{"id":31036,"date":"2010-08-24T18:04:42","date_gmt":"2010-08-24T22:04:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=31036"},"modified":"2010-08-24T18:04:42","modified_gmt":"2010-08-24T22:04:42","slug":"pragas-controladas-sem-impacto-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2010\/pragas-controladas-sem-impacto-ambiental\/31036","title":{"rendered":"Pragas controladas sem impacto ambiental"},"content":{"rendered":"<p>A aplica\u00e7\u00e3o de inseticidas pode resolver a incid\u00eancia  de doen\u00e7as em uma determinada lavoura, mas traz uma s\u00e9rie de efeitos colaterais  indesej\u00e1veis. Eliminar o inseto transmissor pode afetar a reprodu\u00e7\u00e3o de outras  esp\u00e9cies vegetais que dependem dele para a poliniza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, resqu\u00edcios  dos qu\u00edmicos empregados aderem \u00e0 planta e podem contaminar a alimenta\u00e7\u00e3o humana,  bem como rios e outros corpos d&#8217;\u00e1gua.\u00a0A preocupa\u00e7\u00e3o com essas quest\u00f5es fez surgir o conceito de <strong><em>controle  biorracional de pragas<\/em><\/strong>, uma maneira de controlar o desenvolvimento de insetos  sem extermin\u00e1-los com o uso de produtos naturais e seus derivados, procurando  minimizar os impactos ambientais.<\/p>\n<p>No Brasil, oito unidades de pesquisa de cinco estados se uniram para formar o  Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT) de Controle Biorracional de  Insetos Pragas, com a proposta de desenvolver solu\u00e7\u00f5es de diversos problemas que  atingem as planta\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>A Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), a Universidade Estadual de S\u00e3o  Paulo (Unesp), campus de Rio Claro, e a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), com  seus campi de Ribeir\u00e3o Preto e da Escola Superior de Agricultura Luiz de  Queiroz, em Piracicaba, s\u00e3o as quatro unidades paulistas que integram o  instituto e recebem apoio da FAPESP e do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia  (MCT) por meio da modalidade Tem\u00e1tico-INCT.<\/p>\n<p>O INCT tamb\u00e9m \u00e9 integrado pelas universidades federais do Paran\u00e1 e de Sergipe  e por duas unidades da Comiss\u00e3o Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira  (Ceplac): a Esta\u00e7\u00e3o Experimental S\u00f3sthenes de Miranda, em S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Pass\u00e9  (BA), e a Superintend\u00eancia da Amaz\u00f4nia Oriental, em Bel\u00e9m (PA).<\/p>\n<p>Uma das vantagens de utilizar compostos naturais no controle de pragas \u00e9  retirar subst\u00e2ncias t\u00f3xicas dos processos ecol\u00f3gicos. \u201cA probabilidade de uma  subst\u00e2ncia natural apresentar toxicidade a um inseto \u00e9 pequena. Ela pode inibir  o desenvolvimento de um determinado inseto, por exemplo, e isso poupa de  produtos t\u00f3xicos o animal, o meio ambiente e o pr\u00f3prio ser humano, que consumir\u00e1  alimentos vindos daquela planta\u201d, disse a coordenadora do INCT, Maria de F\u00e1tima  das Gra\u00e7as Fernandes da Silva, professora do Departamento de Qu\u00edmica da UFSCar,  \u00e0 <strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong>.<\/p>\n<p>Por serem mais familiares ao organismo, as subst\u00e2ncias naturais s\u00e3o  metabolizadas mais facilmente, enquanto os produtos sint\u00e9ticos podem acabar se  acumulando. Isso ocorre porque os produtos de origem natural fazem parte de um  processo de coevolu\u00e7\u00e3o entre a planta e o inseto. No caso da aplica\u00e7\u00e3o de um  inseticida sint\u00e9tico, a probabilidade dessa intera\u00e7\u00e3o \u00e9 bem menor.<\/p>\n<p>As fontes de subst\u00e2ncias naturais n\u00e3o s\u00e3o somente as plantas, mas tamb\u00e9m  fungos e bact\u00e9rias, e o trabalho de pesquisa tamb\u00e9m envolve os mecanismos de  intera\u00e7\u00e3o entre insetos e plantas. \u201c\u00c9 preciso entender por que o inseto vai at\u00e9  a planta, por que ele carrega a bact\u00e9ria e por que essa bact\u00e9ria se desenvolve  bem no vegetal, provocando doen\u00e7a\u201d, disse Maria de F\u00e1tima.<\/p>\n<p>Uma abordagem como essa foi feita para entender a propaga\u00e7\u00e3o da <strong><a href=\"http:\/\/www.agencia.fapesp.br\/materia\/12474\/especiais\/o-exemplo-da-xylella.htm\"><em>Xylella  fastidiosa<\/em><\/a><\/strong>, bact\u00e9ria causadora da clorose variegada de citros,  popularmente conhecida como praga do amarelinho, e cujo vetor s\u00e3o pequenas  cigarras da fam\u00edlia <em>Cicadellidae<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cAo entender a intera\u00e7\u00e3o qu\u00edmica entre bact\u00e9ria e planta, podemos desenvolver  um metab\u00f3lito que iniba a prolifera\u00e7\u00e3o do pat\u00f3geno no vegetal ou ainda buscar  uma subst\u00e2ncia que controle a prolifera\u00e7\u00e3o do inseto vetor\u201d, explicou Maria de  F\u00e1tima.