{"id":135168,"date":"2018-02-19T00:36:45","date_gmt":"2018-02-19T03:36:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=135168"},"modified":"2018-02-18T18:32:04","modified_gmt":"2018-02-18T21:32:04","slug":"tratamento-personalizado-para-sindrome-nefrotica-na-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/tratamento-personalizado-para-sindrome-nefrotica-na-infancia\/135168","title":{"rendered":"Tratamento personalizado para s\u00edndrome nefr\u00f3tica na inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p> No\u00eamia Lopes\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Um estudo feito na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) re\u00fane esfor\u00e7os de pesquisa cl\u00ednica e b\u00e1sica em <strong><em>s\u00edndrome nefr\u00f3tica na inf\u00e2ncia<\/em><\/strong> com foco em pacientes submetidos a transplante renal. O objetivo \u00e9 identificar o perfil de muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas relacionadas \u00e0 doen\u00e7a e, a partir da\u00ed, antecipar diagn\u00f3sticos, fornecer bases para decis\u00f5es m\u00e9dicas mais precisas e aprimorar o aconselhamento familiar.<\/p>\n<p>Os primeiros resultados da investiga\u00e7\u00e3o, que integra um Projeto Tem\u00e1tico\u00a0, foram publicados na revista\u00a0. O trabalho\u00a0\u00a0na mesma edi\u00e7\u00e3o, com os editores destacando caracter\u00edsticas do estudo, entre as quais a op\u00e7\u00e3o por trabalhar exclusivamente com casos em que a s\u00edndrome evoluiu para doen\u00e7a renal cr\u00f4nica terminal e houve necessidade de transplante.<\/p>\n<p>Segunda causa mais frequente de doen\u00e7a renal cr\u00f4nica em crian\u00e7as, a s\u00edndrome nefr\u00f3tica costuma ser tratada com corticoides, mas 15% dos pacientes infantis n\u00e3o respondem a esse tipo de medicamento. Esses casos podem evoluir para doen\u00e7a renal cr\u00f4nica terminal, exigindo procedimentos de di\u00e1lise ou transplante.<\/p>\n<p>\u201cSe a porcentagem n\u00e3o parece alta, as consequ\u00eancias podem ser devastadoras. Em 40% das crian\u00e7as transplantadas, h\u00e1 chance de perda do enxerto renal por recidiva da doen\u00e7a. No retransplante, a recidiva \u00e9 praticamente certa, o que as torna dependentes de di\u00e1lise para sobreviver\u201d, disse Luciana Feltran, nefropediatra da Unifesp e primeira autora do artigo, \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Sabe-se que uma parcela dos casos c\u00f3rtico-resistentes tem origem gen\u00e9tica, o que torna primordial a identifica\u00e7\u00e3o de muta\u00e7\u00f5es para melhor atender e tratar cada caso.<\/p>\n<p>Feltran e grupos de pesquisa da Escola Paulista de Medicina (EPM), da Unifesp, liderados por\u00a0\u00a0e\u00a0\u00a0\u2013 este \u00faltimo, coordenador do Tem\u00e1tico apoiado pela FAPESP \u2013, sequenciaram 24 genes relacionados \u00e0 s\u00edndrome nefr\u00f3tica, utilizando sequenciamento de nova gera\u00e7\u00e3o. As amostras foram coletadas de 95 pacientes que passaram por transplante de rim antes dos 19 anos, exclu\u00eddos os casos cong\u00eanitos (em que os sintomas aparecem antes dos tr\u00eas meses de idade).<\/p>\n<p>Foram identificadas 149 variantes em 22 dos genes sequenciados: 5 patog\u00eanicas, 20 possivelmente patog\u00eanicas, 80 possivelmente benignas e 44 benignas. Os genes\u00a0PDSS2\u00a0e\u00a0LMX1B\u00a0n\u00e3o apresentaram variantes. O\u00a0NPHS2, por sua vez, foi o gene com maior coeficiente de muta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cVerificamos que a s\u00edndrome nefr\u00f3tica teve origem gen\u00e9tica [heredit\u00e1ria ou por muta\u00e7\u00e3o] para oito pacientes [8,4%] e origem provavelmente gen\u00e9tica para outros cinco [5,2%]. Os n\u00fameros est\u00e3o de acordo com os dados mundiais para locais onde a consanguinidade entre pais n\u00e3o \u00e9 grande, como Europa e Estados Unidos\u201d, explicou Feltran.<\/p>\n<p>O gene\u00a0APOL1\u00a0foi analisado \u00e0 parte dos demais, uma vez que n\u00e3o \u00e9 tradicionalmente vinculado ao aparecimento da s\u00edndrome nefr\u00f3tica, mas tem import\u00e2ncia significativa na progress\u00e3o da doen\u00e7a para o est\u00e1gio terminal. Considerando as muta\u00e7\u00f5es de\u00a0APOL1, mais oito casos (8,4%) seriam classificados como de origem provavelmente gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>De acordo com Feltran, quanto mais se entender o que cada muta\u00e7\u00e3o causa ao paciente (a correla\u00e7\u00e3o entre gen\u00f3tipo e fen\u00f3tipo), melhor. \u201cPor exemplo, se determinada variante provoca s\u00edndrome nefr\u00f3tica precoce que evolui lentamente para doen\u00e7a renal cr\u00f4nica \u2013 sendo que na literatura cient\u00edfica nenhum paciente com tal muta\u00e7\u00e3o respondeu ao tratamento com corticoides, n\u00e3o h\u00e1 registro de recidiva ap\u00f3s transplante e a transmiss\u00e3o \u00e9 recessiva \u2013, nesse caso podemos evitar o uso de medicamentos com in\u00fameros efeitos colaterais e planejar um transplante de prov\u00e1vel sucesso, inclusive considerando os pais como eventuais doadores renais.