{"id":40715,"date":"2012-09-17T10:09:29","date_gmt":"2012-09-17T13:09:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=40715"},"modified":"2012-09-17T10:09:29","modified_gmt":"2012-09-17T13:09:29","slug":"latitude-influencia-a-regulacao-do-sono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2012\/latitude-influencia-a-regulacao-do-sono\/40715","title":{"rendered":"Latitude influencia a regula\u00e7\u00e3o do sono"},"content":{"rendered":"<p>A dificuldade para acordar cedo que algumas pessoas apresentam pode n\u00e3o ser simplesmente uma quest\u00e3o de pregui\u00e7a, mas resultado de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores gen\u00e9ticos e ambientais, entre eles a posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica em que se vive. \u00c9 o que indicam estudos realizados no <em><strong><a href=\"http:\/\/www.sono.org.br\/\" target=\"_blank\"> Instituto do Sono <\/a><\/strong><\/em>, um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) apoiado pela FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cPessoas que moram perto da linha do Equador t\u00eam maior tend\u00eancia \u00e0 matutinidade, ou seja, prefer\u00eancia por acordar e dormir cedo. \u00c0 medida que nos aproximamos dos polos, os indiv\u00edduos v\u00e3o se tornando mais vespertinos\u201d, contou Mario Pedrazzoli, professor da Escola de Artes, Ci\u00eancias e Humanidades da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Os dados, que est\u00e3o sendo submetidos para publica\u00e7\u00e3o, foram apresentados na 27\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Federa\u00e7\u00e3o de Sociedades de Biologia experimental (FeSBE), realizada em \u00c1guas de Lindoia entre 22 e 25 de agosto.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese de que a latitude seria um dos elementos reguladores do ciclo de sono e vig\u00edlia foi levantada em 2005, contou Pedrazzoli. A equipe havia acabado de publicar na revista <a href=\"http:\/\/www.journalsleep.org\/articles\/280102.pdf\" target=\"_blank\"> Sleep<\/a> resultados de uma <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/63200\/busca-polimorfismos-genes-circadianos-per2\/\" target=\"_blank\">pesquisa<\/a> financiada pela FAPESP que mostrava associa\u00e7\u00e3o entre uma determinada varia\u00e7\u00e3o no gene PER3 e a s\u00edndrome da fase atrasada do sono.<\/p>\n<p>\u201cPessoas com esse dist\u00farbio sentem sono muito mais tarde do que a m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o, por volta de quatro ou cinco horas da madrugada. Isso pode ser um problema para quem precisa acordar cedo\u201d, disse Pedrazzoli.<\/p>\n<p>Com base em estudos amostrais, os pesquisadores calcularam que a varia\u00e7\u00e3o al\u00e9lica em homozigose no gene PER3 associada ao dist\u00farbio de sono est\u00e1 presente em cerca de 10% dos indiv\u00edduos, mas apenas uma parcela pequena desse grupo desenvolve a s\u00edndrome.<\/p>\n<p>\u201cIsso sugere que parte do problema \u00e9 resultante da gen\u00e9tica e parte, do ambiente. Surgiu ent\u00e3o a suspeita de que a posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica em que a pessoa vive pudesse influenciar na regula\u00e7\u00e3o do sono\u201d, disse Pedrazzoli.<\/p>\n<p>Para testar a hip\u00f3tese, os pesquisadores entrevistaram 16 mil pessoas de todos os Estados brasileiros por meio de um question\u00e1rio que ficou dispon\u00edvel na internet entre 2005 e 2007. O levantamento contou com apoio do CNPq.<\/p>\n<p>As perguntas buscavam investigar os hor\u00e1rios em que as pessoas preferiam comer, trabalhar, fazer exerc\u00edcios, dormir e acordar. A cada resposta era atribu\u00eddo um valor e a somat\u00f3ria final indicava se o indiv\u00edduo era do tipo matutino, vespertino ou intermedi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para interpretar os resultados, os cientistas se basearam na teoria de que a altera\u00e7\u00e3o entre per\u00edodos claros e escuros regula os processos fisiol\u00f3gicos do organismo, como o sono e o apetite. \u201cSegundo essa teoria, quanto mais cedo o indiv\u00edduo receber o primeiro sinal luminoso pela manh\u00e3, mais cedo ele sentir\u00e1 sono\u201d, explicou Pedrazzoli.