{"id":134650,"date":"2018-02-16T00:07:20","date_gmt":"2018-02-16T02:07:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=134650"},"modified":"2018-02-15T19:37:58","modified_gmt":"2018-02-15T21:37:58","slug":"vacina-contra-malaria-tem-resultados-promissores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/vacina-contra-malaria-tem-resultados-promissores\/134650","title":{"rendered":"Vacina contra mal\u00e1ria tem resultados promissores"},"content":{"rendered":"<p> Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma nova <strong><em>vacina pr\u00e9-cl\u00ednica contra a mal\u00e1ria\u00a0vivax<\/em><\/strong> \u2013 forma da doen\u00e7a com maior distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e maior preval\u00eancia nas Am\u00e9ricas \u2013 foi testada em camundongos e obteve 45% de efic\u00e1cia, o que representa um importante avan\u00e7o no desenvolvimento de alternativas de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) de 2015, parasitas da esp\u00e9cie\u00a0Plasmodium vivax\u00a0foram respons\u00e1veis por mais de 13 milh\u00f5es de casos de mal\u00e1ria em todo o mundo e ainda n\u00e3o h\u00e1 um imunizante dispon\u00edvel contra esses pat\u00f3genos.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia da nova vacina se baseia em desenvolver vers\u00f5es recombinantes de prote\u00ednas encontradas no esporozo\u00edto \u2013 forma do parasita presente na gl\u00e2ndula salivar do mosquito transmissor e que infecta o ser humano. A prote\u00edna em quest\u00e3o \u00e9 hom\u00f3loga \u00e0 que est\u00e1 sendo usada em outra vacina em est\u00e1gio mais avan\u00e7ado contra o\u00a0Plasmodium falciparum, o parasita de mal\u00e1ria mais comum no continente africano.<\/p>\n<p>\u201cCom base no sucesso dessa prote\u00edna de\u00a0P. falciparum,\u00a0pensamos em tentar algo parecido contra o parasita que acomete as Am\u00e9ricas. V\u00ea-se que na \u00c1frica a prote\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 alta, de 30% a 40%, mas tem diminu\u00eddo as formas graves da mal\u00e1ria\u00a0falciparum\u00a0e atrasado o primeiro epis\u00f3dio de mal\u00e1ria em crian\u00e7as, reduzindo a mortalidade infantil\u201d, disse\u00a0, professora da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da Universidade de S\u00e3o Paulo (FCF-USP) e autora correspondente do artigo com resultados da pesquisa publicado na revista\u00a0.<\/p>\n<p>A candidata \u00e0 vacina contra o\u00a0P. falciparum, a RTS,S\/AS01, j\u00e1 passou por testes cl\u00ednicos de fase 3 \u2013 a pesquisa cl\u00ednica \u00e9 usualmente classificada em quatro fases \u2013 e recebeu uma sinaliza\u00e7\u00e3o positiva da OMS para um estudo piloto de implementa\u00e7\u00e3o. De acordo com Soares, a vacina n\u00e3o ser\u00e1 para uso geral na popula\u00e7\u00e3o. \u201cTalvez para crian\u00e7as e pessoas n\u00e3o imunes, como viajantes que v\u00e3o para a regi\u00e3o end\u00eamica. \u00c9 uma forma de n\u00e3o ter essas formas graves da doen\u00e7a\u201d, disse Soares.<\/p>\n<p>A iniciativa de desenvolver uma vacina contra o\u00a0P. vivax\u00a0partiu de um grupo de pesquisadores do Centro de Terapia Celular e Molecular da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e da FCF-USP. O projeto \u00e9 apoiado pela FAPESP no \u00e2mbito de um\u00a0\u00a0e contou com a colabora\u00e7\u00e3o de uma equipe internacional, com pesquisadores do Instituto Pasteur (Fran\u00e7a) e da Agency for Science Technology and Research (Singapura), entre outros.