{"id":44602,"date":"2013-06-04T16:15:59","date_gmt":"2013-06-04T19:15:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=44602"},"modified":"2013-06-04T16:15:12","modified_gmt":"2013-06-04T19:15:12","slug":"cientistas-desenvolvem-simulador-de-midias-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/cientistas-desenvolvem-simulador-de-midias-sociais\/44602","title":{"rendered":"Cientistas desenvolvem simulador de m\u00eddias sociais"},"content":{"rendered":"<p>Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O poder de difus\u00e3o e a velocidade de propaga\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es nas <em><strong>m\u00eddias sociais<\/strong><\/em> t\u00eam despertado o interesse de empresas e organiza\u00e7\u00f5es em realizar a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o em plataformas como Twitter e Facebook.<\/p>\n<p>Um dos desafios com os quais se deparam ao tomar essa decis\u00e3o, no entanto, \u00e9 prever o impacto que as campanhas ter\u00e3o nessas m\u00eddias sociais, uma vez que elas apresentam um efeito altamente \u201cviral\u201d \u2013 as informa\u00e7\u00f5es se propagam nelas muito rapidamente e \u00e9 dif\u00edcil estimar a repercuss\u00e3o que ter\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSe antes uma pessoa divulgava uma informa\u00e7\u00e3o no boca-a-boca para mais tr\u00eas ou quatro pessoas, agora ela possui uma audi\u00eancia que pode chegar aos milhares de seguidores por meio da internet. Da\u00ed a dificuldade de prever o impacto de uma a\u00e7\u00e3o em uma m\u00eddia social\u201d, disse Claudio Pinhanez, l\u00edder do grupo de pesquisa em sistemas de servi\u00e7os da IBM Research &#8211; Brazil \u2013 o laborat\u00f3rio brasileiro de pesquisa da empresa norte-americana de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Para tentar encontrar uma resposta a esse desafio, o grupo iniciou um projeto em parceria com pesquisadores do Departamento de Computa\u00e7\u00e3o do Instituto de Matem\u00e1tica e Estat\u00edstica (IME) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) a fim de desenvolver um simulador capaz de prever o impacto das a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o em m\u00eddias sociais com base nos padr\u00f5es de comportamento dos usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os primeiros resultados do projeto foram apresentados no in\u00edcio de maio durante o 14th International Workshop on Multi-Agent-Based Simulation, realizado na cidade de Saint Paul, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos e, posteriormente, no Latin American eScience Workshop 2013, que ocorreu nos dias 14 e 15 de maio no Espa\u00e7o Apas, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Promovido pela FAPESP e pela Microsoft Research, o segundo evento reuniu pesquisadores e estudantes da Europa, da Am\u00e9rica do Sul e do Norte, da \u00c1sia e da Oceania para discutir avan\u00e7os em diversas \u00e1reas do conhecimento possibilitados pela melhoria na capacidade de an\u00e1lise de grandes volumes de informa\u00e7\u00f5es produzidas por projetos de pesquisa.<\/p>\n<p>Segundo Pinhanez, para desenvolver um m\u00e9todo inicial para modelar e simular as intera\u00e7\u00f5es entre os usu\u00e1rios de redes sociais, foram coletadas mensagens publicadas por 25 mil pessoas nas redes no Twitter do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e de seu advers\u00e1rio pol\u00edtico, Mitt Romney, em outubro de 2012, \u00faltimo m\u00eas da recente campanha eleitoral presidencial norte-americana.<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram o conte\u00fado das mensagens e o comportamento dos usu\u00e1rios nas redes de Obama e Romney, de modo a identificar padr\u00f5es de a\u00e7\u00f5es, a frequ\u00eancia com que postavam mensagens, se eram mais positivas ou negativas e qual a influ\u00eancia dessas mensagens\u00a0sobre outros usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Com base nesse conjunto de dados, desenvolveram um modelo de simula\u00e7\u00e3o de agentes \u2013 um sistema\u00a0por meio do\u00a0qual cada usu\u00e1rio avaliado \u00e9 representado por programas individuais de computador que rodam integrados e ao mesmo tempo \u2013 que indica as probabilidades de a\u00e7\u00e3o na rede de cada uma dessas pessoas,\u00a0apontando qual o momento do dia mais prov\u00e1vel para publicar uma mensagem positiva ou negativa com base em seu hist\u00f3rico de comportamento.