{"id":126925,"date":"2017-11-27T00:44:34","date_gmt":"2017-11-27T02:44:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=126925"},"modified":"2017-11-27T00:44:34","modified_gmt":"2017-11-27T02:44:34","slug":"novo-portal-reunira-bancos-de-dados-genomicos-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/novo-portal-reunira-bancos-de-dados-genomicos-da-america-latina\/126925","title":{"rendered":"Novo portal reunir\u00e1 bancos de dados gen\u00f4micos da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Com o objetivo de centralizar as informa\u00e7\u00f5es contidas em todos os bancos p\u00fablicos de <strong><em>dados gen\u00f4micos<\/em><\/strong> existentes na Am\u00e9rica Latina, foi lan\u00e7ado no dia 16 de novembro, na sede da FAPESP, o portal Latin American Database of Genetic Variation ().<\/p>\n<p>A novidade foi anunciada durante o\u00a0\u00a0da Brazilian Initiative on Precision Medicine (), que, em parceria com a Rede Latino-Americana de Gen\u00e9tica Humana (RELAGH), idealizou a iniciativa.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 que esse portal contenha links para os diferentes bancos de dados de variantes gen\u00e9ticas estabelecidos na regi\u00e3o. Caso os dados ainda estejam sendo gerados e n\u00e3o estejam dispon\u00edveis publicamente, podemos colocar ao menos os links para os projetos para que todos saibam o que est\u00e1 acontecendo em termos de pesquisa gen\u00f4mica na Am\u00e9rica Latina\u201d, disse Iscia Lopes-Cendes, professora da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp) e membro do Comit\u00ea Diretivo da BIPMed.<\/p>\n<p>De acordo com Cendes, para participar, os grupos que tenham banco de dados gen\u00f4micos estruturado \u2013 seja de indiv\u00edduos controle (popula\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia), seja de pacientes com doen\u00e7as espec\u00edficas \u2013 precisam apenas autorizar que o link de acesso figure no portal LatinGen.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 para aqueles que n\u00e3o querem ou n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de montar o pr\u00f3prio banco de dados, oferecemos a estrutura da BIPMed. \u00c9 relativamente f\u00e1cil montar o banco, mas se torna uma preocupa\u00e7\u00e3o constante e requer pessoal dedicado para resolver problemas t\u00e9cnicos\u201d, explicou Cendes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de fomentar o compartilhamento de dados gen\u00f4micos e a colabora\u00e7\u00e3o entre cientistas latino-americanos, o LatinGen tamb\u00e9m tem a miss\u00e3o de estimular o surgimento de novos projetos na \u00e1rea de medicina de precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Para isso, a equipe da BIPMed pretende oferecer assist\u00eancia t\u00e9cnica em bioinform\u00e1tica para auxiliar grupos interessados na organiza\u00e7\u00e3o das bases de dados. Tamb\u00e9m ser\u00e1 oferecido treinamento a m\u00e9dicos envolvidos no diagn\u00f3stico gen\u00e9tico sobre como interpretar os resultados e como comunic\u00e1-los \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, o portal LatinGen j\u00e1 conta com links para o banco de dados gen\u00f4micos da BIPMed e para o banco do projeto Arquivo Brasileiro Online de Muta\u00e7\u00f5es (), mantido pela equipe do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e C\u00e9lulas-Tronco (), um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) da FAPESP.<\/p>\n<p>Em breve, estar\u00e3o dispon\u00edveis os bancos da Chilean Initiative on Precision Medicine, do Chile, e de grupos vinculados ao cons\u00f3rcio internacional Human Variome Project (HVP) sediados no M\u00e9xico, na Argentina e na Venezuela.<\/p>\n<p>\u201cNeste primeiro momento pretendemos centralizar as informa\u00e7\u00f5es para, quem sabe no futuro, promover a integra\u00e7\u00e3o de todos esses bancos de dados por meio de mecanismos de busca compartilhada\u201d, contou Cendes.<\/p>\n<p>V\u00e1rios bancos em um<\/p>\n<p>O workshop realizado em 16 de novembro marcou o anivers\u00e1rio de dois anos da BIPMed, iniciativa articulada por integrantes de cinco CEPIDs com o objetivo de criar condi\u00e7\u00f5es para implantar a medicina de precis\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Fazem parte da BIPMed o Centro de Pesquisa em Engenharia e Ci\u00eancias Computacionais (CCES, na sigla em ingl\u00eas), o Centro de Pesquisa em Terapia Celular (CTC), o Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC, na sigla em ingl\u00eas) e o Centro de Pesquisa em Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias (CRID, na sigla em ingl\u00eas), liderados pelo Instituto de Pesquisa sobre Neuroci\u00eancias e Neurotecnologia (BRAINN, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>O primeiro produto lan\u00e7ado no \u00e2mbito da BIPMed, em 2015, foi um banco () p\u00fablico de dados gen\u00f4micos \u2013 o primeiro do tipo na Am\u00e9rica Latina \u2013 com dados de indiv\u00edduos controle da regi\u00e3o de Campinas, interior de S\u00e3o Paulo, que passaram pelo sequenciamento completo do exoma \u2013 parte do genoma onde ficam os genes codificadores de prote\u00edna e, portanto, onde h\u00e1 mais chance de ocorrerem muta\u00e7\u00f5es causadoras de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cA iniciativa est\u00e1 se expandindo. Al\u00e9m desse banco inicial da popula\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia de Campinas, que hoje j\u00e1 beira os 300 indiv\u00edduos, temos tamb\u00e9m bancos de dados de doen\u00e7as espec\u00edficas: epilepsia, anomalias craniofaciais e hoje estamos lan\u00e7ando o banco de dados de muta\u00e7\u00f5es nos genes\u00a0BRCA1\u00a0e\u00a0BRCA2, frequentemente associadas a alguns tipos de c\u00e2ncer heredit\u00e1rio, principalmente mama e ov\u00e1rio\u201d, contou Cendes.