<\/p>\n<p>O\u00a0P. vivax\u00a0tem particularidades que dificultam o desenvolvimento de vacinas. Diferentemente do parasita mais comum do continente africano, a prote\u00edna-alvo do\u00a0P. vivax\u00a0tem tr\u00eas formas al\u00e9licas, ou seja, tr\u00eas variantes na natureza chamadas de VK210, VK247 e P. vivax-like. Trabalhos pr\u00e9vios realizados nas d\u00e9cadas de 1990 e 2000 mostraram que as tr\u00eas variantes circulam pelo Brasil, com preval\u00eancia da VK210.<\/p>\n<p>A prote\u00edna circumsporozo\u00edta (CS), a mais abundante na superf\u00edcie do parasita, \u00e9 velha conhecida da ci\u00eancia, tendo sido caracterizada pelos pesquisadores brasileiros\u00a0\u00a0e\u00a0, da New York University, a partir da d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n<p>A mol\u00e9cula est\u00e1 envolvida nos est\u00e1gios iniciais de invas\u00e3o de c\u00e9lulas do f\u00edgado de mam\u00edferos infectados. Isso faz com que ela seja um alvo importante para anticorpos e outras c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>\u201cComo a prote\u00edna do\u00a0P. vivax\u00a0tem tr\u00eas formas al\u00e9licas, fizemos tamb\u00e9m uma vers\u00e3o h\u00edbrida com essas tr\u00eas variantes reunidas. Ela cont\u00e9m um peda\u00e7o de cada uma. Caso a vacina fosse baseada em uma \u00fanica variante, ela n\u00e3o protegeria contra as outras e n\u00e3o teria boa abrang\u00eancia\u201d, disse Soares.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s produzir a prote\u00edna fusionada, os pesquisadores partiram para a etapa de induzir anticorpos contra as tr\u00eas variantes. Mas, para saber se os anticorpos reconheciam o parasita, a equipe contou com a colabora\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Agency for Science Technology and Research de Singapura.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia cedeu os esporozo\u00edtos extra\u00eddos da saliva do mosquito. Nos testes, os anticorpos gerados \u2013 tanto a mistura de prote\u00ednas quanto a prote\u00edna de fus\u00e3o \u2013 foram capazes de reconhecer a mol\u00e9cula nativa por imunofluoresc\u00eancia.<\/p>\n<p>O teste em animais contou com mais um desafio: camundongos n\u00e3o s\u00e3o infectados pelo\u00a0P. vivax. Para resolver o problema, a equipe controu com a colabora\u00e7\u00e3o do Instituto Pasteur (Fran\u00e7a), onde foi testado um parasita transg\u00eanico \u2013 o esporozo\u00edto do\u00a0Plasmodium berghei\u00a0(que infecta o camundongo) capaz de expressar as repeti\u00e7\u00f5es da prote\u00edna VK210 de\u00a0P. vivax\u00a0(Pb \/ PvVK210).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 por isso que o artigo tem v\u00e1rios autores, de diferentes centros de pesquisa. Foi um trabalho muito complexo e com v\u00e1rias etapas\u201d, contou Soares.<\/p>\n<p>No laborat\u00f3rio de Rogerio Amino, pesquisador brasileiro do Instituto Pasteur (Fran\u00e7a), coautor do estudo, os camundongos que receberam a formula\u00e7\u00e3o da vacina foram protegidos contra a infec\u00e7\u00e3o de esporozo\u00edtos quim\u00e9ricos de\u00a0P. berghei, expressando repeti\u00e7\u00f5es de prote\u00edna do circumsporozo\u00edto de\u00a0P. vivax.<\/p>\n<p>\u201cFoi uma colabora\u00e7\u00e3o importante. Os animais receberam tr\u00eas doses da vacina h\u00edbrida e depois foram desafiados com o parasita transg\u00eanico. Quatro dos seis camundongos imunizados estavam livres da infec\u00e7\u00e3o at\u00e9 o d\u00e9cimo dia ap\u00f3s o desafio, enquanto todos os animais do grupo controle (n\u00e3o imunizados) ficaram infectados ap\u00f3s quatro dias\u201d, disse Soares.