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisadora conta que, hoje em dia, sem esse apoio da gen\u00e9tica, todo o tratamento e o preparo do transplante \u00e9 feito \u201c\u00e0s cegas\u201d. Sabe-se apenas que, de um lado, h\u00e1 a possibilidade de n\u00e3o haver resposta \u00e0 terapia com medicamentos e, de outro, chances de recidiva ap\u00f3s o transplante, incertezas que afligem fam\u00edlias e equipes m\u00e9dicas.<\/p>\n<p>Grupo singular de pacientes<\/p>\n<p>Os 95 casos que integraram o estudo foram acompanhados por no m\u00ednimo seis meses no Hospital Samaritano de S\u00e3o Paulo ou no Hospital do Rim da Unifesp. Os arquivos m\u00e9dicos forneceram aos pesquisadores informa\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas e cl\u00ednicas, posteriormente checadas em entrevistas realizadas com as fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Entre os dados coletados est\u00e3o idade do surgimento da s\u00edndrome nefr\u00f3tica, momento em que a doen\u00e7a atingiu a fase cr\u00f4nica terminal, ocorr\u00eancia de anormalidades extra-renais associadas, hist\u00f3rico familiar, bi\u00f3psia renal (se realizada), data do transplante, tipo de doador (vivo ou falecido), recorr\u00eancia da doen\u00e7a e perda do enxerto.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi coletar amostras de sangue dos pacientes, para a realiza\u00e7\u00e3o de sequenciamento gen\u00e9tico, an\u00e1lises de bioinform\u00e1tica, valida\u00e7\u00e3o e an\u00e1lises estat\u00edsticas.<\/p>\n<p>\u201cO grupo reuniu casos em que a doen\u00e7a foi mais grave, com perda de fun\u00e7\u00e3o renal, e sobre os quais se tem o hist\u00f3rico da s\u00edndrome. Foi um grupo ideal para a correla\u00e7\u00e3o gen\u00f3tipo-fen\u00f3tipo\u201d, disse Feltran.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, tal correla\u00e7\u00e3o foi o que permitiu que se conhecesse e estudasse muitas das prote\u00ednas envolvidas na barreira de filtra\u00e7\u00e3o glomerular \u2013 estrutura agredida nos casos de s\u00edndrome nefr\u00f3tica, tenha ela origem gen\u00e9tica ou n\u00e3o \u2013, fator que, no futuro, deve auxiliar na busca por tratamentos mais eficazes para a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Outra singularidade do grupo estudado foi o fato de reunir um grande n\u00famero de crian\u00e7as transplantadas. \u201cIsso porque S\u00e3o Paulo recebe pacientes de v\u00e1rios estados do Brasil para a realiza\u00e7\u00e3o do procedimento. Com apenas dois hospitais de refer\u00eancia, conseguimos uma quantidade de casos superior \u00e0 de muitos trabalhos multic\u00eantricos internacionais\u201d, disse Feltran.<\/p>\n<p>Rede nacional<\/p>\n<p>Os resultados obtidos no estudo com crian\u00e7as submetidas a transplantes em breve integrar\u00e3o uma rede nacional voltada ao diagn\u00f3stico da s\u00edndrome nefr\u00f3tica na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 que o\u00a0\u00a0d\u00ea origem a um centro capaz de criar pontes como essa, entre pesquisa cl\u00ednica e b\u00e1sica, notadamente em biologia molecular e gen\u00e9tica\u201d, disse Pesquero.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento da Rede Brasileira de S\u00edndrome Nefr\u00f3tica na Inf\u00e2ncia (ReBraSNI) est\u00e1 previsto para o pr\u00f3ximo\u00a0, que ser\u00e1 realizado em Curitiba, em abril.<\/p>\n<p>\u201cQueremos atrair outros pesquisadores brasileiros da \u00e1rea de nefropediatria e compor uma\u00a0facility\u00a0n\u00e3o apenas em termos de estrutura e servi\u00e7os, mas principalmente para colabora\u00e7\u00e3o em pesquisa\u201d, disse Pesquero.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Targeted Next-Generation Sequencing in Brazilian Children With Nephrotic Syndrome Submitted to Renal Transplant\u00a0(doi: 10.1097\/TP.0000000000001846), de Luciana Feltran, Patricia Varela, Elton Dias Silva, Camila Lopes Veronez, Maria Carmo Franco, Alvaro Pacheco Filho, Maria Fernanda Camargo, Paulo Cesar Koch Nogueira e Jo\u00e3o Bosco Pesquero, pode ser lido por assinantes da revista\u00a0Transplantation\u00a0em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No\u00eamia Lopes\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Um estudo feito na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) re\u00fane esfor\u00e7os de pesquisa cl\u00ednica e b\u00e1sica em s\u00edndrome nefr\u00f3tica na inf\u00e2ncia com foco em pacientes submetidos a transplante renal. 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