{"id":147853,"date":"2018-08-02T00:28:04","date_gmt":"2018-08-02T03:28:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=147587"},"modified":"2018-08-02T00:28:04","modified_gmt":"2018-08-02T03:28:04","slug":"dieta-pobre-em-proteina-na-gestacao-aumenta-risco-de-cancer-de-prostata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/dieta-pobre-em-proteina-na-gestacao-aumenta-risco-de-cancer-de-prostata\/147853","title":{"rendered":"Dieta pobre em prote\u00edna na gesta\u00e7\u00e3o aumenta risco de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Filhos de m\u00e3es alimentadas com uma dieta pobre em prote\u00ednas durante o per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o e lacta\u00e7\u00e3o correm risco consideravelmente maior de desenvolver <strong><em>c\u00e2ncer de pr\u00f3stata<\/em><\/strong> ao envelhecer.<\/p>\n<p>Foi o que constatou um estudo feito com ratos no Instituto de Bioci\u00eancias (IBB) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu. Os resultados da pesquisa,\u00a0, foram divulgados no\u00a0.<\/p>\n<p>\u201cObservamos em estudo anterior que a exposi\u00e7\u00e3o intrauterina \u00e0 dieta hipoproteica prejudica o desenvolvimento da pr\u00f3stata. Agora, comprovamos que esse efeito registrado no p\u00f3s-natal aumenta a incid\u00eancia de doen\u00e7as prost\u00e1ticas quando esses indiv\u00edduos envelhecem\u201d, disse\u00a0, professor do IBB-Unesp e coordenador do estudo.<\/p>\n<p>O modelo usado no laborat\u00f3rio de Justulin consiste em alimentar f\u00eameas prenhes com uma ra\u00e7\u00e3o contendo apenas 6% de prote\u00edna. O alimento normalmente oferecido a ratos de laborat\u00f3rio tem entre 17% e 23% desse nutriente. \u201cDados da literatura indicam que o porcentual m\u00ednimo necess\u00e1rio para a rata levar a gesta\u00e7\u00e3o sem problemas \u00e9 12%\u201d, disse Justulin.<\/p>\n<p>As f\u00eameas prenhes inclu\u00eddas na pesquisa foram divididas em tr\u00eas grupos. O controle recebeu a ra\u00e7\u00e3o padr\u00e3o, com pelo menos 17% de prote\u00edna, durante toda a gesta\u00e7\u00e3o e 21 dias ap\u00f3s o nascimento \u2013 per\u00edodo de lacta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir do desmame, os filhotes tamb\u00e9m foram alimentados com a dieta padr\u00e3o. Na avalia\u00e7\u00e3o feita quando a prole completou 540 dias de vida, quando j\u00e1 s\u00e3o considerados ratos velhos, os pesquisadores n\u00e3o observaram nenhum caso de tumor prost\u00e1tico.<\/p>\n<p>O segundo grupo de f\u00eameas recebeu a ra\u00e7\u00e3o com 6% de prote\u00edna durante a gesta\u00e7\u00e3o apenas. Ap\u00f3s o nascimento, passou a se alimentar com a dieta padr\u00e3o, assim como os filhotes depois do desmame.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos 540 dias, 33% dos descendentes machos haviam desenvolvido c\u00e2ncer de pr\u00f3stata. No grupo tr\u00eas, exposto \u00e0 dieta hipoproteica durante todo o per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m de lacta\u00e7\u00e3o, o \u00edndice de descendentes afetados por tumores na pr\u00f3stata foi de 50%.<\/p>\n<p>\u201cFizemos a an\u00e1lise histopatol\u00f3gica nas gl\u00e2ndulas desses animais e, em todos os grupos, encontramos altera\u00e7\u00f5es pr\u00e9-neopl\u00e1sicas que podem interferir na fun\u00e7\u00e3o glandular, como hiperplasia, atrofia epitelial e neoplasia interepitelial \u2013 esta \u00faltima com potencial para se tornar um carcinoma, segundo dados da literatura cient\u00edfica. Mas somente nos animais expostos \u00e0 dieta hipoproteica na vida intrauterina observamos o desenvolvimento do c\u00e2ncer propriamente dito\u201d, disse Justulin \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Desequil\u00edbrio hormonal<\/p>\n<p>Em trabalho anterior, publicado em 2017 na revista\u00a0, o grupo do IBB-Unesp detalhou alguns dos preju\u00edzos que a dieta hipoproteica materna induz na prole.<\/p>\n<p>An\u00e1lises feitas no d\u00e9cimo e no vig\u00e9simo primeiro dia ap\u00f3s o nascimento mostraram que, nos filhotes de m\u00e3es submetidas \u00e0 restri\u00e7\u00e3o proteica, a pr\u00f3stata cresce menos e apresenta c\u00e9lulas epiteliais menos diferenciadas \u2013 caracter\u00edsticas que mostram atraso no desenvolvimento. A gl\u00e2ndula tamb\u00e9m apresenta preju\u00edzos funcionais, pois produz uma quantidade menor de secre\u00e7\u00e3o e conta com menos espa\u00e7o para armazen\u00e1-la.<\/p>\n<p>Vale lembrar que a fun\u00e7\u00e3o da pr\u00f3stata \u00e9 produzir o fluido que protege e nutre os espermatozoides no s\u00eamen, tornando-o mais l\u00edquido.