{"id":165517,"date":"2019-01-14T19:52:28","date_gmt":"2019-01-14T21:52:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=165517"},"modified":"2019-01-14T19:52:28","modified_gmt":"2019-01-14T21:52:28","slug":"tamanho-exagerado-de-porcoes-e-um-dos-fatores-da-obesidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2019\/tamanho-exagerado-de-porcoes-e-um-dos-fatores-da-obesidade\/165517","title":{"rendered":"Tamanho exagerado de por\u00e7\u00f5es \u00e9 um dos fatores da obesidade"},"content":{"rendered":"<p> Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Existe algo de excessivo no tamanho das por\u00e7\u00f5es de comida servidas em restaurantes e isso n\u00e3o ocorre apenas nos Estados Unidos. Estudo realizado por equipe internacional de pesquisadores, que contou com o\u00a0apoio da FAPESP, mostra que por\u00e7\u00f5es exageradas s\u00e3o comuns em restaurantes mundo afora. O estudo publicado no\u00a0British Medical Journal\u00a0pesou e mediu o <strong><em>valor cal\u00f3rico de refei\u00e7\u00f5es<\/em><\/strong> em restaurantes populares no Brasil, China, Finl\u00e2ndia, Gana, \u00cdndia.<\/p>\n<p>O resultado mostrou que 94% das refei\u00e7\u00f5es\u00a0\u00e0 la carte\u00a0e 72% dos pratos servidos em\u00a0fast-foods\u00a0continham mais de 600 quilocalorias \u2013 mais que o consumo energ\u00e9tico por refei\u00e7\u00e3o recomendado pelo Sistema de Sa\u00fade da Inglaterra (NHS).<\/p>\n<p>Os pesquisadores encontraram uma rela\u00e7\u00e3o significativa entre o peso da por\u00e7\u00e3o servida e o seu conte\u00fado cal\u00f3rico. De acordo com as medi\u00e7\u00f5es, refei\u00e7\u00f5es como, por exemplo, o tradicional arroz, feij\u00e3o, frango, mandioca, salada e p\u00e3o (841 gramas e 1.656 kcal), servido em qualquer restaurante do Brasil, ou o cl\u00e1ssico gan\u00eas fufu com carne de bode e sopa (1.105 gramas e 1.151 kcal) e o t\u00edpico prato indiano biryani de carneiro (1.012 gramas e 1.463 kcal), al\u00e9m de extremamente cal\u00f3ricas, primam pela quantidade exagerada de comida.<\/p>\n<p>\u201cA obesidade \u00e9 um problema mundial, causado por v\u00e1rios fatores como sedentarismo, ingest\u00e3o de alimentos processados, a\u00e7\u00facar e tamb\u00e9m pela quantidade excessiva de comida ingerida. Uma parcela da popula\u00e7\u00e3o pode estar confundindo fome com vontade de comer. Esse estudo mostra que para combater a obesidade \u00e9 preciso tamb\u00e9m olhar para esses excessos\u201d, disse\u00a0Vivian Suen, do Departamento de Cl\u00ednica M\u00e9dica da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMRPUSP), uma das autoras do artigo.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) considera a obesidade uma epidemia global que aumenta o fator de risco para doen\u00e7as como cardiopatias, AVC e diabetes. Estima que 1,9 bilh\u00e3o de adultos tenham sobrepeso, sendo 600 milh\u00f5es com obesidade.<\/p>\n<p>No artigo, exceto na China \u2013 que apresentou pratos menos cal\u00f3ricos que nos outros pa\u00edses estudados \u2013, o consumo das por\u00e7\u00f5es servidas em restaurante fornecia entre 70% e 120% das necessidades cal\u00f3ricas di\u00e1rias para uma mulher sedent\u00e1ria, cerca de 2.000 quilocalorias.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o levamos em conta, nesse estudo, o modo de preparo e a composi\u00e7\u00e3o nutricional dos pratos estudados. O fato \u00e9 que, pelos restaurantes pesquisados, h\u00e1 uma parcela da popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 comendo muito\u201d, disse Suen.<\/p>\n<p>O estudo mediu as calorias de 223 amostras de refei\u00e7\u00f5es populares de 111 refei\u00e7\u00f5es escolhidas aleatoriamente de pratos\u00a0\u00e0 la cartee\u00a0fast-food\u00a0de restaurantes de Ribeir\u00e3o Perto (Brasil), Pequim (China), Kuopio (Finl\u00e2ndia), Acra (Gana) e Bangalore (\u00cdndia).