<\/p>\n<p>O novo banco de dados est\u00e1 sendo estruturado no \u00e2mbito de uma iniciativa internacional conhecida como\u00a0, apoiada pelos cons\u00f3rcios Human Variome Project e Global Alliance for Genomics and Health com o objetivo de reunir todas as muta\u00e7\u00f5es nesses genes identificadas em pacientes com c\u00e2ncer de mama e de ov\u00e1rio no mundo.<\/p>\n<p>No Brasil, o BRCA Challenge est\u00e1 sendo coordenado pela pesquisadora Patricia Prolla, do Departamento de Gen\u00e9tica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).<\/p>\n<p>\u201cIniciamos nossa atividade em junho de 2017 de forma bem humilde: simplesmente compilando e incluindo no banco de dados muta\u00e7\u00f5es j\u00e1 publicadas na literatura cient\u00edfica. Todas essas informa\u00e7\u00f5es, portanto, s\u00e3o de centros acad\u00eamicos. Mas j\u00e1 estamos iniciando conversas com alguns laborat\u00f3rios comerciais que realizam testes gen\u00e9ticos e t\u00eam um n\u00famero grande de dados que por enquanto est\u00e3o inacess\u00edveis\u201d, contou Prolla.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, o banco conta com 75 variantes descritas para\u00a0BRCA1\u00a0e 87 para\u00a0BRCA2. O objetivo de Prolla e da equipe da BIPMed \u00e9 incluir a informa\u00e7\u00e3o de todos os pacientes com c\u00e2ncer de mama e ov\u00e1rio que j\u00e1 foram testados para muta\u00e7\u00f5es nesses genes no Brasil. \u201cEspero que a gente possa triplicar ou quadruplicar esses n\u00fameros at\u00e9 o ano que vem\u201d, disse Prolla.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica ga\u00facha explicou que \u00e9 poss\u00edvel compartilhar a informa\u00e7\u00e3o com dois diferentes n\u00edveis de detalhamento. No mais b\u00e1sico, basta informar o laborat\u00f3rio de origem, o gene testado e a nomenclatura da variante. J\u00e1 no mais avan\u00e7ado tamb\u00e9m s\u00e3o inclu\u00eddos alguns dados cl\u00ednicos. Nos dois casos, por\u00e9m, a identidade do paciente \u00e9 mantida sob sigilo, seguindo padr\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 seremos capazes de interpretar o resultado de um teste gen\u00e9tico e saber se uma determinada muta\u00e7\u00e3o est\u00e1 de fato causando doen\u00e7a se tivermos dados compilados da literatura ou de pacientes para comparar. Portanto, a cria\u00e7\u00e3o desse banco de dados traz um benef\u00edcio aplicado para a medicina. Seria um grande avan\u00e7o se todos os pacientes que fizeram diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer de mama no pa\u00eds solicitassem ao laborat\u00f3rio que disponibilizasse publicamente os dados em benef\u00edcio da sociedade\u201d, comentou Cendes.<\/p>\n<p>Ainda durante o IV Workshop da BIPMed, os pesquisadores Marcelo Briones, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), e Rodrigo Secolin, da Unicamp, apresentaram estudos em andamento que t\u00eam se beneficiado dos dados gen\u00f4micos dispon\u00edveis no banco da BIPMed.<\/p>\n<p>Briones estuda fatores gen\u00e9ticos associados \u00e0 capacidade de metaboliza\u00e7\u00e3o de toxinas e f\u00e1rmacos \u2013 o que faz a resposta individual a um tratamento medicamentoso variar fortemente na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, essa caracter\u00edstica est\u00e1 associada a polimorfismos nos genes do citocromo P450, uma superfam\u00edlia ampla e diversificada de prote\u00ednas respons\u00e1veis por alterar a estrutura de drogas e toxinas, de modo a torn\u00e1-las inativas no organismo.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 se sabe que a resposta a v\u00e1rias drogas varia de acordo com a etnia, mas o Brasil tem uma popula\u00e7\u00e3o bastante miscigenada. Ao estudar os diferentes tipos de genomas mitocondriais, relacionados com a ancestralidade, esperamos identificar pacientes que s\u00e3o maus metabolizadores ou supermetabolizadores para, desse modo, podermos ajustar a dose durante o tratamento\u201d, contou Briones.<\/p>\n<p>J\u00e1 Secolin ressalta que, embora seja conhecido que a popula\u00e7\u00e3o brasileira contenha tra\u00e7os gen\u00e9ticos de europeus, africanos e nativos americanos, o perfil de miscigena\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 conhecido em detalhes.<\/p>\n<p>\u201cQuando olhamos o genoma de uma pessoa podemos saber, por exemplo, que ela \u00e9 50% africano e 50% europeu. Mas meu objetivo \u00e9 saber em quais partes de quais cromossomos est\u00e3o as por\u00e7\u00f5es identificadas como europeia e as por\u00e7\u00f5es identificadas como africana. Esse conhecimento \u00e9 importante para quem est\u00e1 trabalhando com farmacogen\u00f4mica [metabolismo de drogas e toxinas, como no caso de Briones] ou com doen\u00e7as gen\u00e9ticas que possam ter influ\u00eancia da etnia\u201d, disse Secolin.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Com o objetivo de centralizar as informa\u00e7\u00f5es contidas em todos os bancos p\u00fablicos de dados gen\u00f4micos existentes na Am\u00e9rica Latina, foi lan\u00e7ado no dia 16 de novembro, na sede da FAPESP, o portal Latin American Database of Genetic Variation (). 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