{"id":148363,"date":"2018-08-09T00:17:22","date_gmt":"2018-08-09T03:17:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=148363"},"modified":"2018-08-09T00:17:22","modified_gmt":"2018-08-09T03:17:22","slug":"novo-metodo-mede-hormonios-do-estresse-no-plasma-sanguineo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/novo-metodo-mede-hormonios-do-estresse-no-plasma-sanguineo\/148363","title":{"rendered":"Novo m\u00e9todo mede horm\u00f4nios do estresse no plasma sangu\u00edneo"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Pessoas expostas ao <strong><em>estresse cr\u00f4nico<\/em><\/strong> costumam apresentar n\u00edveis sangu\u00edneos elevados do horm\u00f4nio cortisol, cujo papel \u00e9 preparar o corpo para lidar com situa\u00e7\u00f5es desafiadoras \u2013 aumentando a frequ\u00eancia card\u00edaca e os n\u00edveis de a\u00e7\u00facar no sangue, por exemplo. Esse estado de alerta constante pode contribuir, ao longo do tempo, para o desenvolvimento de doen\u00e7as metab\u00f3licas e psiqui\u00e1tricas.<\/p>\n<p>Entender a participa\u00e7\u00e3o do cortisol e de um de seus principais metab\u00f3litos \u2013 o 11-DHC \u2013 no desenvolvimento de depress\u00e3o \u00e9 o objetivo de uma linha de pesquisa coordenada pela professora\u00a0, da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FCFRP-USP).<\/p>\n<p>Para isso, o grupo desenvolveu um novo m\u00e9todo baseado em espectrometria de massas para dosar com precis\u00e3o no plasma sangu\u00edneo de animais e de humanos o n\u00edvel de seis diferentes horm\u00f4nios esteroides: cortisol, cortisona, corticosterona, progesterona, aldosterona e 11-DHC.<\/p>\n<p>\u201cTodas essas subst\u00e2ncias s\u00e3o mediadores lip\u00eddicos envolvidos em diversas patologias, entre elas a depress\u00e3o. Mas para entender como isso tudo \u00e9 regulado precis\u00e1vamos de uma metodologia mais simples e precisa para medir os n\u00edveis desses horm\u00f4nios tanto no sangue como nos tecidos afetados\u201d, disse Faccioli \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, atualmente, a forma mais comum de dosar os horm\u00f4nios esteroides no plasma sangu\u00edneo s\u00e3o os kits com reagentes capazes de reconhecer a subst\u00e2ncia de interesse. No entanto, para cada um dos horm\u00f4nios \u00e9 necess\u00e1rio um kit diferente, com o reagente espec\u00edfico.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o s\u00e3o raros os casos de rea\u00e7\u00e3o cruzada com esse tipo de teste. Al\u00e9m disso, para o metab\u00f3lito 11-DHC, que \u00e9 um dos focos da nossa pesquisa, n\u00e3o havia nenhum m\u00e9todo dispon\u00edvel para fazer a medi\u00e7\u00e3o\u201d, disse Faccioli.<\/p>\n<p>Durante o p\u00f3s-doutorado de\u00a0, o grupo da USP desenvolveu, com apoio da FAPESP, uma t\u00e9cnica de monitoramento de rea\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas em alta resolu\u00e7\u00e3o (MRM, na sigla em ingl\u00eas) usando o espectr\u00f4metro de massas \u2013 equipamento capaz de separar e identificar subst\u00e2ncias com base no peso molecular.<\/p>\n<p>\u201cNesta t\u00e9cnica, avaliamos como os compostos se comportam quimicamente e criamos uma forma de detec\u00e7\u00e3o na qual eles s\u00e3o reconhecidos pela sua massa e pela massa de uma por\u00e7\u00e3o da sua mol\u00e9cula [caracter\u00edstica para cada um deles] ap\u00f3s sofrer um processo de fragmenta\u00e7\u00e3o. Assim, quando o equipamento reconhece a mol\u00e9cula \u00edntegra e o seu fragmento, um sinal \u00e9 registrado\u201d, disse Peti.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa foram publicados no\u00a0, com destaque\u00a0\u00a0da revista.<\/p>\n<p>Marcador de estresse<\/p>\n<p>Para validar a nova metodologia, o grupo realizou experimentos com uma linhagem de camundongos altamente suscet\u00edvel ao estresse. Os animais foram submetidos a um protocolo muito usado em laborat\u00f3rio para criar uma condi\u00e7\u00e3o de estresse cr\u00f4nico.<\/p>\n<p>\u201cA cada dia, ao longo de duas semanas, os roedores eram submetidos a uma situa\u00e7\u00e3o adversa que variava, de forma imprevis\u00edvel. Um dia ficavam sem comida, no outro ficavam sem \u00e1gua. Depois o ciclo de claro e escuro era invertido e, no dia seguinte, eram for\u00e7ados a nadar durante alguns minutos\u201d, disse Faccioli.<\/p>\n<p>Como esperado, o teste de MRM revelou que o n\u00edvel de corticosterona no plasma dos roedores submetidos ao protocolo estava 4,5 vezes maior que o do grupo controle, que n\u00e3o foi estressado, ap\u00f3s 14 dias. Como explicou Faccioli, a corticosterona para os camundongos equivale ao cortisol para os humanos, ou seja, \u00e9 um marcador de estresse.<\/p>\n<p>Os n\u00edveis de 11-DHC, por outro lado, n\u00e3o foram alterados em resposta \u00e0s situa\u00e7\u00f5es adversas imprevis\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cA vantagem do novo m\u00e9todo \u00e9 que al\u00e9m dos mediadores lip\u00eddicos de interesse para nossa pesquisa ele tamb\u00e9m quantifica outros horm\u00f4nios esteroides presentes na mesma mostra. Essa ferramenta poder\u00e1 ser usada por outros grupos interessados em estudar a influ\u00eancia desses mediadores em diversos tipos de doen\u00e7a e processos infecciosos\u201d, disse Faccioli.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0High-resolution\u00a0multiple reaction monitoring method for quantification of steroidal hormones in plasma\u00a0(doi: https:\/\/doi.org\/10.1002\/jms.4075), de Ana Paula Ferranti Peti, Gisele Aparecida Locachevic, Morgana Kelly Borges Prado, Luiz Alberto Beraldo de Moraes e L\u00facia Helena Faccioli, pode ser lido em:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Pessoas expostas ao estresse cr\u00f4nico costumam apresentar n\u00edveis sangu\u00edneos elevados do horm\u00f4nio cortisol, cujo papel \u00e9 preparar o corpo para lidar com situa\u00e7\u00f5es desafiadoras \u2013 aumentando a frequ\u00eancia card\u00edaca e os n\u00edveis de a\u00e7\u00facar no sangue, por exemplo. 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