{"id":31567,"date":"2010-09-21T12:30:45","date_gmt":"2010-09-21T16:30:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=31567"},"modified":"2010-09-21T12:30:45","modified_gmt":"2010-09-21T16:30:45","slug":"interacao-entre-a-floresta-e-o-clima-da-regiao-amazonica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2010\/interacao-entre-a-floresta-e-o-clima-da-regiao-amazonica\/31567","title":{"rendered":"Intera\u00e7\u00e3o entre a floresta e o clima da regi\u00e3o Amaz\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<p>Um estudo da revista <em>Science<\/em>, realizado na Amaz\u00f4nia, acaba de elucidar uma  s\u00e9rie de mecanismos de intera\u00e7\u00e3o entre a floresta e o clima da regi\u00e3o Amaz\u00f4nica,  por meio da emiss\u00e3o de part\u00edculas de aeross\u00f3is \u2013 part\u00edculas s\u00f3lidas ou l\u00edquidas  suspensas na atmosfera.<\/p>\n<p>Coordenado por Paulo  Artaxo, professor do Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo e  membro da coordena\u00e7\u00e3o do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas  Globais, o trabalho teve a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Universidade de  Harvard, nos Estados Unidos, do Instituto Max Planck da Alemanha, do Instituto  Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa) e de outras institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia \u00e9 uma das poucas regi\u00f5es continentais em que as part\u00edculas de  aeross\u00f3is e seus efeitos clim\u00e1ticos n\u00e3o s\u00e3o dominados por fontes antropog\u00eanicas  \u2013 derivadas da a\u00e7\u00e3o humana. Durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa, as condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas  da Amaz\u00f4nia lembram as condi\u00e7\u00f5es limpas pr\u00e9-industriais do ponto de vista das  part\u00edculas de aeross\u00f3is.<\/p>\n<p>\u201cForam medidas concentra\u00e7\u00f5es ultrabaixas de part\u00edculas, de cerca de 200  part\u00edculas por cent\u00edmetro c\u00fabico, enquanto em \u00e1rea continentais no hemisf\u00e9rio  Norte esta concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 de cerca de 20 mil a 30 mil part\u00edculas por cent\u00edmetro  c\u00fabico, por causa da polui\u00e7\u00e3o sempre presente\u201d, explicou Artaxo.<\/p>\n<p>O estudo mostra que a Amaz\u00f4nia \u00e9 um forte reator biogeoqu\u00edmico, no qual a  biosfera e a atmosfera produzem n\u00facleos para a forma\u00e7\u00e3o de nuvens e sustentam o  vigoroso ciclo hidrol\u00f3gico na regi\u00e3o. \u201cO regime de intera\u00e7\u00f5es  aeross\u00f3is-nuvens-precipita\u00e7\u00e3o nesse ambiente natural \u00e9 muito distinto de regi\u00f5es  polu\u00eddas de nosso planeta\u201d, disse.<\/p>\n<p>O estudo revelou mecanismos em que a floresta emite diretamente part\u00edculas  que s\u00e3o chave na nuclea\u00e7\u00e3o de nuvens. As propriedades f\u00edsico-qu\u00edmicas dessas  part\u00edculas revelam mecanismos de forma\u00e7\u00e3o de aeross\u00f3is secund\u00e1rios na atmosfera  da Amaz\u00f4nia que s\u00e3o muito particulares.<\/p>\n<p>\u201cCerca de 85% da massa de aeross\u00f3is da fra\u00e7\u00e3o fina das part\u00edculas (aeross\u00f3is  menores que 2,5 micrometros) \u00e9 constitu\u00edda de part\u00edculas org\u00e2nicas, em forte  contraste com \u00e1reas oce\u00e2nicas e \u00e1reas continentais polu\u00eddas, dominadas por  compostos inorg\u00e2nicos tais como sulfatos e nitratos\u201d, disse Artaxo.