{"id":121667,"date":"2017-09-21T00:07:21","date_gmt":"2017-09-21T03:07:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=121667"},"modified":"2017-09-20T16:17:48","modified_gmt":"2017-09-20T19:17:48","slug":"estudo-feito-na-unicamp-permite-tracar-o-roteiro-da-obesidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/estudo-feito-na-unicamp-permite-tracar-o-roteiro-da-obesidade\/121667","title":{"rendered":"Estudo feito na Unicamp permite tra\u00e7ar o roteiro da obesidade"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo, de Lincoln\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 ao investigar, na \u00faltima d\u00e9cada, os fatores associados \u00e0 crescente epidemia global de <strong><em>obesidade<\/em><\/strong>, cientistas identificaram dois eventos que contribuem fortemente para o ganho de peso. Um deles \u00e9 a altera\u00e7\u00e3o no perfil de bact\u00e9rias que comp\u00f5em a flora intestinal. Estudos publicados entre 2005 e 2007 mostraram que pessoas obesas geralmente apresentam um conjunto de microrganismos que favorece a absor\u00e7\u00e3o dos nutrientes da dieta. Ou seja, uma ma\u00e7\u00e3 pode ser mais cal\u00f3rica para uma pessoa gorda do que para uma pessoa magra. Mas se isso \u00e9 causa ou consequ\u00eancia do sobrepeso ainda n\u00e3o se sabia ao certo.<\/p>\n<p>Outro evento importante \u00e9 a morte de um grupo de neur\u00f4nios existente em uma regi\u00e3o do c\u00e9rebro chamada hipot\u00e1lamo. Conhecidas como neur\u00f4nios POMC, essas c\u00e9lulas s\u00e3o sensores de nutrientes e t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de avisar para o corpo que est\u00e1 na hora de parar de comer e que j\u00e1 h\u00e1 energia dispon\u00edvel para gastar. Ap\u00f3s a perda desses sensores, mostraram os estudos, os indiv\u00edduos passam a sentir cada vez mais necessidade de consumir alimentos ricos em gordura e a\u00e7\u00facar. Por outro lado, ficam com o metabolismo mais lento e armazenam grande parte da energia fornecida pela dieta desbalanceada.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7amos ent\u00e3o a nos perguntar: o que vem antes? A mudan\u00e7a no padr\u00e3o alimentar do paciente causada por um erro no sistema cerebral de controle da fome ou a altera\u00e7\u00e3o do microbioma intestinal? Nossos dados mais recentes sugerem que o hipot\u00e1lamo \u00e9 danificado muito antes de ocorrerem altera\u00e7\u00f5es no intestino\u201d, contou Licio Augusto Velloso, coordenador do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades () da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um dos CEPIDs apoiados pela FAPESP.<\/p>\n<p>Em uma palestra apresentada na manh\u00e3 de ter\u00e7a-feira (19\/09), durante a\u00a0, Velloso apresentou resultados de um estudo realizado na Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas (FCM) da Unicamp durante o\u00a0\u00a0de Daniela Razolli.<\/p>\n<p>O grupo realizou nos tecidos de camundongos submetidos \u00e0 dieta rica em gordura saturada uma s\u00e9rie de an\u00e1lises temporais \u2013 que ao todo durou quatro meses, tempo suficiente para o animal ficar obeso. Em v\u00e1rios momentos ao longo do per\u00edodo experimental, uma parte da col\u00f4nia era sacrificada e tinha o c\u00e9rebro e o intestino analisados pelos pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7amos a detectar altera\u00e7\u00f5es hipotal\u00e2micas logo no primeiro dia da dieta obesog\u00eanica. J\u00e1 as altera\u00e7\u00f5es na microbiota intestinal demoraram entre duas e tr\u00eas semanas para aparecer. \u00c9 uma diferen\u00e7a temporal relativamente grande \u2013 considerando que s\u00e3o camundongos\u201d, explicou Velloso.<\/p>\n<p>Em estudos anteriores, o grupo da Unicamp j\u00e1 havia detalhado como os danos aos neur\u00f4nios POMC acontecem. As mol\u00e9culas de gordura saturada ingeridas s\u00e3o absorvidas no intestino, caem na corrente sangu\u00ednea e chegam ao c\u00e9rebro, junto com os demais nutrientes da dieta.