<\/p>\n<p>Uma das constata\u00e7\u00f5es nos experimentos com o simulador\u00a0foi que a retirada dos dez usu\u00e1rios mais engajados nas discuss\u00f5es realizadas no Twitter do presidente teria mais impacto na rede social do que se o pr\u00f3prio Obama fosse exclu\u00eddo.<\/p>\n<p>\u201cEsses resultados s\u00e3o preliminares e ainda n\u00e3o temos como dizer que s\u00e3o v\u00e1lidos, porque o modelo ainda \u00e9 inicial e muito simples.\u00a0Servem, contudo, para demonstrar que o modelo \u00e9 capaz de mostrar situa\u00e7\u00f5es interessantes e que, quando estiver pronto, ser\u00e1 muito \u00fatil para testar hip\u00f3teses e responder a perguntas do tipo \u2018ser\u00e1 que a frequ\u00eancia com que o presidente Obama publica uma mensagem afeta sua rede social?\u2019\u201d, disse Pinhanez.<\/p>\n<p>A IBM j\u00e1 possu\u00eda um sistema que permite a an\u00e1lise de \u201csentimento\u201d \u2013 como \u00e9 denominada a classifica\u00e7\u00e3o do tom de uma mensagem \u2013 de grandes volumes de textos em ingl\u00eas e em fluxo cont\u00ednuo (em tempo real de informa\u00e7\u00e3o), que a empresa pretende aprimorar para disponibiliz\u00e1-la no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cEstamos trabalhando para trazer uma s\u00e9rie de tecnologias e adapt\u00e1-las para a l\u00edngua portuguesa e \u00e0 cultura brasileira, uma vez que o Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds mais engajado em redes sociais no mundo, atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos\u201d, afirmou Pinhanez.<\/p>\n<p>Desafios<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, um dos principais desafios para a an\u00e1lise de sentimento de mensagens publicadas nas redes sociais no Brasil \u00e9 que o portugu\u00eas usado nessas novas m\u00eddias costuma n\u00e3o seguir as normas cultas da l\u00edngua portuguesa, e isso n\u00e3o se deve, necessariamente, ao fato de o usu\u00e1rio n\u00e3o dominar o idioma.<\/p>\n<p>\u201cExistem conven\u00e7\u00f5es de como se escrever de maneira\u00a0cool\u00a0nas redes sociais\u201d, disse Pinhanez. Por causa disso, um dos desafios no Brasil ser\u00e1 o de incorporar o novo vocabul\u00e1rio surgido nesses f\u00f3runs.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os textos s\u00e3o mais curtos e informais do que os publicados em\u00a0sites\u00a0de avalia\u00e7\u00f5es de filmes, por exemplo, como o do Internet Movie Database, em que os coment\u00e1rios s\u00e3o mais longos, mais bem formatados e rotulados.<\/p>\n<p>\u201cCom base nesse tipo de crit\u00e9rio, podemos saber, de antem\u00e3o, qual o sentimento do texto: se o usu\u00e1rio deu muitas estrelas para o filme \u00e9 que ele est\u00e1 falando bem. E se deu poucas estrelas \u00e9 porque sua avalia\u00e7\u00e3o foi negativa\u201d, disse Samuel Martins Barbosa Neto, doutorando do IME e participante do projeto.<\/p>\n<p>\u201cA linguagem usada no Twitter \u00e9 muito mais natural. H\u00e1 muita express\u00e3o e varia\u00e7\u00f5es de palavras, o que torna muito mais complicada a classifica\u00e7\u00e3o das mensagens. \u00c0s vezes n\u00e3o se tem informa\u00e7\u00e3o suficiente para assegurar que, de fato, um determinado\u00a0tweet\u00a0\u00e9 positivo ou negativo, uma vez que ele n\u00e3o tem um r\u00f3tulo que permita compar\u00e1-lo com outros. Por isso, muitas dessas mensagens precisam ser rotuladas manualmente\u201d, explicou Barbosa Neto.<\/p>\n<p>Outro desafio \u00e9 extrair dados das redes sociais. No in\u00edcio, o acesso aos dados das mensagens de redes, como o Twitter, era totalmente aberto. Hoje, \u00e9 limitado. Al\u00e9m disso, o n\u00famero de informa\u00e7\u00f5es geradas por redes sociais cresceu exponencialmente, impondo aos pesquisadores o desafio de extrair mostras significativas de grandes volumes de dados para validar suas pesquisas.<\/p>\n<p>\u201cA rede do Obama no Twitter deve ter chegado aos 25 milh\u00f5es de seguidores. Como podemos apenas extrair uma pequena parte desses dados, o desafio \u00e9 garantir que eles n\u00e3o sejam enviesados \u2013 representando, por exemplo, apenas um nicho de seguidores \u2013 para gerar um resultado v\u00e1lido\u201d, explicou Barbosa Neto.