{"id":145454,"date":"2018-07-05T00:06:11","date_gmt":"2018-07-05T03:06:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=145454"},"modified":"2018-07-05T00:06:11","modified_gmt":"2018-07-05T03:06:11","slug":"substancia-produzida-por-larvas-de-mosca-pode-curar-feridas-cronicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/substancia-produzida-por-larvas-de-mosca-pode-curar-feridas-cronicas\/145454","title":{"rendered":"Subst\u00e2ncia produzida por larvas de mosca pode curar feridas cr\u00f4nicas"},"content":{"rendered":"<p> Jos\u00e9 Tadeu Arantes\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma ferida comum cicatriza em tempo relativamente curto. O processo de cicatriza\u00e7\u00e3o envolve, grosso modo, tr\u00eas etapas: inflama\u00e7\u00e3o, prolifera\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o. <strong><em>Feridas cr\u00f4nicas<\/em><\/strong> s\u00e3o aquelas que permanecem no estado inflamat\u00f3rio e, passados mais de seis meses, ainda n\u00e3o cicatrizaram. \u00c9 o caso das \u00falceras provocadas por leishmaniose. Ou de feridas de p\u00e9 diab\u00e9tico que, muitas vezes, resultam em amputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma forma antiga de tratamento, que havia sido descartada com o advento dos antibi\u00f3ticos, est\u00e1 sendo reabilitada agora em alguns hospitais dos Estados Unidos, Europa e Am\u00e9rica Latina. No Brasil, \u00e9 aplicada no Hospital Universit\u00e1rio Onofre Lopes, em Natal, Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p>Trata-se da larvoterapia: a utiliza\u00e7\u00e3o de larvas de mosca para remover o tecido necrosado, romper o biofilme bacteriano e eliminar as bact\u00e9rias, e promover o crescimento de tecido sadio. A despeito de seu car\u00e1ter aparentemente repulsivo, o tratamento tem-se mostrado bastante eficiente na cura dessas feridas recalcitrantes.<\/p>\n<p>O tema \u00e9 objeto de estudo de Andrea Diaz Roa, doutoranda no Laborat\u00f3rio Especial de Toxinologia Aplicada do Centro de Toxinas, Resposta-Imune e Sinaliza\u00e7\u00e3o Celular (), um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o () financiado pela FAPESP. Nascida na Col\u00f4mbia e p\u00f3s-graduanda em Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas na Universidad del Ros\u00e1rio, de Bogot\u00e1, Roa \u00e9 orientada no CeTICS por Pedro Ismael da Silva Jr., pesquisador cient\u00edfico do Instituto Butantan.<\/p>\n<p>\u201cEla fez um trabalho pioneiro, realmente inovador, sobre o pept\u00eddeo antibacteriano sarconesina, produzido pela larva da mosca\u00a0Sarconesiopsis magellanica\u201d, disse Silva Jr. \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP. O trabalho foi apresentado na 47\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Sociedade Brasileira de Bioqu\u00edmica e Biologia Molecular, realizado em maio em Joinville (SC).<\/p>\n<p>Diaz Roa foi a primeira a identificar, sequenciar e descrever a estrutura do pept\u00eddeo, atribuindo o nome sarconesina, em refer\u00eancia \u00e0 mosca\u00a0Sarconesiopsis. A ideia \u00e9 utilizar a subst\u00e2ncia como princ\u00edpio ativo de um medicamento. Por ser uma mol\u00e9cula relativamente pequena, a sarconesina pode ser sintetizada em laborat\u00f3rio, de forma totalmente artificial. Ou ser produzida por engenharia gen\u00e9tica, introduzindo-se as bases de DNA que a codificam em uma bact\u00e9ria hospedeira.<\/p>\n<p>\u201cConhecemos sua sequ\u00eancia de amino\u00e1cidos, avaliamos sua atividade antimicrobiana em rela\u00e7\u00e3o a v\u00e1rios tipos de bact\u00e9rias e estamos cogitando apresentar um pedido de patente\u201d, disse Silva Jr.