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, ainda faltam etapas a cumprir at\u00e9 que a vacina se mostre comercialmente interessante e possa ser uma alternativa contra o\u00a0P. vivax. O imunizante ainda precisa, por exemplo, ser testado em outros mam\u00edferos antes da etapa de ensaios cl\u00ednicos.<\/p>\n<p>A primeira autora do artigo, Alba Marina Gimenez, do Centro de Terapia Celular e Molecular da Unifesp, realizou recentemente um est\u00e1gio na University of Oxford, no Reino Unido, onde teve a oportunidade de testar parasitas transg\u00eanicos capazes de expressar cada uma das tr\u00eas varia\u00e7\u00f5es da prote\u00edna (alelos VK210, VK247 e P. vivax-like). O trabalho teve\u00a0.<\/p>\n<p>Parasitas dormentes<\/p>\n<p>Um dos grandes desafios da nova vacina \u00e9 conseguir combater tamb\u00e9m os parasitas que, passada a fase aguda, permanecem no f\u00edgado na forma dormente e podem desencadear outro epis\u00f3dio da doen\u00e7a meses depois de o paciente ser infectado. Essa \u00e9 outra particularidade do\u00a0P. vivax.<\/p>\n<p>\u201cQuando o mosquito pica, uma parte dos parasitas inoculados adquire uma forma dormente (hipnozo\u00edto) no f\u00edgado, enquanto a outra parte vai causar a doen\u00e7a. Portanto, quando os pat\u00f3genos no sangue s\u00e3o tratados, aqueles que est\u00e3o \u2018dormindo\u2019 continuam prontos para atacar novamente. O rem\u00e9dio pode funcionar no primeiro momento, mas, depois de alguns meses, o parasita pode \u2018acordar\u2019 e voltar \u00e0 circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea, causando reca\u00edda\u201d, disse Amino, coautor do estudo.<\/p>\n<p>Amino \u00e9 tamb\u00e9m um dos autores de um trabalho publicado na\u00a0\u00a0segundo o qual uma vacina contra esporozo\u00edtos de\u00a0P. vivax\u00a0com moderada efic\u00e1cia contra a infec\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, poderia reduzir substancialmente a transmiss\u00e3o de hipnozo\u00edtos, evitando reca\u00eddas.<\/p>\n<p>\u201cSeria muito interessante se houvesse uma vacina que diminu\u00edsse significativamente o n\u00famero de hipnozo\u00edtos, ainda que n\u00e3o fosse 100% eficaz contra a primo-infec\u00e7\u00e3o. A vacina que est\u00e1 sendo desenvolvida contra o\u00a0P. vivax\u00a0tem uma boa efic\u00e1cia, mas ainda n\u00e3o foi testado se pode ou n\u00e3o diminuir as reca\u00eddas. Se ela funcionar tamb\u00e9m contra os hipnozo\u00edtos ser\u00e1 um grande avan\u00e7o\u201d, disse.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Vaccine Containing the Three Allelic Variants of the Plasmodium vivax Circumsporozoite Antigen Induces Protection in Mice after Challenge with a Transgenic Rodent Malaria Parasite\u00a0(doi: 10.3389\/fimmu.2017.01275), de Alba Marina Gimenez, Luciana Chagas Lima, Katia Sanches Fran\u00e7oso, Priscila M. A. Denapoli, Raquel Panatieri, Daniel Y. Bargieri, Jean-Michel Thiberge, Chiara Andolina, Francois Nosten, Laurent Renia, Ruth S. Nussenzweig, Victor Nussenzweig, Rogerio Amino, Mauricio M. Rodrigues e Irene S. Soares, pode ser lido na\u00a0Frontiers of Immunology\u00a0em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma nova vacina pr\u00e9-cl\u00ednica contra a mal\u00e1ria\u00a0vivax \u2013 forma da doen\u00e7a com maior distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e maior preval\u00eancia nas Am\u00e9ricas \u2013 foi testada em camundongos e obteve 45% de efic\u00e1cia, o que representa um importante avan\u00e7o no desenvolvimento de alternativas de preven\u00e7\u00e3o. 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