{"id":3793,"date":"2009-06-25T18:37:36","date_gmt":"2009-06-25T22:37:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=3793"},"modified":"2009-06-25T18:37:36","modified_gmt":"2009-06-25T22:37:36","slug":"escritor-ronaldo-correia-de-brito-lanca-romance-%e2%80%9cgalileia%e2%80%9d-e-e-figura-central-de-debate-literario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/escritor-ronaldo-correia-de-brito-lanca-romance-%e2%80%9cgalileia%e2%80%9d-e-e-figura-central-de-debate-literario\/3793","title":{"rendered":"Escritor Ronaldo Correia de Brito lan\u00e7a romance \u201cGalileia\u201d e \u00e9 figura central de debate liter\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Considerado um dos tr\u00eas melhores romances brasileiros de 2008, o livro \u201cGalileia\u201d ser\u00e1 alvo de debate, tendo como figura central o seu autor, Ronaldo Correia de Brito, uma das vozes mais originais da literatura brasileira contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>O debate e o lan\u00e7amento do livro acontecer\u00e3o dentro do programa\u00a0<strong><em>Literato<\/em><\/strong>, no cineteatro do Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 \u2013 2\u00ba andar \u2013 Centro \u2013 fone: (85) 3464.3108), na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira, 30, \u00e0s 19 horas, com entrada franca.<\/p>\n<p>Ronaldo Correia de Brito conversar\u00e1 sobre literatura e a sua obra em lan\u00e7amento com os escritores Pedro Salgueiro e Jorge Pieiro, al\u00e9m do p\u00fablico presente ao Centro Cultural, que poder\u00e1 formular perguntas por escrito.<\/p>\n<p>Para Antonio Gon\u00e7alves Filho, cr\u00edtico do jornal\u00a0<em>O Estado de S. Paulo<\/em>, o modo de constru\u00e7\u00e3o de Ronaldo Correia de Brito no romance \u201cGalileia\u201d \u00e9 cinematogr\u00e1fico. \u201cEcon\u00f4mico, conciso, cortante, ele re\u00fane os fragmentos da tradi\u00e7\u00e3o oral e ergue uma catedral liter\u00e1ria com os cacos da ru\u00edna sertaneja e da trag\u00e9dia cl\u00e1ssica\u201d, destaca.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de vida e trajet\u00f3ria art\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p>Ronaldo Correia de Brito nasceu em Saboeiro, sert\u00e3o dos Inhamuns, no Cear\u00e1, em 1\u00ba de outubro de 1950. Mora em Recife desde os 17 anos. \u00c9 m\u00e9dico formado pela Universidade Federal de Pernambuco.<\/p>\n<p>Desenvolveu pesquisas e escreveu diversos textos sobre literatura oral e brinquedos de tradi\u00e7\u00e3o popular, al\u00e9m de ter sido escritor residente e professor visitante da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkeley, no ano de 2007.<\/p>\n<p>Escreveu os livros de contos \u201cAs noites e os dias\u201d (1997), editado pela Baga\u00e7o, \u201cFaca\u201d (2003), \u201cLivro dos homens\u201d (2005) e a novela infanto-juvenil \u201cO pav\u00e3o misterioso\u201d (2004), todos publicados pela Cosac Naify.<\/p>\n<p>Dramaturgo e encenador, \u00e9 autor das pe\u00e7as \u201cBaile do menino Deus\u201d, encenada j\u00e1 h\u00e1 25 anos por todo o Brasil, \u201cBandeira de S\u00e3o Jo\u00e3o\u201d e \u201cArlequim\u201d. Escreveu durante sete anos para a coluna Entremez, da revista Continente Multicultural (Recife\/PE), e atualmente assina uma coluna semanal na revista Terra Magazine, do Portal Terra.<\/p>\n<p><strong>Um releitura do sert\u00e3o: romance \u201cGalileia\u201d, por Ronaldo Correia de Brito<\/strong><\/p>\n<p>Quando lancei\u00a0<em>As noites e os dias<\/em>, em 1997, pela editora Baga\u00e7o, o poeta Alberto Cunha Melo escreveu que meus personagens s\u00e3o complexamente urbanos e habitam um sert\u00e3o sem endere\u00e7o certo, que pode estar em qualquer latitude. Em\u00a0<em>Galileia<\/em>, os primos Davi, Ismael e Adonias procuram reconstruir suas vidas na Noruega, no Recife e em S\u00e3o Paulo, longe do sert\u00e3o em que nasceram. Por mais que eles tenham se distanciado da viol\u00eancia que ronda a fam\u00edlia, voltar\u00e3o a senti-la de perto, descobrindo que nunca escaparam ao destino que os cerca.<\/p>\n<p>O sert\u00e3o tanto pode significar um espa\u00e7o m\u00edtico como um acidente geogr\u00e1fico. Santo Agostinho perguntava sobre o tempo: o que \u00e9 o tempo? Se n\u00e3o me perguntam eu sei, se me perguntam, desconhe\u00e7o. O que \u00e9 o sert\u00e3o? Se n\u00e3o me perguntam eu sei, se me perguntam desconhe\u00e7o. O sert\u00e3o \u00e9 abstrato ou real como o tempo. E continuar\u00e1 sendo tema para a literatura. O sert\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o de mem\u00f3ria confundido com o urbano. \u00c9 o melhor lugar do mundo para acessar a Internet, porque as Lan Houses cobram apenas cinquenta centavos por hora.