{"id":2474,"date":"2009-06-06T14:31:46","date_gmt":"2009-06-06T18:31:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=2474"},"modified":"2009-06-06T14:31:46","modified_gmt":"2009-06-06T18:31:46","slug":"biodiesel-de-abacate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/biodiesel-de-abacate\/2474","title":{"rendered":"Biodiesel de abacate"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\"><a href=\"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/\/abacate.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2475\" title=\"abacate\" src=\"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/\/abacate-249x187.jpg\" alt=\"abacate\" width=\"249\" height=\"187\" \/><\/a>O abacateiro pode ser uma nova alternativa para a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel, de acordo com estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp).<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">Segundo eles, o abacate apresenta vantagem em rela\u00e7\u00e3o a outras oleaginosas estudadas ou usadas para a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edvel, como a soja. O motivo \u00e9 que do mesmo fruto \u00e9 poss\u00edvel extrair as duas principais mat\u00e9rias-primas do biodiesel: \u00f3leo (da polpa) e \u00e1lcool et\u00edlico (do caro\u00e7o).<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u201cO objetivo principal da pesquisa era a extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo para produ\u00e7\u00e3o de biodiesel. Mas, ao tratarmos o res\u00edduo, que \u00e9 o caro\u00e7o, conseguimos obter \u00e1lcool et\u00edlico. Isso, por si s\u00f3, \u00e9 uma grande vantagem, j\u00e1 que da soja \u00e9 extra\u00eddo somente o \u00f3leo e a ele \u00e9 adicionado o \u00e1lcool anidro\u201d, explicou Manoel Lima de Menezes, professor do Departamento de Qu\u00edmica da Faculdade de Ci\u00eancias da Unesp, em Bauru,\u00a0e coordenador da pesquisa que teve apoio da FAPESP na modalidade Aux\u00edlio a Pesquisa \u2013 Regular.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">O Brasil \u00e9 o terceiro produtor mundial de abacate, com cerca de 500 milh\u00f5es de unidades produzidas por ano. Cultivado em quase todos os estados, mesmo em terrenos acidentados, a produ\u00e7\u00e3o se d\u00e1 o ano todo, com 24 esp\u00e9cies que frutificam a cada tr\u00eas meses.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">N\u00e3o s\u00e3o todos os \u00f3leos vegetais que podem ser utilizados como mat\u00e9ria-prima para produ\u00e7\u00e3o de biodiesel, pois alguns apresentam propriedades n\u00e3o ideais, como alta viscosidade ou quantias elevadas de iodo, que s\u00e3o transferidas para o biocombust\u00edvel e o tornam inadequado para o uso direto em motor de ciclo diesel.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">Segundo Menezes, o teor de \u00f3leo do abacate varia de 5% a 30%. As amostras coletadas na regi\u00e3o de Bauru (SP) apresentaram, no m\u00e1ximo, 16% de teor de \u00f3leo. \u201cEsse \u00edndice \u00e9 similar ao teor de \u00f3leo da soja que, na mesma regi\u00e3o, \u00e9 de 18%\u201d, comparou.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u201cTeoricamente, \u00e9 poss\u00edvel extrair de 2,2 mil litros a 2,8 mil litros de \u00f3leo por hectare de abacate\u201d, disse. O n\u00famero \u00e9 considerado por ele elevado quando comparado com a extra\u00e7\u00e3o de outros \u00f3leos: soja (440 a 550 litros\/hectare), mamoma (740 a 1 mil litros\/hectare), girassol (720 a 940 litros\/hectare) e algod\u00e3o (280 a 340 litros\/hectare).<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">J\u00e1 o caro\u00e7o do abacate tem 20% de amido. Com base nesse percentual, estima-se que seja poss\u00edvel extrair 74 litros de \u00e1lcool por tonelada de caro\u00e7o de abacate. Valor pr\u00f3ximo ao da cana-de-a\u00e7\u00facar, que possibilita a extra\u00e7\u00e3o de 85 litros por tonelada, enquanto a mandioca fornece 104 litros por tonelada.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">Apesar da enorme disponibilidade do fruto no Brasil, o \u00f3leo do abacate ainda \u00e9 importado, pela falta de tecnologias adequadas para o processamento. O principal obst\u00e1culo para obten\u00e7\u00e3o do \u00f3leo \u00e9 o alto teor de umidade \u2013 o abacate tem 75% de \u00e1gua, em m\u00e9dia \u2013, que afeta o rendimento da extra\u00e7\u00e3o. Esse foi um dos desafios que a pesquisa se prop\u00f4s solucionar: aperfei\u00e7oar as metodologias de extra\u00e7\u00e3o para obter melhor rendimento.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">Extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\"><\/p>\n<p>De todos os m\u00e9todos estudados pelo grupo orientado por Menezes, o melhor resultado foi obtido com a desidrata\u00e7\u00e3o. Foi desenvolvido um forno rotativo, com ar quente e, ap\u00f3s a secagem, a polpa foi mo\u00edda e colocada na prensa, seguida do processo de suspens\u00e3o com solvente. A partir desse momento, foi transferida para uma centr\u00edfuga de cesto, desenvolvida pelo grupo. \u201cCom a for\u00e7a centr\u00edfuga, a polpa fica bem seca e o rendimento melhora\u201d, observou Menezes.