<\/p>\n<p>Normalmente, os pept\u00eddeos antimicrobianos atuam rompendo as membranas dos microrganismos advers\u00e1rios. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 puramente eletrost\u00e1tica. As membranas s\u00e3o eletricamente negativas e os pept\u00eddeos s\u00e3o eletricamente positivos. Ao serem atra\u00eddos, os pept\u00eddeos grudam nas membranas e arrancam-lhe peda\u00e7os. Os conte\u00fados dos microrganismos escoam pelos buracos e as bact\u00e9rias acabam morrendo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 isso que ocorre com a sarconesina. J\u00e1 sabemos que ela \u00e9 eletricamente neutra. Nossa hip\u00f3tese \u00e9 que ela seja, de alguma maneira, internalizada pelos microrganismos e atue neles a partir do interior, desestruturando o DNA ou o RNA. Ainda estamos investigando esse mecanismo\u201d, explicou Silva Jr.<\/p>\n<p>Diaz Roa conta que est\u00e1 abordando o assunto de duas maneiras. Por um lado, transformando a sarconesina em rem\u00e9dio, sem terapia larval. Por outro, implementando a pr\u00e1tica da larvoterapia no Brasil.<\/p>\n<p>Recentemente, ela visitou, nos Estados Unidos, o laborat\u00f3rio de\u00a0, considerado o \u201cpai\u201d da larvoterapia moderna. O projeto de Diaz Roa agora \u00e9 fixar-se no Brasil e passar a aplicar esse procedimento m\u00e9dico no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cAs moscas s\u00e3o criadas em laborat\u00f3rio e colocam seus ovos sobre material org\u00e2nico. As larvas est\u00e9reis s\u00e3o colocadas no interior das feridas, onde permanecem por 24 a 48 horas. Utilizam-se em m\u00e9dia 20 larvas por cent\u00edmetro quadrado. A ferida \u00e9 coberta durante o procedimento e lavada depois da retirada das larvas. Dependendo do caso, uma \u00fanica aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 suficiente. Elas se alimentam apenas da parte necrosada da ferida\u201d, disse Diaz Roa.<\/p>\n<p>Abstraindo-se a repugn\u00e2ncia que a larvoterapia possa provocar, o procedimento em si n\u00e3o \u00e9 mais inc\u00f4modo do que a pr\u00f3pria ferida. Essas geralmente co\u00e7am, doem ou exsudam.<\/p>\n<p>No caso da \u00falcera de p\u00e9 diab\u00e9tico, a dessensibiliza\u00e7\u00e3o provocada pela pr\u00f3pria doen\u00e7a impede que o paciente sinta qualquer desconforto. E a terapia larval sozinha pode promover a revers\u00e3o total do quadro.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 leishmaniose cut\u00e2nea, sua a\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas coadjuvante, pois a recalcitr\u00e2ncia da ferida resulta da presen\u00e7a ativa do protozo\u00e1rio do g\u00eanero\u00a0Leishmania, que inflama o local. O tratamento principal neste caso consiste em matar o parasita por meio de medicamentos bastante t\u00f3xicos, controlados pelas ag\u00eancias de sa\u00fade. E o papel da larvoterapia ser\u00e1 promover a cicatriza\u00e7\u00e3o da ferida \u2013 o que, muitas vezes, leva bastante tempo para ocorrer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tadeu Arantes\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma ferida comum cicatriza em tempo relativamente curto. O processo de cicatriza\u00e7\u00e3o envolve, grosso modo, tr\u00eas etapas: inflama\u00e7\u00e3o, prolifera\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o. Feridas cr\u00f4nicas s\u00e3o aquelas que permanecem no estado inflamat\u00f3rio e, passados mais de seis meses, ainda n\u00e3o cicatrizaram. \u00c9 o caso das \u00falceras provocadas por leishmaniose. 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