{"id":133788,"date":"2018-02-07T00:07:16","date_gmt":"2018-02-07T02:07:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=133788"},"modified":"2018-02-06T23:29:06","modified_gmt":"2018-02-07T01:29:06","slug":"biomarcadores-ajudam-a-personalizar-tratamento-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/biomarcadores-ajudam-a-personalizar-tratamento-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco\/133788","title":{"rendered":"Biomarcadores ajudam a personalizar tratamento do c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Pesquisadores do A.C. Camargo Cancer Center encontraram no sangue de pacientes com <strong><em>c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o<\/em><\/strong> marcadores que podem ajudar a identificar os casos mais propensos a evoluir para met\u00e1stase ou a sofrer recidiva local ap\u00f3s o tratamento.<\/p>\n<p>Resultados do estudo,\u00a0, foram\u00a0\u00a0na revista\u00a0Head &amp; Neck.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de apontar para novos alvos terap\u00eauticos, o trabalho pode contribuir para tornar o tratamento mais personalizado e eficaz. Sabendo quais pacientes correm risco aumentado de progress\u00e3o da doen\u00e7a, o m\u00e9dico pode optar por um tratamento sist\u00eamico com drogas mais potentes\u201d, comentou o oncologista cl\u00ednico Thiago Bueno de Oliveira, coautor do artigo.<\/p>\n<p>O chamado c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o corresponde, na verdade, a um conjunto heterog\u00eaneo de tumores que afeta locais como a cavidade oral (l\u00e1bios, l\u00edngua, assoalho da boca ou palato), os seios da face, a faringe e a laringe \u2013 al\u00e9m das gl\u00e2ndulas, vasos sangu\u00edneos, m\u00fasculos e nervos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais prevalente nos pa\u00edses em desenvolvimento, representa o 9\u00ba tipo de c\u00e2ncer mais comum no mundo, com 700 mil novos casos anuais\u00a0\u00a0da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>No Brasil, o Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca) estimou para 2017 cerca de 22 mil novos casos dos dois tipos mais comuns: cavidade oral e laringe. O consumo frequente de tabaco e \u00e1lcool s\u00e3o os principais fatores de risco. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, tem crescido o n\u00famero de casos associados \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo papilomav\u00edrus humano (HPV), principalmente entre os pacientes mais jovens.<\/p>\n<p>Com o objetivo de entender como as c\u00e9lulas malignas conseguem se desprender do tumor prim\u00e1rio, cair na corrente sangu\u00ednea e colonizar outros locais do organismo, o grupo do A.C. Camargo usou como ferramenta a t\u00e9cnica da bi\u00f3psia l\u00edquida.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo consiste em avaliar fluidos corporais (sangue, saliva, urina e outros, dependendo do caso) em busca de fragmentos de DNA tumoral, de pequenas ves\u00edculas secretadas pelas c\u00e9lulas malignas ou das pr\u00f3prias c\u00e9lulas tumorais circulantes (CTCs). Esse tipo de an\u00e1lise permite ao m\u00e9dico conhecer, em diferentes est\u00e1gios da doen\u00e7a e do tratamento, as caracter\u00edsticas do tumor e como ele est\u00e1 reagindo \u00e0s drogas.<\/p>\n<p>O trabalho foi coordenado pela pesquisadora Ludmilla Thom\u00e9 Domingos Chinen, do Centro Internacional de Pesquisa e Ensino (CIPE), do A.C. Camargo Cancer Center.<\/p>\n<p>\u201cNeste caso espec\u00edfico, n\u00f3s avaliamos no sangue de 53 pacientes a presen\u00e7a de CTCs, c\u00e9lulas que se desprendem do tumor prim\u00e1rio quando ele ainda est\u00e1 em desenvolvimento e caem na corrente sangu\u00ednea\u201d, contou Ludmilla Chinen.<\/p>\n<p>Todos os casos inclu\u00eddos no estudo eram considerados avan\u00e7ados \u2013 seja pelo tamanho do tumor ou pelo fato de as c\u00e9lulas malignas j\u00e1 terem come\u00e7ado a invadir tecidos adjacentes. A doen\u00e7a, por\u00e9m, ainda estava localizada (n\u00e3o havia met\u00e1stase) e havia chances de cura.<\/p>\n<p>Os pesquisadores usaram uma esp\u00e9cie de filtro \u2013 uma membrana com furos de 8 micr\u00f4metros de di\u00e2metro \u2013 para separar as CTCs das demais c\u00e9lulas sangu\u00edneas. \u201cEsses microfuros permitem a passagem de leuc\u00f3citos, hem\u00e1cias e demais c\u00e9lulas normais do sangue. Por\u00e9m, a maioria das CTCs tem de 10 a 36 micr\u00f4metros de di\u00e2metro e acaba ficando retida na membrana. Depois olhamos esse material no microsc\u00f3pio\u201d, explicou Oliveira.<\/p>\n<p>\u201cO enfoque do nosso grupo era buscar nessas c\u00e9lulas tumorais prote\u00ednas diferencialmente expressas que poderiam estar associadas \u00e0 resist\u00eancia ao tratamento ou ao risco de met\u00e1stase\u201d, contou Chinen.