<\/p>\n<p>Os dados foram comparados com um estudo anterior realizado na Universidade de Tufts com as medidas de restaurantes de Boston (Estados Unidos). A escolha dos restaurantes devia atender a dist\u00e2ncia dentro de um raio de 25 quil\u00f4metros de cada centro de pesquisa que participou do estudo.<\/p>\n<p>\u201cA an\u00e1lise quebrou dois sensos comuns: de que n\u00e3o estamos s\u00f3 comendo pior, mas em exagero, e que em termos de calorias muitas vezes um prato considerado saud\u00e1vel pode engordar mais, deixar o balan\u00e7o energ\u00e9tico mais positivo, do que o de um\u00a0fast-food\u201d, disse Suen.<\/p>\n<p>Embora os resultados tenham mostrado que, na m\u00e9dia, as refei\u00e7\u00f5es\u00a0fast-foods\u00a0continham menos calorias (809 calorias) que as servidas\u00a0\u00e0 la carte\u00a0(1.317 kcal), o estudo est\u00e1 longe de ser uma defesa desse tipo de restaurante.<\/p>\n<p>\u201cIsso s\u00f3 mostra que enquanto estamos prestando aten\u00e7\u00e3o em\u00a0fast-foods, com campanhas para alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, que s\u00e3o muito positivas e necess\u00e1rias, estamos deixando de lado fatores importantes como o tamanho das por\u00e7\u00f5es que estamos comendo. Isso pode ter um impacto grande tamb\u00e9m na obesidade mundial\u201d, disse Suen.<\/p>\n<p>Compensa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A pesquisadora explica que as por\u00e7\u00f5es exageradas t\u00eam efeito tamb\u00e9m no chamado mecanismo compensat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cNormalmente, quando uma pessoa n\u00e3o obesa faz um almo\u00e7o muito refor\u00e7ado, ela tende a sentir menos fome e comer menos no jantar, por exemplo. Por\u00e9m, e isso j\u00e1 foi muito estudado pelo grupo de pesquisadores da Tufts University, os obesos perderiam essa percep\u00e7\u00e3o. Portanto, n\u00e3o ocorre mais essa regula\u00e7\u00e3o de comer menos na refei\u00e7\u00e3o subsequente\u201d, disse Suen.<\/p>\n<p>Ela destaca que outro problema \u00e9 que o organismo de pessoas obesas tamb\u00e9m cria resist\u00eancia para a perda de peso.<\/p>\n<p>\u201cExistem muitas dietas. Tem, por exemplo, a\u00a0low carb, a dieta com alto conte\u00fado proteico e a dieta com baixo teor de gordura. Mas qual \u00e9 a melhor delas para emagrecer? At\u00e9 hoje n\u00e3o se sabe. O que conta \u00e9 o conte\u00fado cal\u00f3rico total no longo prazo. Logicamente, a qualidade do alimento tamb\u00e9m \u00e9 importante. Comer carboidrato de m\u00e1 qualidade, gordura saturada, carboidrato simples, isso contribui para doen\u00e7as relacionadas ao excesso desses alimentos. Por\u00e9m o ganho de peso est\u00e1 relacionado ao excesso de calorias\u201d, disse.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Measured energy content of frequently purchased restaurant meals: multi-country cross sectional study\u00a0(doi: 10.1136\/bmj.k4864), de Susan B. Roberts, Sai Krupa Das, Vivian Marques Miguel Suen, Jussi Pihlajam\u00e4ki, Rebecca Kuriyan, Matilda Steiner-Asiedu, Amy Taetzsch, Alex K. Anderson, Rachel E. Silver, Kathryn Barger, Amy Krauss, Leila Karhunen, Xueying Zhang, Catherine Hambly, Ursula Schwab, Andresa de Toledo Triffoni-Melo, Priscila Giacomo Fassini, Salima F. Taylor, Christina Economos, Anura V. Kurpad, John R. Speakman, pode ser lido em\u00a0.<\/p>\n<p>http:\/\/agencia.fapesp.br\/noticias\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Existe algo de excessivo no tamanho das por\u00e7\u00f5es de comida servidas em restaurantes e isso n\u00e3o ocorre apenas nos Estados Unidos. Estudo realizado por equipe internacional de pesquisadores, que contou com o\u00a0apoio da FAPESP, mostra que por\u00e7\u00f5es exageradas s\u00e3o comuns em restaurantes mundo afora. 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