{"id":31151,"date":"2010-08-30T12:06:49","date_gmt":"2010-08-30T16:06:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=31151"},"modified":"2010-08-30T12:06:49","modified_gmt":"2010-08-30T16:06:49","slug":"desafios-e-limitacoes-dos-biocombustiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2010\/desafios-e-limitacoes-dos-biocombustiveis\/31151","title":{"rendered":"Desafios e limita\u00e7\u00f5es dos biocombust\u00edveis"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil poder\u00e1 produzir e exportar etanol em larga  escala sem que exista um mercado internacional para o <strong><em>biocombust\u00edvel<\/em><\/strong>? \u00c9 poss\u00edvel  confiar nos modelos utilizados para prever as mudan\u00e7as no uso do solo  decorrentes do aumento da produ\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar? As tecnologias  desenvolvidas no Brasil podem ser aplicadas em outros lugares do mundo?<\/p>\n<p>No \u00faltimo s\u00e1bado (28\/8), em Itatiba (SP), um grupo de especialistas em  biocombust\u00edveis respondeu a essas e muitas outras perguntas feitas por  proeminentes cientistas de \u00e1reas como geologia, matem\u00e1tica e astrof\u00edsica.<\/p>\n<p>O debate multidisciplinar sobre os avan\u00e7os, desafios e limita\u00e7\u00f5es dos  biocombust\u00edveis abriu o <em>UK-Brazil Frontiers of Science Symposium<\/em>, que  integra o programa Fronteiras da Ci\u00eancia, uma s\u00e9rie de encontros promovidos  periodicamente pela Royal Society em diversos pa\u00edses. Durante o evento, que se  encerra nesta segunda-feira (30\/8), 78 destacados cientistas do Brasil, do Reino  Unido e do Chile discutem importantes quest\u00f5es das fronteiras do  conhecimento.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o brasileira do evento foi organizada pela Royal Society e pela  FAPESP, em parceria com Consulado Brit\u00e2nico em S\u00e3o Paulo, Academia Brasileira de  Ci\u00eancias, Academia Chilena de Ci\u00eancias e Coopera\u00e7\u00e3o Reino Unido-Brasil em  Ci\u00eancia e Inova\u00e7\u00e3o. O objetivo \u00e9 estimular os participantes a refletir sobre os  novos rumos de diversas \u00e1reas do saber.<\/p>\n<p>No debate de abertura, a professora Glaucia Mendes de Souza, do Instituto de  Qu\u00edmica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), comentou que o etanol ainda n\u00e3o se  tornou uma <em>commodity<\/em> e isso poder\u00e1 ser um obst\u00e1culo para os planos  brasileiros de expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o do biocombust\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cO projeto nacional \u00e9 aumentar a produ\u00e7\u00e3o de etanol para que o pa\u00eds se torne  o grande fornecedor mundial do biocombus\u00edvel. Mas, para isso, precisamos ter um  mercado internacional de biocombust\u00edveis. Uma das sa\u00eddas \u00e9 fazer com que o  etanol se torne uma <em>commodity<\/em>\u201d, disse Glaucia, que \u00e9 uma das  coordenadoras do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).<\/p>\n<p>Segundo ela, an\u00e1lises sugerem que o advento de um mercado internacional n\u00e3o  seria vantajoso para o Brasil, pois ao transformar o etanol em <em>commodity<\/em> o pa\u00eds deixaria de ser competitivo. Mas a pesquisadora afirma que s\u00f3 assim o  etanol nacional poderia ganhar o espa\u00e7o desejado no contexto mundial.<\/p>\n<p>\u201cSem um mercado internacional, n\u00e3o h\u00e1 regula\u00e7\u00e3o e isso gera incertezas.  Trata-se de uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a energ\u00e9tica. Se quisermos propor que o  Brasil seja uma fonte de etanol para o mundo, precisamos de um mercado  internacional regulado. Transformar o etanol em <em>commodity<\/em> implica  padroniza\u00e7\u00e3o, acesso \u00e0 bolsa de valores e mercadorias e garantia de oferta\u201d,  disse Glaucia \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da aus\u00eancia de um mercado internacional, o principal obst\u00e1culo \u00e0  expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, segundo Glaucia, \u00e9 o excesso de barreiras tarif\u00e1rias. \u201c\u00c9  preciso tamb\u00e9m produzir estudos capazes de dirimir qualquer desconfian\u00e7a  internacional relacionada \u00e0 sustentabilidade do etanol. O mercado tamb\u00e9m est\u00e1  sendo definido por essa discuss\u00e3o \u201d, afirmou.