{"id":30942,"date":"2010-08-20T12:10:13","date_gmt":"2010-08-20T16:10:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=30942"},"modified":"2010-08-20T12:10:46","modified_gmt":"2010-08-20T16:10:46","slug":"encontro-discute-gestao-para-a-cultura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2010\/encontro-discute-gestao-para-a-cultura-brasileira\/30942","title":{"rendered":"Encontro discute gest\u00e3o da cultura brasileira"},"content":{"rendered":"<p>A reforma da <strong><em>Lei Rouanet<\/em><\/strong> dominou os debates do primeiro Semin\u00e1rio de Gest\u00e3o  de Institui\u00e7\u00f5es, realizado pelo Minist\u00e9rio da Cultura (MinC), nesta quinta-feira  (19), no Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (MASP). O encontro prop\u00f4s a an\u00e1lise dos  modelos vigentes e a discuss\u00e3o novas formas de gest\u00e3o para a <strong><em>cultura brasileira<\/em><\/strong>.  De acordo com os gestores, o modelo brasileiro de incentivo \u00e0 cultura est\u00e1  esgotado e \u00e9 preciso encontrar novas formas de financiar a atividade cultural no  pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Devemos buscar solu\u00e7\u00f5es mais din\u00e2micas para sairmos desse modelo j\u00e1  existente&#8221;, prop\u00f4s o secret\u00e1rio executivo do MinC, Alfredo Manevy. Para ele, a  pol\u00edtica de incentivo chegou a um limite a partir do qual \u00e9 necess\u00e1rio um  planejamento estrat\u00e9gico para que suas a\u00e7\u00f5es sejam efetivamente aproveitadas  pela popula\u00e7\u00e3o. \u201cEsse encontro propiciou discuss\u00f5es promissoras sobre pol\u00edticas  p\u00fablicas e tornou-se um embri\u00e3o para articularmos os pr\u00f3ximos f\u00f3runs. Para isso,  precisamos definir qual ser\u00e1 o papel de cada um de n\u00f3s dentro deste contexto.  Constatamos que o campo cultural \u00e9 bastante heterog\u00eaneo e cabe ao Minist\u00e9rio da  Cultura liderar um debate com a sociedade sobre uma agenda estrat\u00e9gica para  gest\u00e3o da cultura&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>O economista e ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira criticou a  gest\u00e3o da cultura no Brasil atualmente, na qual o Estado \u00e9 o financiador, mas as  decis\u00f5es de como os recurso ser\u00e3o aplicados s\u00e3o tomadas pela iniciativa privada,  e sentenciou: &#8220;\u00c9 preciso mudar o modelo brasileiro de incentivo&#8221;. Bresser  explicou que, na Europa, em geral, o Estado financia a cultura e toma as  decis\u00f5es, enquanto nos Estados Unidos, a iniciativa privada financia e decide  tudo. O ex-ministro considerou positiva a realiza\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio. &#8220;Essa reuni\u00e3o  de administradores e gestores culturais d\u00e1 mais legitimidade \u00e0s pol\u00edticas  p\u00fablicas dessa comunidade, prova que existe uma economia de cultura e, mais que  isso, que existe pol\u00edtica de cultura no Brasil&#8221;, avaliou.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio municipal de Cultura de S\u00e3o Paulo, Carlos Augusto Calil,  acredita que &#8220;\u00e9 preciso avan\u00e7ar nas gest\u00f5es de cultura e ter diferentes modelos  para cultura, esporte, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e demais pastas&#8221;. O secret\u00e1rio reiterou a  necessidade de realizar uma revis\u00e3o nas leis de ren\u00fancia, para corrigir algumas  distor\u00e7\u00f5es. &#8220;Institui\u00e7\u00f5es que levam nomes de empresas, por exemplo, n\u00e3o deveriam  receber recursos governamentais&#8221;, argumentou. Calil defendeu ainda que as a\u00e7\u00f5es  de incentivo \u00e0 cultura n\u00e3o devem repetir f\u00f3rmulas, mas serem complementares  entre si, como ocorre nos Pontos de Cultura.<\/p>\n<p>Para Manevy, essas manifesta\u00e7\u00f5es dos gestores sobre a cria\u00e7\u00e3o de novos meios  de financiar a cultura indica que a Lei Rouanet (Lei n\u00ba 8.313\/1991) precisa ser  reformulada. O projeto de lei que modifica essa lei est\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o no  Congresso Nacional.<\/p>\n<p>Reforma da Lei Rouanet<\/p>\n<p>A proposta de altera\u00e7\u00e3o da lei foi feita pelo MinC e cria um sistema p\u00fablico  e transparente de crit\u00e9rios tanto para o acesso aos recursos do Fundo Nacional  de Cultura (FNC) quanto do incentivo fiscal. Estado e patrocinadores ser\u00e3o  estimulados a aprimorar seus mecanismos de rela\u00e7\u00e3o com os produtores e artistas  com a divulga\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios claros para avaliar a dimens\u00e3o simb\u00f3lica,  econ\u00f4mica e social para o uso do recurso p\u00fablico. A lei transforma o FNC no  mecanismo central de financiamento ao setor, criando formas mais modernas de  fomento a projetos. Garante-se, assim, que os recursos cheguem diretamente aos  proponentes, sem intermedi\u00e1rios e com maior participa\u00e7\u00e3o da sociedade, por meio  da Comiss\u00e3o Nacional de Incentivo \u00e0 Cultura (CNIC), que dar\u00e1 origem a comiss\u00f5es  setoriais.