{"id":43665,"date":"2013-04-10T13:52:47","date_gmt":"2013-04-10T16:52:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=43665"},"modified":"2013-04-10T13:52:47","modified_gmt":"2013-04-10T16:52:47","slug":"pesquisa-com-fosseis-coletados-nos-estados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/pesquisa-com-fosseis-coletados-nos-estados\/43665","title":{"rendered":"Pesquisa com f\u00f3sseis coletados nos estados"},"content":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 o maior epis\u00f3dio de extin\u00e7\u00e3o em massa da hist\u00f3ria da Terra ocorreu na passagem do Permiano (o per\u00edodo situado entre 290 e 245 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s) para o Tri\u00e1ssico (entre 245 e 200 milh\u00f5es de anos). A hip\u00f3tese mais aceita \u00e9 a de que eventos vulc\u00e2nicos ocorridos na Sib\u00e9ria tenham alterado a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da atmosfera, resultando em mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, altera\u00e7\u00f5es na circula\u00e7\u00e3o das correntes marinhas e, por fim, a extin\u00e7\u00e3o em massa.\u00a0Em busca de pistas para entender melhor esse momento-chave da hist\u00f3ria geol\u00f3gica, Max Cardoso Langer, professor do Departamento de Biologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), campus de Ribeir\u00e3o Preto, foi a campo nos estados que guardam os principais dep\u00f3sitos do per\u00edodo Permo-Tri\u00e1ssico brasileiro \u2013 Maranh\u00e3o, Paran\u00e1 e Rio Grande do Sul.\u00a0<em><strong>F\u00f3sseis<\/strong> <\/em>de vertebrados, invertebrados e at\u00e9 mesmo vegetais desse per\u00edodo foram encontrados ao longo dos dois anos da pesquisa\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/25356\/vertebrados-permo-triassicos-bacias-parana\" target=\"_blank\">apoiada pela FAPESP<\/a>\u00a0entre 2010 e 2012.<\/p>\n<p>Em rochas do per\u00edodo Permiano da Bacia do Parna\u00edba, no Maranh\u00e3o, foi localizada uma flora at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida. \u201cEla guarda uma semelhan\u00e7a muito grande com as floras permianas da Europa, dos Estados Unidos e do Sudeste Asi\u00e1tico. \u00c9 um detalhe t\u00e9cnico, mas muito interessante, pois mostra que o norte do Brasil, naquela \u00e9poca, tinha uma biota mais parecida com regi\u00f5es ao norte do planeta do que com o restante da Am\u00e9rica do Sul\u201d, disse Langer.<\/p>\n<p>Outra descoberta feita na Bacia do Parna\u00edba extrapolou o per\u00edodo de abrang\u00eancia da pesquisa: acima das rochas do Permiano, sedimentos de idade jur\u00e1ssica (de 200 a 145 milh\u00f5es de anos) escondiam um cr\u00e2nio de um crocodiliforme (parente f\u00f3ssil dos jacar\u00e9s atuais). Em terras brasileiras, todos os tetr\u00e1podes (animais com quatro patas) do Jur\u00e1ssico eram conhecidos somente a partir de pegadas, tornando esse achado o primeiro com base em esqueleto, segundo Langer.<\/p>\n<p>A terceira entre as coletas mais significativas do Maranh\u00e3o foi a de vest\u00edgios de peixes do grupo dos semionotiformes do per\u00edodo Permiano, animais que tinham por volta de 25 cent\u00edmetros de comprimento e tegumento \u00e1spero por conta de escamas bastante robustas. Eles eram conhecidos somente do Tri\u00e1ssico em diante.<\/p>\n<p>\u201cAcreditava-se que tais peixes tinham surgido ap\u00f3s a grande extin\u00e7\u00e3o. Com o achado, vimos que, na verdade, eles pertencem a uma linhagem que, por algum motivo, resistiu ao evento de crise e irradiou-se depois dela\u201d, disse Langer. O material est\u00e1 na USP de Ribeir\u00e3o Preto, em an\u00e1lise por uma professora parceira, Martha Richter, do Natural History Museum de Londres.<\/p>\n<p>Descendo o territ\u00f3rio nacional, Langer e sua equipe foram para a Serra do Cadeado, no norte do Paran\u00e1, onde tamb\u00e9m existem rochas do per\u00edodo Permiano. L\u00e1, encontraram peixes e anf\u00edbios f\u00f3sseis, agora em vias de serem descritos.<\/p>\n<p>\u201cAchamos ainda vest\u00edgios de trilobitas, que s\u00e3o artr\u00f3podes \u2013 animais com ap\u00eandices articulados e exoesqueleto \u2013 de ambiente sempre marinho. N\u00e3o se imaginava que houvesse influ\u00eancia do mar naquela regi\u00e3o no per\u00edodo em que viveram esses animais. Mas esta \u00e9 uma evid\u00eancia de que tal conex\u00e3o existiu\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>Na origem dos dinossauros<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es em rochas tri\u00e1ssicas na depress\u00e3o central do Rio Grande do Sul ajudaram a descrever tr\u00eas esp\u00e9cies de dinossauros: uma delas, o Pampadromeu (Pampadromaeus barberenai), pela primeira vez; e as outras duas, o Guaibassauro (Guaibasaurus candelariensis) e o Sacissauro (Sacisaurus agudoensis), ganharam descri\u00e7\u00f5es mais completas e detalhadas do que as existentes.