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es de sustentabilidade est\u00e3o sendo debatidas no \u00e2mbito internacional  para definir quais biocombust\u00edveis ir\u00e3o efetivamente diminuir a emiss\u00e3o dos  gases de efeito estufa. Os Estados Unidos, por meio da Environmental Protection  Agency (EPA) j\u00e1 definiu o etanol brasileiro como biocombust\u00edvel avan\u00e7ado. Essa  iniciativa foi um importante passo para o Brasil.<\/p>\n<p>\u201cAgora, a Europa est\u00e1 debatendo publicamente uma nova legisla\u00e7\u00e3o sobre  biocombust\u00edveis. O continente decidir\u00e1 se, ao avaliar a sustentabilidade, levar\u00e1  em considera\u00e7\u00e3o as mudan\u00e7as no uso da terra. Isso poder\u00e1 gerar barreiras, pois \u00e9  muito dif\u00edcil medir essas mudan\u00e7as, especialmente em rela\u00e7\u00e3o aos seus efeitos  indiretos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da confiabilidade dos modelos utilizados para medir os efeitos  indiretos das mudan\u00e7as de uso do solo foi levantada, durante o evento, por  cientistas de outras \u00e1reas. Segundo Glaucia, de fato ainda h\u00e1 grandes  limita\u00e7\u00f5es, que demandam grandes esfor\u00e7os de pesquisa.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 conhecimento suficiente em muitos dos par\u00e2metros usados para medir os  efeitos indiretos. Os modelos que existem s\u00e3o ainda tentativos. Trata-se de uma  \u00e1rea nova do conhecimento e a ci\u00eancia ainda n\u00e3o est\u00e1 madura nesse campo. Temos  um longo caminho de estudos pela frente\u201d, disse.<\/p>\n<p>No est\u00e1gio atual, com poucos dados para servir de par\u00e2metros aos modelos, a  maior parte deles n\u00e3o gera resultados confi\u00e1veis, segundo Glaucia. \u201cHoje,  pode-se provar pontos contradit\u00f3rios de acordo com os par\u00e2metros que forem  usados. Para chegar a um consenso sobre como usar os modelos, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9  ter uma comunidade de cientistas debatendo intensamente. Para isso, \u00e9 preciso  aumentar o n\u00famero de pesquisadores na \u00e1rea\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Cientistas brit\u00e2nicos, durante o simp\u00f3sio, demonstraram preocupa\u00e7\u00e3o em  rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viabilidade do etanol como biocombust\u00edvel em contextos diferentes do  brasileiro e \u00e0 aplicabilidade, em outros pa\u00edses, do avan\u00e7ado conhecimento  produzido no Brasil sobre o etanol. De acordo com os pesquisadores brasileiros ,  a cana-de-a\u00e7\u00facar pode ser plantada em outras regi\u00f5es e tem grande potencial para  ser utilizada em produ\u00e7\u00e3o de etanol em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que n\u00e3o teremos uma \u00fanica resposta para a quest\u00e3o energ\u00e9tica. Mas,  com toda certeza, o etanol ser\u00e1 uma delas. Outros pa\u00edses poder\u00e3o produzir  tamb\u00e9m. O Brasil, no entanto, j\u00e1 tem h\u00e1 muito tempo uma legisla\u00e7\u00e3o sobre  biocombust\u00edveis e fez esfor\u00e7os para o avan\u00e7o do conhecimento sobre etanol que  n\u00e3o t\u00eam paralelo no mundo. Com isso, o que est\u00e1 ocorrendo \u00e9 que o pa\u00eds n\u00e3o  apenas se destaca como o principal produtor da planta, mas est\u00e1 se tornando uma  refer\u00eancia para modelos de biorrefinarias\u201d, disse.<\/p>\n<p>Por F\u00e1bio de Castro, de Itatiba (SP)<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil poder\u00e1 produzir e exportar etanol em larga escala sem que exista um mercado internacional para o biocombust\u00edvel? \u00c9 poss\u00edvel confiar nos modelos utilizados para prever as mudan\u00e7as no uso do solo decorrentes do aumento da produ\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar? As tecnologias desenvolvidas no Brasil podem ser aplicadas em outros lugares do mundo? 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