{"id":122475,"date":"2017-10-02T00:09:57","date_gmt":"2017-10-02T03:09:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=122475"},"modified":"2017-10-01T18:54:20","modified_gmt":"2017-10-01T21:54:20","slug":"parasita-da-malaria-nas-americas-e-mais-diverso-do-que-se-imaginava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/parasita-da-malaria-nas-americas-e-mais-diverso-do-que-se-imaginava\/122475","title":{"rendered":"Parasita da mal\u00e1ria nas Am\u00e9ricas \u00e9 mais diverso do que se imaginava"},"content":{"rendered":"<p> Peter Moon | Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 As popula\u00e7\u00f5es americanas de um dos principais parasitas causadores da <strong><em>mal\u00e1ria<\/em><\/strong>,\u00a0Plasmodium vivax, s\u00e3o t\u00e3o diversas geneticamente quanto as encontradas no Sudeste Asi\u00e1tico, onde a transmiss\u00e3o da mal\u00e1ria \u00e9 muito mais intensa. Como o plasm\u00f3dio humano mais comum, o\u00a0Plasmodium falciparum, apresenta baixa diversidade gen\u00e9tica nas Am\u00e9ricas quando comparado com outras regi\u00f5es, achava-se que o mesmo ocorreria com o\u00a0P. vivax. Mas n\u00e3o foi o que mostrou um estudo feito por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), em colabora\u00e7\u00e3o com colegas do Rio de Janeiro, Uruguai e Reino Unido. Os resultados foram\u00a0na revista\u00a0PLOS Neglected Tropical Diseases.<\/p>\n<p>\u201cDescobrir que as popula\u00e7\u00f5es de\u00a0P. vivax\u00a0nas Am\u00e9ricas s\u00e3o mais diversas do que as do\u00a0Plasmodium falciparum\u00a0foi surpreendente. Se aceitarmos a hip\u00f3tese de que tanto o\u00a0P. falciparum\u00a0como o\u00a0P. vivax\u00a0chegaram \u00e0s Am\u00e9ricas ap\u00f3s a coloniza\u00e7\u00e3o europeia, a expectativa seria encontrar n\u00edveis de diversidade gen\u00e9tica relativamente semelhantes nas duas esp\u00e9cies, que teriam passado por um intenso gargalo populacional durante a sua \u2018migra\u00e7\u00e3o\u2019 para o Novo Mundo. Mas n\u00e3o \u00e9 isso o que ocorre\u201d, disse o coordenador da pesquisa, Marcelo Urbano Ferreira, professor do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB) da USP.<\/p>\n<p>Ao chegar ao continente americano, o\u00a0P. vivax\u00a0parece ter retido muito mais da diversidade preexistente (que havia na \u00c1frica, por exemplo) do que o\u00a0P. falciparum.<\/p>\n<p>\u201cUma explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 que as popula\u00e7\u00f5es de\u00a0P. vivax\u00a0que chegaram \u00e0s Am\u00e9ricas tiveram uma origem geogr\u00e1fica mais ampla, incluindo \u00c1frica, Europa e talvez \u00c1sia, do que as popula\u00e7\u00f5es de\u00a0P. falciparum\u00a0que recebemos, que s\u00e3o predominantemente africanas, mas isso ainda precisa ser demonstrado\u201d, disse Urbano Ferreira.<\/p>\n<p>O estudo foi feito a partir da an\u00e1lise de nove genomas do parasita\u00a0P. vivax\u00a0coletados no noroeste do Brasil, pa\u00eds que responde por 37% dos casos de mal\u00e1ria no continente americano. Os nove sequenciamentos foram comparados \u00e0s sequ\u00eancias existentes de outros 84 parasitas coletados no Brasil e em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A diversidade gen\u00e9tica da popula\u00e7\u00e3o de\u00a0P. vivax\u00a0no Brasil se mostrou semelhante \u00e0s do Camboja e da Tail\u00e2ndia, pa\u00edses do Sudeste Asi\u00e1tico em que a transmiss\u00e3o de mal\u00e1ria \u00e9, em m\u00e9dia, mais elevada do que no Brasil.<\/p>\n<p>O trabalho incluiu a coleta de amostras de sangue nas localidades de Acrel\u00e2ndia, no leste do Acre, e Remansinho, no sul do Amazonas, pr\u00f3ximas \u00e0s fronteiras com o Peru e a Bol\u00edvia. Nas amostras de nove adultos foi constatada a presen\u00e7a de\u00a0P. vivax.<\/p>\n<p>A partir das amostras, os protozo\u00e1rios foram separados, seu DNA isolado e parcialmente sequenciado. A esses dados foram acrescentadas no universo de amostragem sequ\u00eancias nucleares gen\u00f4micas de outras 75 amostras preexistentes de parasitas provenientes do Brasil (2), Peru (23), Col\u00f4mbia (31) e M\u00e9xico (19), obtidas em bancos internacionais de genes.<\/p>\n<p>Todo esse material nuclear foi comparado \u00e0 procura de marcadores de diferencia\u00e7\u00e3o (no caso, polimorfismos de nucleot\u00eddeo simples, ou SNPs) capazes de estabelecer a diversidade entre os protozo\u00e1rios amostrados.