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">Da extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo, passou-se para a produ\u00e7\u00e3o do biodiesel, o que inclui uma etapa de purifica\u00e7\u00e3o. Uma vez purificado, foi feita a s\u00edntese do biodiesel, j\u00e1 com o m\u00e9todo tradicional utilizado atualmente, que \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o por transesterifica\u00e7\u00e3o (conhecido como m\u00e9todo Ferrari), seguido pela caracteriza\u00e7\u00e3o por cromatografia gasosa.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">Essa \u00e9 a t\u00e9cnica exigida pela ANP 42, regulamenta\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis que define a caracteriza\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o da qualidade do produto obtido e deve ser seguida pelos mercados comprador e fornecedor.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">O primeiro estudo feito com o caro\u00e7o foi a hidr\u00f3lise enzim\u00e1tica, com a qual se obteve rendimento baixo, de cerca de 24 litros por tonelada. Agora, os pesquisadores est\u00e3o iniciando uma nova etapa, que \u00e9 a hidr\u00f3lise alcalina e\/ou \u00e1cida sob press\u00e3o, seguida por hidr\u00f3lise enzim\u00e1tica para melhorar o rendimento.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">Grande parte dos par\u00e2metros f\u00edsico-qu\u00edmicos est\u00e1 de acordo com as exig\u00eancias da regulamenta\u00e7\u00e3o ANP 42, com exce\u00e7\u00e3o do teor de glicerina total e acidez, que ficaram um pouco acima, segundo Menezes.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">Os teores de enxofre, f\u00f3sforo e s\u00f3dio n\u00e3o foram determinados nessa etapa do projeto devido \u00e0 dificuldade em encontrar laborat\u00f3rios para executar os ensaios. Esses s\u00e3o aspectos que a pesquisa continuar\u00e1 analisando para que fiquem totalmente compat\u00edveis com os par\u00e2metros da ANP 42.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u201cNosso objetivo \u00e9 propor o emprego da t\u00e9cnica de espectrofotometria de absor\u00e7\u00e3o at\u00f4mica, empregada na determina\u00e7\u00e3o de metais e desenvolver uma nova metodologia que possa\u00a0ser adaptada para an\u00e1lise do f\u00f3sforo\u201d, disse.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">Como os demais resultados obtidos est\u00e3o em conformidade com a regulamenta\u00e7\u00e3o, os pesquisadores consideram que a metodologia empregada \u00e9 adequada para realizar a s\u00edntese do produto.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">Viabilidade econ\u00f4mica<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\"><\/p>\n<p>Segundo o estudo feito na Unesp, as caracter\u00edsticas do biodiesel do \u00f3leo de abacate s\u00e3o bastante semelhantes \u00e0s verificadas com o biodiesel de soja, com exce\u00e7\u00e3o da colora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 esverdeada, diferente do amarelo no caso da soja. Mas isso n\u00e3o afetaria a qualidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u201cNa an\u00e1lise de carbono, a clorofila n\u00e3o alterou o res\u00edduo de carbono que a norma estabelece. Ficou abaixo. Portanto, nesse caso, a cor n\u00e3o interfere na qualidade, \u00e9 mais uma quest\u00e3o de apar\u00eancia. Clarificar, portanto, \u00e9 opcional, diferentemente da aplica\u00e7\u00e3o medicinal, em que clarificar levaria \u00e0 perda de propriedades medicinais, ao passo que a colora\u00e7\u00e3o escura n\u00e3o tem apelo comercial na produ\u00e7\u00e3o de cosm\u00e9ticos\u201d, disse Menezes.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">A viabilidade econ\u00f4mica do biodiesel de abacate n\u00e3o foi foco dessa etapa do estudo nem \u00e9 a especialidade desse grupo de pesquisa, segundo o coordenador. O custo do biodiesel ainda \u00e9 alto. Produz-se \u00f3leo de soja a um custo de R$ 1,20 o litro. O \u00e1lcool anidro para adicionar \u00e9 comprado a R$ 0,74 o litro. O abacate tem a vantagem de oferecer as duas mat\u00e9rias-primas e, por enquanto, a um custo mais baixo que o da soja, segundo Menezes.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">A extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo e \u00e1lcool do abacate ainda demanda investimentos em equipamentos. De acordo com o professor da Unesp, \u00e9 necess\u00e1rio estudar o desenvolvimento de um despolpador \u2013 para separar a polpa do caro\u00e7o \u2013 e produzir a centr\u00edfuga para obter m\u00e1ximo rendimento. O estudo resultou na apresenta\u00e7\u00e3o de quatro trabalhos em congressos nacionais. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\"> \u2013 <strong>Por Jussara Mangini<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O abacateiro pode ser uma nova alternativa para a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel, de acordo com estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Segundo eles, o abacate apresenta vantagem em rela\u00e7\u00e3o a outras oleaginosas estudadas ou usadas para a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edvel, como a soja. 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