{"id":141548,"date":"2018-05-15T10:50:55","date_gmt":"2018-05-15T13:50:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=141548"},"modified":"2018-05-15T10:50:55","modified_gmt":"2018-05-15T13:50:55","slug":"economia-brasileira-ainda-nao-sentiu-efeitos-da-copa-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/economia-brasileira-ainda-nao-sentiu-efeitos-da-copa-2018\/141548","title":{"rendered":"Economia brasileira ainda n\u00e3o sentiu efeitos da Copa 2018"},"content":{"rendered":"<p>Poucos efeitos t\u00eam sido notados na economia por conta do Mundial, a ser realizado a partir de 14 de junho, na R\u00fassia. Nem mesmo o setor de eletroeletr\u00f4nicos, que historicamente \u00e9 o mais beneficiado no per\u00edodo, tem demonstrado otimismo com as vendas. Especialistas entrevistados pela Ag\u00eancia Brasil apontam que, em fun\u00e7\u00e3o da crise, h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que o setor informal venha a ser o mais beneficiado pela <strong><em>Copa<\/em><\/strong> deste ano.<\/p>\n<p>De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletr\u00f4nicos (Eletros), a expectativa \u00e9 que a Copa resulte na venda de 12,5 milh\u00f5es de aparelhos de tv em 2018. Apesar de o volume ser 10% superior ao de 2017, a tend\u00eancia \u00e9 de que, no primeiro semestre de 2018, ele fique abaixo do anotado no mesmo per\u00edodo em 2014, quando da \u00faltima Copa, realizada no Brasil, e vencida pela Alemanha.<\/p>\n<p>\u201cNa compara\u00e7\u00e3o com o primeiro semestre de 2014, quando foram vendidas 7,935 milh\u00f5es de TVs, o volume estimado para 2018 \u00e9 14% menor\u201d, disse o presidente da Eletros, Lourival Ki\u00e7ula, ao afirmar que a ind\u00fastria se preparou \u201ccom bastante anteced\u00eancia\u201d para esta Copa, no sentido de suprir as demandas vindas dos varejistas e de garantir a reposi\u00e7\u00e3o de estoques.<\/p>\n<p>Segundo ele, a Copa do Mundo representa uma \u201cinvers\u00e3o de sazonalidade\u201d, uma vez que traz, para o primeiro semestre do ano, as vendas de aparelhos eletr\u00f4nicos que normalmente ocorrem com maior intensidade no segundo semestre.<\/p>\n<p>\u201cO mercado de televisores muda de patamar a cada quatro anos. Os televisores ganham mais evid\u00eancia, uma vez que todos os brasileiros, apaixonados por futebol, querem acompanhar os lances de perto com a m\u00e1xima qualidade de imagem\u201d, disse.<\/p>\n<p>A venda de televisores pode acarretar em um efeito domin\u00f3 positivo para outros setores. \u00c9 o caso da TV por assinatura. \u201cA exemplo das Olimp\u00edadas, a Copa ajuda a aumentar a demanda no nosso setor. As pessoas se preparam para a Copa. Elas trocam de televisor, e isso tamb\u00e9m \u00e9 algo que as motiva a adquirir canais por assinatura. Uma coisa puxa a outra\u201d, disse o diretor de Produtos de TV por Assinatura da NET, Alessandro Maluf.<\/p>\n<p>Citando levantamentos feitos pela Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Televis\u00e3o por Assinatura (ABTA) diz que o setor como um todo registra queda de assinaturas h\u00e1 dois anos, mas que a tend\u00eancia \u00e9 de estagna\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que entre mar\u00e7o e abril a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de assinaturas ficou menor, em apenas 900 assinaturas.<\/p>\n<p>\u201cNosso setor sofre fortemente os impactos da economia, e sentimos uma certa retra\u00e7\u00e3o no mercado ao longo dos \u00faltimos anos. A Copa, no entanto, representa um est\u00edmulo para a TV por assinatura. Temos identificado um aumento de demanda e de pessoas interessadas nos canais esportivos\u201d, disse o diretor da NET.<\/p>\n<p>\u201cEm geral nosso carro-chefe s\u00e3o os canais de filmes, os infantis, seguidos dos canais de esportes e de s\u00e9ries. No entanto, em ano de Copa, isso muda, e o carro-chefe fica com os canais de esportes\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Com base na apura\u00e7\u00e3o feita com suas associadas, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ag\u00eancias de Viagens (ABAV) indica que at\u00e9 o momento as vendas est\u00e3o dentro da normalidade para o per\u00edodo, e que, em geral, elas se intensificam a partir deste m\u00eas. Os destinos nacionais despontam com 65% da procura, ante 35% do internacional.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo no per\u00edodo \u00e9 apontada como poss\u00edvel fator a pesar na menor procura por viagens mais distantes ou de longa dura\u00e7\u00e3o em julho. Entre os destinos nacionais, os mais procurados para  julho t\u00eam sido Macei\u00f3 (AL) e Porto de Galinhas (PE).<\/p>\n<p>O aumento do d\u00f3lar nas \u00faltimas semanas tamb\u00e9m t\u00eam resultado na queda da procura por destinos internacionais. Neste caso, os destinos mais procurados s\u00e3o Santiago, no Chile, e Canc\u00fan, no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Informalidade poder\u00e1 ter benef\u00edcios<br \/>\nSegundo o professor da Faculdade de Economia da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) Marilson Dantas, a crise econ\u00f4mica prejudicar\u00e1 ainda mais \u201co efeito m\u00ednimo\u201d que a Copa ter\u00e1 para a economia do pa\u00eds. Segundo ele, a tend\u00eancia ser\u00e1 a de favorecer o consumo de produtos mais baratos, oriundos da economia informal.