{"id":126436,"date":"2017-11-21T23:01:57","date_gmt":"2017-11-22T01:01:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=126436"},"modified":"2017-11-21T23:01:57","modified_gmt":"2017-11-22T01:01:57","slug":"projeto-podera-melhorar-atendimento-a-pacientes-com-zika-dengue-e-chikungunya","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/projeto-podera-melhorar-atendimento-a-pacientes-com-zika-dengue-e-chikungunya\/126436","title":{"rendered":"Projeto poder\u00e1 melhorar atendimento a pacientes com Zika, dengue e chikungunya"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Para a maioria das pessoas, o contato com os <strong><em>v\u00edrus transmitidos pelo mosquito\u00a0Aedes aegypti<\/em><\/strong>\u00a0resulta apenas no desconforto passageiro causado por sintomas como febre alta, dor de cabe\u00e7a ou nas articula\u00e7\u00f5es. Em alguns casos, por\u00e9m, complica\u00e7\u00f5es mais s\u00e9rias \u2013 e at\u00e9 mesmo fatais \u2013 podem surgir.<\/p>\n<p>Com o objetivo de encontrar biomarcadores que auxiliem os m\u00e9dicos a identificar precocemente indiv\u00edduos propensos a desenvolver manifesta\u00e7\u00f5es severas da dengue, Zika ou chikungunya, foi lan\u00e7ado o projeto\u00a0. Com dura\u00e7\u00e3o prevista de quatro anos, a iniciativa \u00e9 apoiada pela FAPESP, pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e pela empresa francesa bioM\u00e9rieux no \u00e2mbito do programa Pesquisa em Parceria para Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (PITE).<\/p>\n<p>\u201cPretendemos acompanhar um grande n\u00famero de pessoas infectadas por um desses tr\u00eas v\u00edrus, recolher amostras de sangue e depois separ\u00e1-las em dois grupos: indiv\u00edduos com e sem manifesta\u00e7\u00f5es severas. Estimamos que ser\u00e1 necess\u00e1rio incluir cerca de 2 mil pacientes no estudo\u201d, disse Ester Cerdeira Sabino, professora do Departamento de Mol\u00e9stias Infecciosas da FMUSP, diretora do Instituto de Medicina Tropical (IMT-USP) e coordenadora do projeto.<\/p>\n<p>As amostras coletadas ser\u00e3o submetidas a an\u00e1lises de transcript\u00f4mica, que permitem identificar todas as mol\u00e9culas de RNA e de microRNA expressas nos dois grupos. \u201cDepois que essas amostras estiverem muito bem caracterizadas, tentaremos achar um padr\u00e3o que possa discriminar os indiv\u00edduos que desenvolvem manifesta\u00e7\u00f5es severas dessas arboviroses\u201d, disse Sabino.<\/p>\n<p>No caso da dengue, o objetivo ser\u00e1 obter um biomarcador capaz de indicar quais pacientes correm mais risco de evoluir para a forma hemorr\u00e1gica da doen\u00e7a e que, portanto, necessitam permanecer internados. No caso da chikungunya, a ideia \u00e9 detectar indiv\u00edduos propensos a desenvolver inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica nas articula\u00e7\u00f5es \u2013 condi\u00e7\u00e3o considerada incapacitante.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao Zika, sabemos hoje que nem todas a gestantes infectadas d\u00e3o \u00e0 luz beb\u00eas com microcefalia ou outros problemas no sistema nervoso central. Nossa meta \u00e9 encontrar biomarcadores que permitam ao m\u00e9dico saber que uma crian\u00e7a ter\u00e1 problemas antes mesmo de eles aparecerem no ultrassom\u201d, disse Sabino.<\/p>\n<p>Os grupos de pacientes, ou coortes, ser\u00e3o estabelecidos em diversas cidades brasileiras onde h\u00e1 grande chance de ocorrerem epidemias. O primeiro local definido \u00e9 Divin\u00f3polis (MG), onde o acompanhamento dos pacientes ser\u00e1 feito em colabora\u00e7\u00e3o com pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o Del-Rey (UFSJ).<\/p>\n<p>\u201cSe conseguirmos encontrar esses marcadores, o passo seguinte ser\u00e1 transferir o conhecimento para a produ\u00e7\u00e3o de um teste que possa ser usado na cl\u00ednica. Ser\u00e1 uma grande oportunidade trabalhar em parceria com a bioM\u00e9rieux. A FMUSP e o IMT est\u00e3o realmente desejosos de manter este la\u00e7o com o setor privado\u201d, afirmou Sabino durante o lan\u00e7amento do projeto, no dia 26 de outubro, na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).<\/p>\n<p>Parceria p\u00fablico-privada<\/p>\n<p>Considerada l\u00edder global na \u00e1rea do diagn\u00f3stico\u00a0in vitro, a bioM\u00e9rieux \u00e9 uma das seis empresas que integram o Institut M\u00e9rieux, sediado em Lyon, na Fran\u00e7a. Est\u00e1 presente em mais de 150 pa\u00edses, entre eles o Brasil, por meio de 41 filiais e um grande n\u00famero de distribuidores.