{"id":129044,"date":"2017-12-18T00:05:14","date_gmt":"2017-12-18T02:05:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=129044"},"modified":"2017-12-17T22:45:24","modified_gmt":"2017-12-18T00:45:24","slug":"sensores-e-big-data-orientarao-na-tomada-de-decisao-do-produtor-rural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2017\/sensores-e-big-data-orientarao-na-tomada-de-decisao-do-produtor-rural\/129044","title":{"rendered":"Sensores e big data orientar\u00e3o na tomada de decis\u00e3o do produtor rural"},"content":{"rendered":"<p> Maria Fernanda Ziegler e Jos\u00e9 Tadeu Arantes | Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Existe uma anedota sempre repetida pelos pesquisadores da \u00e1rea de\u00a0<strong><em>e-agriculture<\/em><\/strong>. Ela afirma que, h\u00e1 alguns anos, os agricultores diziam aos filhos que deveriam estudar se quisessem deixar o campo e ir para a cidade. Agora, prossegue a anedota, o conselho mudou: os filhos precisam estudar para poderem continuar no campo.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as est\u00e3o em curso: n\u00e3o s\u00f3 na produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m na gest\u00e3o. Com a jun\u00e7\u00e3o de big data e Internet das Coisas, plantas e animais ser\u00e3o os sinalizadores da tomada de decis\u00e3o do produtor rural. Isso porque, indo al\u00e9m da \u201cagricultura de precis\u00e3o\u201d, que utiliza tecnologia da informa\u00e7\u00e3o para analisar vari\u00e1veis como clima e solo, passam a contar tamb\u00e9m os sinais emitidos pelas plantas e animais na tomada de decis\u00e3o do produtor.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 exagero dizer que, nos pr\u00f3ximos 10 anos, teremos a planta e o animal respondendo a cada est\u00edmulo no sistema produtivo. As decis\u00f5es quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o vegetal e ao bem-estar animal ser\u00e3o tomadas a partir de dados coletados por biossensores implantados em cada planta e em cada animal\u201d, disse\u00a0, professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Silva foi um dos palestrantes do Workshop eScience \u201cO Rural na Era Digital\u201d, realizado no audit\u00f3rio da\u00a0FAPESP, e que teve como eixo examinar mudan\u00e7as no meio rural provocadas pela ado\u00e7\u00e3o da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNo futuro, os animais v\u00e3o falar e voc\u00eas v\u00e3o se lembrar de mim. Essa capacidade de tomar decis\u00f5es a partir de sinais emitidos pelos animais j\u00e1 \u00e9 uma realidade nas pesquisas cient\u00edficas em v\u00e1rios lugares do mundo. Existem estudos em bioac\u00fastica e na vocaliza\u00e7\u00e3o de animais que permitem compreender a express\u00e3o do animal a partir da frequ\u00eancia sonora. H\u00e1 uma tecnologia belga que possibilita que o veterin\u00e1rio tenha, a partir da capta\u00e7\u00e3o do som ambiente, a informa\u00e7\u00e3o de se parte do rebanho est\u00e1 com doen\u00e7as como diarreia ou tuberculose, por exemplo. Tudo com menos de 1% de erros\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>No workshop, pesquisadores de institui\u00e7\u00f5es do Estado de S\u00e3o Paulo discutiram as possibilidades futuras da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no Brasil. Tudo em um cen\u00e1rio em que ser\u00e1 comum ver campos de soja, lavouras de caf\u00e9 e criadouros de frangos e boi repletos de sensores, que produzir\u00e3o dados e informa\u00e7\u00f5es sobre a necessidade de maior irriga\u00e7\u00e3o, ventila\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00f5es no solo ou administra\u00e7\u00e3o de medicamentos.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de sensores e chips e do uso de biomarcadores, existe uma tend\u00eancia forte de ado\u00e7\u00e3o de microdrones, como uma esp\u00e9cie de mosquitinho com c\u00e2meras e sensores. Al\u00e9m de coletarem milhares de dados, os microdrones tamb\u00e9m podem fazer poliniza\u00e7\u00e3o\u201d, destacou\u00a0, professor da Faculdade de Engenharia Agr\u00edcola da Universidade Estadual de Campinas (Feagri\/Unicamp).