<\/p>\n<p>Mas o hor\u00e1rio em que o sol nasce em cada cidade n\u00e3o era o \u00fanico fator que estava influenciando os resultados do estudo. \u201cPerto do Equador, o dia iluminado dura aproximadamente 12 horas o ano inteiro. Mas, quanto maior a latitude, maior \u00e9 a varia\u00e7\u00e3o no per\u00edodo iluminado. Percebemos que essa era a vari\u00e1vel que fazia a diferen\u00e7a\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Isso quer dizer, por exemplo, que embora o sol nas\u00e7a praticamente no mesmo hor\u00e1rio em Natal e em Porto Alegre durante o ver\u00e3o, o por do sol acontece mais tarde no Sul do pa\u00eds, estimulando os moradores da regi\u00e3o a ficarem acordados mais tempo.<\/p>\n<p>J\u00e1 no inverno, o sol se p\u00f5e praticamente no mesmo hor\u00e1rio no Norte e no Sul, mas nasce mais cedo em Natal do que em Porto Alegre, estimulando os potiguares a acordar e a dormir mais cedo do que os ga\u00fachos.<\/p>\n<p>Atualmente, Pedrazzoli coordena um novo <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/projetos-regulares\/54752\/caracterizacao-fenotipica-ritmos-circadianos-individuos\" target=\"_blank\">projeto de pesquisa<\/a>, financiado pela FAPESP, que tem como objetivo investigar o gen\u00f3tipo de amostras populacionais das cidades de Natal, S\u00e3o Paulo e Porto Alegre.<\/p>\n<p>\u201cQueremos estudar as varia\u00e7\u00f5es no gene PER3 e os padr\u00f5es de sono dessas popula\u00e7\u00f5es ao longo do ano, nos meses de dias mais curtos e de dias mais longos\u201d, contou.<\/p>\n<p>Intera\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>O gene PER3 \u00e9 respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de uma prote\u00edna que ajuda a regular os per\u00edodos do dia em que as pessoas est\u00e3o mais ou menos ativas. Segundo Pedrazzoli, a exist\u00eancia de varia\u00e7\u00f5es nesse gene foi descrita pela primeira vez em 2001.<\/p>\n<p>\u201cFicamos intrigados porque a regi\u00e3o do gene em que essa varia\u00e7\u00e3o foi encontrada n\u00e3o existia em outros mam\u00edferos normalmente usados em experimentos de laborat\u00f3rio. Desconfiamos que ela estivesse presente apenas em humanos\u201d, contou.<\/p>\n<p>Mas o de doutorado de Flavia Cal Sabino, realizada na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) com orienta\u00e7\u00e3o de Pedrazzoli e Bolsa da FAPESP, investigou diversas esp\u00e9cies de macacos e mostrou que essa regi\u00e3o do genoma existe apenas nas esp\u00e9cies primatas.<\/p>\n<p>\u201cTodos os mam\u00edferos tem o gene PER3, mas parece que foi inserido um peda\u00e7o adicional no genoma dos primatas ao longo do processo evolutivo. Curiosamente, os primatas s\u00e3o animais diurnos, enquanto a maioria dos mam\u00edferos tem h\u00e1bitos noturnos\u201d, disse Pedrazzoli.<\/p>\n<p>Em outro <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/109005\/caracterizacao-fenotipica-camundongos-knock-out\/\">projeto<\/a> de doutorado orientado por Pedrazzoli, Danyella Silva Pereira, da Unifesp, silenciou o gene PER3 em camundongos para medir o impacto no comportamento de sono dos animais.<\/p>\n<p>\u201cAgora estamos trabalhando com animais transg\u00eanicos. A ideia \u00e9 inserir esse peda\u00e7o do gene que s\u00f3 existe em primatas nos camundongos e mimetizar em laborat\u00f3rio a varia\u00e7\u00e3o de dias curtos e longos para entender melhor a intera\u00e7\u00e3o entre o PER3 e o comportamento de sono\u201d, contou Pedrazzoli.<\/p>\n<p>Esse conhecimento, avaliou, poder\u00e1 se \u00fatil na medicina preventiva. \u201cSe conseguirmos identificar um gen\u00f3tipo mais propenso a sofrer dist\u00farbios do sono, o m\u00e9dico poder\u00e1 orientar essa pessoa a mudar h\u00e1bitos ou evitar atividades que possam favorecer a doen\u00e7a, como trabalhar \u00e0 noite, por exemplo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Por Karina Toledo<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dificuldade para acordar cedo que algumas pessoas apresentam pode n\u00e3o ser simplesmente uma quest\u00e3o de pregui\u00e7a, mas resultado de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores gen\u00e9ticos e ambientais, entre eles a posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica em que se vive. \u00c9 o que indicam estudos realizados no Instituto do Sono , um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":37376,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-40715","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40715"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40715\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}