<\/p>\n<p>O estudo mostrou que a composi\u00e7\u00e3o das part\u00edculas de aeross\u00f3is na Amaz\u00f4nia \u00e9  muito particular e reflete como eram as condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas nos ecossistemas  terrestres h\u00e1 milhares de anos, antes da polui\u00e7\u00e3o generalizada que caracteriza a  atmosfera continental atual, em particular no hemisf\u00e9rio Norte.<\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia \u00e9 uma das poucas regi\u00f5es continentais (a outra \u00e9 a Ant\u00e1rtica) em  que ainda \u00e9 poss\u00edvel observar condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas extremamente limpas durante  a esta\u00e7\u00e3o chuvosa, que foi quando o estudo foi realizado.<\/p>\n<p>O estudo mostra que as part\u00edculas submicrom\u00e9tricas, que s\u00e3o a maior parte dos  n\u00facleos de condensa\u00e7\u00e3o de nuvens, s\u00e3o predominantemente compostas de material  org\u00e2nico secund\u00e1rio formado na atmosfera pela oxida\u00e7\u00e3o de compostos biog\u00eanicos  gasosos emitidos pela vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCompostos vol\u00e1teis gasosos emitidos para a atmosfera pelas plantas s\u00e3o  oxidados por rea\u00e7\u00f5es com oz\u00f4nio e radicais hidroxila que mudam sua estrutura  qu\u00edmica adicionando \u00e1tomos de oxig\u00eanio. Isso faz com que estes compostos sejam  menos vol\u00e1teis e condensam formando novas part\u00edculas ou se condensando em  part\u00edculas pr\u00e9-existentes\u201d, disse Artaxo.<\/p>\n<p>Essas part\u00edculas servem como n\u00facleos nos quais vapor de \u00e1gua atmosf\u00e9rico  condensa e nuvens s\u00e3o formadas. Esses mecanismos s\u00e3o fundamentais para o ciclo  hidrol\u00f3gico da Amaz\u00f4nia e no balan\u00e7o radiativo atmosf\u00e9rico. Por outro lado, as  part\u00edculas maiores que 1 micrometro s\u00e3o emitidas diretamente pela vegeta\u00e7\u00e3o e  constituem uma fra\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria dos n\u00facleos de condensa\u00e7\u00e3o de gelo, que formam  nuvens convectivas profundas e congeladas na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00facleos de gelo que s\u00e3o necess\u00e1rios para a forma\u00e7\u00e3o de nuvens profundas na  Amaz\u00f4nia foram observados como sendo origin\u00e1rios majoritariamente de processos  biol\u00f3gicos, emitidos pela vegeta\u00e7\u00e3o como part\u00edculas prim\u00e1rias\u201d, disse o  pesquisador que coordena atualmente o Projeto Tem\u00e1tico \u201cAeroclima \u2013 Efeitos  diretos e indiretos de aeross\u00f3is no clima na Amaz\u00f4nia e no Pantanal\u201d, apoiado  pela FAPESP.<\/p>\n<p>O estudo \u2013 que al\u00e9m da FAPESP teve apoio financeiro do CNPq, da National  Science Foundation (Estados Unidos) e do Instituto Max Planck, entre outras  ag\u00eancias de fomento \u2013 mostra tamb\u00e9m que o n\u00famero e o tamanho de part\u00edculas de  aeross\u00f3is \u00e9 mais importante do que as propriedades das part\u00edculas de absorver  l\u00edquidos. Isso tem implica\u00e7\u00f5es importantes nos mecanismos de produ\u00e7\u00e3o de nuvens  convectivas sobre a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cAs implica\u00e7\u00f5es do estudo indicam que as atividades humanas est\u00e3o  definitivamente alterando de modo intenso as propriedades atmosf\u00e9ricas em amplas  \u00e1reas de nosso planeta, e os mecanismos de forma\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de nuvens  est\u00e3o sendo modificados pela a\u00e7\u00e3o do homem\u201d, afirmou Artaxo.