<\/p>\n<p>\u201cO efeito da Copa para o Brasil ser\u00e1 m\u00ednimo. Incentivar\u00e1 o consumo de alguns produtos espec\u00edficos e de forma pontual. \u00c9 o caso, principalmente, dos televisores. Mas em termos gerais o efeito \u00e9 m\u00ednimo, ainda mais em um per\u00edodo de crise como o atual, que naturalmente j\u00e1 levaria as pessoas a consumirem produtos mais baratos como os ofertados pelo com\u00e9rcio informal\u201d, disse.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio informal, acrescenta, n\u00e3o deixa de ser relevante e positivo do ponto de vista econ\u00f4mico, at\u00e9 por ter, em sua cadeia, diversas etapas de formalidade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>\u201cToda oportunidade de consumo gera riqueza. A economia \u00e9 \u00fanica, independentemente de ser ou n\u00e3o formal e ligada a uma pessoa jur\u00eddica. A economia informal est\u00e1 dentro da economia. Apenas n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ada pela \u00e1rea tribut\u00e1ria. Ela apresentar\u00e1 resultados, ainda que n\u00e3o preponderantes para o processo de desemprego\u201d, opinou o professor da UnB.<\/p>\n<p>Segundo ele, o consumo relacionado \u00e0 tem\u00e1tica da Copa em grande parte ser\u00e1 direcionado a pequenas empresas ou empresas informais que n\u00e3o pagam royalties para a Fifa (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Futebol). Elas s\u00e3o as mais beneficiadas por conta do Mundial da R\u00fassia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 l\u00e1 [na economia informal] que estar\u00e1 a maior parte do volume a ser comercializado: bandeiras, camisas n\u00e3o oficiais e, principalmente, apetrechos de pequeno valor\u201d, disse ele.<\/p>\n<p>Vendas no varejo ainda n\u00e3o decolaram<br \/>\nCiente dessa tend\u00eancia, o comerciante Elho Carmo de Souza j\u00e1 disponibilizou algumas camisas \u201cn\u00e3o oficiais\u201d e bandeiras para cap\u00f4s de carros logo \u00e0 frente de sua loja, em uma das entradas da Feira dos Importados, em Bras\u00edlia. As vendas n\u00e3o v\u00e3o bem.<\/p>\n<p>Apenas uma camisa de R$ 30 foi vendida desde que ele montou um varal com seus produtos. \u201cPor enquanto, minha proposta \u00e9 apenas garantir esse ponto de venda. Eu sei que as vendas s\u00f3 v\u00e3o come\u00e7ar mesmo a partir de junho, quando come\u00e7a a Copa\u201d, disse o comerciante que, a cerca de 30 metros da pr\u00f3pria loja, \u00e9 tamb\u00e9m camel\u00f4.<\/p>\n<p>Vendedora em uma loja de roupa esportiva, Lorena Saram diz que as vendas est\u00e3o bastante travadas. \u201cNotamos uma prefer\u00eancia das pessoas pelas camisas tem\u00e1ticas dos t\u00edtulos j\u00e1 conquistados pela Sele\u00e7\u00e3o Brasileira. Mesmo assim, temos vendido pouco. Em m\u00e9dia, apenas uma camisa por dia\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ela acredita que a situa\u00e7\u00e3o ir\u00e1 melhorar um pouco a partir dos pr\u00f3ximos dias. \u201cO brasileiro gosta de fazer tudo em cima da hora. Acho que n\u00e3o ser\u00e1 diferente em se tratando da Copa do Mundo.\u201d<\/p>\n<p>Efeito para os pa\u00edses que sediam o Mundial<br \/>\nNa Copa de 2014, sediada no Brasil, o peso do evento na economia foi bem maior. \u201cPara os pa\u00edses que sediam a Copa, o efeito \u00e9 muito maior e envolve todo um processo de investimento pesado, que antecipa demandas de infraestrutura p\u00fablica, visando os chamados legados. Nesse caso, o setor mais beneficiado \u00e9 o dos transportes, que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o direta com jogos e com os est\u00e1dios\u201d, explica o professor Dantas, da UnB.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, os investimentos foram essencialmente p\u00fablicos, o que, segundo o professor, acabou por prejudicar as contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente n\u00e3o tivemos compet\u00eancia efetiva para atingir todas as metas relacionadas ao legado, j\u00e1 que parte das obras n\u00e3o foi conclu\u00edda. D\u00edvidas foram contra\u00eddas, mas resultados n\u00e3o foram consolidados. Isso costuma acontecer com a grande maioria dos pa\u00edses que sedia a Copa. N\u00e3o \u00e9 uma exclusividade do Brasil\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cO esfor\u00e7o foi muito grande e o resultado muito pequeno e envolto a suspeitas de desvios que resultaram em investiga\u00e7\u00f5es. Veja o caso de Bras\u00edlia onde foi constru\u00eddo um est\u00e1dio de quase R$ 2 bilh\u00f5es. Criamos uma d\u00edvida pesada que n\u00e3o faz sentido. Gastou-se para gastar mais, porque, al\u00e9m do pagamento da d\u00edvida, pagam-se juros e, agora, gasta-se ainda mais por conta da necessidade de manuten\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio\u201d, finalizou.<\/p>\n<p>Pedro Peduzzi &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Kleber Sampaio<br \/>\n15\/05\/2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucos efeitos t\u00eam sido notados na economia por conta do Mundial, a ser realizado a partir de 14 de junho, na R\u00fassia. Nem mesmo o setor de eletroeletr\u00f4nicos, que historicamente \u00e9 o mais beneficiado no per\u00edodo, tem demonstrado otimismo com as vendas. 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