{"id":143235,"date":"2018-06-04T21:24:05","date_gmt":"2018-06-05T00:24:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=143235"},"modified":"2018-06-04T21:24:05","modified_gmt":"2018-06-05T00:24:05","slug":"pesquisa-desenvolve-biomaterial-para-implantes-oculares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/pesquisa-desenvolve-biomaterial-para-implantes-oculares\/143235","title":{"rendered":"Pesquisa desenvolve biomaterial para implantes oculares"},"content":{"rendered":"<p> Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Um material vitrocer\u00e2mico capaz de devolver o <strong><em>volume perdido do globo ocular<\/em><\/strong> de pessoas portadoras de doen\u00e7as como tumor, trauma ou glaucoma. Trata-se de uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no Laborat\u00f3rio de Materiais V\u00edtreos (LaMaV) da UFSCar.<\/p>\n<p>Segundo a UFSCar, a tecnologia foi patenteada e possibilitar\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o de cirurgias preservando maior quantidade de tecido ocular necess\u00e1rio para o ser humano.<\/p>\n<p>O material foi desenvolvido pelos pesquisadores\u00a0\u00a0e\u00a0, do Departamento de Engenharia de Materiais da UFSCar, e\u00a0\u00a0e Simone Milani Brand\u00e3o, da Unesp. Zanotto \u00e9 o coordenador do Centro de Pesquisa, Educa\u00e7\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o em Materiais V\u00edtreos (), um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o () da FAPESP.<\/p>\n<p>Quando, por algum motivo de sa\u00fade, o conte\u00fado ocular \u00e9 retirado de uma pessoa, sua vis\u00e3o \u00e9 completamente perdida. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel realizar interven\u00e7\u00f5es para que o paciente volte a enxergar, mas \u00e9 necess\u00e1rio substituir o volume do globo ocular afetado por um implante, preservando o conv\u00edvio social do paciente sem o constrangimento de outras pessoas perceberem a cirurgia ou o uso da pr\u00f3tese.<\/p>\n<p>No caso da nova tecnologia, uma das principais caracter\u00edsticas \u00e9 ser um material integr\u00e1vel, ou seja, capaz de criar ades\u00e3o ao tecido macio do paciente e, com isso, oferecer menos risco de perda e deslocamento do implante intraocular. A ades\u00e3o de uma cer\u00e2mica cristalina sint\u00e9tica aos tecidos moles (cartilaginosos) ainda n\u00e3o era poss\u00edvel at\u00e9 o surgimento desse material, denominado biosilicato.<\/p>\n<p>A patente come\u00e7ou a ser pensada h\u00e1 cerca de oito anos, quando o grupo de pesquisa do Laborat\u00f3rio de Materiais V\u00edtreos da UFSCar foi procurado por Brand\u00e3o. Na ocasi\u00e3o, os pesquisadores desenvolveram geometria c\u00f4nica para pr\u00f3tese ocular com dimens\u00e3o proporcional ao globo ocular de um coelho, diferente do que existe atualmente, aplicando testes em 60 animais.<\/p>\n<p>Os coelhos foram acompanhados por cerca de 180 dias para a verifica\u00e7\u00e3o de ades\u00e3o, estudo morfol\u00f3gico e celular da face com o implante e estudo sist\u00eamico com a coleta de sangue durante os ensaios, al\u00e9m dos riscos de infec\u00e7\u00e3o, inflama\u00e7\u00e3o e an\u00e1lises patol\u00f3gicas. A pesquisa comprovou que o biomaterial adere aos tecidos macios, sem a ocorr\u00eancia de extrus\u00f5es ou problemas sist\u00eamicos.<\/p>\n<p>A partir dos resultados, foi desenvolvida uma pr\u00f3tese ocular para reposi\u00e7\u00e3o do volume do globo ocular em face da retirada de tumores. A proposta de associar em uma pr\u00f3tese melhor adapta\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, geometria compat\u00edvel com o globo ocular humano (c\u00f4nica em vez de esf\u00e9rica) e ades\u00e3o singular aos tecidos oculares \u2013 em uma tecnologia nacional \u2013 resultou em um design inovador, sugerindo nova abordagem na \u00e1rea da oftalmologia.