u00f3fago, tamb\u00e9m induz um dano na membrana que resulta na ativa\u00e7\u00e3o do inflamassoma de NLRP3.<\/p>\n<p>\u201cAgora, mostramos que tamb\u00e9m o inflamassoma de AIM2 consegue amplificar os sinais da infec\u00e7\u00e3o e acionar o inflamassoma de NLRP3 de forma n\u00e3o convencional\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Ao repetir o experimento em c\u00e9lulas modificadas para n\u00e3o expressar as prote\u00ednas AIM2 e caspase-11, os pesquisadores observaram que n\u00e3o ocorria a ativa\u00e7\u00e3o do inflamassoma de NLRP3 na presen\u00e7a da bact\u00e9ria no meio de cultura e a c\u00e9lula se tornava completamente incapaz de orquestrar uma resposta inflamat\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u201cQuando deix\u00e1vamos uma das duas vias funcionando \u2013 AIM2 ou caspase-11 \u2013 a resposta ocorria, mas de forma menos eficiente que na c\u00e9lula selvagem\u201d, contou Zamboni.<\/p>\n<p>Em seguida, experimentos com camundongos foram feitos para confirmar se um efeito semelhante seria observado\u00a0in vivo, situa\u00e7\u00e3o em que h\u00e1 intera\u00e7\u00e3o entre diversos fatores imunol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Um dos grupos de estudo era formado por animais \u201cselvagens\u201d, sem altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. O outro contava com roedores modificados para n\u00e3o produzir as prote\u00ednas AIM2 e caspase-11.<\/p>\n<p>\u201cQuando o camundongo selvagem respira a bact\u00e9ria, todas as vias de ativa\u00e7\u00e3o de inflamassoma s\u00e3o acionadas, uma resposta eficiente \u00e9 articulada e a infec\u00e7\u00e3o, controlada. J\u00e1 nos animais deficientes de AIM2 e caspase-11, durante os primeiros dois dias de infec\u00e7\u00e3o a bact\u00e9ria consegue se replicar cerca de cinco a 10 vezes mais nos pulm\u00f5es dos camundongos\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Zamboni, h\u00e1 evid\u00eancias de que, ao longo da evolu\u00e7\u00e3o, o sistema imune de mam\u00edferos foi desenvolvendo m\u00faltiplos mecanismos para reconhecer diferentes elementos de micr\u00f3bios patog\u00eanicos e, assim, ativar o inflamassoma de NLRP3, garantindo a indu\u00e7\u00e3o de uma resposta inflamat\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u201cReconhecer um micr\u00f3bio com potencial para causar dano \u00e9 o primeiro e um dos mais importantes processos que as c\u00e9lulas de defesa t\u00eam de fazer. Estamos em contato com milhares de microrganismos o tempo todo e a maioria deles n\u00e3o representa uma amea\u00e7a. Montar uma resposta inflamat\u00f3ria contra micr\u00f3bios patog\u00eanicos \u00e9 importante, mas custoso para o organismo. \u00c9 preciso valer a pena\u201d, afirmou Zamboni.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0AIM2 Engages Active but Unprocessed Caspase-1 to Induce Noncanonical Activation of the NLRP3 Inflammasome, que foi destaque de capa da edi\u00e7\u00e3o de julho da revista\u00a0Cell reports, pode ser lido em:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0|\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Quando as c\u00e9lulas de defesa que patrulham o organismo humano deparam com uma bact\u00e9ria potencialmente perigosa, determinados complexos proteicos intracelulares conhecidos como inflamassomas s\u00e3o acionados. 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