<\/p>\n<p>No sistema nervoso central, uma c\u00e9lula de defesa conhecida como micr\u00f3glia entende que aquele excesso de gordura \u00e9 uma amea\u00e7a aos neur\u00f4nios e come\u00e7a a produzir mol\u00e9culas inflamat\u00f3rias como se estivesse combatendo um pat\u00f3geno.<\/p>\n<p>\u201cEssa inflama\u00e7\u00e3o, inicialmente, prejudica o funcionamento correto dos neur\u00f4nios hipotal\u00e2micos. Caso perdure por muito tempo, as c\u00e9lulas acabam morrendo. Esse, provavelmente, \u00e9 o motivo pelo qual indiv\u00edduos que permanecem obesos por muito tempo t\u00eam dificuldade para emagrecer e recaem na doen\u00e7a mesmo ap\u00f3s diversos tratamentos. Essas pessoas simplesmente n\u00e3o conseguem mais atingir um equil\u00edbrio do fluxo de energia no corpo\u201d, comentou Velloso.<\/p>\n<p>Como o experimento com camundongos mostrou, os danos neuronais t\u00eam in\u00edcio muito antes de o indiv\u00edduo come\u00e7ar a engordar, mas podem ser revertidos no in\u00edcio do processo. Caso o erro alimentar perdure, disse Velloso, a les\u00e3o neuronal torna-se irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cSe o indiv\u00edduo comer uma refei\u00e7\u00e3o rica em gordura saturada, mas depois passar v\u00e1rios dias \u00e0 base de uma dieta rica em fibras e vegetais, a inflama\u00e7\u00e3o no hipot\u00e1lamo diminui e os neur\u00f4nios se recuperam. O que n\u00e3o pode acontecer \u00e9 a dieta obesog\u00eanica se tornar frequente, pois isso leva a um aumento gradativo do processo inflamat\u00f3rio\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o desbalanceada vai modificando uma s\u00e9rie de par\u00e2metros metab\u00f3licos, favorecendo o desenvolvimento de diabetes e hipertens\u00e3o. Nesse contexto, explicou Velloso, surge a altera\u00e7\u00e3o da microbiota intestinal que, por sua vez, contribui tanto para o agravamento da obesidade como das doen\u00e7as a ela associadas.<\/p>\n<p>Segundo Velloso, estudos de outros grupos mostraram que uma dieta rica em carboidratos simples, como os presentes no a\u00e7\u00facar e na farinha branca, tamb\u00e9m podem elevar os n\u00edveis de l\u00edpides no sangue e, de forma indireta, promover inflama\u00e7\u00e3o no hipot\u00e1lamo.<\/p>\n<p>\u201cAo comparar os dois tipos de dieta, por\u00e9m, os pesquisadores conclu\u00edram que os resultados s\u00e3o piores quando h\u00e1 consumo excessivo de gordura saturada\u201d, disse Velloso.<\/p>\n<p>A principal fonte de gordura saturada da dieta humana s\u00e3o os alimentos de origem animal, como carnes gordurosas, manteiga e latic\u00ednios. Mas esse nutriente tamb\u00e9m est\u00e1 presente no \u00f3leo e derivados de coco e no \u00f3leo de dend\u00ea, assim como em diversos produtos industrializados, inclusive biscoitos, sorvetes, bolos e tortas.<\/p>\n<p>Neurog\u00eanese<\/p>\n<p>De acordo com Velloso, trabalhos recentes sugerem que \u00e9 poss\u00edvel promover a neurog\u00eanese no hipot\u00e1lamo, ou seja, estimular o surgimento de novos neur\u00f4nios POMC como uma tentativa de combater a obesidade. Mas, por enquanto, trata-se apenas de uma possibilidade experimental, testada em roedores de laborat\u00f3rio. Ainda s\u00e3o necess\u00e1rias muitas pesquisas para entender como o processo de diferencia\u00e7\u00e3o celular pode ser controlado.<\/p>\n<p>\u201cEstamos na fase de entender como funcionam as c\u00e9lulas precursoras dos neur\u00f4nios, um tipo de c\u00e9lula-tronco que existe no c\u00e9rebro. Precisamos descobrir quais fatores precisam ser ativados para desencadear o processo de neurog\u00eanese. \u00c9 um passo inicial, mas pode no futuro ser uma solu\u00e7\u00e3o terap\u00eautica para a obesidade\u201d, disse Velloso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo, de Lincoln\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 ao investigar, na \u00faltima d\u00e9cada, os fatores associados \u00e0 crescente epidemia global de obesidade, cientistas identificaram dois eventos que contribuem fortemente para o ganho de peso. Um deles \u00e9 a altera\u00e7\u00e3o no perfil de bact\u00e9rias que comp\u00f5em a flora intestinal. 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