{"id":43829,"date":"2013-04-19T14:45:08","date_gmt":"2013-04-19T17:45:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=43829"},"modified":"2013-04-19T14:45:08","modified_gmt":"2013-04-19T17:45:08","slug":"pesquisa-traca-historia-evolutiva-do-virus-da-dengue-tipo-2-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/pesquisa-traca-historia-evolutiva-do-virus-da-dengue-tipo-2-no-brasil\/43829","title":{"rendered":"Pesquisa tra\u00e7a hist\u00f3ria evolutiva do v\u00edrus da dengue tipo 2 no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma pesquisa\u00a0<a href=\"http:\/\/www.plosone.org\/article\/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0059422\" target=\"_blank\">publicada<\/a>\u00a0na revista\u00a0PLoS One\u00a0mapeou, no Brasil, a hist\u00f3ria evolutiva do sorotipo 2 do v\u00edrus da <em><strong>dengue<\/strong> <\/em>(DENV-2) \u2013 uma das quatro esp\u00e9cies transmitidas ao homem pelo mosquito\u00a0Aedes aegypti\u00a0.<\/p>\n<p>Os resultados revelam a circula\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de diferentes linhagens de DENV-2 no pa\u00eds, o que pode estar associado a um maior n\u00famero de surtos epid\u00eamicos e de manifesta\u00e7\u00f5es graves da doen\u00e7a quando comparado aos outros tr\u00eas sorotipos da dengue. A exist\u00eancia de uma maior variabilidade gen\u00e9tica entre o DENV-2 tamb\u00e9m tem sido apontada como causa do insucesso em testes com vacinas.<\/p>\n<p>Para mapear a diversidade filogen\u00e9tica e filogeogr\u00e1fica do v\u00edrus, ou seja, o caminho evolutivo trilhado em diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, pesquisadores da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, realizaram o sequenciamento completo de 12 amostras de DENV-2 de pacientes atendidos em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto durante a epidemia de 2008. Os dados foram comparados com amostras de bancos de dados gen\u00e9ticos de dengue do Brasil e do mundo.<\/p>\n<p>O trabalho foi coordenado por Mauricio Lacerda Nogueira, do Laborat\u00f3rio de Pesquisas em Virologia da Famerp, e contou com\u00a0<a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/53071\/caracterizacao-biologica-molecular-isolados-dengue\/\" target=\"_blank\">financiamento<\/a>\u00a0da FAPESP e da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e apoio da Secretaria de Sa\u00fade de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto e do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT) em Dengue.<\/p>\n<p>\u201cDentro de cada uma das quatro esp\u00e9cies de v\u00edrus causadoras da dengue existem diferentes gen\u00f3tipos. Dentro de cada gen\u00f3tipo ainda h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que chamamos de clados ou linhagens. Nossos dados mostram que tr\u00eas diferentes linhagens de DENV-2 entraram no Brasil nos \u00faltimos 30 anos e todas elas pertencem ao gen\u00f3tipo Americano\/Asi\u00e1tico\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, h\u00e1 ao todo seis diferentes gen\u00f3tipos do DENV-2. O gen\u00f3tipo Americano\/Asi\u00e1tico, que estima-se teria vindo do Vietn\u00e3 via Cuba, predomina hoje em todo o continente americano. \u201cO gen\u00f3tipo Americano existente na regi\u00e3o originalmente foi expulso por uma vers\u00e3o do v\u00edrus oriunda da \u00c1sia, mais agressiva e mais adaptada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es epidemiol\u00f3gicas das Am\u00e9ricas\u201d, explicou.<\/p>\n<p>As tr\u00eas diferentes linhagens de DENV-2 analisadas no estudo foram chamadas pelos pesquisadores de BR1, BR2 e BR3. Diferem geneticamente entre si por 37 altera\u00e7\u00f5es de amino\u00e1cidos. Essas varia\u00e7\u00f5es, segundo Nogueira, encontram-se na regi\u00e3o do genoma do v\u00edrus que mais interage com o sistema imunol\u00f3gico humano.<\/p>\n<p>Os resultados divulgados na\u00a0PLos One\u00a0indicam que a primeira introdu\u00e7\u00e3o do gen\u00f3tipo Americano\/Asi\u00e1tico teria ocorrido entre 1988 e 1989, possivelmente no Rio de Janeiro. Essa linhagem, batizada de BR1,teria circulado continuamente em diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds por pelo menos 14 anos.<\/p>\n<p>Entre 1998 e 2000 teria ocorrido a introdu\u00e7\u00e3o da linhagem BR2, mais restrita \u00e0 regi\u00e3o Nordeste do pa\u00eds. Paralelamente, em 1999, o BR3 teria aparecido no Sudeste e, em 2001, na regi\u00e3o Norte, causando grandes epidemias no Rio de Janeiro e em S\u00e3o Paulo entre 2007 e 2008 e superando as outras duas linhagens em termos de n\u00famero de casos e de manifesta\u00e7\u00f5es graves.