{"id":131038,"date":"2018-01-10T01:04:16","date_gmt":"2018-01-10T03:04:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=131038"},"modified":"2018-01-09T14:47:24","modified_gmt":"2018-01-09T16:47:24","slug":"pesquisa-identifica-populacoes-mais-vulneraveis-a-transtornos-mentais-graves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/pesquisa-identifica-populacoes-mais-vulneraveis-a-transtornos-mentais-graves\/131038","title":{"rendered":"Pesquisa identifica popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis a transtornos mentais graves"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Homens jovens, minorias \u00e9tnicas e moradores de \u00e1reas com baixos indicadores socioecon\u00f4micos t\u00eam maior propens\u00e3o a apresentar um primeiro epis\u00f3dio psic\u00f3tico, como \u00e9 definida a manifesta\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de <strong><em>transtornos mentais<\/em><\/strong> que incluem esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar e depress\u00e3o com sintomas psic\u00f3ticos \u2013 como alucina\u00e7\u00f5es, ideias delirantes e desorganiza\u00e7\u00e3o do pensamento.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de estudo realizado por um cons\u00f3rcio internacional que estimou a incid\u00eancia do primeiro epis\u00f3dio psic\u00f3tico em cinco pa\u00edses europeus \u2013 Inglaterra, Fran\u00e7a, Holanda, Espanha e It\u00e1lia \u2013 e no Brasil.<\/p>\n<p>No Brasil, o trabalho,\u00a0, foi coordenado por Paulo Rossi Menezes, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FM-USP), e por Cristina Marta Del Ben, professora do Departamento de Neuroci\u00eancias e Ci\u00eancias do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da USP. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista\u00a0.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 o segundo estudo feito no Brasil sobre a incid\u00eancia dos primeiros epis\u00f3dios psic\u00f3ticos e o mais recente estudo da incid\u00eancia internacional de transtornos psic\u00f3ticos foi realizado na d\u00e9cada de 1980\u201d, disse Menezes \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, pesquisas t\u00eam indicado que a incid\u00eancia do primeiro epis\u00f3dio psic\u00f3tico apresenta uma varia\u00e7\u00e3o entre regi\u00f5es e grupos populacionais. Em pa\u00edses europeus, tem sido observada maior incid\u00eancia desses transtornos em grandes centros urbanos em compara\u00e7\u00e3o com pequenas vilas e \u00e1reas rurais e em grupos \u00e9tnicos minorit\u00e1rios, como imigrantes negros do Caribe e da \u00c1frica.<\/p>\n<p>A fim de corroborar ou refutar essas observa\u00e7\u00f5es, os pesquisadores do cons\u00f3rcio fizeram um trabalho de identifica\u00e7\u00e3o de pacientes que apresentavam o primeiro epis\u00f3dio psic\u00f3tico. A investiga\u00e7\u00e3o foi feita em 17 centros urbanos e rurais dos seis pa\u00edses participantes, entre 2010 e 2015. No Brasil, o levantamento foi feito em 26 munic\u00edpios da regi\u00e3o administrativa de Ribeir\u00e3o Preto, no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores identificaram 2.774 pacientes que apresentaram um primeiro epis\u00f3dio de transtornos psic\u00f3ticos, dos quais 1.578 eram homens e 1.196 mulheres, com idade m\u00e9dia de 30 anos.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises dos dados indicaram uma varia\u00e7\u00e3o de oito vezes na incid\u00eancia dos transtornos psic\u00f3ticos entre as \u00e1reas estudadas. Enquanto em Santiago, na Espanha, a incid\u00eancia foi de seis novos casos por 100 mil habitantes por ano, em Paris, na Fran\u00e7a, o n\u00famero subiu para 46 novos casos tamb\u00e9m por 100 mil habitantes por ano. Na regi\u00e3o de Ribeir\u00e3o Preto, a incid\u00eancia foi de 21 novos casos por 100 mil habitantes por ano.<\/p>\n<p>\u201cO estudo confirmou que a incid\u00eancia do primeiro epis\u00f3dio psic\u00f3tico varia muito entre grandes centros urbanos e regi\u00f5es mais rurais e indicou que os fatores determinantes centrais para essa grande varia\u00e7\u00e3o s\u00e3o, provavelmente, ambientais\u201d, disse Menezes.