<\/p>\n<p>Em cerim\u00f4nia realizada na FMUSP, o vice-presidente de Assuntos M\u00e9dicos e Cient\u00edficos do Institut M\u00e9rieux, Marc Bonneville, destacou que a organiza\u00e7\u00e3o mant\u00e9m la\u00e7os com o Brasil desde a d\u00e9cada de 1970, quando foi implantado o Programa Nacional de Combate \u00e0 Meningite.<\/p>\n<p>\u201cO sucesso dessa grande campanha de vacina\u00e7\u00e3o fomentou muitas outras a\u00e7\u00f5es que estreitaram as rela\u00e7\u00f5es entre o nosso grupo e o Brasil, que est\u00e1 entre os primeiros pa\u00edses onde foram criados centros de pesquisa e desenvolvimento. O lan\u00e7amento do programa conjunto entre bioM\u00e9rieux, USP e FAPESP que celebramos hoje \u00e9 outro exemplo desta parceria privilegiada\u201d, disse Bonneville.<\/p>\n<p>Segundo Alexandre Pachot, chefe do Departamento de Descoberta de Biomarcadores e Diagn\u00f3stico M\u00e9dico da bioM\u00e9rieux, o projeto Arbobios est\u00e1 no \u201ccora\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia\u201d da empresa e ilustra a vis\u00e3o de seu fundador, Alain M\u00e9rieux, de investir nos pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cAinda h\u00e1 poucos biomarcadores usados na rotina cl\u00ednica. Acreditamos ser uma \u00e1rea que precisamos profissionalizar e promover o link entre pesquisa e desenvolvimento\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Eduardo Moacyr Krieger, vice-presidente da FAPESP, ressaltou que a Funda\u00e7\u00e3o tem a miss\u00e3o de apoiar todo o tipo de pesquisa realizada no Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 tanto as de ci\u00eancia b\u00e1sica como aquelas que podem ser aplicadas no curto ou no longo prazo.<\/p>\n<p>\u201cHoje estamos no processo de aprovar um projeto que ter\u00e1 implica\u00e7\u00f5es diretas na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. E em uma \u00e1rea em que o Brasil \u00e9 reconhecido internacionalmente, que \u00e9 a de doen\u00e7as infecciosas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para o presidente da Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da USP, Aluisio Segurado, o projeto representa uma grande conquista para a FMUSP e o IMT. \u201cNos d\u00e1 a oportunidade de desenvolver pesquisa em uma \u00e1rea cr\u00edtica para a sa\u00fade p\u00fablica do Brasil e representa tamb\u00e9m uma grande conquista em termos de internacionaliza\u00e7\u00e3o [da pesquisa]\u201d, disse.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Eduardo Krieger, pr\u00f3-reitor de pesquisa da USP, destacou que a epidemia de Zika pegou a sociedade brasileira de surpresa, mas n\u00e3o os cientistas.<\/p>\n<p>\u201cProntamente, a FAPESP organizou uma for\u00e7a-tarefa para estudar diferentes aspectos do problema. A FAPESP tamb\u00e9m tem trabalhado para ir al\u00e9m do financiamento da pesquisa b\u00e1sica e para encontrar meios de os estudos progredirem para o setor privado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ainda segundo o pr\u00f3-reitor da USP, a\u00e7\u00f5es como a cria\u00e7\u00e3o dos Centros de Engenharia pela FAPESP em parceria com empresas \u201cs\u00e3o ferramentas que fortalecem as rela\u00e7\u00f5es entre setor p\u00fablico, privado e pesquisadores do Brasil\u201d.<\/p>\n<p>O diretor da FMUSP, Jos\u00e9 Ot\u00e1vio Costa Auler Junior, contou que desde 2011 a institui\u00e7\u00e3o que representa tamb\u00e9m tem apoiado a inova\u00e7\u00e3o e fomentado a intera\u00e7\u00e3o com empresas. \u201cEste \u00e9 o primeiro acordo assinado entre o IMT com uma companhia internacional e n\u00e3o poderia ser com parceiros melhores. Esperamos que seja o primeiro passo de uma colabora\u00e7\u00e3o frut\u00edfera\u201d, disse.<\/p>\n<p>A cerim\u00f4nia de assinatura do acordo entre FAPESP, USP e bioM\u00e9rieux tamb\u00e9m contou com a presen\u00e7a do adido de coopera\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia e Tecnologia do Consulado Geral da Fran\u00e7a em S\u00e3o Paulo, G\u00e9rard Perrier, do diretor cient\u00edfico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, e do diretor administrativo da Funda\u00e7\u00e3o, Fernando Menezes de Almeida.<\/p>\n<p>Interessados em colaborar com o projeto Arbobios podem entrar em contato com os pesquisadores pelo e-mail:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Para a maioria das pessoas, o contato com os v\u00edrus transmitidos pelo mosquito\u00a0Aedes aegypti\u00a0resulta apenas no desconforto passageiro causado por sintomas como febre alta, dor de cabe\u00e7a ou nas articula\u00e7\u00f5es. 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