{"id":126330,"date":"2017-11-20T22:25:31","date_gmt":"2017-11-21T00:25:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=126330"},"modified":"2017-11-20T22:25:31","modified_gmt":"2017-11-21T00:25:31","slug":"o-potencial-farmacologico-dos-produtos-naturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/o-potencial-farmacologico-dos-produtos-naturais\/126330","title":{"rendered":"O potencial farmacol\u00f3gico dos produtos naturais"},"content":{"rendered":"<p> Jos\u00e9 Tadeu Arantes\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Quase meio a meio: assim se dividem os medicamentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fontes de seus princ\u00edpios ativos. Do total dispon\u00edvel no mercado, 49,6% s\u00e3o compostos sint\u00e9ticos, geralmente fabricados a partir do petr\u00f3leo, enquanto 50,4% originam-se de produtos naturais ou derivados. A express\u00e3o \u201c<strong><em>produtos naturais ou derivados<\/em><\/strong>\u201d, utilizada aqui em sentido lato, denomina mol\u00e9culas produzidas por plantas, fungos, bact\u00e9rias e outros organismos; ou mol\u00e9culas artificialmente modificadas a partir dessas precursoras.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o foi dada por\u00a0, professora da University of Illinois at Chicago (UIC), durante o\u00a0, evento do programa BIOTA-FAPESP realizado no audit\u00f3rio da Funda\u00e7\u00e3o no dia 9 de novembro de 2017.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante, para o desenvolvimento de medicamentos, recorrer \u00e0s duas op\u00e7\u00f5es, ao sint\u00e9tico e ao natural. Os dois caminhos apresentam vantagens e desvantagens. A vantagem dos produtos naturais \u00e9 que a atividade biol\u00f3gica que eles manifestam resulta de uma evolu\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de anos. Outra vantagem \u00e9 que sua produ\u00e7\u00e3o constitui um processo mais sustent\u00e1vel\u201d, disse Eust\u00e1quio \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Como lembrou em sua apresenta\u00e7\u00e3o outra participante do workshop, a professora\u00a0, do John Innes Centre, de Norwich, Reino Unido, o uso medicinal de plantas remonta ao Per\u00edodo Paleol\u00edtico. A possibilidade de modificar a estrutura qu\u00edmica das mol\u00e9culas, de modo a potencializar suas propriedades farmacodin\u00e2micas, faz com que a pesquisa de produtos naturais ou derivados seja agora um campo altamente promissor.<\/p>\n<p>Morfina (analg\u00e9sica), eritromicina (antibi\u00f3tica), ciclosporina (imunossupressora), artemisinina (antimal\u00e1rica) s\u00e3o algumas subst\u00e2ncias com uso consolidado em medicina.<\/p>\n<p>\u201cEm alguns casos, a estrutura encontrada na natureza \u00e9 utilizada diretamente como medicamento. Exemplo disso \u00e9 o paclitaxel, um f\u00e1rmaco extra\u00eddo da casca do teixo (Taxus brevifolia), empregado no tratamento do c\u00e2ncer. Mas a maioria dos compostos naturais necessita de alguma modifica\u00e7\u00e3o para poder funcionar como medicamento. Alguns precisam ser estabilizados, porque se degradam muito rapidamente. Outros precisam de altera\u00e7\u00f5es que favore\u00e7am sua absor\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o no organismo humano. Outros ainda precisam que seu efeito seja potencializado. E assim por diante\u201d, disse Eust\u00e1quio.<\/p>\n<p>Mesmo no caso do paclitaxel, para se obter 1 quilo do produto s\u00e3o necess\u00e1rias, em m\u00e9dia, tr\u00eas mil \u00e1rvores. Da\u00ed a necessidade de se recorrer \u00e0 semiss\u00edntese ou \u00e0 cultura de c\u00e9lulas vegetais para que o medicamento possa ser disponibilizado em escala comercial.