{"id":152910,"date":"2018-09-26T05:13:38","date_gmt":"2018-09-26T08:13:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=152910"},"modified":"2018-09-25T21:22:45","modified_gmt":"2018-09-26T00:22:45","slug":"empresarios-brasileiros-apostam-em-alimentos-e-bebidas-saudaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/empresarios-brasileiros-apostam-em-alimentos-e-bebidas-saudaveis\/152910","title":{"rendered":"Empres\u00e1rios brasileiros apostam em alimentos e bebidas saud\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p> Em crescimento apesar das turbul\u00eancias econ\u00f4micas globais e regionais, o mercado da <strong><em>alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel<\/em><\/strong> tem atra\u00eddo empres\u00e1rios brasileiros. Enquanto algumas empresas nascem com a proposta de fornecer alimentos livres de conservantes ou a\u00e7\u00facar, outras se adaptam para atender \u00e0s novas necessidades dos consumidores.<\/p>\n<p>A demanda vem dos mercados interno e externo. Exportar produtos t\u00edpicos brasileiros com o valor agregado conferido pelo selo de alimento saud\u00e1vel \u00e9 bom neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio da ag\u00eancia de pesquisas Technavio estima um crescimento anual de 6% para o mercado global de alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel at\u00e9 2020. Para o Brasil, a ag\u00eancia Euromonitor Internacional projetou crescimento anual de 4% desse mercado at\u00e9 2021.<\/p>\n<p>O administrador de empresas e ex-chefe de cozinha Matheus Mariani iniciou a incurs\u00e3o no ramo vendendo para o mercado brasileiro. Ap\u00f3s cerca de tr\u00eas anos desenvolvendo os produtos, em 2016 ele fundou a Alquimia da Sa\u00fade, uma f\u00e1brica de suplementos alimentares sem aditivos qu\u00edmicos.<\/p>\n<p>\u201cEu j\u00e1 trabalhei com eventos, j\u00e1 fui dono de restaurante. Mas vi que estava tendo essa necessidade de as pessoas se alimentarem melhor de uma forma pr\u00e1tica. Meu cunhado era atleta de mountain bike e sempre pedia que eu desenvolvesse algo para ele. Suplementos naturais, nada de qu\u00edmica, nada de refinados. Comecei a desenvolver, no in\u00edcio de maneira bem informal\u201d, conta.<\/p>\n<p>A ideia deu certo, no entanto, e se transformou na f\u00e1brica hoje com sede em Itaja\u00ed, Santa Catarina. Mariani explica que sua forma\u00e7\u00e3o em gastronomia e a experi\u00eancia como chefe em restaurantes conceituados da Europa ajudaram na cria\u00e7\u00e3o dos produtos, que incluem vitaminas em c\u00e1psulas, p\u00f3s e \u00f3leos essenciais. O uso de um processo diferenciado na fabrica\u00e7\u00e3o permite dispensar os aditivos.<\/p>\n<p>\u201cA partir de uma t\u00e9cnica chamada spray dryer voc\u00ea consegue microencapsular um produto, mas precisa da maltodextrina, um aditivo que \u00e9 um carboidrato e retira toda a fibra. N\u00f3s fazemos de forma diferente. O a\u00e7a\u00ed, por exemplo, uma fruta gordurosa, precisa de aditivo para desidratar. Mas a gente usa um processo chamado liofiliza\u00e7\u00e3o, um ultracongelamento que desidrata[sem aditivo]\u201d, diz o empres\u00e1rio. Segundo ele, atualmente os suplementos da Alquimia da Sa\u00fade s\u00e3o vendidos em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Interesse em exportar<br \/>\n\u201cCome\u00e7amos com e-commerce para pessoa f\u00edsica. Agora, as lojas de produtos naturais come\u00e7aram a nos procurar\u201d, relata. Matheus Mariani e o pai, Maur\u00edcio Danilo Mariani, s\u00f3cio investidor da empresa, tamb\u00e9m decidiram que chegou a hora de exportar. Com outras 61 empresas brasileiras, eles participam esta semana de rodadas de neg\u00f3cios na LAC Flavors, uma feira de bebidas e alimentos promovida pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Santiago, Chile.<\/p>\n<p>\u201cA tend\u00eancia no Brasil \u00e9 querer tudo fino, tudo coado. L\u00e1 fora eles perceberam a import\u00e2ncia da fibra, do integral, h\u00e1 um tempo, antes da gente\u201d, destaca Matheus. Na feira, a empresa far\u00e1 rodadas de neg\u00f3cios com potenciais compradores do Chile, Austr\u00e1lia, \u00c1sia e Estados Unidos. A participa\u00e7\u00e3o das empresas brasileiras foi articulada pela Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00f5es e Investimentos (Apex-Brasil), que organizou um stand para exposi\u00e7\u00e3o dos produtos do Brasil.<\/p>\n<p>Matheus Mariani acredita em um mercado cada vez mais favor\u00e1vel aos produtos naturais, inclusive com redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os. \u201cN\u00f3s somos co-criadores desse pre\u00e7o alto [dos produtos org\u00e2nicos]. Quanto mais a gente consumir, mais vai crescer o volume de produtos dispon\u00edveis e mais vai baratear.