{"id":127679,"date":"2017-12-03T22:42:24","date_gmt":"2017-12-04T00:42:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=127679"},"modified":"2017-12-03T22:42:24","modified_gmt":"2017-12-04T00:42:24","slug":"pesquisa-destaca-papel-de-molecula-que-direciona-resposta-imune-em-casos-de-malaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/pesquisa-destaca-papel-de-molecula-que-direciona-resposta-imune-em-casos-de-malaria\/127679","title":{"rendered":"Pesquisa destaca papel de mol\u00e9cula que direciona resposta imune em casos de mal\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 \u00c9 uma grande guerra que ocorre dentro do organismo humano, iniciada dias depois da picada de um mosquito do g\u00eanero\u00a0Anopheles\u00a0infectado com\u00a0Plasmodium, um protozo\u00e1rio. Esses parasitas chegam rapidamente ao f\u00edgado, invadindo c\u00e9lulas (hepat\u00f3citos) e multiplicando-se em alta velocidade. Os parasitas gerados no f\u00edgado invadem os gl\u00f3bulos vermelhos do sangue, destruindo-os por toda a parte. A cena ocorre em um caso t\u00edpico de <strong><em>mal\u00e1ria<\/em><\/strong>, doen\u00e7a infecciosa febril aguda que causa a morte de meio milh\u00e3o de pessoas a cada ano e para a qual n\u00e3o existe vacina.<\/p>\n<p>Depois da infec\u00e7\u00e3o, o contra-ataque imunol\u00f3gico \u00e9 iniciado. Por um flanco, h\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o intensa de anticorpos que v\u00e3o combater a doen\u00e7a, impedindo a invas\u00e3o do pat\u00f3geno. Por outro, ocorre a resposta pr\u00f3-inflamat\u00f3ria contra a infec\u00e7\u00e3o. Os macr\u00f3fagos entram em a\u00e7\u00e3o e passam a fagocitar (ingerir) gl\u00f3bulos vermelhos infectados pelo\u00a0Plasmodium, controlando a prolifera\u00e7\u00e3o desse no sangue do paciente.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada no Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) mostra que \u00e9 poss\u00edvel direcionar a resposta imune a partir de uma mol\u00e9cula chamada P2X7.<\/p>\n<p>O trabalho, com resultados publicados na revista\u00a0, tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia do equil\u00edbrio entre as duas estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o do sistema imunol\u00f3gico \u2013 a pr\u00f3-inflamat\u00f3ria e a pr\u00f3-anticorpos \u2013 para que o combate \u00e0 mal\u00e1ria seja bem-sucedido.<\/p>\n<p>\u201cVimos que na mal\u00e1ria causada pelo\u00a0Plasmodium chabaudi\u00a0\u2013 modelo animal usado para experimentos sobre mal\u00e1ria \u2013 \u00e9 importante ter um balan\u00e7o entre a resposta pr\u00f3-inflamat\u00f3ria e a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos. Quando o sinalizador de dano celular [P2X7] \u00e9 retirado, h\u00e1 apenas produ\u00e7\u00e3o de anticorpos e a defesa fica insuficiente\u201d, disse\u00a0, autora do estudo e p\u00f3s-doutoranda no Departamento de Imunologia da USP com Bolsa da\u00a0FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cA mol\u00e9cula P2X7 tem o papel de informar o sistema imune sobre a necessidade de uma resposta robusta \u00e0 a\u00e7\u00e3o do pat\u00f3geno que leve em conta n\u00e3o apenas a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos, mas tamb\u00e9m o direcionamento para a ativa\u00e7\u00e3o de macr\u00f3fagos\u201d, disse.<\/p>\n<p>No estudo, gl\u00f3bulos vermelhos de camundongos infectados pelo\u00a0P. chabaudi\u00a0liberaram adenosina trifosfato (ATP) no meio extracelular, um sinal de dano que pode ser reconhecido pelos receptores P2X7.<\/p>\n<p>Ao detectar o dano celular ou estresse do tecido infectado pelo pat\u00f3geno, esses receptores direcionam a a\u00e7\u00e3o pr\u00f3-inflamat\u00f3ria, fazendo com que os linf\u00f3citos T CD4+ produzam a prote\u00edna interferon-gama e, consequentemente, ativem os macr\u00f3fagos que v\u00e3o engolir c\u00e9lulas sangu\u00edneas infectadas. A resposta imune fica equilibrada. J\u00e1 os camundongos machos com aus\u00eancia do receptor P2X7 n\u00e3o resistiram \u00e0 doen\u00e7a, enquanto as f\u00eameas desenvolveram uma doen\u00e7a cr\u00f4nica mais grave.