<\/p>\n<p>Presen\u00e7a constante<\/p>\n<p>\u201cFizemos um estudo semelhante com o DENV-1,\u00a0<a href=\"http:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007%2Fs00705-012-1393-9\" target=\"_blank\">publicado em 2012<\/a>\u00a0na revista\u00a0Archives of Virology, no qual mostramos que, quando uma nova linhagem do v\u00edrus emergia, a anterior desaparecia completamente. Mas, no caso do DENV-2, existem per\u00edodos em que h\u00e1 dois clados diferentes circulando ao mesmo tempo no pa\u00eds, o que torna esse v\u00edrus mais perigoso. A maior variabilidade gen\u00e9tica favorece epidemias\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por coincid\u00eancia, afirmou o pesquisador, que o DENV-2 \u00e9 h\u00e1 pelo menos dez anos uma presen\u00e7a constante no interior de S\u00e3o Paulo, enquanto os demais sorotipos causam epidemias em anos espec\u00edficos e depois desaparecem por longos per\u00edodos. \u201cAo analisar os dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade \u00e9 poss\u00edvel detectar dengue do tipo 2 todos os anos no Brasil e em diferentes regi\u00f5es\u201d, disse.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, o consenso entre os especialistas era de que, uma vez afetado por um sorotipo da dengue, o indiv\u00edduo ficaria imune \u00e0quela esp\u00e9cie do v\u00edrus, mesmo se infectado por diferentes gen\u00f3tipos e linhagens. Mas estudos recentes t\u00eam levantado novos questionamentos entre os cientistas.<\/p>\n<p>Em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0140673612614287\" target=\"_blank\">artigo publicado<\/a>\u00a0na\u00a0The Lancet\u00a0em 2012, pesquisadores do laborat\u00f3rio Sanofi Pasteur reportaram o sucesso apenas parcial da vacina tetravalente contra a dengue testada em 4 mil crian\u00e7as com idades entre 4 e 11 anos na Tail\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Entre os sorotipos DENV-1, DENV-3 e DENV-4, a taxa de efici\u00eancia ficou entre 60% e 90%. Mas o sorotipo DEN-2 resistiu quase que totalmente aos efeitos da vacina. Uma das raz\u00f5es apontadas no estudo seria a diferen\u00e7a entre os clados circulantes na popula\u00e7\u00e3o da Tail\u00e2ndia e os usados para fazer o imunizante.<\/p>\n<p>Outros testes com a vacina da Sanofi est\u00e3o em andamento em dez pa\u00edses da \u00c1sia e da Am\u00e9rica Latina, entre eles o Brasil, com 31 mil crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sabemos se os resultados brasileiros ser\u00e3o parecidos com os da Tail\u00e2ndia. Pode ser, por exemplo, que aqui a vacina funcione contra o DENV-2 e n\u00e3o funcione contra o DENV-4. Precisamos de mais estudos para entender a evolu\u00e7\u00e3o dos quatro sorotipos, as varia\u00e7\u00f5es de linhagem e o quanto isso importa em termos de resposta imune, do n\u00famero de casos e da gravidade da doen\u00e7a\u201d, afirmou Nogueira.<\/p>\n<p>Para o pesquisador, no entanto, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que os resultados apontem para a necessidade de desenvolver vacinas espec\u00edficas para cada pa\u00eds e para cada regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTemos de conhecer exatamente qual tipo de v\u00edrus est\u00e1 circulando em um local para saber o tipo de vacina que precisamos. Assim como n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer uma vacina gen\u00e9rica contra a gripe, talvez tenhamos que fazer vacinas diferentes contra a dengue. Mas precisamos de mais dados dos ensaios em andamento para saber ao certo\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>Nogueira tamb\u00e9m coordena, com\u00a0<a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/45654\/vigilancia-dengue-avaliacao-sistema-sentinela\/\" target=\"_blank\">apoio da FAPESP<\/a>\u00a0e da prefeitura de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, um projeto de vigil\u00e2ncia em dengue para acompanhar em tempo real o que acontece no munic\u00edpio, que atualmente enfrenta uma forte epidemia.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 foram registrados mais de 8 mil casos somente em 2013 e nossos dados indicam que mais de 90% correspondem ao DENV-4, que aparentemente \u00e9 menos agressivo. O n\u00famero de casos graves n\u00e3o est\u00e1 sendo grande\u201d, contou.<\/p>\n<p>Entre 2009 e 2010, a regi\u00e3o enfrentou uma epidemia de DENV-1 com mais de 20 mil casos. Com epidemias t\u00e3o pr\u00f3ximas causadas por diferentes v\u00edrus e a presen\u00e7a constante do DENV-2, o risco de a popula\u00e7\u00e3o sofrer infec\u00e7\u00f5es repetidas aumenta, o que eleva tamb\u00e9m o risco de manifesta\u00e7\u00f5es graves, alertou o pesquisador.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Circulation of Different Lineages of Dengue Virus 2, Genotype American\/Asian in Brazil: Dynamics and Molecular and Phylogenetic Characterization (doi: 10.1371\/journal.pone.0059422)\u00a0pode ser lido em<a href=\"http:\/\/www.plosone.org\/article\/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0059422\" target=\"_blank\">www.plosone.org\/article\/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0059422<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma pesquisa\u00a0publicada\u00a0na revista\u00a0PLoS One\u00a0mapeou, no Brasil, a hist\u00f3ria evolutiva do sorotipo 2 do v\u00edrus da dengue (DENV-2) \u2013 uma das quatro esp\u00e9cies transmitidas ao homem pelo mosquito\u00a0Aedes aegypti\u00a0. 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