{"id":127298,"date":"2017-11-30T00:58:17","date_gmt":"2017-11-30T02:58:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=127298"},"modified":"2017-12-01T18:08:32","modified_gmt":"2017-12-01T20:08:32","slug":"grupo-da-unesp-identifica-bacterias-capazes-de-matar-larvas-do-aedes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/grupo-da-unesp-identifica-bacterias-capazes-de-matar-larvas-do-aedes\/127298","title":{"rendered":"Grupo da Unesp identifica bact\u00e9rias capazes de matar larvas do Aedes"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, identificaram seis esp\u00e9cies de bact\u00e9rias com potencial para serem usadas como <strong><em>biolarvicidas no combate ao mosquito\u00a0Aedes aegypti<\/em><\/strong>\u00a0\u2013 vetor de doen\u00e7as como dengue, Zika, febre amarela e chikungunya.<\/p>\n<p>Dados preliminares da pesquisa,\u00a0, foram apresentados por Jayme Souza-Neto, coordenador do Laborat\u00f3rio de Gen\u00f4mica Funcional &amp; Microbiologia de Vetores (Vectomics) do Instituto de Biotecnologia (IBTEC), durante o segundo encontro do Ciclo ILP-FAPESP de Ci\u00eancia e Inova\u00e7\u00e3o, que ocorreu em 27 de novembro na Assembleia Legislativa do Estado de S\u00e3o Paulo (Alesp).<\/p>\n<p>\u201cIsolamos cerca de 30 diferentes bact\u00e9rias encontradas no intestino de mosquitos coletados em Botucatu e as colocamos, uma a uma, em contato com as larvas desses insetos. Observamos em seis esp\u00e9cies bacterianas a capacidade de matar entre 60% e 90% das larvas, dependendo do isolado, em at\u00e9 48 horas\u201d, contou Souza-Neto, em entrevista \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, ser\u00e3o necess\u00e1rios novos estudos para caracterizar melhor o potencial larvicida dos microrganismos: avaliar as concentra\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que a a\u00e7\u00e3o ocorra, o per\u00edodo m\u00ednimo de exposi\u00e7\u00e3o e o tempo que as bact\u00e9rias permanecem ativas, entre outros fatores.<\/p>\n<p>\u201cO estudo ainda est\u00e1 em fase inicial. No futuro, tamb\u00e9m pretendemos isolar alguns produtos liberados por essas bact\u00e9rias no meio para entender como ocorre a a\u00e7\u00e3o larvicida\u201d, disse o tamb\u00e9m docente da Faculdade de Ci\u00eancias Agron\u00f4micas da Unesp.<\/p>\n<p>Trabalhos anteriores do grupo de Souza-Neto haviam mostrado que o\u00a0Aedes\u00a0encontrado em Botucatu \u00e9 menos suscet\u00edvel \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus da dengue do que insetos oriundos das cidades de Ne\u00f3polis (SE) e Campo Grande (MS) \u2013 locais onde a incid\u00eancia da doen\u00e7a \u00e9 maior.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s alimentar os mosquitos em laborat\u00f3rio com sangue contaminado com o sorotipo 4 do v\u00edrus, o grupo observou que apenas 30% dos insetos coletados no interior paulista se contaminavam, enquanto o \u00edndice ficava entre 70% e 80% nas outras duas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por meio de t\u00e9cnicas de sequenciamento de genes em larga escala, o grupo identificou as esp\u00e9cies bacterianas que colonizavam o intestino dos insetos e observou que o microbioma presente nos grupos mais e menos suscet\u00edveis era completamente diferente.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7amos ent\u00e3o a investigar o potencial dessa microbiota intestinal de atuar como biolarvicida e tamb\u00e9m como antiviral. Nesse segundo tipo de ensaio, colocamos as bact\u00e9rias ou os produtos por elas liberados em contato com o v\u00edrus da dengue e observamos se o pat\u00f3geno perde a capacidade de infectar c\u00e9lulas\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>Segundo Souza-Neto, o mesmo tipo de ensaio ser\u00e1 feito com o v\u00edrus Zika em breve. \u201cSe conseguirmos identificar uma bact\u00e9ria capaz de neutralizar esses pat\u00f3genos, ela ser\u00e1 uma potencial fonte para novos f\u00e1rmacos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Benef\u00edcios \u00e0 sociedade<\/p>\n<p>Resultado de uma parceria entre o Instituto do Legislativo Paulista (ILP) da Alesp e a FAPESP, o objetivo do Ciclo ILP-FAPESP de Ci\u00eancia e Inova\u00e7\u00e3o \u00e9 divulgar estudos de relevante impacto social e econ\u00f4mico realizados por pesquisadores do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Com o tema \u201cA ci\u00eancia no combate \u00e0 dengue, Zika e chikungunya\u201d, o segundo encontro da s\u00e9rie trouxe, al\u00e9m de Souza-Neto, os pesquisadores Jos\u00e9 Luiz Proen\u00e7a Modena, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Maur\u00edcio Lacerda Nogueira, da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp), e Alexander Roberto Precioso, diretor da Divis\u00e3o de Ensaios Cl\u00ednicos e Farmacovigil\u00e2ncia do Instituto Butantan.<\/p>\n<p>Modena apresentou estudos em andamento no Instituto de Biologia da Unicamp cujo objetivo \u00e9 caracterizar fatores essenciais para a replica\u00e7\u00e3o de v\u00edrus emergentes tanto em hospedeiros invertebrados como vertebrados.<\/p>\n<p>\u201cAnalisando lip\u00eddeos encontrados no organismo de mosquitos e de pacientes humanos, conseguimos identificar biomarcadores da infec\u00e7\u00e3o por Zika\u201d, contou. Algumas dessas mol\u00e9culas s\u00e3o importantes para que o v\u00edrus consiga entrar nas c\u00e9lulas e se replicar e, portanto, s\u00e3o potenciais alvos terap\u00eauticos (leia mais em\u00a0).<\/p>\n<p>O grupo da Unicamp tamb\u00e9m descobriu que crian\u00e7as com complica\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas graves da infec\u00e7\u00e3o cong\u00eanita pelo Zika apresentavam baixos n\u00edveis sangu\u00edneos de uma subst\u00e2ncia conhecida como HGF (Fator de Crescimento do Hepat\u00f3cito).<\/p>\n<p>\u201cIsso abre a possibilidade de usarmos mol\u00e9culas que estimulam a produ\u00e7\u00e3o de HGF na preven\u00e7\u00e3o de dano neurol\u00f3gico em crian\u00e7as de m\u00e3es expostas ao v\u00edrus durante a gesta\u00e7\u00e3o\u201d, disse Modena.<\/p>\n<p>O pesquisador mencionou ainda o desenvolvimento de um novo m\u00e9todo molecular para diagnosticar o Zika que tem como alvo a regi\u00e3o do genoma viral que codifica a prote\u00edna NS5, mais sens\u00edvel para detectar o pat\u00f3geno no sangue ap\u00f3s alguns dias da contamina\u00e7\u00e3o, e uma metodologia para diagnosticar o v\u00edrus em amostras de pacientes por espectrometria de massas, bem mais barata que os m\u00e9todos moleculares hoje dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cO teste que avalia o genoma viral custa aproximadamente R$ 100 por paciente e demora cerca de tr\u00eas dias para ficar pronto. J\u00e1 o m\u00e9todo que usa espectrometria de massas custa R$ 1,50 e fica pronto em 20 minutos\u201d, disse Modena.<\/p>\n<p>Durante sua apresenta\u00e7\u00e3o, Nogueira, que tamb\u00e9m \u00e9 presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV), alertou que no Brasil ainda \u00e9 imposs\u00edvel calcular o real impacto econ\u00f4mico causado pelos v\u00edrus dengue e Zika pela falta de dados epidemiol\u00f3gicos precisos. Estudos conduzidos na Famerp mostraram que os crit\u00e9rios cl\u00ednicos usados no diagn\u00f3stico dessas doen\u00e7as, baseados principalmente na sintomatologia dos pacientes, frequentemente s\u00e3o falhos.<\/p>\n<p>A equipe coordenada por Nogueira analisou por meio de testes moleculares amostras sangu\u00edneas de 800 pacientes com suspeita de dengue atendidos entre janeiro e agosto de 2016 em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto. O diagn\u00f3stico inicial \u2013 feito com base nos sintomas cl\u00ednicos e em testes sorol\u00f3gicos \u2013 foi confirmado em apenas 400 amostras.<\/p>\n<p>Mais de 100 dos casos analisados deram positivo para o v\u00edrus Zika e, em uma das amostras, foi identificado o v\u00edrus causador da febre chikungunya. Nas outras quase 300 amostras restantes n\u00e3o foi encontrado nenhum dos tr\u00eas arbov\u00edrus transmitidos pelo mosquito\u00a0Aedes aegypti\u00a0(leia mais em\u00a0).