<\/p>\n<p>O primeiro achado que despertou a aten\u00e7\u00e3o dos cientistas foi o fato de as CTCs estarem presentes em mais de 90% dos pacientes com c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o localizado. Ainda mais surpreendente foi que o \u00edndice de positividade se manteve est\u00e1vel em uma segunda an\u00e1lise, feita depois que os pacientes haviam sido tratados com cirurgia, quimioterapia e radioterapia (diferentes combina\u00e7\u00f5es, de acordo com o tipo de tumor).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em 28% dos casos, essas CTCs estavam agregadas em grupos de tr\u00eas ou mais unidades formando os chamados micro\u00eambolos. Como explicou Chinen, os micro\u00eambolos podem ser considerados organoides porque, al\u00e9m das CTCs, cont\u00eam leuc\u00f3citos, plaquetas e outros tipos celulares agregados. Na an\u00e1lise feita ap\u00f3s o tratamento, o \u00edndice de positividade para micro\u00eambolos caiu para 23%.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que esses micro\u00eambolos estavam sempre cercados por plaquetas e come\u00e7amos a desconfiar que estavam se aproveitando de algum fator liberado por essas c\u00e9lulas na circula\u00e7\u00e3o. Decidimos ent\u00e3o analisar se as CTCs expressavam uma prote\u00edna chamada TGF-?RI [receptor de fator transformador de crescimento I], citocina produzida pelas plaquetas e envolvida no crescimento tumoral\u201d, contou Chinen.<\/p>\n<p>Alvo terap\u00eautico<\/p>\n<p>As an\u00e1lises mostraram que muitas das CTCs isoladas e das que circulavam agregadas em micro\u00eambolos de fato expressavam TGF-?RI. \u201cForam 33% de pacientes positivos na primeira an\u00e1lise e 33% na segunda. A propor\u00e7\u00e3o n\u00e3o se alterou ap\u00f3s o tratamento, mas n\u00e3o foram as mesmas pessoas nas duas an\u00e1lises. Algumas deixaram de expressar e outras se tornaram expressoras\u201d, disse Oliveira.<\/p>\n<p>Esses e outros fatores \u2013 como tamanho do tumor e est\u00e1gio de evolu\u00e7\u00e3o \u2013 foram ent\u00e3o avaliados em conjunto, por meio de uma an\u00e1lise multivariada que levou em considera\u00e7\u00e3o o tempo que os pacientes permaneceram livres de recidiva ap\u00f3s o tratamento.<\/p>\n<p>Os resultados mostraram que a presen\u00e7a de micro\u00eambolos e de c\u00e9lulas que expressamTGF-?RI na an\u00e1lise feita ap\u00f3s o tratamento foram os fatores mais associados a um progn\u00f3stico ruim.<\/p>\n<p>\u201cA presen\u00e7a de TGF-?RI na segunda an\u00e1lise se mostrou muito ruim para o paciente. Nossa impress\u00e3o \u00e9 que houve uma sele\u00e7\u00e3o clonal, ou seja, as c\u00e9lulas que resistiram ao tratamento passaram a expressar uma mol\u00e9cula que conferiu ao tumor maior capacidade de invas\u00e3o\u201d, disse Chinen.<\/p>\n<p>Dos nove pacientes que evolu\u00edram para met\u00e1stase, 55% apresentavam micro\u00eambolos j\u00e1 na primeira an\u00e1lise pr\u00e9-tratamento. Em outra compara\u00e7\u00e3o, o grupo viu que os pacientes que tinham micro\u00eambolos e que negativaram ap\u00f3s o tratamento ficaram ao menos 20 meses livres de recidiva.<\/p>\n<p>Nos casos em que as duas an\u00e1lises foram negativas \u2013 a situa\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel \u2013 o tempo de sobrevida livre de doen\u00e7a foi de 22,4 meses. Nos pacientes que foram negativos na primeira an\u00e1lise e positivos na segunda o tempo foi de 17,5 meses. O pior caso foi o de pacientes que apresentaram micro\u00eambolos nas duas an\u00e1lises, que ficaram apenas 4,7 meses livres da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Chinen, uma das principais contribui\u00e7\u00f5es da pesquisa foi mostrar que o TGF-?RI \u00e9 um alvo terap\u00eautico a ser explorado no c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o. \u201cFora do Brasil j\u00e1 existem ensaios cl\u00ednicos com inibidores desse receptor para tratar outros tipos de c\u00e2ncer\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cAinda s\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos para comprova\u00e7\u00e3o, mas se abre a possibilidade de tratar pacientes com risco aumentado [express\u00e3o positiva do receptor] com esse inibidor na expectativa de impedir uma recidiva no futuro\u201d, acrescentou Oliveira.<\/p>\n<p>O pesquisador conta que ainda durante seu doutorado a pesquisa est\u00e1 sendo expandida e j\u00e1 foram inclu\u00eddos 85 pacientes. O objetivo \u00e9 tornar os resultados mais robustos.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Evaluation of incidence, significance, and prognostic role of circulating tumor microemboli and transforming growth factor-? receptor I in head and neck cancer\u00a0(doi: 10.1002\/hed.24899) pode ser lido em:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Pesquisadores do A.C. Camargo Cancer Center encontraram no sangue de pacientes com c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o marcadores que podem ajudar a identificar os casos mais propensos a evoluir para met\u00e1stase ou a sofrer recidiva local ap\u00f3s o tratamento. 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