{"id":135466,"date":"2018-02-21T00:06:22","date_gmt":"2018-02-21T03:06:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=135466"},"modified":"2018-02-20T21:58:55","modified_gmt":"2018-02-21T00:58:55","slug":"depressao-em-adolescentes-pode-estar-ligada-a-aumento-na-recompensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/depressao-em-adolescentes-pode-estar-ligada-a-aumento-na-recompensa\/135466","title":{"rendered":"Depress\u00e3o em adolescentes pode estar ligada a aumento na recompensa"},"content":{"rendered":"<p> Ricardo Zorzetto\u00a0 |\u00a0 Pesquisa FAPESP\u00a0\u2013 \u00c9 no in\u00edcio da adolesc\u00eancia, uma fase de grandes transforma\u00e7\u00f5es no corpo e na mente, que aumenta a frequ\u00eancia dos casos de <strong><em>depress\u00e3o<\/em><\/strong>, marcada por uma sensa\u00e7\u00e3o prolongada de tristeza, queda da autoestima e perda do prazer em realizar atividades antes agrad\u00e1veis.<\/p>\n<p>Estudos que acompanharam crian\u00e7as e adolescentes nos Estados Unidos no final dos anos 1990 constataram que a propor\u00e7\u00e3o de casos novos que surgem a cada ano passa de 1% aos 11 anos de idade para 2% aos 15 anos e 15% aos 18 \u2013 em m\u00e9dia, uma em cada seis pessoas ter\u00e1 um epis\u00f3dio de depress\u00e3o ao longo da vida.<\/p>\n<p>Agora, um\u00a0\u00a0brasileiros verificou que uma altera\u00e7\u00e3o no funcionamento da rede cerebral associada \u00e0 recompensa parece anteceder em alguns anos a instala\u00e7\u00e3o do problema em adolescentes. Se confirmada em outros estudos, essa caracter\u00edstica talvez possa servir como um sinalizador do risco de depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa conclus\u00e3o emerge de um estudo que acompanhou por ao menos tr\u00eas anos 529 crian\u00e7as e adolescentes brasileiros (255 de S\u00e3o Paulo e 274 de Porto Alegre). Exames de imagens que permitem ver o c\u00e9rebro em funcionamento mostraram que aqueles que apresentavam a rede cerebral da recompensa mais ativa e com seus pontos mais conectados entre si apresentavam um risco 54% maior de receber o diagn\u00f3stico de depress\u00e3o na avalia\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica feita tr\u00eas anos depois do teste inicial do que as crian\u00e7as e os adolescentes em que esse circuito operava em n\u00edveis mais baixos e considerados adequados.<\/p>\n<p>A rede da recompensa come\u00e7ou a ser mapeada no in\u00edcio dos anos 1950 em testes com roedores feitos pelo psic\u00f3logo norte-americano James Olds (1922-1976) e pelo neurofisiologista brit\u00e2nico Peter Milner (1919). Formada por diferentes regi\u00f5es do c\u00e9rebro sens\u00edveis \u00e0 a\u00e7\u00e3o da dopamina, um comunicador qu\u00edmico (neurotransmissor) que transporta informa\u00e7\u00f5es de uma c\u00e9lula cerebral a outra, essa rede processa as sensa\u00e7\u00f5es de prazer, como as geradas pelo consumo de alimentos saborosos, o contato com amigos, um elogio do chefe ou pela atividade sexual. Tamb\u00e9m modula a motiva\u00e7\u00e3o, uma for\u00e7a interna que leva as pessoas a perseguir seus desejos e satisfazer suas necessidades.<\/p>\n<p>No estudo com crian\u00e7as e adolescentes de S\u00e3o Paulo e Porto Alegre, o psiquiatra Pedro Pan, pesquisador da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), e o neurocientista e estat\u00edstico Jo\u00e3o Ricardo Sato, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), analisaram o grau de conectividade entre 11 pontos da rede de recompensa, enquanto os volunt\u00e1rios permaneciam deitados e em repouso no interior do aparelho de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica.<\/p>\n<p>Os volunt\u00e1rios haviam sido orientados a olhar para um ponto fixo e n\u00e3o se concentrarem em nenhum pensamento espec\u00edfico. Nessa situa\u00e7\u00e3o, o c\u00e9rebro se encontraria em seu estado mais fundamental \u2013 ainda assim, com v\u00e1rias redes cerebrais ativas \u2013 e permitiria identificar as caracter\u00edsticas intr\u00ednsecas ao seu funcionamento.<\/p>\n<p>Nos participantes com o circuito cerebral de recompensa mais conectado e ativo, uma \u00e1rea em especial chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores: o corpo estriado ventral esquerdo. Essa pequena estrutura localizada em uma regi\u00e3o profunda e evolutivamente primitiva do c\u00e9rebro encontrava-se mais ativa nas crian\u00e7as que mais tarde desenvolveram depress\u00e3o do que naquelas que n\u00e3o tiveram o problema.<\/p>\n<p>Leia a not\u00edcia completa na edi\u00e7\u00e3o de fevereiro da revista\u00a0Pesquisa FAPESP:\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Zorzetto\u00a0 |\u00a0 Pesquisa FAPESP\u00a0\u2013 \u00c9 no in\u00edcio da adolesc\u00eancia, uma fase de grandes transforma\u00e7\u00f5es no corpo e na mente, que aumenta a frequ\u00eancia dos casos de depress\u00e3o, marcada por uma sensa\u00e7\u00e3o prolongada de tristeza, queda da autoestima e perda do prazer em realizar atividades antes agrad\u00e1veis. 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