{"id":44505,"date":"2013-05-28T10:27:04","date_gmt":"2013-05-28T13:27:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=44505"},"modified":"2013-05-28T10:27:04","modified_gmt":"2013-05-28T13:27:04","slug":"pacientes-com-artrite-reumatoide-precisam-de-avaliacao-oral-frequente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/pacientes-com-artrite-reumatoide-precisam-de-avaliacao-oral-frequente\/44505","title":{"rendered":"Pacientes com artrite reumatoide precisam de avalia\u00e7\u00e3o oral frequente"},"content":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma das articula\u00e7\u00f5es mais frequentemente acometidas pela <em><strong>artrite reumatoide<\/strong><\/em> \u00e9 a temporomandibular (ATM), usada para abrir a boca e para mastigar. Apesar disso, s\u00e3o escassos os estudos que avaliam as consequ\u00eancias dessa doen\u00e7a sobre a regi\u00e3o orofacial, que engloba boca e face, onde a ATM se situa. Um grupo de pesquisadores da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (EPM\/Unifesp) estudou a for\u00e7a de mordida dos pacientes com artrite reumatoide atendidos pela institui\u00e7\u00e3o e constatou que a avalia\u00e7\u00e3o da ATM pode contribuir para o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a, antes que ocorram altera\u00e7\u00f5es irrevers\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cConstatamos que a regi\u00e3o orofacial desses pacientes tem, de fato, mais altera\u00e7\u00f5es do que na popula\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, incluindo menor for\u00e7a de mordida. A avalia\u00e7\u00e3o da ATM deveria, portanto, constar em consultas padr\u00e3o, como forma de controlar a inflama\u00e7\u00e3o e a doen\u00e7a\u201d, disse Jamil Natour, professor de Reumatologia da Unifesp e coordenador\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/28769\/avaliacao-oral-pacientes-artrite-reumatoide\" target=\"_blank\">de pesquisa sobre o tema<\/a>\u00a0apoiada pela FAPESP.<\/p>\n<p>A artrite reumatoide \u00e9 uma doen\u00e7a autoimune, causada pela agress\u00e3o do sistema imunol\u00f3gico ao pr\u00f3prio organismo \u2013 neste caso, as articula\u00e7\u00f5es sinoviais s\u00e3o os principais alvos. O interior desse tipo de articula\u00e7\u00e3o \u00e9 revestido pela membrana sinovial, que a artrite reumatoide torna espessa e inflamada. A membrana passa, ent\u00e3o, a produzir subst\u00e2ncias que comprometem as estruturas articulares, podendo lesionar a cartilagem, o osso, ligamentos e tend\u00f5es e resultar em deformidades e sequelas.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da ATM, os pesquisadores da Unifesp acompanharam dois grupos: o grupo denominado AR (artrite reumatoide), constitu\u00eddo por 75 pacientes da Unifesp; e o grupo controle, com 75 adultos sem doen\u00e7a aguda nem cr\u00f4nica e sem queixas na regi\u00e3o da ATM \u2013 volunt\u00e1rios que compareceriam \u00e0 institui\u00e7\u00e3o para fazer exames de rotina, doar sangue ou acompanhar pacientes. \u201cTodos os participantes eram do sexo feminino, mais acometido pela artrite reumatoide e disposto a integrar estudos cient\u00edficos\u201d, explicou Natour.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o entre os grupos envolveu uma avalia\u00e7\u00e3o pela dentista Carmen Paz Santiba\u00f1ez Hoyuela, integrante do grupo de pesquisa e mestranda da Unifesp, que levantou o hist\u00f3rico de cada participante, fez exames f\u00edsicos, aplicou question\u00e1rios sobre o desempenho de atividades cotidianas e sobre o desenvolvimento da artrite reumatoide, al\u00e9m de medir a for\u00e7a da mordida e da m\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse \u00faltimo aspecto foi particularmente importante para documentar se as perdas nas duas regi\u00f5es s\u00e3o simult\u00e2neas, o que foi comprovado. \u201cO comprometimento nas m\u00e3os \u00e9 bem conhecido e estudado. Quer\u00edamos checar se pacientes com artrite reumatoide e problemas nas m\u00e3os tamb\u00e9m apresentam problemas na ATM\u201d, disse Natour.