<\/p>\n<p>Em outros 400 pacientes diagnosticados com Zika pelo crit\u00e9rio cl\u00ednico-epidemiol\u00f3gico, apenas 20% apresentaram de fato o v\u00edrus no teste molecular. Outros 11% tinham dengue e 1%, chikungunya.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma vacina de dengue licenciada e outra em desenvolvimento no Instituto Butantan. Mas, para avaliar o custo\/efetividade desses imunizantes, ou seja, o quanto vai custar para vacinar a popula\u00e7\u00e3o e quanto a iniciativa vai economizar em interna\u00e7\u00f5es e \u00f3bitos, um par\u00e2metro important\u00edssimo \u00e9 o n\u00famero de casos dessa doen\u00e7a\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p>O grupo da Famerp tamb\u00e9m acompanhou prospectivamente um grupo de 55 mulheres de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto que tiveram diagn\u00f3stico confirmado de Zika durante a gesta\u00e7\u00e3o. Observaram efeitos adversos em 28% dos casos, como pequenas calcifica\u00e7\u00f5es no c\u00e9rebro, pequenas les\u00f5es em vasos cerebrais, surdez unilateral ou danos \u00e0 retina.<\/p>\n<p>O \u00edndice foi semelhante ao observado em gestantes do Rio de Janeiro, por\u00e9m, a severidade no interior de S\u00e3o Paulo foi menor. Todos os beb\u00eas nasceram vivos e nenhum caso de microcefalia ou de qualquer altera\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica grave foi identificado (leia mais em\u00a0).<\/p>\n<p>Esse estudo tamb\u00e9m mostrou que foi poss\u00edvel detectar o v\u00edrus na urina das gestantes por at\u00e9 sete meses, mas, em alguns casos, a carga viral sumia e depois voltava e quase sempre ficava no limiar da detec\u00e7\u00e3o. Segundo Nogueira, esse dado sugere que o resultado negativo obtido em um \u00fanico exame pr\u00e9-natal pode n\u00e3o ser suficiente para descartar a infec\u00e7\u00e3o pelo Zika (leia mais em\u00a0).<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, Precioso contou que entre 2003 e 2017 foram realizados no Instituto Butantan 12 ensaios cl\u00ednicos de candidatos a vacinas, que envolveram 497 pesquisadores e quase 21 mil volunt\u00e1rios. O maior deles, atualmente em andamento em 16 centros de pesquisa do pa\u00eds, \u00e9 o estudo de fase 3 da vacina contra os quatro sorotipos da dengue (leia mais em\u00a0).<\/p>\n<p>A fase inicial de desenvolvimento do imunizante contou com\u00a0.<\/p>\n<p>Durante a abertura do evento o vice-presidente da FAPESP, Eduardo Moacyr Krieger, destacou que a miss\u00e3o do ciclo de palestras \u00e9 mostrar \u00e0 sociedade os reflexos e repercuss\u00f5es das pesquisas conduzidas no Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cO povo paulista \u00e9 que, por meio dos impostos, mant\u00e9m a pesquisa que a FAPESP financia. \u00c9 importante saber como esses estudos contribuem para o desenvolvimento do estado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Carlos Am\u00e9rico Pacheco, diretor-presidente do Conselho T\u00e9cnico-Administrativo (CTA) da FAPESP, lembrou que o primeiro encontro do ciclo teve como tema pequenas empresas inovadoras apoiadas pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). Ressaltou ainda que no pr\u00f3ximo dia 11 de dezembro haver\u00e1 uma terceira edi\u00e7\u00e3o do evento sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que s\u00e3o temas de grande interesse para o Legislativo e para a sociedade paulista e refletem parte da agenda de pesquisa que a FAPESP tem financiado nos \u00faltimos anos. Esperamos reproduzir o ciclo ao longo do ano que vem em parceria com o ILP\u201d, disse Pacheco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, identificaram seis esp\u00e9cies de bact\u00e9rias com potencial para serem usadas como biolarvicidas no combate ao mosquito\u00a0Aedes aegypti\u00a0\u2013 vetor de doen\u00e7as como dengue, Zika, febre amarela e chikungunya. 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