<\/p>\n<p>\u201cA alta atividade biol\u00f3gica controlando processos atmosf\u00e9ricos da regi\u00e3o  Amaz\u00f4nica mostra que os seres vivos de nosso planeta de certo modo moldam o meio  ambiente de acordo com suas necessidades. Mas, quando a polui\u00e7\u00e3o industrial  domina, esses mecanismos s\u00e3o suprimidos. Para entender o futuro do clima de  nosso planeta, precisamos compreender como o clima era formado antes do advento  da revolu\u00e7\u00e3o industrial e a contamina\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica que ocorreu nos \u00faltimos  s\u00e9culos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, o estudo adiciona mecanismos cient\u00edficos mais s\u00f3lidos  para entender o papel da floresta amaz\u00f4nica no clima global, e como as  altera\u00e7\u00f5es no uso do solo em curso na Amaz\u00f4nia podem influenciar o clima da  regi\u00e3o e do planeta como um todo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Artaxo, o artigo \u00e9 assinado pelos brasileiros Theotonio Mendes  Pauliquevis, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, e Ant\u00f4nio Manzi, do Inpa.<\/p>\n<p>Na mesma edi\u00e7\u00e3o da <em>Science<\/em>, um artigo de Antony Clarke e Vladimir  Kapustin, da Universidade do Hava\u00ed, nos Estados Unidos, descreve estudo feito  com aeross\u00f3is atmosf\u00e9ricos sobre v\u00e1rias regi\u00f5es do oceano Pac\u00edfico. Os  pesquisadores observaram que os tipos de part\u00edculas diferem bastante, dependendo  de onde t\u00eam origem.<\/p>\n<p>O estudo concluiu que a quantidade de aeross\u00f3is  aumenta grandemente quando s\u00e3o origin\u00e1rios de atividades humanas, como a queima  de combust\u00edveis f\u00f3sseis e da biomassa, em compara\u00e7\u00e3o com as part\u00edculas  atmosf\u00e9ricas suspensas observadas sobre as regi\u00f5es mais remotas e limpas.<\/p>\n<p>Segundo a <em>Science<\/em>, juntos, os dois estudos destacam diferen\u00e7as  importantes entre aeross\u00f3is originados de processos naturais e da a\u00e7\u00e3o  antropog\u00eanica.<\/p>\n<p>Como os aeross\u00f3is atmosf\u00e9ricos t\u00eam influ\u00eancia tanto no clima global como na  sa\u00fade humana, os resultados das duas pesquisas dever\u00e3o ajudar a compreender  melhor o processo de forma\u00e7\u00e3o de nuvens, as diferen\u00e7as qu\u00edmicas espec\u00edficas  entre ambientais naturais e polu\u00eddos e, tamb\u00e9m, a criar modelos para avaliar  como mudan\u00e7as em regi\u00f5es como a Bacia Amaz\u00f4nica podem afetar a atmosfera tanto  regional como globalmente.<\/p>\n<p>Os artigos <em>Rainforest Aerosols as Biogenic Nuclei of Clouds and  Precipitation in the Amazon<\/em> (doi:10.1126\/science.1191056), de Ulrich P\u00f6schl,  Paulo Artaxo e outros, e <em>Hemispheric Aerosol Vertical Profiles: Anthropogenic  Impacts on Optical Depth and Cloud Nuclei<\/em> (doi:10.1126\/science.1188838), de  Clarke e Kapustin, podem ser lidos por assinantes da <em>Science<\/em> em <strong><a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/\" target=\"_blank\">www.sciencemag.org<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo da revista Science, realizado na Amaz\u00f4nia, acaba de elucidar uma s\u00e9rie de mecanismos de intera\u00e7\u00e3o entre a floresta e o clima da regi\u00e3o Amaz\u00f4nica, por meio da emiss\u00e3o de part\u00edculas de aeross\u00f3is \u2013 part\u00edculas s\u00f3lidas ou l\u00edquidas suspensas na atmosfera. 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