<\/p>\n<p>\u201cEsses animais, de maneira geral, apresentam baixo peso no nascimento, \u00f3rg\u00e3os menos desenvolvidos e altera\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis hormonais. Mas, por volta do vig\u00e9simo primeiro dia ap\u00f3s o nascimento, come\u00e7amos a observar um crescimento acelerado para tentar compensar o d\u00e9ficit\u201d, disse Justulin.<\/p>\n<p>No trabalho mais recente, os pesquisadores coletaram sangue dos filhotes machos no dia p\u00f3s-natal 21 e 540. Observaram que, em compara\u00e7\u00e3o ao grupo controle, havia um desequil\u00edbrio na rela\u00e7\u00e3o entre os n\u00edveis de horm\u00f4nio feminino e masculino.<\/p>\n<p>Enquanto o macho controle apresentava 15 picogramas (pg) de estr\u00f3geno no dia 21, o macho submetido \u00e0 restri\u00e7\u00e3o proteica durante a gesta\u00e7\u00e3o e lacta\u00e7\u00e3o apresentava 20 pg. J\u00e1 no dia 540, a diferen\u00e7a foi ainda maior: 14 pg no controle contra 35 pg no restrito.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, no dia 540, a alta no horm\u00f4nio feminino estava associada a uma baixa na testosterona, o principal horm\u00f4nio masculino. Enquanto o grupo controle tinha 5 nanogramas (ng), o grupo restrito tinha somente 0,8 (ng).<\/p>\n<p>De acordo com Justulin, no dia 21 n\u00e3o foi observada baixa na testosterona no grupo restrito, pois era justamente a fase em que os animais passavam pelo pico de crescimento acelerado.<\/p>\n<p>\u201cNossos trabalhos anteriores mostraram que os filhotes submetidos \u00e0 restri\u00e7\u00e3o proteica intrauterina nascem pequenos, mas quando se tornam adultos jovens j\u00e1 n\u00e3o apresentam diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o aos indiv\u00edduos do grupo controle \u2013 tanto em tamanho quanto em volume da pr\u00f3stata e nos n\u00edveis hormonais. Agora estamos percebendo que, quando os animais envelhecem, as diferen\u00e7as voltam a aparecer. \u00c9 como se o envelhecimento funcionasse como um segundo insulto ao organismo, considerando que o primeiro foi a dieta hipoproteica na fase inicial de desenvolvimento\u201d, disse.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese que os pesquisadores agora tentam comprovar \u00e9 que a exposi\u00e7\u00e3o desse animal de idade avan\u00e7ada aos n\u00edveis hormonais alterados favorece a carcinog\u00eanese, ou seja, o desenvolvimento tumoral.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s observamos isso na pr\u00f3stata, mas h\u00e1 outros estudos mostrando correla\u00e7\u00e3o entre o baixo peso no nascimento induzido por restri\u00e7\u00e3o nutricional intrauterina e altera\u00e7\u00f5es nos n\u00edveis de insulina, maior incid\u00eancia de s\u00edndrome metab\u00f3lica e doen\u00e7as card\u00edacas\u201d, disse Justulin \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Atualmente, o grupo do IBB-Unesp investiga as vias de s\u00edntese dos horm\u00f4nios sexuais com o objetivo de entender de que modo a dieta hipoproteica altera o equil\u00edbrio entre estr\u00f3geno e testosterona. Outro objetivo \u00e9 demonstrar o mecanismo pelo qual esse desequil\u00edbrio hormonal favorece o desenvolvimento do c\u00e2ncer de pr\u00f3stata.<\/p>\n<p>Resultados preliminares da\u00a0\u00a0indicam que, no dia 21 p\u00f3s-natal, os animais restritos apresentam um conjunto de RNAs mensageiros e microRNAs desregulados.<\/p>\n<p>\u201cEncontramos v\u00e1rios RNAs mensageiros e microRNAs que est\u00e3o desregulados tanto nos animais de 21 dias, como nos de 540 dias que desenvolvem c\u00e2ncer. Interessante \u00e9 que algumas destas mol\u00e9culas tamb\u00e9m est\u00e3o alteradas em pacientes humanos com tumores de pr\u00f3stata, conforme observamos em bancos p\u00fablicos de dados gen\u00f4micos, com o aux\u00edlio de ferramentas de bioinform\u00e1tica\u201d, disse Justulin.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Maternal Low-Protein Diet Impairs Prostate Growth in Young Rat Offspring and Induces Prostate Carcinogenesis With Aging, de Sergio A. A. Santos, Ana C. Camargo, Fl\u00e1via B. Constantino, Ketlin T. Colombelli, Fernanda Mani, Jaqueline C. Rinaldi, Suelen Franco, Luiz M. F. Portela, Bruno O. S. Duran, Wellerson R. Scarano, Barry T. Hinton, Sergio L. Felisbino e Luis A. Justulin, pode ser lido em:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Filhos de m\u00e3es alimentadas com uma dieta pobre em prote\u00ednas durante o per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o e lacta\u00e7\u00e3o correm risco consideravelmente maior de desenvolver c\u00e2ncer de pr\u00f3stata ao envelhecer. Foi o que constatou um estudo feito com ratos no Instituto de Bioci\u00eancias (IBB) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu. 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