{"id":152686,"date":"2018-09-24T00:23:06","date_gmt":"2018-09-24T03:23:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=152686"},"modified":"2018-09-24T00:23:06","modified_gmt":"2018-09-24T03:23:06","slug":"descoberto-alvo-terapeutico-potencial-para-insuficiencia-renal-aguda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/descoberto-alvo-terapeutico-potencial-para-insuficiencia-renal-aguda\/152686","title":{"rendered":"Descoberto alvo terap\u00eautico potencial para insufici\u00eancia renal aguda"},"content":{"rendered":"<p> Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma prote\u00edna produzida pelo corpo humano desponta como candidata a novo medicamento para condi\u00e7\u00f5es que levam \u00e0 <strong><em>insufici\u00eancia renal aguda<\/em><\/strong>. Foi o que mostrou um estudo realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto. Resultados do trabalho, publicados na revista\u00a0, indicam que a prote\u00edna galectina-1 tem a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria capaz de minimizar o dano celular causado no rim em situa\u00e7\u00f5es de hip\u00f3xia (falta de oxig\u00eanio nos tecidos) e reperfus\u00e3o (restabelecimento do fluxo sangu\u00edneo), processo lesivo inerente aos procedimentos de transplante e que resulta em insufici\u00eancia renal.<\/p>\n<p>\u201cA galectina-1 j\u00e1 \u00e9 comercializada como prote\u00edna recombinante [produzida artificialmente]. Embora ainda n\u00e3o tenha uso cl\u00ednico, no futuro poder\u00e1 se tornar uma alternativa ao corticoide para esse tipo de les\u00e3o. Mostramos que essa prote\u00edna diminuiu marcadores de inflama\u00e7\u00e3o como as citocinas, respons\u00e1veis por ativar e modular a resposta imunol\u00f3gica. Al\u00e9m disso, houve redu\u00e7\u00e3o da morte celular e do estresse oxidativo causado pelo dano celular\u201d, disse\u00a0, primeira autora do artigo.<\/p>\n<p>\u201cO interessante \u00e9 que a galectina-1 teve a\u00e7\u00e3o na diminui\u00e7\u00e3o dos marcadores pr\u00f3-inflamat\u00f3rios e aumento dos anti-inflamat\u00f3rios\u201d, disse Carla \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP. O trabalho \u00e9 resultado do p\u00f3s-doutorado da pesquisadora com\u00a0.<\/p>\n<p>O artigo descreve a simula\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es de isquemia e reperfus\u00e3o realizadas em ratos e em cultura celular que, quando submetidas previamente \u00e0 administra\u00e7\u00e3o de galectina-1, mostraram efeito similar ao do corticoide dexametasona.<\/p>\n<p>O medicamento geralmente \u00e9 utilizado como anti-inflamat\u00f3rio e imunossupressor, podendo apresentar uma s\u00e9rie de efeitos adversos, como hiperglicemia e tend\u00eancia ao diabetes, depend\u00eancia, vulnerabilidade a infec\u00e7\u00f5es e c\u00e2ncer, hipercoagulabilidade sangu\u00ednea, entre outros.<\/p>\n<p>No estudo, o grupo de pesquisadores simulou uma situa\u00e7\u00e3o de hip\u00f3xia comum em transplantes de \u00f3rg\u00e3os. Isso porque, a despeito de todos os cuidados necess\u00e1rios para o transplante, quando o \u00f3rg\u00e3o \u00e9 retirado do doador e fica fora do organismo imediatamente entra em isquemia \u2013 perda do suprimento sangu\u00edneo por redu\u00e7\u00e3o do fluxo arterial no tecido e falta de oxigena\u00e7\u00e3o (hip\u00f3xia).<\/p>\n<p>J\u00e1 quando o \u00f3rg\u00e3o \u00e9 implantado no receptor e os vasos sangu\u00edneos s\u00e3o \u201creligados\u201d, ocorre o restabelecimento do fluxo sangu\u00edneo (reperfus\u00e3o) ap\u00f3s um per\u00edodo de isquemia. Esses dois processos \u2013 que n\u00e3o ocorrem apenas em situa\u00e7\u00f5es de transplante \u2013 geram danos ao tecido que podem levar \u00e0 insufici\u00eancia renal.