<\/p>\n<p>Colabora\u00e7\u00e3o de pesquisa<\/p>\n<p>Roberto Marcondes Cesar Junior, professor do IME-USP e orientador do trabalho de doutorado de Barbosa Neto, conta que o projeto de desenvolvimento do simulador de rede social \u00e9 o primeiro realizado por seu grupo em colabora\u00e7\u00e3o com a IBM Research &#8211; Brazil.<\/p>\n<p>O grupo do IME trabalha h\u00e1 dez anos no desenvolvimento de projetos de an\u00e1lise de dados usando modelos estat\u00edsticos em \u00e1reas como\u00a0Biologia e\u00a0Medicina, para descobertas de novos genes e de redes g\u00eanicas, por exemplo. E, mais recentemente, come\u00e7ou a desenvolver pesquisas para a aplica\u00e7\u00e3o de modelos matem\u00e1ticos em Ci\u00eancias Sociais.<\/p>\n<p>\u201cIngressamos nessa \u00e1rea com o intuito de aplicar as mesmas t\u00e9cnicas matem\u00e1ticas e computacionais em situa\u00e7\u00f5es em que os dados prov\u00eam de alguma atividade humana, especificamente, em vez da a\u00e7\u00e3o de um gene ou de uma prote\u00edna, por exemplo, e vimos a oportunidade de trabalhar essas t\u00e9cnicas em redes sociais, que, do ponto de vista abstrato, t\u00eam muitas semelhan\u00e7as com uma rede g\u00eanica, porque s\u00e3o redes que conectam elementos\u201d, comparou Marcondes Cesar, que \u00e9 membro da Coordena\u00e7\u00e3o Adjunta de Ci\u00eancias Exatas e Engenharias da FAPESP e coordena o Projeto Tem\u00e1tico\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/46349\/modelos-metodos-science-ciencias-vida\/\" target=\"_blank\">\u201cModelos e m\u00e9todos de e-Science para ci\u00eancias da vida e agr\u00e1rias\u201d<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto em uma rede g\u00eanica os elementos s\u00e3o os genes, que trocam informa\u00e7\u00e3o bioqu\u00edmica, em uma rede social os integrantes s\u00e3o os usu\u00e1rios, que trocam mensagens de texto\u201d, disse.<\/p>\n<p>A parceria com a IBM Research &#8211; Brazil, segundo Marcondes Cesar, possibilita implementar as ferramentas desenvolvidas na universidade. Para facilitar a realiza\u00e7\u00e3o do projeto, o estudante de doutorado orientado por ele foi contratado como estagi\u00e1rio pela empresa.<\/p>\n<p>\u201cTemos feito muitos projetos em parceria com universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa. Acreditamos muito em inova\u00e7\u00e3o aberta e atuamos bastante dessa forma\u201d, disse Pinhanez.<\/p>\n<p>Segundo Pinhanez, poucos grupos de pesquisa no mundo tentaram desenvolver um simulador de m\u00eddias sociais, em grande parte pela dificuldade de se montar uma equipe multidisciplinar de pesquisa.<\/p>\n<p>\u201cAcho que, pela primeira vez, a comunidade cient\u00edfica tem algo parecido com o mapa de quem conhece quem no mundo. \u00c9 um mapa ainda incompleto, cheio de erros e enviesado, mas o nosso trabalho \u00e9 uma das primeiras simula\u00e7\u00f5es de comportamento de um n\u00famero t\u00e3o grande de pessoas\u201d, afirmou. \u201cAntes, quando se fazia isso era, no m\u00e1ximo, com 300 pessoas, e era preciso ficar coletando dados por anos.\u201d<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Large-Scale Multi-Agent-based Modeling and Simulation of Microblogging-based Online Social Network, de Pinhanez e outros,\u00a0<a href=\"https:\/\/53a22c00-a-62cb3a1a-s-sites.googlegroups.com\/site\/mabsworkshop\/Gatti.pdf?attachauth=ANoY7cpe5T9wP6Kec2KQdKY5Q0Eu5qM-RG0e9oQXnprmsDD8KHDJQiR2KoAb8nzrDyNRkiPXykTMMS5fa7nTR_kD--0XsAKzfY4az1lb69BEAed2cZ-PPmfVnasXWdd9Picwb8Qaov5anc-MFuMHOF3cYm6GKxcwO01QwdEFlajVRWGIWKwmC4G78dwuspzNScncMhEmhuURDqBGqNNp0s8YusDLRsRdIA%3D%3D&amp;attredirects=\" target=\"_blank\">pode ser lido<\/a>\u00a0nos anais do 14th International Workshop on Multi-Agent-Based Simulation.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O poder de difus\u00e3o e a velocidade de propaga\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es nas m\u00eddias sociais t\u00eam despertado o interesse de empresas e organiza\u00e7\u00f5es em realizar a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o em plataformas como Twitter e Facebook. 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