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 o fim do s\u00e9culo 20 acreditava-se que os principais fatores etiol\u00f3gicos [origem e causa] de transtornos psic\u00f3ticos seriam gen\u00e9ticos, mas os dados do estudo apontam que os fatores ambientais desempenham um papel muito relevante\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mais vulner\u00e1veis<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m apontou que h\u00e1 maior incid\u00eancia de primeiro epis\u00f3dio psic\u00f3tico em homens de 18 a 24 anos em compara\u00e7\u00e3o com mulheres na mesma faixa et\u00e1ria, o que confirma um dado relativamente consistente na literatura, disse Menezes.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, estudos anteriores j\u00e1 indicavam maior incid\u00eancia de primeiro epis\u00f3dio psic\u00f3tico em homens jovens e tamb\u00e9m que, conforme os homens se aproximam da idade de 35 anos, a incid\u00eancia de transtornos mentais neles tende a se equiparar \u00e0 das mulheres. Em mulheres adultas, entre 45 e 54 anos, a incid\u00eancia de transtornos mentais \u00e9 um pouco maior do que a dos homens nessa mesma faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o se sabe exatamente a raz\u00e3o dessa diferen\u00e7a da incid\u00eancia do primeiro epis\u00f3dio psic\u00f3tico entre sexos e faixas et\u00e1rias. Mas isso pode estar relacionado ao processo de amadurecimento cerebral, uma vez que o c\u00e9rebro atinge sua maturidade entre os 20 e 25 anos. Nesse per\u00edodo, os homens parecem ficar mais vulner\u00e1veis do que as mulheres para desenvolver transtornos mentais\u201d, disse Menezes.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m constataram alta incid\u00eancia de primeiro epis\u00f3dio psic\u00f3tico em minorias \u00e9tnicas e em \u00e1reas com menor porcentagem de casas ocupadas por seus propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cIsso sugere que as condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas das pessoas e do ambiente onde vivem t\u00eam papel importante na etiologia dos transtornos psic\u00f3ticos. \u00c9 preciso compreender melhor os mecanismos envolvidos para explicar a varia\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia desse problema entre popula\u00e7\u00f5es\u201d, avaliou Menezes.<\/p>\n<p>Os pesquisadores pretendem analisar os dados sobre o hist\u00f3rico de vida dos pacientes, al\u00e9m de suas condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, e compar\u00e1-los com controles da popula\u00e7\u00e3o (pessoas que n\u00e3o apresentaram esse quadro) a fim de analisar os fatores de risco para o desenvolvimento de um primeiro epis\u00f3dio psic\u00f3tico.<\/p>\n<p>Experi\u00eancias traum\u00e1ticas na inf\u00e2ncia e experimentar maconha na adolesc\u00eancia ou in\u00edcio da vida adulta, por exemplo, s\u00e3o fatores que aumentam o risco de transtornos mentais, segundo Menezes. \u201cSe conseguirmos identificar os fatores de risco para o desenvolvimento desses transtornos mentais em popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis, \u00e9 poss\u00edvel intervir para diminuir a incid\u00eancia\u201d, disse.<\/p>\n<p>Transtornos psic\u00f3ticos s\u00e3o respons\u00e1veis por uma propor\u00e7\u00e3o significativa da carga global de doen\u00e7as, em raz\u00e3o da incapacita\u00e7\u00e3o que causam. T\u00eam ainda evolu\u00e7\u00e3o bastante variada e podem levar a graus elevados de incapacita\u00e7\u00e3o. \u201cGrande parte dos pacientes requer cuidados especializados em centros de psiquiatria e sa\u00fade mental\u201d, disse Menezes.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Treated incidence of psychotic disorders in the multinational EU-GEI study\u00a0(doi: 10.1001\/jamapsychiatry.2017.3554), de Jongsma e outros, pode ser lido por assinantes do\u00a0JAMA Psychyatry\u00a0em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Homens jovens, minorias \u00e9tnicas e moradores de \u00e1reas com baixos indicadores socioecon\u00f4micos t\u00eam maior propens\u00e3o a apresentar um primeiro epis\u00f3dio psic\u00f3tico, como \u00e9 definida a manifesta\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de transtornos mentais que incluem esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar e depress\u00e3o com sintomas psic\u00f3ticos \u2013 como alucina\u00e7\u00f5es, ideias delirantes e desorganiza\u00e7\u00e3o do pensamento. 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