<\/p>\n<p>O controle dos insetos \u00e9 ambientalmente mais interessante do que a sua  elimina\u00e7\u00e3o completa, de acordo com a pesquisadora, pois ele pode ser o vetor de  uma doen\u00e7a para uma determinada planta e ao mesmo tempo o polinizador de outra.  Portanto, elimin\u00e1-lo resultaria em perdas ambientais maiores na regi\u00e3o em que o  inseto desaparecesse.<\/p>\n<p><strong>Formigas famintas<\/strong><\/p>\n<p>Outro bra\u00e7o dessa pesquisa investiga a formiga-cortadeira (<em>Atta sexdens  rubropilosa<\/em>), considerada praga de v\u00e1rios tipos de plantas. Para abordar o  problema, a equipe da Unesp de Rio Claro estuda o comportamento social desses  insetos e o grupo da UFSCar analisa os processos qu\u00edmicos envolvidos.<\/p>\n<p>Uma das abordagens envolve um ataque indireto. Em vez de atingir as pr\u00f3prias  formigas, uma subst\u00e2ncia desenvolvida no projeto elimina os fungos das quais  elas se alimentam.<\/p>\n<p>As formigas cortam as folhas das plantas e as levam para um compartimento do  formigueiro. Nele, as folhas alimentam uma col\u00f4nia de fungos que, por sua vez,  alimenta toda a comunidade de insetos.<\/p>\n<p>O produto desenvolvido na pesquisa pode ser aplicado sobre a planta ou sobre  o solo e \u00e9 absorvido pelo vegetal e se mistura \u00e0 seiva, espalhando-se por toda a  sua estrutura. O produto que fica nas folhas \u00e9 recolhido pela formiga e, uma vez  no formigueiro, inibe a prolifera\u00e7\u00e3o do fungo.<\/p>\n<p>Sem alimento suficiente, a col\u00f4nia de insetos abandona a \u00e1rea deixando aquela  planta\u00e7\u00e3o. \u201cEliminar completamente a formiga n\u00e3o seria interessante, pois elas  realizam fun\u00e7\u00f5es importantes como a aera\u00e7\u00e3o do solo\u201d, explicou Maria de  F\u00e1tima.<\/p>\n<p>A pesquisadora conta que foram desenvolvidos no \u00e2mbito do INCT dois produtos  para combater a <em>Xylella<\/em> <em>fastidiosa <\/em>e um para o controle da  formiga-cortadeira, que j\u00e1 despertaram o interesse de duas empresas. Os produtos  dever\u00e3o ser patenteados e comercializados.<\/p>\n<p>Algumas dessas sust\u00e2ncias s\u00e3o envolvidas em c\u00e1psulas de escala nanom\u00e9trica.  Esse encapsulamento imprime uma estabilidade muito maior ao princ\u00edpio ativo, que  dura mais e tem sua efic\u00e1cia aumentada. Isso permite que ele seja aplicado em  uma quantidade menor, gerando economia ao produtor agr\u00edcola.<\/p>\n<p><strong>Resist\u00eancia dos produtores<\/strong><\/p>\n<p>O INCT de Controle Biorracional de Insetos Pragas tamb\u00e9m est\u00e1 colaborando com  a elimina\u00e7\u00e3o de uma doen\u00e7a que atinge o mogno africano (<em>Khaya ivorensis<\/em>).  Essa esp\u00e9cie fornecedora de madeira foi importada com o intuito de substituir o  mogno brasileiro (<em>Swietenia macrophylla<\/em>), alvo da lagarta da mariposa  <em>Hypsipyla grandela<\/em>.<\/p>\n<p>Entretanto, embora resistente \u00e0 mariposa, o mogno africano come\u00e7ou a ser alvo  de um fungo que atinge o seu tronco e o deforma, inutilizando a parte  comercialmente mais valiosa da planta. O trabalho conjunto com a Ceplac do Par\u00e1  objetiva encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para o problema.<\/p>\n<p>A pesquisa foca ainda em diversos tipos de lagartas que atacam lavouras.  Est\u00e3o em testes subst\u00e2ncias naturais que inibem o desenvolvimento de suas larvas  ou que produzam insetos incapazes de atingir uma planta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora ambientalmente mais saud\u00e1vel, o controle biorracional de pragas  enfrenta um grande obst\u00e1culo para sua aplica\u00e7\u00e3o: a resist\u00eancia dos produtores  rurais.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 o maior obst\u00e1culo, n\u00e3o apenas no Brasil, mas em diversos outros  pa\u00edses. Muitos produtores consideram mais f\u00e1cil a aplica\u00e7\u00e3o de inseticidas e a  elimina\u00e7\u00e3o completa do inseto causador do problema, ainda que ele seja  importante para outras plantas e culturas\u201d, lamentou Maria de F\u00e1tima.<\/p>\n<p>INCT de Controle Biorracional de Insetos Pragas: <a href=\"http:\/\/www.cbip.ufscar.br\/\" target=\"_blank\">www.cbip.ufscar.br<\/a><\/p>\n<p>Por Fabio Reynol<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A aplica\u00e7\u00e3o de inseticidas pode resolver a incid\u00eancia de doen\u00e7as em uma determinada lavoura, mas traz uma s\u00e9rie de efeitos colaterais indesej\u00e1veis. Eliminar o inseto transmissor pode afetar a reprodu\u00e7\u00e3o de outras esp\u00e9cies vegetais que dependem dele para a poliniza\u00e7\u00e3o. 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