<\/p>\n<p>Salles ressalta que a necessidade de um equil\u00edbrio entre as duas respostas \u00e9 importante para direcionar novas estrat\u00e9gias na produ\u00e7\u00e3o de vacinas. \u201cSabemos que em humanos h\u00e1 polimorfismo: algumas pessoas n\u00e3o t\u00eam o receptor P2X7 e outras t\u00eam ele muito ativado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Resposta robusta<\/p>\n<p>A despeito dos esfor\u00e7os para desenvolver vacinas e drogas antimal\u00e1ria, a infec\u00e7\u00e3o por\u00a0Plasmodium\u00a0continua a causar a morte de tantos especialmente porque os diversos mecanismos de escape do parasito exigem resposta imune adequada para eliminar a infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA maioria das vacinas induz muito bem a produ\u00e7\u00e3o de anticorpo, mas existem v\u00e1rias doen\u00e7as \u2013 como \u00e9 o caso da mal\u00e1ria \u2013 para as quais \u00e9 preciso tamb\u00e9m induzir a ativa\u00e7\u00e3o de linf\u00f3citos T e a produ\u00e7\u00e3o de interferon para haver prote\u00e7\u00e3o\u201d, disse outra autora do estudo, a professora Maria Regina D\u2019Imp\u00e9rio Lima, respons\u00e1vel pelo Projeto Tem\u00e1tico \u201c\u201d, apoiado pela FAPESP.<\/p>\n<p>Embora se trate de um trabalho conceitual de imunologia, a pesquisa agora publicada pode ter implica\u00e7\u00f5es no desenvolvimento de vacinas que atuem com as duas estrat\u00e9gias, possibilitando respostas mais robustas do sistema imunol\u00f3gico. Segundo D\u2019Imp\u00e9rio Lima, outro exemplo de doen\u00e7a que necessita da a\u00e7\u00e3o pr\u00f3-inflamat\u00f3ria \u00e9 a tuberculose.<\/p>\n<p>\u201cContra a tuberculose temos apenas a BCG, que protege crian\u00e7as contra a forma meningoc\u00f3cica da doen\u00e7a, mas n\u00e3o \u00e9 muito efetiva para proteger contra a forma pulmonar. N\u00e3o temos vacinas eficientes que induzam a produ\u00e7\u00e3o de interferon-gama para auxiliar na prote\u00e7\u00e3o contra a tuberculose e a mal\u00e1ria, por exemplo. Por isso, podemos pensar na possibilidade de desenvolver, junto com a vacina, uma nanopart\u00edcula que libere ATP e sinalize a exist\u00eancia de dano tecidual e a necessidade de uma resposta robusta\u201d, disse a professora.<\/p>\n<p>Segundo D\u2019Imp\u00e9rio Lima, uma compreens\u00e3o completa dos mecanismos subjacentes \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de imunidade protetora \u00e9 crucial para melhorar as estrat\u00e9gias de vacinas para erradicar a mal\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cPoder\u00edamos pensar, e isso \u00e9 sugerido no fim do nosso artigo, em incorporar o ATP, ou formas n\u00e3o degrad\u00e1veis do ATP, na composi\u00e7\u00e3o daquilo que chamamos de adjuvante, para tentar instruir o sistema imune de que quando se trata de algo perigoso, com grande dano celular, \u00e9 necess\u00e1rio uma resposta que tamb\u00e9m produza interferon-gama para, desse modo, ativar macr\u00f3fagos\u201d, disse<\/p>\n<p>O artigo\u00a0P2X7 receptor drives Th1 cell differentiation and controls the follicular helper T cell population to protect against Plasmodium chabaudi malaria\u00a0(doi:10.1371\/journal.ppat.1006595), de \u00c9rika Machado de Salles, Maria Nogueira de Menezes, Renan Siqueira, Henrique Borges da Silva, Eduardo Pinheiro Amaral, Sheyla In\u00e9s Castillo-M\u00e9ndez, Isabela Cunha, Alexandra dos Anjos Cassado, Fl\u00e1via Sarmento Vieira, David Nicholas Olivieri, Carlos Eduardo Tadokoro, Jos\u00e9 Maria Alvarez, Robson Coutinho-Silva, Maria Regina D\u2019Imp\u00e9rio-Lima, pode ser lido na\u00a0PLOS Pathogens\u00a0em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 \u00c9 uma grande guerra que ocorre dentro do organismo humano, iniciada dias depois da picada de um mosquito do g\u00eanero\u00a0Anopheles\u00a0infectado com\u00a0Plasmodium, um protozo\u00e1rio. 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