<\/p>\n<p>\u201cUm dos aspectos que tornam essas descobertas t\u00e3o interessantes \u00e9 que as rochas do Tri\u00e1ssico do Rio Grande do Sul \u2013 assim como as do noroeste argentino \u2013 re\u00fanem os dinossauros f\u00f3sseis mais antigos de que se tem not\u00edcia em todo o mundo. Ou seja, estud\u00e1-los \u00e9 olhar para a origem desses animais, para seus primeiros momentos sobre a Terra\u201d, disse Langer.<\/p>\n<p>A irradia\u00e7\u00e3o bi\u00f3tica no per\u00edodo do surgimento dos dinossauros, ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o entre o Permiano e o Tri\u00e1ssico, moldou os padr\u00f5es de biodiversidade atual. Foi o momento em que tamb\u00e9m apareceram sapos, tartarugas, mam\u00edferos e as linhagens das aves, crocodilos e lagartos. \u201cNovas descobertas sobre os dinossauros sempre ajudam, portanto, a explicar melhor como se estruturou a fauna que conhecemos hoje em dia\u201d, afirmou Langer.<\/p>\n<p>As buscas em solo ga\u00facho renderam ainda descri\u00e7\u00f5es de novos exemplares de tetr\u00e1podes do Tri\u00e1ssico, como um rincossauro (Teyumbaita sulcognathus) e um rauis\u00faquio (Decuriasuchus quartacolonia). O primeiro foi um quadr\u00fapede baixo, alongado, que passava dos dois metros de comprimento na idade adulta e contava com uma estrutura dent\u00e1ria pr\u00f3pria para mastigar vegetais, provavelmente sementes.<\/p>\n<p>J\u00e1 os rauis\u00faquios eram os predadores de topo da \u00e9poca, compar\u00e1veis, em termos de papel na cadeia alimentar, com os le\u00f5es e os tigres atuais. \u201cAlguns passavam de cinco metros de comprimento. Pertenciam \u00e0 linhagem dos crocodilos e conviveram com os dinossauros \u2013 que no in\u00edcio n\u00e3o eram t\u00e3o grandes e provavelmente serviram de presas para os rauis\u00faquios\u201d, explicou Langer.<\/p>\n<p>Hiato de Olson<\/p>\n<p>O projeto envolveu outros cinco docentes e ao menos 15 alunos de institui\u00e7\u00f5es parceiras: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e Universidade Federal do Piau\u00ed (UFPI). Os esfor\u00e7os investigativos seguem em frente, com o estudo do material coletado. Ao longo dos pr\u00f3ximos anos, isso permitir\u00e1 tra\u00e7ar novas rela\u00e7\u00f5es de parentesco e preencher lacunas no registro f\u00f3ssil das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Os conhecimentos obtidos a partir de ent\u00e3o podem contribuir, de modo especial, com o preenchimento do chamado Hiato de Olson, o per\u00edodo que se estende de 270 a 265 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s (dentro do Permiano), em que registros f\u00f3sseis s\u00e3o mais escassos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existe um motivo conhecido e aceito de forma consensual para tal escassez. Pode ser somente pela escassez de rochas dessa idade\u201d, disse Langer. Todos os dados recuperados ao longo da pesquisa s\u00e3o inseridos no Sistema Lund (<a href=\"http:\/\/www.lund.fc.unesp.br\/lund\" target=\"_blank\">www.lund.fc.unesp.br\/lund<\/a>), banco de dados on-line para a cataloga\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis, o primeiro do tipo no Brasil.<\/p>\n<p>Langer j\u00e1 havia se debru\u00e7ado sobre f\u00f3sseis do per\u00edodo Tri\u00e1ssico no Rio Grande do Sul em seus projetos de mestrado (1996) e doutorado (2001). Nos anos seguintes, passou a estudar tamb\u00e9m os dep\u00f3sitos do per\u00edodo Permiano nos estados de S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1. Com o estudo sobre o Permo-Tri\u00e1ssico conclu\u00eddo, o pr\u00f3ximo passo do pesquisador ser\u00e1 seguir acrescentando pe\u00e7as ao quebra-cabe\u00e7a evolutivo, agora a partir do estudo de f\u00f3sseis espec\u00edficos do Tri\u00e1ssico-Jur\u00e1ssico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 o maior epis\u00f3dio de extin\u00e7\u00e3o em massa da hist\u00f3ria da Terra ocorreu na passagem do Permiano (o per\u00edodo situado entre 290 e 245 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s) para o Tri\u00e1ssico (entre 245 e 200 milh\u00f5es de anos). 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