<\/p>\n<p>A les\u00e3o tecidual ocorrida durante os processos de isquemia e reperfus\u00e3o pode ser muitas vezes irrevers\u00edvel, provocando at\u00e9 a rejei\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o transplantado pelo organismo do receptor.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 por isso que o tempo \u00e9 essencial em um transplante. Quanto mais r\u00e1pido o \u00f3rg\u00e3o chegar ao receptor, menor ser\u00e1 o dano por hip\u00f3xia e a inflama\u00e7\u00e3o ser\u00e1 menos grave. Encontrar alternativas que diminuam esta inflama\u00e7\u00e3o, como o uso da galectina-1, s\u00e3o extremamente importantes\u201d, disse Carla.<\/p>\n<p>Outros \u00f3rg\u00e3os<\/p>\n<p>O potencial anti-inflamat\u00f3rio da galectina 1 \u00e9 objeto de estudo para outras situa\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas nos demais \u00f3rg\u00e3os. O grupo de pesquisa liderado por\u00a0, professora titular do Instituto de Bioci\u00eancias, Letras e Ci\u00eancias Exatas da Unesp, e com participa\u00e7\u00e3o de Cristiane Gil, professora adjunta da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), tamb\u00e9m estudou os efeitos da galectina-1 na uve\u00edte, conjuntivite e dermatite.<\/p>\n<p>\u201cEsse trabalho foi feito no sentido de proteger danos causados por isquemia e reperfus\u00e3o nos rins, por\u00e9m, aparentemente, h\u00e1 uma possibilidade de a prote\u00edna ser usada como um anti-inflamat\u00f3rio, seja em outras situa\u00e7\u00f5es ou em outros \u00f3rg\u00e3os. Estamos trabalhando nesse sentido mais amplo\u201d, disse Oliani, coordenadora do estudo.<\/p>\n<p>No trabalho sobre a a\u00e7\u00e3o protetora da galectina-1 no sistema renal, a a\u00e7\u00e3o da prote\u00edna foi comparada \u00e0 do corticoide. Em testes\u00a0in vivo, ratos receberam solu\u00e7\u00e3o intravenosa de galectina-1 30 minutos antes de serem submetidos \u00e0 isquemia e reperfus\u00e3o do rim.<\/p>\n<p>Nos testes\u00a0in vitro, a cultura celular de c\u00e9lulas humanas do rim (c\u00e9lulas epiteliais do t\u00fabulo contorcido proximal) imersa em solu\u00e7\u00e3o com galectina-1 foi submetida \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de hip\u00f3xia e reoxigena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO que vimos no modelo animal foi confirmado na cultura celular. Ocorre diminui\u00e7\u00e3o na libera\u00e7\u00e3o de fatores inflamat\u00f3rios, o que aumenta a viabilidade das c\u00e9lulas. Embora a galectina 1 n\u00e3o proteja totalmente o tecido, n\u00e3o h\u00e1 medicamento que promova prote\u00e7\u00e3o total. No entanto, essa prote\u00edna melhora alguns aspectos importantes da les\u00e3o\u201d, disse Carla.<\/p>\n<p>A descoberta de que a galectina-1 protege o rim de inflama\u00e7\u00f5es abre caminho para novos estudos. \u201cNossa pesquisa indica um caminho importante para futuros trabalhos. A a\u00e7\u00e3o protetora foi testada, mas podemos investigar sua a\u00e7\u00e3o na insufici\u00eancia cr\u00f4nica e verificar como o rim reage a longo prazo\u201d, disse Carla.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Pharmacological treatment with galectin-1 protects against renal ischaemia-reperfusion injury\u00a0(doi: 10.1038\/s41598-018-27907-y), de Carla P. Carlos, Analice A. Silva, Cristiane D. Gil e Sonia M. Oliani, pode ser lido em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma prote\u00edna produzida pelo corpo humano desponta como candidata a novo medicamento para condi\u00e7\u00f5es que levam \u00e0 insufici\u00eancia renal aguda. Foi o que mostrou um estudo realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto. 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