<\/p>\n<p>O estudo apontou que a diversidade gen\u00e9tica encontrada na popula\u00e7\u00e3o de\u00a0P. vivax\u00a0no Brasil \u00e9 similar \u00e0 encontrada em outros pa\u00edses das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>O estudo do genoma nuclear de\u00a0P. vivax\u00a0foi feito com tr\u00eas popula\u00e7\u00f5es americanas. \u201cPor enquanto, temos dados gen\u00f4micos de parasitos de somente quatro pa\u00edses das Am\u00e9ricas. Mesmo em cada pa\u00eds, n\u00e3o temos uma amostragem ampla. Certamente h\u00e1 um grande n\u00famero de linhagens circulando nas Am\u00e9ricas, muito al\u00e9m de tr\u00eas, mas por causa da intensa recombina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica a que a maioria delas est\u00e1 exposta essas linhagens n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1veis. A recombina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica logo gera novas variantes \u2018recombinantes\u2019 que circulam no continente. Muito provavelmente, n\u00e3o temos linhagens clonais sendo transmitidas ao longo de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de parasitos\u201d, disse Urbano Ferreira.<\/p>\n<p>O estudo da diversidade gen\u00e9tica de\u00a0P. vivax\u00a0nas Am\u00e9ricas busca pistas sobre a origem da diversas linhagens, ou popula\u00e7\u00f5es, americanas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma pesquisa em andamento. Por enquanto, os dados dispon\u00edveis [tanto nossos como de outros grupos de pesquisa] sugerem que as Am\u00e9ricas receberam popula\u00e7\u00f5es de\u00a0P. vivax\u00a0tanto da \u00c1frica como da Europa e \u00c1sia. H\u00e1 tamb\u00e9m a possibilidade de uma contribui\u00e7\u00e3o da Oceania, a ser ainda confirmada. Os genomas mitocondriais s\u00e3o muito \u00fateis nesses estudos, mas certamente precisamos de mais genomas nucleares completos para fazer infer\u00eancias mais definitivas\u201d, disse Urbano Ferreira.<\/p>\n<p>Linhagens muito antigas podem ter chegado \u00e0s Am\u00e9ricas e, dependendo da magnitude da migra\u00e7\u00e3o (quantos indiv\u00edduos migraram), podem ter perdido pouca diversidade nesse trajeto.<\/p>\n<p>Entre as poss\u00edveis regi\u00f5es de origem do plasm\u00f3dio, h\u00e1 linhagens que podem ter sido trazidas ao Brasil por imigrantes italianos e espanh\u00f3is no s\u00e9culo 19, onde a mal\u00e1ria era end\u00eamica at\u00e9 meados do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>\u201cA diversidade de\u00a0P. vivax\u00a0no Brasil \u00e9 grande, dado o hist\u00f3rico de mais de 300 anos de tr\u00e1fico negreiro, uma das fontes de entrada do parasita no pa\u00eds. Mas no Brasil houve muitas entradas em tempos diferentes, como quando do in\u00edcio da chegada dos imigrantes no s\u00e9culo 19\u201d, disse Tha\u00eds Crippa de Oliveira, doutoranda no ICB-USP e primeira autora do artigo publicado na\u00a0PLOS Neglected Tropical Diseases.<\/p>\n<p>Segundo Ferreira, seria simplista supor que, necessariamente, toda a diversidade atual nas popula\u00e7\u00f5es de plasm\u00f3dios das Am\u00e9ricas tenha sido gerada nos \u00faltimos 500 anos. Isso s\u00f3 seria verificado caso a migra\u00e7\u00e3o envolvesse um \u201cefeito do fundador\u201d \u2013 ou seja, se somente uma ou pouqu\u00edssimas linhagens tivessem chegado aqui e se todos os plasm\u00f3dios atualmente existentes no continente fossem descendentes dessas primeiras linhagens.<\/p>\n<p>Os pesquisadores est\u00e3o trabalhando atualmente com uma nova amostra de plasm\u00f3dios, colhidos por Oliveira em uma \u00fanica comunidade ao longo de 12 meses de estudo.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos genomas completos desses parasitos permitir\u00e1 avaliar os n\u00edveis de varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de popula\u00e7\u00f5es de\u00a0P. vivax\u00a0ao longo do tempo e inferir alguns mecanismos \u2013 por exemplo, migra\u00e7\u00e3o e recombina\u00e7\u00e3o \u2013 que contribuem para essa varia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Genome-wide diversity and differentiation in New World populations of the human malaria parasite Plasmodium vivax, de Thais C. de Oliveira, Priscila T. Rodrigues, Maria Jos\u00e9 Menezes, Raquel M. Gon\u00e7alves-Lopes, Melissa S. Bastos, Nath\u00e1lia F. Lima, Susana Barbosa, Alexandra L. Gerber, Guilherme Loss de Morais, Luisa Bern\u00e1, Jody Phelan, Carlos Robello, Ana Tereza R. de Vasconcelos, Jo\u00e3o Marcelo P. Alves e Marcelo U. Ferreira, pode ser lido em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Moon | Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 As popula\u00e7\u00f5es americanas de um dos principais parasitas causadores da mal\u00e1ria,\u00a0Plasmodium vivax, s\u00e3o t\u00e3o diversas geneticamente quanto as encontradas no Sudeste Asi\u00e1tico, onde a transmiss\u00e3o da mal\u00e1ria \u00e9 muito mais intensa. 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