<\/p>\n<p>Rocha acredita que, principalmente em cen\u00e1rios de grandes transforma\u00e7\u00f5es, como o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, h\u00e1 espa\u00e7o para fazer futurologia. \u201cPrecisamos pensar para a frente, em inova\u00e7\u00f5es. Temos que aproveitar semin\u00e1rios e encontros como este n\u00e3o s\u00f3 para mostrar os resultados acad\u00eamicos, mas tamb\u00e9m para pensar em solu\u00e7\u00f5es de problemas que ainda n\u00e3o temos\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Ele afirma que a agricultura brasileira \u00e9 vanguarda em uma s\u00e9rie de dom\u00ednios, como o plantio direto e a integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta, que j\u00e1 conta com 11,5 bilh\u00f5es de hectares no pa\u00eds, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa). \u201cMuito do nosso sucesso tem como base a pesquisa cient\u00edfica apoiada pela Embrapa, mas na parte de informa\u00e7\u00f5es (tecnologia de sensores e de imagens) ainda estamos correndo atr\u00e1s do que existe l\u00e1 fora\u201d, disse.<\/p>\n<p>Uma das quest\u00f5es centrais da\u00a0e-agriculture\u00a0\u00e9 fazer com que v\u00e1rios tipos de dados gerados continuamente por sensores em plantas, animais, caminh\u00f5es e m\u00e1quinas possam ser combinados com dados clim\u00e1ticos e de produ\u00e7\u00e3o para assim se transformarem em informa\u00e7\u00e3o relevante para o produtor rural.<\/p>\n<p>\u201cEstas s\u00e3o discuss\u00f5es t\u00edpicas da chamada\u00a0e-science, que permite que pesquisadores associados \u00e0 pesquisa em computa\u00e7\u00e3o possam dialogar e entender os problemas de outra \u00e1rea da ci\u00eancia. \u00c9 importante garantir esse di\u00e1logo\u201d, ponderou\u00a0, coordenadora-adjunta do Programa FAPESP de Pesquisa em eScience e Data Science e organizadora do workshop.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores que participaram do evento, para que a\u00a0e-agriculture\u00a0se torne realidade \u00e9 preciso apostar na multidisciplinaridade.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito importante avaliar a quest\u00e3o da multidisciplinaridade profissional no campo. Estamos vivendo o momento da Internet das Coisas, da alta tecnologia e an\u00e1lise de dados nas lavouras e na pecu\u00e1ria. Por isso, \u00e9 fundamental que os v\u00e1rios profissionais \u2013 zootecnista, veterin\u00e1rio, agr\u00f4nomo, engenheiro de biossistemas, engenheiro agr\u00edcola de computa\u00e7\u00e3o \u2013 possam sentar em uma mesma mesa para resolver os problemas\u201d, disse Silva.<\/p>\n<p>Conectividade no campo<\/p>\n<p>Outro principal entrave para que a\u00a0e-agriculture\u00a0deslanche no Brasil \u00e9 a conectividade na \u00e1rea rural. \u201cA conectividade incipiente no campo dificulta o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico no agroneg\u00f3cio. \u00c9 s\u00f3 percorrer o pa\u00eds para notar a exist\u00eancia de \u00e1reas enormes sem nenhum sinal. Em estados como o Mato Grosso, por exemplo, grande produtor de soja, \u00e9 poss\u00edvel correr 400 quil\u00f4metros sem sinal. Aqui, no Estado de S\u00e3o Paulo, temos \u00e1reas pr\u00f3ximas de cidades importantes, com um raio de 36 quil\u00f4metros, sem rede\u201d, informou Carlos Lorena Neto, engenheiro do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunica\u00e7\u00f5es (CPqD), durante palestra.<\/p>\n<p>\u201cAs operadoras de telefonia n\u00e3o t\u00eam interesse em instalar antenas nessas \u00e1reas. N\u00e3o \u00e9 economicamente interessante. Por\u00e9m, existem solu\u00e7\u00f5es para que o produtor rural possa usar da tecnologia em rede\u201d, acrescentou ele \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>No workshop, Lorena Neto apresentou projeto de transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade da Internet das Coisas com o Grupo S\u00e3o Martinho. Localizadas na cidade de Prad\u00f3polis (SP), as propriedades rurais do Grupo produzem 10 milh\u00f5es de toneladas de cana-de-a\u00e7\u00facar por ano e contam com 84 quil\u00f4metros de raio, a maior parte sem cobertura de celular.