<\/p>\n<p>\u201cVerificamos que a menor for\u00e7a de mordida acompanha a diminui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a nas m\u00e3os, mostrando que a regi\u00e3o orofacial tem acometimento concomitante a outras partes do aparelho musculoesquel\u00e9tico e deve, portanto, ser acompanhada e avaliada\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>As medi\u00e7\u00f5es foram feitas com dinam\u00f4metros, aparelhos usados para estabelecer for\u00e7as. Para a mordida, os pesquisadores encomendaram \u00e0 empresa Filizola um gnatodinam\u00f4metro (para medir a for\u00e7a empreendida no fechamento da mand\u00edbula), desenvolvido e adaptado para o estudo.<\/p>\n<p>Com o instrumento, foi mensurada a for\u00e7a sobre a \u00e1rea dos dentes molares (de ambos os lados) e dos incisivos. J\u00e1 para medir a for\u00e7a da m\u00e3o e a de pin\u00e7a (entre os dedos polegar e indicador), foram usados dinam\u00f4metros j\u00e1 existentes no mercado e aceitos internacionalmente como instrumentos para estabelecer a preens\u00e3o \u2013 dinam\u00f4metro Jamar e Pinch gauge, respectivamente.<\/p>\n<p>\u201cCorrelacionamos os resultados da avalia\u00e7\u00e3o orofacial com par\u00e2metros funcionais, cl\u00ednicos e de atividade da doen\u00e7a, bem como a for\u00e7a de mordida com a for\u00e7a da m\u00e3o. Foi assim que conclu\u00edmos que as mulheres do grupo AR apresentam mais sinais e sintomas na regi\u00e3o orofacial e menor for\u00e7a de mordida\u201d, explica Natour.<\/p>\n<p>Contribui\u00e7\u00f5es e pr\u00f3ximos passos<\/p>\n<p>A artrite reumatoide acomete de 0,5 a 1% da popula\u00e7\u00e3o e em geral surge entre os 30 e 40 anos \u2013 embora possa aparecer em qualquer idade. Quanto mais intensa e prolongada a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o articular, maiores as les\u00f5es que a doen\u00e7a pode provocar.<\/p>\n<p>\u00c9 comum que m\u00faltiplas articula\u00e7\u00f5es sejam comprometidas e n\u00e3o existe cura definitiva. O tratamento envolve medicamentos, inje\u00e7\u00f5es nas juntas inflamadas, fisioterapia e eventualmente cirurgias, a fim de conter o processo inflamat\u00f3rio e a progress\u00e3o das les\u00f5es, controlar a dor e as altera\u00e7\u00f5es nas fun\u00e7\u00f5es desempenhadas pelas diferentes regi\u00f5es do corpo.<\/p>\n<p>O comprometimento ou n\u00e3o da ATM depende de fatores como idade, tempo de doen\u00e7a, n\u00famero de articula\u00e7\u00f5es com edemas, presen\u00e7a de fator reumatoide (anticorpo presente em cerca de 90% dos pacientes com artrite reumatoide) e resultados dos exames prote\u00edna C reativa e velocidade de hemossedimenta\u00e7\u00e3o. Mas Natour lembra que \u201ctais exames s\u00e3o inespec\u00edficos \u2013 qualquer doen\u00e7a inflamat\u00f3ria, at\u00e9 uma gripe, pode alter\u00e1-los \u2013 e o diagn\u00f3stico \u00e9 cl\u00ednico\u201d.<\/p>\n<p>Comprovada a necessidade de acompanhar as altera\u00e7\u00f5es provocadas pela artrite reumatoide na ATM, o passo seguinte \u00e9 pensar em interven\u00e7\u00f5es que possam melhorar as fun\u00e7\u00f5es da boca e da face e a qualidade de vida dos pacientes. Nesse sentido, agora j\u00e1 se sabe que a primeira medida deve ser uma aten\u00e7\u00e3o mais cuidadosa \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o oral de quem tem a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A pesquisa contou ainda com a participa\u00e7\u00e3o da m\u00e9dica reumatologista Rita Nely Vilar Furtado e da fisioterapeuta e mestranda Aline Chiari, ambas da Unifesp. Conclu\u00edda em 2012, teve resultados apresentados no mesmo ano no Congresso Europeu de Reumatologia, em Berlim, na Alemanha, e um artigo completo est\u00e1 em fase de aprova\u00e7\u00e3o para publica\u00e7\u00e3o em revista cient\u00edfica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma das articula\u00e7\u00f5es mais frequentemente acometidas pela artrite reumatoide \u00e9 a temporomandibular (ATM), usada para abrir a boca e para mastigar. Apesar disso, s\u00e3o escassos os estudos que avaliam as consequ\u00eancias dessa doen\u00e7a sobre a regi\u00e3o orofacial, que engloba boca e face, onde a ATM se situa. 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