<\/p>\n<p>Entre o tempo de confec\u00e7\u00e3o da pr\u00f3tese e a realiza\u00e7\u00e3o do procedimento cir\u00fargico \u2013 com coleta de pacientes, submiss\u00e3o em conselho de \u00e9tica e aplica\u00e7\u00e3o dos testes \u2013 foram cerca de dois anos de pesquisa, al\u00e9m dos seis meses iniciais para a defini\u00e7\u00e3o dos moldes, e mais um ano para a confec\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o da primeira pr\u00f3tese com dimens\u00f5es adequadas ao olho humano.<\/p>\n<p>Os testes foram feitos nos hospitais universit\u00e1rios da Unesp, em Botucatu, e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), na capital paulista, em 40 pacientes cegos, com o implante de pr\u00f3tese s\u00f3lida e c\u00f4nica, de geometria e peso proporcionais, e canais que servem de melhor ancoragem e ades\u00e3o de tecidos, comprovando sua efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>Segundo Peitl, pesquisador respons\u00e1vel pela tecnologia, atualmente a pr\u00f3tese mais utilizada para a substitui\u00e7\u00e3o de olhos humanos \u00e9 esf\u00e9rica, confeccionada com material pl\u00e1stico poroso (importado), cuja ades\u00e3o permite que parte do tecido cres\u00e7a dentro dos \u201cporos\u201d, fixando-a no corpo. As pr\u00f3teses oculares inertes e pl\u00e1sticas que n\u00e3o t\u00eam resposta bioativa se mant\u00eam na posi\u00e7\u00e3o, criando uma c\u00e1psula fibrosa.<\/p>\n<p>Peitl explica que o organismo tem duas maneiras de responder a esse procedimento: \u201cNecrosando o tecido daquela regi\u00e3o, quando entende que o material \u00e9 uma amea\u00e7a ao corpo humano, ou simplesmente encapsulando-o, quando entende que o material n\u00e3o faz mal e pode ser absorvido\u201d.<\/p>\n<p>Para a nova tecnologia, os pesquisadores desenvolveram canais ao longo da pr\u00f3tese c\u00f4nica, com o objetivo de diminuir o peso, para obter melhor resposta biol\u00f3gica e aumentar a \u00e1rea de contato do implante com o hospedeiro e, assim, a adesividade entre eles.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tinham grande expectativa com rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento da pr\u00f3tese, mas os resultados superaram a viabilidade porque a aplica\u00e7\u00e3o n\u00e3o apresentou nenhum problema t\u00e9cnico. Al\u00e9m disso, Peitl ressalta que o design da pr\u00f3tese, com canais e geometria que contribuem para que o organismo n\u00e3o a recuse, foi o principal diferencial da tecnologia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o t\u00ednhamos ideia do que \u00edamos desenvolver quando come\u00e7amos a falar em olhos humanos, mas havia a necessidade de um design diferenciado e essa foi a nossa proposta. Buscar solu\u00e7\u00f5es com equipe multidisciplinar tornou o nosso resultado fant\u00e1stico, pois um profissional isolado n\u00e3o resolve problemas sozinho\u201d, disse em comunicado da UFSCar.<\/p>\n<p>O grupo aguarda o interesse de empresas que possam produzir a tecnologia em escala industrial, principalmente para pacientes do SUS, sendo tamb\u00e9m uma op\u00e7\u00e3o para o sistema de sa\u00fade privada com diferencial inovador e sem concorrentes no mercado.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Um material vitrocer\u00e2mico capaz de devolver o volume perdido do globo ocular de pessoas portadoras de doen\u00e7as como tumor, trauma ou glaucoma. Trata-se de uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no Laborat\u00f3rio de Materiais V\u00edtreos (LaMaV) da UFSCar. 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