\u00a0<em>Galileia<\/em> trata dessas idas e vindas, mergulhos e retornos nesse mundo suburbano chamado sert\u00e3o.<\/p>\n<p>Sou inteiramente aberto \u00e0s influ\u00eancias. N\u00e3o estou nem a\u00ed para qualquer tipo de fidelidade. Sou marcado pela escrita de Rulfo, Borges e de v\u00e1rios escritores russos. O livro que marcou mais profundamente minha escrita foi a Hist\u00f3ria Sagrada, que sempre li como um comp\u00eandio de narrativas e nunca como um escrito religioso. Concordo com o ponto de vista de Robert Alter de que a B\u00edblia \u00e9 prosa de fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu precisava escrever um romance para ter mais espa\u00e7o para discuss\u00f5es que n\u00e3o cabem no conto. Mas, sou um romancista conciso. Nunca conseguiria escrever centenas de p\u00e1ginas como os russos e os escritores de l\u00edngua inglesa. Levei a mesma tens\u00e3o dos meus contos para o romance. E isso se alcan\u00e7a em poucas p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Trabalho duas propostas de \u00cdtalo Calvino na minha literatura: a exatid\u00e3o e a rapidez. Sou obsessivo em tentar dizer o essencial com poucas palavras. A cada dia me preocupo menos com o efeito das frases. J\u00e1 n\u00e3o tento alcan\u00e7ar a beleza; prefiro alcan\u00e7ar a verdade. Quase n\u00e3o crio met\u00e1foras e censuro os adjetivos. Acho que sou esquem\u00e1tico, o que n\u00e3o deixa de ser um perigo para a literatura. Mas n\u00e3o suporto gorduras, sempre busco chegar ao osso.<\/p>\n<p>Sou um escritor psicanalisado e minha escrita reflete isso. Nunca quis exercer o papel de psicanalista, embora tenha feito forma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o conhe\u00e7o boa literatura escrita por psicanalistas. O h\u00e1bito profissional da escuta e da escrita psicanal\u00edtica contamina a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e o resultado \u00e9 sempre ruim. Freud escreveu boa literatura. N\u00e3o digo o mesmo de Jacques Lacan.<\/p>\n<p>Quando terminei de escrever\u00a0<em>Galileia<\/em>, tive a impress\u00e3o de que havia escrito o roteiro de um filme. Escrevo sempre a partir de impress\u00f5es visuais, arranjos de cena. Nunca escrevi por sugest\u00e3o deste ou daquele texto liter\u00e1rio. As imagens do cinema me sugerem muito mais profundamente do que um conto ou novela. Escrevo teatro com facilidade. Sou um homem de teatro, conhe\u00e7o a carpintaria teatral. Escrever para cinema e teatro \u00e9 bom porque podemos acompanhar a encena\u00e7\u00e3o ou a filmagem, vemos a transforma\u00e7\u00e3o do texto numa outra linguagem.<\/p>\n<p>Escrever \u00e9 um of\u00edcio custoso. \u00c9 necess\u00e1rio ler muito, aguentar o tranco da solid\u00e3o, ser capaz de uma viagem interior e estar sempre aberto \u00e0s novas experi\u00eancias da escrita. \u00c9 um of\u00edcio amargo, duro, uma verdadeira ascese. N\u00e3o vejo nenhum\u00a0<em>glamour<\/em> em ser escritor. S\u00f3 reconhe\u00e7o nessa profiss\u00e3o muito trabalho, uma busca permanente da literatura e horas cont\u00ednuas de estudo.<\/p>\n<p>Continuo trabalhando como m\u00e9dico e n\u00e3o pretendo me afastar da medicina, nunca. Escrever e atuar como m\u00e9dico s\u00e3o atividades sem conflito. Acho que n\u00e3o seria escritor sem o longo e exaustivo exerc\u00edcio da medicina. Todos os dias eu convivo com o sofrimento, com a doen\u00e7a, com a morte e a alegria da cura. Ou\u00e7o hist\u00f3rias que anoto e que podem aparecer em algum conto ou novela. Em &#8220;Livro dos Homens&#8221; existem dois contos desenvolvidos a partir de minha viv\u00eancia no hospital.<\/p>\n<p>S\u00f3 consigo viver fazendo muitas coisas. Todas elas est\u00e3o harmonizadas e \u00e9 como se eu me movimentasse dentro de um mesmo universo. Gostaria de escrever um livro que me deixasse satisfeito. Isso nunca acontecer\u00e1. Estou sempre esperando por esse livro. Ah, se fosse\u00a0<em>Galileia<\/em>! Mas tenho consci\u00eancia da minha permanente insatisfa\u00e7\u00e3o e j\u00e1 estou trabalhando em novos livros. Queria viver mais serenamente, sem a ang\u00fastia da espera. N\u00e3o desejar e n\u00e3o esperar. Isso \u00e9 quase a santidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considerado um dos tr\u00eas melhores romances brasileiros de 2008, o livro \u201cGalileia\u201d ser\u00e1 alvo de debate, tendo como figura central o seu autor, Ronaldo Correia de Brito, uma das vozes mais originais da literatura brasileira contempor\u00e2nea. 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