{"id":128827,"date":"2017-12-15T00:20:14","date_gmt":"2017-12-15T02:20:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=128827"},"modified":"2017-12-15T00:20:14","modified_gmt":"2017-12-15T02:20:14","slug":"identificados-potenciais-genes-alvo-para-barrar-a-progressao-do-cancer-de-tireoide","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/identificados-potenciais-genes-alvo-para-barrar-a-progressao-do-cancer-de-tireoide\/128827","title":{"rendered":"Identificados potenciais genes-alvo para barrar a progress\u00e3o do c\u00e2ncer de tireoide"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0|\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O <strong><em>c\u00e2ncer de tireoide<\/em><\/strong> \u00e9 uma doen\u00e7a com bons \u00edndices de cura na maioria dos casos. Em 5% dos pacientes, por\u00e9m, o tumor torna-se refrat\u00e1rio aos tratamentos dispon\u00edveis e capaz de se disseminar pelo corpo e causar a morte.<\/p>\n<p>Em um estudo conduzido no Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), pesquisadores descobriram que, \u00e0 medida que o tumor se torna mais agressivo, ocorre queda na express\u00e3o de 52 microRNAs \u2013 pequenas mol\u00e9culas de RNA que n\u00e3o codificam prote\u00ednas, mas desempenham fun\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria em diversos processos celulares.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o foi realizada durante o p\u00f3s-doutorado de Murilo Vieira Geraldo, com\u00a0\u00a0e supervis\u00e3o da professora do ICB-USP Edna Teruko Kimura.<\/p>\n<p>Os resultados foram divulgados em\u00a0\u00a0publicado na revista\u00a0Oncotarget.<\/p>\n<p>\u201cOs dados obtidos at\u00e9 agora sugerem que esses microRNAs podem ser explorados como supressores tumorais. A ideia seria restaurar o n\u00edvel dessas mol\u00e9culas no tumor e verificar se, desse modo, conseguimos impedir a progress\u00e3o da doen\u00e7a\u201d, disse Geraldo, que atualmente \u00e9 professor do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>Como contou o pesquisador, a maior parte dos experimentos de seu p\u00f3s-doutorado foram feitos em um modelo de camundongo geneticamente modificado. Nesse animal, o gene\u00a0BRAF\u00a0encontra-se mutado somente na tireoide. A altera\u00e7\u00e3o \u00e9 similar \u00e0 encontrada frequentemente em pacientes com tumores na tireoide ou com melanoma.<\/p>\n<p>\u201cQuando essa muta\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente, o c\u00e2ncer costuma ser mais agressivo. No caso dos camundongos, com apenas cinco semanas de vida eles j\u00e1 apresentam um tumor grande, com arquitetura tecidual caracter\u00edstica de um carcinoma papil\u00edfero de tireoide. Esse modelo mimetiza o que acontece com esses 5% dos pacientes que morrem em decorr\u00eancia da progress\u00e3o da doen\u00e7a\u201d, contou Geraldo.<\/p>\n<p>O primeiro passo foi avaliar, \u00e0 medida que a doen\u00e7a progredia nos camundongos, como se modificava a express\u00e3o dos microRNAs de uma maneira geral. Os cientistas ent\u00e3o identificaram um grupo de mol\u00e9culas com comportamento muito similar: altamente expressas nos animais mais jovens, com tumores menos agressivos, e reduzidas nos casos mais avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Os cientistas ent\u00e3o investigaram em qual regi\u00e3o do genoma esses microRNAs eram codificados e descobriram que trata-se de um local conhecido como bra\u00e7o longo do cromossomo 14 (banda cromoss\u00f4mica 14q32).<\/p>\n<p>\u201cCoincidentemente, em 2015, foi publicado um artigo revelando a exist\u00eancia de uma condi\u00e7\u00e3o rara conhecida como\u00a0Temple syndrome, caracterizada justamente pela perda parcial ou total dessa regi\u00e3o do genoma. O estudo mostrava que os portadores dessa s\u00edndrome tinham risco aumentado de c\u00e2ncer da tireoide. Isso refor\u00e7ou nossa suspeita de que h\u00e1 nessa regi\u00e3o do genoma algo importante para o funcionamento da tireoide\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi avaliar como estava a express\u00e3o desses microRNAs em pacientes com tumores tireoidianos. Foram analisados, por meio de ferramentas de bioinform\u00e1tica, bancos p\u00fablicos que armazenam dados gen\u00f4micos de portadores da doen\u00e7a, como o The Cancer Genome Atlas (). Essa parte do projeto contou com a colabora\u00e7\u00e3o do professor Helder Nakaya, da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da USP.<\/p>\n<p>Dados de 500 pacientes coletados na internet confirmaram que a express\u00e3o desses microRNAs est\u00e1 reduzida tamb\u00e9m em tumores humanos.<\/p>\n<p>\u201cQuando olhamos para os alvos desses microRNAs, as mol\u00e9culas de RNA com as quais eles interagem, percebemos que muitos deles regulam processos importantes para a progress\u00e3o do c\u00e2ncer e a dissemina\u00e7\u00e3o metast\u00e1tica, como migra\u00e7\u00e3o e ades\u00e3o celular\u201d, comentou Geraldo.<\/p>\n<p>Valida\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>De modo quase aleat\u00f3rio, o grupo do ICB-USP selecionou um dos 52 microRNAs identificados no modelo animal \u2013 o miR-654 \u2013 para validar sua fun\u00e7\u00e3o em testes\u00a0in vitro, feitos com linhagens de c\u00e9lulas tumorais tireoidianas humanas.<\/p>\n<p>Os testes\u00a0in vitro\u00a0confirmaram que, quando a express\u00e3o do miR-654 \u2013 que estava baixa na linhagem tumoral \u2013 \u00e9 restaurada a n\u00edveis equivalentes ao de uma condi\u00e7\u00e3o sadia, as c\u00e9lulas passam a se proliferar menos, tornam-se menos capazes de migrar e morrem mais.<\/p>\n<p>Em um novo projeto, que ainda est\u00e1 come\u00e7ando na Unicamp, Geraldo pretende identificar quais dos 52 microRNAs s\u00e3o mais interessantes para serem estudados mais detalhadamente e testados como alvos para terapia.<\/p>\n<p>Segundo o Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca), o c\u00e2ncer de tireoide \u00e9 o mais comum na regi\u00e3o da cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, sendo tr\u00eas vezes mais frequente no sexo feminino. Dados do banco p\u00fablico Surveillance, Epidemiology and End Results (SEER), do National Cancer Institute (Estados Unidos), revelam que a incid\u00eancia da doen\u00e7a triplicou nos \u00faltimos 35 anos. O carcinoma papil\u00edfero \u00e9 o subtipo de tumor tireoidiano mais comum, representando entre 75 e 80% dos casos.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Down-regulation of 14q32-encoded miRNAs and tumor suppressor role for miR-654-3p in papillary thyroid cancer\u00a0pode ser lido em:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0|\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O c\u00e2ncer de tireoide \u00e9 uma doen\u00e7a com bons \u00edndices de cura na maioria dos casos. Em 5% dos pacientes, por\u00e9m, o tumor torna-se refrat\u00e1rio aos tratamentos dispon\u00edveis e capaz de se disseminar pelo corpo e causar a morte. 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