<\/p>\n<p>Em 2010, como parte de um processo de transi\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio da Cultura se  prepara para a implementa\u00e7\u00e3o da nova lei. O FNC, por exemplo, recebeu dota\u00e7\u00e3o  or\u00e7ament\u00e1ria recorde, acima de R$ 800 milh\u00f5es, e far\u00e1 repasses a fundos  estaduais e municipais, impulsionando a coopera\u00e7\u00e3o federativa. Dentro do FNC  ser\u00e3o criados oito fundos setoriais: das Artes Visuais; das Artes C\u00eanicas; da  M\u00fasica; do Acesso e Diversidade; do Patrim\u00f4nio e Mem\u00f3ria; do Livro, Leitura,  Literatura e Humanidades, criado por lei espec\u00edfica; de A\u00e7\u00f5es Transversais e  Equaliza\u00e7\u00e3o; e de Incentivo \u00e0 Inova\u00e7\u00e3o do Audiovisual. Eles se somam ao j\u00e1  existente Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 atender toda a diversidade cultural brasileira e diversificar  tamb\u00e9m os mecanismos de investimento e apoio. Entre elas est\u00e1 o \u201cendowment\u201d.  Trata-se de um incentivo para que funda\u00e7\u00f5es culturais \u2013 museus, orquestras e  outros equipamentos \u2013 constituam um fundo permanente de aplica\u00e7\u00f5es de longo  prazo, com o objetivo de obter sustentabilidade, estabilidade financeira e  diminuir a depend\u00eancia da ren\u00fancia fiscal em sua modalidade atual. Outro  mecanismo \u00e9 o Fundo de Investimento em Cultura e Arte (Ficart), no qual os  investidores se tornam s\u00f3cios de um projeto cultural. O Ficart ganha agora o  incentivo que o tornar\u00e1 atrativo e vi\u00e1vel, o que a lei atual n\u00e3o permite.<\/p>\n<p>Participantes do Semin\u00e1rio<\/p>\n<p>Alfredo Manevy (Secret\u00e1rio Executivo do MinC)<br \/>\nJos\u00e9 Luiz Herencia  (Secret\u00e1rio da Secretaria de Pol\u00edticas Culturais do MinC)<br \/>\nAfonso Luz (Diretor  da Secretaria de Pol\u00edticas Culturais do MinC)<br \/>\nCarlos Augusto Calil  (Secret\u00e1rio Municipal de Cultura de S\u00e3o Paulo)<br \/>\nJos\u00e9 Roberto Sadek (Secret\u00e1rio  Municipal Adjunto de Cultura de S\u00e3o Paulo)<br \/>\nDora Mour\u00e3o (Presidente da  Sociedade Amigos da Cinemateca)<br \/>\nAndrea Lopes (Diretora da Sociedade Amigos da  Cinemateca)<br \/>\nRoberto Teixeira da Costa (Membro do Conselho da Sociedade Amigos  da Cinemateca)<br \/>\nLuiz Carlos Bresser Pereira (Professor da FGV\/SP e Membro do  Conselho da Sociedade Amigos da Cinemateca)<br \/>\nCarlos Magalh\u00e3es (Presidente da  Cinemateca Brasileira)<br \/>\nMarcelo Ara\u00fajo (Diretor da Pinacoteca do Estado de S\u00e3o  Paulo)<br \/>\nTeixeira Coelho (Curador e Coordenador-geral do MASP)<br \/>\nAna Tom\u00e9  (Diretora do Centro de Cultura da Espanha em S\u00e3o Paulo)<br \/>\nXavier Greffe  (Professor da Universidade de Sorbonne)<br \/>\nAntonio Rodriguez (Especialista em  Alian\u00e7as Estrat\u00e9gicas)<br \/>\nMario Cohen (Presidente da Funda\u00e7\u00e3o Audit\u00f3rio  Ibirapuera)<br \/>\nGiorgio Della Seta (Presidente do Conselho da Funda\u00e7\u00e3o Audit\u00f3rio  Ibirapuera)<br \/>\nPedro Puntoni (Diretor da Brasiliana USP)<br \/>\nLuiz Henrique  Proen\u00e7a Soares (Diretor da Organiza\u00e7\u00e3o Via P\u00fablica)<br \/>\nWagner Rom\u00e3o (Gerente de  Projetos da Organiza\u00e7\u00e3o Via P\u00fablica)<br \/>\nAnna Helena Altenfelder (Diretora de  Projetos do Cenpec)<br \/>\nEduardo Mendes (Gerente de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Acervos  do BNDES)<br \/>\nBertrando Molinari (Diretor do MAM-SP)<br \/>\nRodrigo Savazoni (Diretor  da Casa da Cultura Digital)<br \/>\nJos\u00e9 Paulo Soares Martins (Diretor do  GIFE)<br \/>\nArnaldo Spindel (Diretor da Funda\u00e7\u00e3o Nemirovsky)<br \/>\nNelson Sim\u00f5es  (Presidente da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa)<br \/>\nEduardo Saron  (Superintendente do Instituto Ita\u00fa Cultural)<br \/>\nAntonio Rodriguez, \u00e9  especialista em alian\u00e7as estrat\u00e9gicas e no mercado da Am\u00e9rica Latina<br \/>\nXavier  Greffe (professor da Universidade de Sorbonne)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma da Lei Rouanet dominou os debates do primeiro Semin\u00e1rio de Gest\u00e3o de Institui\u00e7\u00f5es, realizado pelo Minist\u00e9rio da Cultura (MinC), nesta quinta-feira (19), no Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (MASP). 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