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 v\u00e1rias formas de interven\u00e7\u00e3o poss\u00edveis. Uma delas \u00e9 a semiss\u00edntese, que consiste em isolar a mol\u00e9cula de interesse e modific\u00e1-la parcialmente por meio de processos qu\u00edmicos. Outra forma \u00e9 reproduzir a estrutura completa por meio de s\u00edntese. Uma terceira maneira, mais recente, consiste em modificar os produtores dos compostos por meio de engenharia gen\u00e9tica. Em alguns casos, a engenharia gen\u00e9tica envolve transferir os genes respons\u00e1veis pelo composto de um organismo para outro \u2013 por exemplo, de uma planta para uma bact\u00e9ria ou levedura. A vantagem, no caso, \u00e9 que as bact\u00e9rias ou leveduras s\u00e3o mais f\u00e1ceis de cultivar e crescem mais rapidamente do que as plantas. Por exemplo, um grupo nos Estados Unidos, liderado por Jay Keasling, da University of California, Berkeley, conseguiu transferir os genes precursores da artemisinina para leveduras\u201d, disse Eust\u00e1quio.<\/p>\n<p>O grupo liderado pela pesquisadora na UIC trabalha com bact\u00e9rias, tendo por horizonte o desenvolvimento de compostos antibi\u00f3ticos ou anticancer\u00edgenos.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo principal \u00e9 entender como as bact\u00e9rias sintetizam mol\u00e9culas que podem ser usadas como antibi\u00f3ticos, quais s\u00e3o os genes envolvidos no processo. Com esse conhecimento, \u00e9 poss\u00edvel fazer com que as bact\u00e9rias produzam os compostos em maior quantidade, ou modificar as mol\u00e9culas para que se tornem f\u00e1rmacos mais eficazes. \u00c9 uma pesquisa b\u00e1sica, por\u00e9m com a aplica\u00e7\u00e3o em mente\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cCom o\u00a0boom\u00a0de sequenciamentos de genomas microbianos, ficou claro que o potencial biossint\u00e9tico dos microrganismos \u00e9 muito maior do que se supunha. Uma bact\u00e9ria t\u00edpica, \u00e0 qual s\u00e3o atribu\u00eddos alguns poucos compostos, pode produzir mais de 30, a partir de sua estrutura gen\u00f4mica. Ocorre que a maioria dos genes respons\u00e1veis pela bioss\u00edntese \u00e9 silenciada ou n\u00e3o \u00e9 bem expressa em condi\u00e7\u00f5es laboratoriais de crescimento. Sabendo que genes s\u00e3o esses e qual \u00e9 o seu potencial, torna-se poss\u00edvel ativar esses genes e obter os compostos correspondentes\u201d, disse Eust\u00e1quio.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, a capacidade de prever o potencial biossint\u00e9tico de microrganismos a partir dos sequenciamentos de seus genomas (\u201cde genes a mol\u00e9culas\u201d) e de quais genes devem codificar para a bioss\u00edntese de um produto natural espec\u00edfico (\u201cde mol\u00e9culas a genes\u201d) tem o potencial de promover grande inova\u00e7\u00e3o na fabrica\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos.<\/p>\n<p>Falando sobre o workshop \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP,\u00a0, professor titular do Instituto de Qu\u00edmica de S\u00e3o Carlos da Universidade de S\u00e3o Paulo (IQSC-USP), destacou que o evento trouxe pesquisadores dos Estados Unidos e do Reino Unido.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o pesquisadores envolvidos em estudos na fronteira do conhecimento sobre o metabolismo de plantas e microrganismos, com o objetivo de entender como as mol\u00e9culas de interesse s\u00e3o formadas e como se pode fazer uso delas para melhorar a qualidade de vida, j\u00e1 que esses compostos s\u00e3o utilizados para desenvolver medicamentos, tanto para humanos quanto para animais, e tamb\u00e9m em controle biol\u00f3gico na agricultura, substituindo herbicidas, pesticidas e outros\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tadeu Arantes\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Quase meio a meio: assim se dividem os medicamentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fontes de seus princ\u00edpios ativos. 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