<\/p>\n<p>Com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), no \u00e2mbito do Plano de Apoio Conjunto \u00e0 Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica Agr\u00edcola no Setor Sucroenerg\u00e9tico (PAISS Agr\u00edcola), o projeto contou com o desenvolvimento de uma plataforma integrada de comunica\u00e7\u00e3o m\u00f3vel em banda larga e sensoriamento, para viabilizar aplica\u00e7\u00f5es como o controle de m\u00e1quinas agr\u00edcolas em tempo real e a rastreabilidade da cana-de-a\u00e7\u00facar da colheita at\u00e9 a ind\u00fastria.<\/p>\n<p>&#8220;Criamos uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1diobase, similar \u00e0 que as operadoras de celular usam, s\u00f3 que ela opera em uma frequ\u00eancia diferente que propicia uma propaga\u00e7\u00e3o melhor, o sinal de r\u00e1dio vai mais longe. A base \u00e9 conectada com sensores [que monitoram a localiza\u00e7\u00e3o e o funcionamento das m\u00e1quinas da usina] que mandam os dados para essa rede&#8221;, detalhou.<\/p>\n<p>Vaca monitorada<\/p>\n<p>, pesquisadora do Instituto de Zootecnia da Ag\u00eancia Paulista de Tecnologia dos Agroneg\u00f3cios (Apta), apresentou o estado da arte na \u00e1rea do sensoriamento do gado bovino destinado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de leite. M\u00faltiplas vari\u00e1veis, como consumo alimentar, temperatura, sa\u00fade do casco, sa\u00fade do \u00fabere, composi\u00e7\u00e3o do leite, emiss\u00e3o de metano etc., j\u00e1 podem ser monitoradas atualmente, por meio de sensores aplicados no corpo do animal ou em diferentes equipamentos da fazenda.<\/p>\n<p>\u201cUm sensor espec\u00edfico, voltado para monitorar a movimenta\u00e7\u00e3o e a temperatura de vacas de alt\u00edssima produ\u00e7\u00e3o de leite, est\u00e1 dispon\u00edvel no mercado, produzido por empresa austr\u00edaca. Inserido, pelo es\u00f4fago, na cavidade ret\u00edculo-ruminal da vaca, o equipamento registra a temperatura do animal a cada 10 minutos\u201d, disse.<\/p>\n<p>Os dados coletados permitem detectar n\u00e3o apenas o estresse cal\u00f3rico ou a ocorr\u00eancia de febre devido a algum tipo de doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m, e principalmente, as varia\u00e7\u00f5es de temperatura associadas ao processo reprodutivo. \u201cH\u00e1 aumento de temperatura durante o estro, cerca de 24 horas antes do aceite da monta, e diminui\u00e7\u00e3o de temperatura antes do parto\u201d, informou a pesquisadora.<\/p>\n<p>O sensor, de formato cil\u00edndrico, tem 13 cent\u00edmetros de comprimento e entre dois e tr\u00eas cent\u00edmetros de di\u00e2metro, armazena dados durante 50 dias e os descarrega quando o animal se aproxima da base. Dotado de bateria, funciona durante quatro anos.<\/p>\n<p>Outro sensor, produzido pelo mesmo fabricante, com tempo de opera\u00e7\u00e3o de 150 dias, destina-se a medir o pH ruminal em fun\u00e7\u00e3o da dieta. O objetivo, no caso, \u00e9 saber se as dietas especiais, oferecidas \u00e0s vacas de alt\u00edssima produtividade, s\u00e3o bem recebidas pelo animal ou podem eventualmente causar alguma varia\u00e7\u00e3o indesej\u00e1vel de acidez no trato digestivo. Uma vez inseridos, tanto um sensor como o outro n\u00e3o podem ser retirados do corpo do animal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler e Jos\u00e9 Tadeu Arantes | Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Existe uma anedota sempre repetida pelos pesquisadores da \u00e1rea de\u00a0e-agriculture. Ela afirma que, h\u00e1 alguns anos, os agricultores diziam aos filhos que deveriam estudar se quisessem deixar o campo e ir para a cidade. 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