\u201d<\/p>\n<p>Adapta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O interesse crescente por produtos mais saud\u00e1veis tamb\u00e9m leva empresas a se adaptarem. \u00c9 o caso da fabricante de bebidas Refrix, da cidade de Tiet\u00ea, no interior de S\u00e3o Paulo. No mercado h\u00e1 45 anos com os refrigerantes Xereta, h\u00e1 cerca de oito anos a empresa tratou de diversificar seu portf\u00f3lio, ap\u00f3s estudos de mercado apontarem uma maior preocupa\u00e7\u00e3o do consumidor com a sa\u00fade.<\/p>\n<p>A empresa ingressou no mercado de produtos saud\u00e1veis com a \u00e1gua de coco Vittal, anunciada como livre de conservantes. Segundo Daniela Echeverri Fierro, encarregada de exporta\u00e7\u00f5es da Refrix, o produto vem diretamente de frutas adquiridas no Nordeste. \u00c9 feita uma pasteuriza\u00e7\u00e3o, ou seja, um aquecimento a altas temperaturas, e isso garante a conserva\u00e7\u00e3o por cerca de um ano. Em outubro, a empresa lan\u00e7ar\u00e1 seu segundo produto da linha natural: ch\u00e1s em lata tamb\u00e9m sem a\u00e7\u00facar e aditivos.<\/p>\n<p>A Refrix, no entanto, continua promovendo os refrigerantes. A companhia j\u00e1 est\u00e1 no mercado exportador h\u00e1 alguns anos, com vendas para Paraguai, Uruguai, Guiana Francesa, Estados Unidos, Jap\u00e3o, Inglaterra, Portugal e Alemanha.<\/p>\n<p>Com a participa\u00e7\u00e3o nas rodadas de neg\u00f3cios da LAC Flavors, pretende ampliar o leque de parceiros internacionais. Segundo Daniela, as exporta\u00e7\u00f5es s\u00e3o parte importante da estrat\u00e9gia de crescimento da empresa e a linha saud\u00e1vel tem destaque na divulga\u00e7\u00e3o para o exterior. \u201cA gente exporta desde antes de come\u00e7ar a crise [econ\u00f4mica no Brasil]. O mercado vem caindo e a nossa empresa, crescendo. A gente consegue afrontar essa crise por ser uma empresa que busca novos neg\u00f3cios.\u201d<\/p>\n<p>Cadeia produtiva sustent\u00e1vel<\/p>\n<p>Fundada h\u00e1 seis anos, a Manaos Polpas, com sede na regi\u00e3o metropolitana de Manaus, no Amazonas, tamb\u00e9m aposta suas fichas na prefer\u00eancia do consumidor por produtos menos industrializados. A empresa comercializa a\u00e7a\u00ed e polpas de frutas tipicamente brasileiras, como cupua\u00e7u, acerola e bacuri. Os produtos s\u00e3o adquiridos por supermercados at\u00e9 mesmo de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um mercado muito crescente hoje\u201d, comenta Renato Freitas, diretor comercial da empresa. \u201cVivemos em uma correria tremenda. Se voc\u00ea puder consumir de forma saud\u00e1vel e mais pr\u00e1tica, melhor\u201d, acrescenta Le\u00eds Batista, diretor de rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A empresa prepara terreno para come\u00e7ar a exportar. Durante a LAC Flavors, tem agendadas rodadas de neg\u00f3cios com M\u00e9xico, Uruguai, Estados Unidos, Espanha, \u00cdndia, Rep\u00fablica Tcheca e Chile. Segundo Le\u00eds Batista, h\u00e1 um grande interesse pelas frutas brasileiras. \u201cO Brasil tem uma diversidade de frutas muito grande, ex\u00f3tica.\u201d Ele acredita, no entanto, que para al\u00e9m do produto em si, o comprometimento da empresa com a cadeia produtiva como um todo \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>\u201cTem que observar o extrativismo do a\u00e7a\u00ed. Se quem vai extrair est\u00e1 recebendo o pre\u00e7o justo, se n\u00e3o est\u00e1 sendo explorado. Se a pessoa sabe fazer a sele\u00e7\u00e3o do fruto, se sabe fazer a limpeza, se vai colocar no mercado em 24 horas. Acima de tudo, se vai manter a floresta de p\u00e9. A gente est\u00e1 iniciando, agora, a busca por certifica\u00e7\u00f5es [de que o processo produtivo atende a par\u00e2metros de qualidade]\u201d, afirma Le\u00eds, que acredita que isso far\u00e1 a diferen\u00e7a no mercado internacional.<\/p>\n<p>Por Mariana Branco &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nA rep\u00f3rter viajou a convite da Apex-Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Sabrina Craide<br \/>\n25\/09\/2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em crescimento apesar das turbul\u00eancias econ\u00f4micas globais e regionais, o mercado da alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel tem atra\u00eddo empres\u00e1rios brasileiros. Enquanto algumas empresas nascem com a proposta de fornecer alimentos livres de conservantes ou a\u00e7\u00facar, outras se adaptam para atender \u00e0s novas necessidades dos consumidores. A demanda vem dos mercados interno e externo. 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